🐛 Insetos

Gafanhoto-migratório

Locusta migratoria

Atualizado em

3 a 6,5 cm (adulto)Tamanho
Herbívoro de gramíneas e cereaisAlimentação
3 a 5 meses, metamorfose incompletaCiclo de vida
Campos, várzeas e áreas cultivadasHabitat
Não pica e não é venenosoPerigo para humanos
Gafanhoto-migratório adulto de corpo inteiro sobre capim, vista lateral

O gafanhoto-migratório (Locusta migratoria) é o inseto que melhor demonstra o fenômeno do polifenismo: o mesmo animal pode viver sozinho, verde e discreto, ou se transformar em marrom, gregário e migrador quando a população aumenta.

É considerado a praga migratória mais distribuída do mundo, presente da Europa à Austrália, capaz de formar nuvens com mais de 1 bilhão de indivíduos que voam por centenas de quilômetros em um único dia.

Apesar da fama destruidora, não pica, não tem veneno e não transmite doenças. O risco está todo no apetite: um único enxame pode consumir em um dia o equivalente à alimentação de milhares de pessoas.

Também conhecido como: gafanhoto-migrador, gafanhoto-europeu, locusta-migratória, migratory locust (inglês), criquet migrateur (francês), locusta migratoria (espanhol)

Faz parte de: Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Gafanhoto-migratório

Gafanhoto-migratório adulto de corpo inteiro sobre capim, vista lateral
Adulto de gafanhoto-migratório na fase solitária, com coloração verde-acastanhada.
Close extremo da cabeça do gafanhoto-migratório mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas curtas.
Gafanhoto-migratório com asas abertas em voo
Asas posteriores membranosas visíveis durante o voo.
Bando de ninfas gregárias de gafanhoto-migratório marchando no solo
Ninfas gregárias em marcha, fase que antecede o enxame alado.
Gafanhoto-migratório se alimentando de folha de trigo
Alimentação em gramínea, sua preferência alimentar.
Grande nuvem de enxame de gafanhotos-migratórios sobre campos abertos
Enxame migratório em deslocamento, com milhões de indivíduos.

Perfil rápido de Gafanhoto-migratório

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e muito abundante, sem risco de extinção.

População
estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividade (ninfas e adultos)JFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Diapausa de ovos (regiões frias)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica e não tem veneno; mordida defensiva rara e sem inoculação. Risco maior é ingestão de insetos contaminados por inseticida.

Vida útil

Na natureza
3 a 10 meses (ovos podem ficar meses em diapausa no solo frio)
Em laboratório
4 a 6 meses em média, com controle de temperatura e alimento

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetábola)
Acasalamento
Sexuado, macho monta sobre a fêmea; cópula dura horas
Postura
Ooteca no solo úmido com 60 a 100 ovos
Ninhada
2 a 3 posturas por fêmea ao longo da vida
Incubação
10 a 14 dias a 30 °C; meses se houver diapausa
Maturidade
30 a 40 dias como ninfa até virar adulto alado

Habitat

Ambientes

  • campos abertos
  • várzeas e deltas de rios
  • estepes e savanas
  • pastagens e lavouras de cereais

Biomas

  • Pradarias
  • Estepes
  • Savanas
  • Áreas agrícolas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • gramíneas (trigo, milho, arroz, cevada, sorgo, capins)

Outros alimentos

  • folhas de plantas cultivadas quando faltam gramíneas

Encontrado em 12 países

  • China
  • Rússia
  • Cazaquistão
  • Índia
  • Austrália
  • África do Sul
  • França
  • Espanha
  • Itália
  • Ucrânia
  • Quênia
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Acrididae
Gênero
Locusta
Espécie
Locusta migratoria (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • O gafanhoto-migratório é o Locusta migratoria, famoso por alternar entre fase solitária verde e fase gregária escura que forma enxames migratórios gigantes.
  • Vive em áreas abertas e úmidas de quase todos os continentes, voa até 100 km por dia e pode comer diariamente o equivalente ao seu próprio peso em folhas e grãos.
  • Não é venenoso nem pica pessoas ou pets, mas é uma das pragas agrícolas mais destrutivas e seu controle depende de monitoramento e manejo integrado, não de veneno caseiro.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaAcrididae
Origem e distribuiçãoEurásia e África, hoje cosmopolita (Europa, África, Ásia e Oceania)
Tamanho3 a 6,5 cm de corpo; envergadura de 8 a 12 cm
Coresverdemarromamareladocinzapreto (varia com a fase)
Asas e voo2 pares de asas, voo forte e sustentado; migra até 100 km/dia
AlimentaçãoHerbívoro (gramíneas, trigo, milho, arroz, capins)
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto, sem pupa)
Expectativa de vida3 a 10 meses conforme clima e subespécie
HabitatCampos abertos, estepes, várzeas, pastagens e lavouras
Comportamento socialSolitário em baixa densidade; gregário e migratório em alta densidade
Principais predadoresAves, répteis, aranhas, vespas e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o gafanhoto-migratório sem confundir

O adulto tem 3 a 6,5 cm de corpo, cabeça curta, olhos grandes e antenas curtas e pernas traseiras muito desenvolvidas para salto. As asas anteriores são coriáceas e as posteriores são membranosas e transparentes, dobradas sob as primeiras quando em repouso.

O detalhe que mais ajuda a reconhecer é a quilla mediana no pronoto (a placa atrás da cabeça) e a coloração variável. Na fase solitária, é verde ou marrom-claro uniforme, bem camuflado. Na fase gregária, fica amarelado a alaranjado com manchas pretas, mais contrastado e robusto.

Ninfas não têm asas funcionais. São menores, sem asas ou com brotos alares, e mudam de cor do verde para o preto-amarelado conforme se agrupam. Confunde-se fácil com o gafanhoto sul-americano Schistocerca cancellata, mas o migratório verdadeiro (Locusta migratoria) tem corpo mais esguio e não ocorre naturalmente estabelecido no Brasil.

A transformação que cria uma praga: fase solitária vs. gregária

Esse é o ponto central da espécie. O gafanhoto-migratório apresenta polifenismo de fase: o mesmo genótipo gera dois fenótipos completamente diferentes dependendo da densidade populacional.

Em baixa densidade, vive solitário, evita contato, é verde, voa pouco e tem comportamento tímido. Quando chuvas seguidas de seca concentram ninfas em áreas menores, o toque repetido nas pernas traseiras dispara serotonina e muda tudo em horas.

Na fase gregária, o cérebro cresce até 30% em volume, o metabolismo acelera, a cor escurece, o inseto fica atraído por outros gafanhotos e passa a marchar e voar em grupo. Essa mudança é reversível ao longo de gerações, mas explica por que uma área aparentemente tranquila pode gerar um enxame em semanas.

Característica Fase solitária Fase gregária
Cor Verde ou marrom-claro uniforme Amarelo-alaranjado com preto
Comportamento Evita grupo, voa curto Atraído pelo grupo, migra longe
Tamanho Menor e mais esguio Maior, tórax e asas mais fortes
Risco agrícola Baixo Altíssimo, forma enxames

Onde vive e por que está em quase todos os continentes

Locusta migratoria é o gafanhoto com maior distribuição global. Ocorre naturalmente da Península Ibérica e norte da África até o Japão, passando por toda a Ásia Central, e também na Austrália. São reconhecidas cerca de 10 subespécies, como L. m. migratoria na Europa/Ásia e L. m. migratorioides na África.

Prefere áreas abertas, planas e sazonalmente alagáveis: várzeas de rios, deltas, estepes, pastagens e bordas de lavouras de cereais. Precisa de solo úmido e fofo para desovar e de gramíneas abundantes para as ninfas.

No Brasil, não há populações estabelecidas do migratório verdadeiro. Os surtos que aparecem no noticiário no Sul são do gafanhoto sul-americano, parente próximo. O migratório só aparece aqui por introdução acidental ou em coleções, mas o estudo dele é essencial porque o mecanismo de gregarização é idêntico ao das nossas pragas.

O que o gafanhoto-migratório come e quanto consegue devorar

É herbívoro estrito e gramínivoro: prefere gramíneas como trigo, cevada, milho, arroz, sorgo, cana e capins nativos. Em falta dessas, consome folhas largas, mas sempre prioriza cereais.

Um adulto come por dia praticamente seu peso em matéria verde, cerca de 2 a 3 gramas. Parece pouco, mas multiplique por um enxame de 1 bilhão de indivíduos: são 2.000 a 3.000 toneladas de vegetação em 24 horas, o suficiente para alimentar 35 mil pessoas.

Ninfas gregárias marcham em bandos terrestres que avançam metros por hora comendo tudo pela frente. Adultos gregários voam de dia, aproveitando correntes quentes, e pousam ao entardecer para se alimentar. Em fase solitária, o dano é pontual e raramente notado.

Ciclo de vida e reprodução em poucos meses

Tem metamorfose incompleta. A fêmea enterra no solo úmido uma ooteca com 60 a 100 ovos envoltos em espuma que endurece. Cada fêmea pode fazer 2 a 3 posturas na vida.

Com temperatura de 30 °C, os ovos eclodem em 10 a 14 dias. A ninfa passa por 5 a 6 mudas em 30 a 40 dias, crescendo e desenvolvendo brotos de asas. Não existe pupa: a última muda já libera o adulto alado.

Do ovo ao adulto migrador, o ciclo leva 6 a 8 semanas no verão. Adultos vivem de 3 a 10 meses conforme a subespécie e o clima; em regiões temperadas, os ovos entram em diapausa no inverno e só eclodem na primavera. Chuvas fora de época seguidas de seca são o gatilho clássico para explosões populacionais.

Como voa e por que forma nuvens de milhões

O voo é sustentado e econômico. Com ventos favoráveis, um enxame mantém 10 a 20 km/h e percorre 50 a 100 km por dia, podendo cruzar mares e cadeias de montanhas. Nuvens já foram registradas com até 1.200 km².

A coesão do enxame não é liderança, é auto-organização. Cada indivíduo ajusta velocidade e direção pelos vizinhos mais próximos, além de responder a feromônios e ao canibalismo: quem fica para trás pode ser comido, então todos avançam.

Antes de migrar, os adultos fazem voos curtos de teste e acumulam gordura. Durante a migração, sobem a 300 a 1.800 metros de altitude e usam correntes de ar quente. À noite, pousam em vegetação densa e retomam o voo quando o sol aquece o ar.

Pica, morde ou é venenoso? Risco real para pessoas e pets

Não pica, não tem ferrão e não é venenoso. O gafanhoto-migratório pode dar uma mordida defensiva com as mandíbulas se for manuseado, mas raramente fura a pele e não inocula toxina. Não transmite doenças.

Para cachorro e gato, a ingestão ocasional de um ou dois indivíduos geralmente não causa problema além de leve irritação gástrica. O perigo é quando o animal come muitos insetos pulverizados com inseticida ou quando há ingestão em grande quantidade, que pode causar vômito e diarreia.

Alergias são raras e ligadas à inalação de fragmentos de asas e fezes em infestações gigantes, não a picadas. Se houver contato intenso e sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento médico e evitar varrer a seco. Para pets com vômito persistente após ingestão, procure o veterinário.

É praga ou tem papel no ecossistema? Como lidar sem veneno desnecessário

Na fase solitária, é parte normal da cadeia alimentar: serve de alimento para aves, répteis e aranhas e ajuda a reciclar biomassa vegetal. O problema é exclusivamente a fase gregária, quando vira praga agrícola de alto impacto, capaz de dizimar cereais, pastagens e hortas em horas.

Por isso, o manejo moderno é de vigilância e controle precoce, não de pulverização indiscriminada. Órgãos como FAO e Embrapa monitoram áreas de reprodução com satélites e armadilhas e intervêm quando ainda são bandos de ninfas, com bioinseticidas à base do fungo Metarhizium acridum e manejo de habitat.

  • Não use inseticida doméstico em enxame: é ineficaz, contamina polinizadores e não impede a migração.
  • Em horta ou jardim com poucos indivíduos solitários, remoção manual e barreiras físicas (telas) resolvem.
  • Mantenha solo bem drenado e sem acúmulo de palhada úmida em áreas de risco, pois isso reduz locais de postura.
  • Avise a defesa agropecuária local se vir bandos marchando ou nuvem densa se deslocando — o controle é coletivo.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é tratar todo gafanhoto verde isolado como emergência. Um gafanhoto sozinho no quintal não é sinal de praga; o sinal de alerta são dezenas de ninfas escuras andando juntas na mesma direção.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o migratório

É uma das espécies de inseto mais estudadas da história: há relatos de pragas de Locusta migratoria em textos chineses de mais de 2.000 anos e em papiros egípcios. A FAO mantém até hoje um sistema global de alerta só para gafanhotos migratórios.

Apesar do tamanho, seu cérebro gregário produz canibalismo ativo dentro do enxame para manter o movimento — indivíduos doentes ou lentos são consumidos pelos vizinhos, o que acelera a marcha.

Em laboratório, já se demonstrou que basta estimular mecanicamente as patas traseiras por 4 horas para um indivíduo solitário começar a se comportar como gregário. É um dos exemplos mais rápidos de mudança comportamental induzida por toque no reino animal.

Perguntas frequentes

Gafanhoto-migratório pica ou morde?

Não pica e não tem ferrão nem veneno. Pode morder se for apertado na mão, mas a mordida é superficial e sem risco de envenenamento.

Qual a diferença entre gafanhoto-migratório e gafanhoto comum?

O migratório (Locusta migratoria) tem polifenismo: muda de cor e comportamento e forma enxames. Gafanhotos comuns não fazem essa transição nem migram em massa.

Gafanhoto-migratório existe no Brasil?

Não há populações estabelecidas de Locusta migratoria no Brasil. Os surtos por aqui são do gafanhoto sul-americano (Schistocerca cancellata), com biologia semelhante.

O que atrai enxame de gafanhoto?

Chuvas que geram muita vegetação seguidas de seca que concentra ninfas, além de ventos quentes que carregam os adultos. Lavouras de cereais são o principal atrativo.

Quanto tempo vive um gafanhoto-migratório?

De 3 a 10 meses no total. O ciclo de ovo a adulto leva 6 a 8 semanas no calor; ovos podem ficar meses em diapausa no frio.

Como acabar com gafanhoto-migratório?

Controle caseiro só funciona para poucos indivíduos isolados (catação e tela). Enxames exigem ação oficial com monitoramento e bioinseticidas; avise a defesa agropecuária e não aplique veneno por conta própria.

Gafanhoto-migratório faz mal para cachorro ou gato?

Comer um ou dois raramente faz mal. O risco é ingestão em grande quantidade ou de insetos contaminados por inseticida, que pode causar vômito e diarreia. Procure veterinário se os sintomas persistirem.

Você sabia?

1

Cérebro que incha

Ao virar gregário, o cérebro do gafanhoto-migratório aumenta até 30% de volume em poucos dias, mudando memória e atração social.

2

Toque que transforma

Bastar esfregar as cerdas das pernas traseiras por algumas horas já dispara a troca de fase solitária para gregária via serotonina.

3

Enxame canibal

Dentro da nuvem, os gafanhotos mordem uns aos outros; esse canibalismo força os da frente a avançar e mantém o enxame em movimento.

4

Recorde histórico

O maior enxame já estimado cobriu cerca de 1.200 km² e continha mais de 40 bilhões de insetos, visível por satélite.

Fontes

  1. FAO - Locust Watch
  2. Embrapa - Gafanhotos e manejo
  3. GBIF - Locusta migratoria

Prós e contras: Gafanhoto-migratório

Prós

  • Exemplo clássico de polifenismo para estudo científico
  • Importante elo alimentar para aves e répteis na fase solitária
  • Indicador de mudanças climáticas e de uso do solo
  • Controle biológico bem estabelecido com fungo Metarhizium

Contras

  • Praga agrícola devastadora na fase gregária
  • Enxames consomem toneladas de cereais em um dia
  • Difícil de controlar quando já está em migração
  • Pode ser confundido com espécies nativas e gerar pânico desnecessário
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o gafanhoto-migratório é o melhor exemplo de como densidade muda personalidade: sozinho é inofensivo, em multidão vira desastre agrícola. Por isso, vale mais monitorar bandos de ninfas do que tentar combater nuvens já formadas.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.