🐛 Insetos

Gafanhoto-do-deserto

Schistocerca gregaria

Atualizado em

6 a 7,5 cm (adulto)Tamanho
Herbívoro polífagoAlimentação
3 a 6 mesesCiclo de vida
Desertos e estepes áridasHabitat
Não pica, não é venenosoPerigo para humanos
Gafanhoto-do-deserto adulto em fase gregária de corpo inteiro

O gafanhoto-do-deserto é o inseto migratório mais destrutivo do mundo. Sozinho ele é discreto e até se camufla, mas quando se agrupa forma nuvens com dezenas de milhões de indivíduos capazes de cruzar continentes.

Nativo de regiões áridas da África e da Ásia, ele não ocorre naturalmente no Brasil, mas é monitorado globalmente pela FAO por seu impacto na segurança alimentar. Entender sua fase solitária e gregária é a chave para não confundir com gafanhotos comuns.

Também conhecido como: Gafanhoto-peregrino, Desert locust (inglês), Criquet pèlerin (francês), Schistocerca gregaria

Faz parte de: Insetos Voadores, Pragas de Jardim

Explore a wiki

Galeria de fotos de Gafanhoto-do-deserto

Gafanhoto-do-deserto adulto em fase gregária de corpo inteiro
Adulto do gafanhoto-do-deserto em fase gregária, amarelado com manchas pretas.
Close extremo da cabeça do gafanhoto-do-deserto mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas curtas.
Gafanhoto-do-deserto com asas abertas em voo
Asas abertas revelam o voo forte e migratório.
Bando de ninfas do gafanhoto-do-deserto marchando no solo
Ninfas gregárias formam bandos terrestres antes de ganhar asas.
Enxame massivo de gafanhotos-do-deserto no céu do deserto
Enxame pode reunir dezenas de milhões de insetos por km².
Gafanhoto-do-deserto se alimentando de folhas verdes
Herbívoro polífago consome folhas e cereais.

Perfil rápido de Gafanhoto-do-deserto

Calendário

Reprodução e formação de bandosJFMAMJJASOND
Migração e enxamesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem tem veneno; pode morder se manuseado. Risco maior se ingerir inseto contaminado por inseticida.

Vida útil

Na natureza
3 a 6 meses em clima quente; até 10 meses em clima frio e seco

Reprodução

Tipo de metamorfose
Incompleta (ovo > ninfa > adulto, sem pupa)
Acasalamento
Após chuvas, machos atraem fêmeas com feromônios; cópula dura horas
Postura
2 a 3 ootecas por fêmea, 60 a 80 ovos cada, enterradas a 5-10 cm no solo úmido
Incubação
10 a 14 dias em solo úmido e quente; até 65 dias se seco
Desenvolvimento da ninfa
5 a 6 mudas em 30 a 40 dias até virar adulto alado

Habitat

Ambientes

  • Desertos
  • Estepes áridas
  • Savanas secas
  • Áreas agrícolas de recessão

Biomas

  • Deserto do Saara
  • Sahel
  • Deserto da Arábia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Gramíneas
  • Folhas verdes
  • Cereais como trigo, milho e sorgo

Outros alimentos

  • Hortaliças
  • Folhas de frutíferas
  • Vegetação arbustiva

Encontrado em 12 países

  • Mauritânia
  • Marrocos
  • Argélia
  • Líbia
  • Egito
  • Sudão
  • Etiópia
  • Quênia
  • Arábia Saudita
  • Iêmen
  • Irã
  • Índia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Acrididae
Gênero
Schistocerca
Espécie
Schistocerca gregaria (Forskål, 1775)

Resumo

  • O gafanhoto-do-deserto é um inseto de 6 a 7,5 cm que muda de cor e comportamento quando forma enxames migratórios.
  • Vive em desertos e estepes da África, Oriente Médio e sudoeste da Ásia, voando até 150 km por dia com ajuda do vento.
  • Não pica nem é venenoso para pessoas e pets, mas é a praga agrícola mais temida por devorar lavouras inteiras em horas.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaAcrididae
Origem e distribuiçãoNorte da África, Oriente Médio e sudoeste da Ásia (do Sahel ao Rajastão)
Tamanho6 a 7,5 cm de comprimento; envergadura de 10 a 12 cm
Coresamarelomarromcinzaverde-olivapreto (varia conforme a fase)
Asas e voo2 pares de asas; voo forte e migratório, até 150 km/dia com vento
AlimentaçãoFolhas, gramíneas, cereais e vegetação verde em geral
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida3 a 6 meses, até 10 meses em clima frio e seco
HabitatDesertos, semidesertos, savanas áridas e áreas de recessão
Comportamento socialSolitário ou gregário (forma enxames e bandos de ninfas)
Principais predadoresAves, répteis, vespas predadoras e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como reconhecer o gafanhoto-do-deserto sem confundir

O adulto mede 6 a 7,5 cm e tem corpo alongado, cabeça curta e olhos bem destacados. As antenas são curtas e as pernas traseiras são muito desenvolvidas para salto, diferente de grilos que têm antenas longas.

O truque para identificar está na mudança de fase. Na fase solitária, ele é verde-oliva ou marrom-claro, discreto e com comportamento arredio. Na fase gregária, fica amarelo intenso com manchas pretas quando adulto e preto com amarelo/laranja quando ninfa.

As asas são outro ponto. Em repouso, cobrem o abdômen e mostram tons amarelados com nervuras escuras. Em voo, revelam asas posteriores transparentes com leve tom amarelado. Não confunda com o gafanhoto-migratório sul-americano, que é menor e tem coloração mais esverdeada.

Característica Fase solitária Fase gregária
Cor do adulto verde-oliva, bege ou marrom amarelo vivo com preto
Cor da ninfa verde ou marrom preto com manchas amarelas/laranja
Comportamento evita contato, voa sozinho à noite agrupa-se, voa de dia em enxame
Tamanho do grupo indivíduos isolados milhões por km²

Onde vive e por que migra tanto

O gafanhoto-do-deserto vive na faixa de recessão que vai da Mauritânia e Marrocos, atravessa o Saara e o Sahel, passa pelo Mar Vermelho e chega ao Irã, Paquistão e noroeste da Índia. São cerca de 16 milhões de km² em 30 países.

Ele prefere desertos e estepes áridas que recebem chuvas rápidas e esporádicas. O solo úmido e a vegetação que brota logo depois da chuva são o gatilho para reprodução. Sem chuva, a população fica baixa e dispersa.

A migração não é por frio, é por vento e comida. Enxames acompanham frentes de vento e zonas de convergência intertropical. Um enxame pode percorrer 100 a 150 km por dia e cruzar o Mar Vermelho em poucas horas. Por isso a FAO monitora com satélite e armadilhas de solo.

O que o gafanhoto-do-deserto come de verdade

É polífago extremo: consome praticamente qualquer folha verde. A lista inclui gramíneas, trigo, milho, sorgo, cevada, arroz, pastagens, hortaliças e folhas de árvores como acácias.

Cada adulto come o equivalente ao seu peso por dia, cerca de 2 gramas de matéria verde. Parece pouco, mas um enxame de 1 km² com 40 a 80 milhões de indivíduos consome o mesmo que 35 mil pessoas em um dia.

Ninfas sem asas, chamadas de hoppers, são ainda mais vorazes porque precisam crescer rápido. Elas formam bandos terrestres que avançam a pé e raspam toda a vegetação rasteira antes de ganhar asas.

Ciclo de vida e a transformação que cria as nuvens

A metamorfose é incompleta: ovo > ninfa > adulto. Não há fase de pupa. A fêmea enterra no solo úmido uma ooteca em forma de vagem com 60 a 80 ovos e pode fazer 2 a 3 posturas na vida.

Com solo quente e úmido, os ovos eclodem em 10 a 14 dias. Se o solo secar, podem esperar até 65 dias em dormência. As ninfas passam por 5 a 6 mudas em 30 a 40 dias até virar adulto.

O ponto mais singular é a polifenismo de fase. Quando ninfas se esbarram muito por falta de espaço e comida, o contato nas patas traseiras eleva a serotonina. Em horas, o inseto muda de comportamento, cor e até formato, de solitário para gregário. Essa é a virada que transforma indivíduos inofensivos em praga.

Quanto tempo vive

Em condições quentes, vive 3 a 4 meses. Em clima mais frio e seco, o metabolismo desacelera e pode chegar a 10 meses, o que permite atravessar estações sem se reproduzir.

Comportamento em enxame: como voa e se comunica

Solitário, voa baixo e à noite, sozinho. Gregário, voa de dia, alto e alinhado com o vento. O enxame mantém coesão por visão e feromônios, além de seguir o movimento dos vizinhos como um cardume.

Bandos de ninfas marcham juntos por quilômetros, todos na mesma direção. Já os adultos formam nuvens que podem cobrir até 1.200 km² nos casos históricos, embora a maioria tenha entre 1 e 50 km².

O voo é sustentado, não é pulo. As asas anteriores são coriáceas e as posteriores membranosas. Com vento favorável, o enxame plana e economiza energia, por isso atravessa desertos inteiros sem se alimentar no caminho.

Pica, morde ou é venenoso? Risco para pessoas e pets

Não pica, não tem ferrão e não é venenoso. O gafanhoto-do-deserto não transmite doença e não ataca pessoas. Se for manuseado, pode dar uma mordida defensiva com as mandíbulas, que dói mas não oferece risco além de ferida superficial.

Para cachorro e gato, a ingestão acidental de um indivíduo isolado geralmente não causa intoxicação. O perigo maior é se o inseto foi pulverizado com inseticida em área de controle, aí sim pode causar vômito ou irritação.

Alergias são raras e ligadas à inalação de fragmentos de asas e fezes em locais com infestação muito densa, algo que não acontece em ambiente doméstico. Em caso de contato com olhos ou ferida, lave com água e procure atendimento se houver irritação persistente.

Praga ou parte do ecossistema? O impacto real

Na natureza, em baixa densidade, ele tem papel normal: recicla vegetação, serve de alimento para aves e répteis e não causa dano. O problema começa na fase gregária.

Como praga, é considerado o mais grave do mundo pela FAO. Um enxame médio pode destruir pastagens e lavouras para milhares de famílias em poucas horas. As piores pragas recentes foram em 2019-2021 no Chifre da África, a pior em 70 anos para Quênia e Etiópia, ligada a chuvas e ciclones incomuns.

O dano não é só pela quantidade comida, mas pela rapidez. Diferente de lagartas que atacam uma cultura, o enxame consome tudo que é verde pela frente e segue para a próxima área no dia seguinte.

  • Na nossa avaliação: tratá-lo como praga permanente é um erro. Ele é uma espécie nativa que se torna praga por condição climática. O manejo inteligente é monitorar chuvas e controlar focos de ninfas antes que virem nuvem.

Como lidar e por que não dá para controlar em casa

Este não é um inseto de jardim para controlar com receita caseira. Enxames são combatidos por programas governamentais com monitoramento por satélite, equipes de campo e aplicação localizada de bioinseticidas como o fungo Metarhizium acridum.

Para quem vive ou viaja em área de risco, as medidas são preventivas: proteger hortas com telas, recolher colheita antecipada se houver alerta e não tentar pulverizar o enxame por conta própria. Inseticidas sem orientação contaminam água, matam polinizadores e não param a nuvem.

No Brasil, não há população estabelecida. Se você encontrar um gafanhoto grande por aqui, provavelmente é outra espécie nativa, como Schistocerca cancellata. Fotografe, anote local e data e informe órgãos de defesa agropecuária se houver agrupamento incomum.

Curiosidades que pouca gente sabe

Os enxames são citados desde o Antigo Egito e na Bíblia, e ainda hoje afetam a subsistência de 1 em cada 10 pessoas no planeta segundo a FAO. O nome científico gregaria vem justamente de gregário, que se agrupa.

Apesar do tamanho, o cérebro do gafanhoto pesa miligramas e ainda assim coordena voos coletivos complexos. Estudos mostraram que a decisão de virar gregário depende mais do toque repetido nas pernas do que da visão.

Ele pode mudar de cor sem trocar de pele apenas por variação hormonal ligada à densidade. E quando está em enxame, fica menos nutritivo para predadores porque acumula compostos amargos da vegetação, uma defesa química sutil.

Perguntas frequentes

Gafanhoto-do-deserto existe no Brasil?

Não. Ele ocorre na África, Oriente Médio e sudoeste da Ásia. No Brasil o que aparece são outras espécies, como o gafanhoto-migratório sul-americano.

Gafanhoto-do-deserto morde ou pica?

Não pica e não tem veneno. Pode morder se for segurado com força, mas a mordida é superficial e sem risco de envenenamento.

Qual o tamanho do enxame?

Varia de menos de 1 km² a mais de 1.000 km² nos eventos históricos. Um enxame de 1 km² tem 40 a 80 milhões de insetos.

O que atrai o enxame?

Chuvas que geram vegetação verde e ventos que carregam o grupo. Solo úmido para postura é o principal gatilho de surtos.

É perigoso para cachorro e gato?

Não é tóxico por si só. O risco é se o pet comer insetos pulverizados com inseticida em área de controle.

Como diferenciar da esperança e do grilo?

Gafanhoto tem antenas curtas, corpo mais robusto e pernas traseiras muito fortes para salto. Esperanças têm antenas longas e grilos cantam com as asas de forma diferente.

Quanto um enxame come por dia?

Cada inseto come cerca de 2 g por dia. Um enxame médio consome toneladas de vegetação, equivalente à comida de 35 mil pessoas.

Você sabia?

1

A serotonina que cria a praga

O simples roçar das patas traseiras entre ninfas amontoadas aumenta a serotonina e em 2 a 4 horas transforma um gafanhoto calmo e verde em um indivíduo escuro, ativo e gregário.

2

Um enxame pesa mais que aviões

Um enxame de 1 km² pode ter 80 milhões de insetos e pesar cerca de 160 toneladas, consumindo em um dia o equivalente à alimentação de 35 mil pessoas.

3

Travessia de mar em voo planado

Com vento favorável, enxames cruzam o Mar Vermelho (cerca de 300 km) em menos de um dia, planando a até 2.000 metros de altitude.

4

O fungo que substitui veneno

O controle moderno mais usado pela FAO é o fungo Metarhizium acridum, que mata só gafanhotos e não afeta abelhas, aves ou pessoas.

Fontes

  1. FAO - Desert Locust Information Service
  2. Embrapa - Entomologia Agrícola
  3. GBIF - Schistocerca gregaria
  4. Universidade de São Paulo - Entomologia

Prós e contras: Gafanhoto-do-deserto

Prós

  • Faz parte da cadeia alimentar natural em baixa densidade
  • Serve de bioindicador de mudanças climáticas e de chuvas em desertos
  • Controle biológico com fungos é altamente específico e seguro
  • Estudo de seu enxame inspira algoritmos de robótica e inteligência coletiva

Contras

  • Praga agrícola mais destrutiva do mundo em fase gregária
  • Enxames devastam pastagens e lavouras em poucas horas
  • Afeta segurança alimentar de milhões em África e Ásia
  • Controle exige monitoramento internacional caro e constante
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o gafanhoto-do-deserto é o melhor exemplo de como comportamento muda mais que anatomia: o mesmo inseto passa de inofensivo a catastrófico por um gatilho social. Por isso, vale mais investir em alerta precoce e controle biológico do que em pânico ou veneno indiscriminado.

Continue explorando: Insetos

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Sansão Monteiro
Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.