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Cigarra-anual

Quesada gigas (principal representante das cigarras-anuais no Brasil)

Atualizado em

2,5 a 6,5 cm (envergadura até 12 cm)Tamanho
Seiva do xilema de árvores e raízesAlimentação
2 a 5 anos; adulto vive 3 a 6 semanasCiclo de vida
Matas, cerrados e áreas urbanas arborizadasHabitat
Nenhum; não pica, não morde e não é venenosaPerigo para humanos
Cigarra-anual Quesada gigas em tronco de árvore vista de corpo inteiro

A cigarra-anual não é uma única espécie, mas o nome popular dado às cigarras que aparecem todo verão no Brasil, diferente das cigarras periódicas de 13 e 17 anos dos EUA. No país, as mais comuns são a cigarra-gigante Quesada gigas e espécies de Fidicina e Dorisiana, todas da família Cicadidae.

Ela passa a maior parte da vida invisível, como ninfa enterrada sugando seiva de raízes, e surge como adulta apenas por 3 a 6 semanas entre outubro e março para cantar, acasalar e pôr ovos. Não morde, não pica e não transmite doenças, mas seu canto pode passar de 100 decibéis e sua exúvia vazia na casca das árvores é o sinal mais fácil de que ela esteve por ali.

Também conhecido como: cigarra-anual, cigarra-gigante, cigarra-do-cerrado, cigarra-marangá, annual cicada (inglês), cigarra cantadora

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Cigarra-anual

Cigarra-anual Quesada gigas em tronco de árvore vista de corpo inteiro
Cigarra-anual adulta (Quesada gigas) em tronco, com asas transparentes estendidas.
Close extremo da cabeça da cigarra-anual mostrando olhos compostos e ocelos
Cabeça da cigarra-anual: olhos compostos grandes e três ocelos no topo.
Cigarra-anual em voo com asas abertas
Voo da cigarra-anual, com dois pares de asas membranosas.
Exúvia vazia de cigarra-anual presa à casca da árvore
Exúvia deixada após a última muda, sinal clássico da emergência.
Ninfa de cigarra-anual em galeria subterrânea próxima a raízes
Ninfa subterrânea, fase que dura anos sugando seiva de raízes.
Cigarra-anual se alimentando de seiva em ramo fino
Adulto sugando seiva do xilema com o rostro em forma de agulha.

Perfil rápido de Cigarra-anual

Calendário

Canto e acasalamento dos adultosJFMAMJJASOND
Presença de exúvias nos troncosJFMAMJJASOND
Oviposição em ramos finosJFMAMJJASOND
Eclosão das ninfasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não morde, não pica e não tem veneno. Ingestão por pets pode causar engasgo ou vômito leve pela quitina, sem risco de intoxicação.

Vida útil

Na natureza (ciclo total)
2 a 5 anos
Como adulto
3 a 6 semanas
Como ninfa subterrânea
2 a 5 anos (5 ínstares)

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetabolia)
Acasalamento
Machos cantam com timbalo; fêmeas respondem com estalos de asa
Ovos
200 a 600 ovos em fendas de ramos finos; eclosão em 6 a 10 semanas
Ninfa
Subterrânea, suga seiva de raízes em galerias de até 1 m de profundidade
Sazonalidade
Adultos de outubro a março, com pico de novembro a janeiro

Habitat

Ambientes

  • Copa de árvores e arbustos
  • Pomares e cafezais
  • Parques e praças urbanas
  • Matas ciliares e bordas de mata

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do xilema de árvores e arbustos

Outros alimentos

  • Seiva de raízes na fase de ninfa

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Uruguai
  • Colômbia
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Cicadidae
Gênero
Quesada / Fidicina (principais gêneros no Brasil)
Espécie
Quesada gigas (espécie-referência)

Resumo

  • A cigarra-anual reúne espécies de Cicadidae que surgem todo verão no Brasil após 2 a 5 anos como ninfa subterrânea, vivendo como adulta apenas 3 a 6 semanas.
  • Alimenta-se exclusivamente de seiva do xilema, não morde nem é venenosa, mas ninfas em alta densidade podem enfraquecer raízes de árvores jovens.
  • Machos cantam com órgão timbalo que pode ultrapassar 100 dB para atrair fêmeas e seu ciclo ajuda a aerar o solo e alimentar pássaros e morcegos.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaCicadidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul e Central; muito comum em todo o Brasil
Tamanho2,5 a 6,5 cm de corpo; envergadura de 7 a 12 cm
Coresverdemarrompretobegeasas transparentes com veias escuras
Asas e voo2 pares de asas membranosas; voo rápido, desajeitado e barulhento
AlimentaçãoFitófaga sugadora de seiva do xilema (adulto e ninfa)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vida2 a 5 anos no total; 3 a 6 semanas na fase adulta
HabitatCopa de árvores, arbustos, pomares e parques urbanos
Comportamento socialSolitária, mas forma coros de machos no verão
Principais predadoresPássaros, morcegos, aranhas, louva-a-deus e vespas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaBaixo
Dano às plantasMédio
Vida em grupoMédio

Como identificar a cigarra-anual sem confundir

A cigarra-anual tem corpo robusto, cabeça larga e olhos bem separados, com asas transparentes que ultrapassam o abdômen em repouso. O padrão mais visto no Brasil é o da Quesada gigas: marrom-esverdeada com manchas pretas, veias das asas escuras e cerca de 5 a 6,5 cm de comprimento.

O detalhe que entrega a cigarra são as exúvias: casquinhas secas, marrom-claras, agarradas em troncos e muros, com as perninhas dianteiras em forma de garra. Se a casca está vazia e rachada nas costas, a ninfa já virou adulta e voou.

Não confunda com cigarrinha ou esperanças. Cigarrinhas têm 1 cm ou menos e saltam; esperanças são verdes e têm antenas longas. A cigarra-anual é muito maior, não salta e canta alto durante o dia, principalmente no calor.

Onde vive e quando aparece no Brasil

A cigarra-anual ocorre em todo o território nacional, da Amazônia ao Pampa, com maior abundância na Mata Atlântica e no Cerrado. Ela prefere áreas com árvores de médio e grande porte, mas se adaptou bem a cidades arborizadas, chácaras e pomares.

A fase adulta é estritamente de primavera e verão, de outubro a março, com pico de canto entre novembro e janeiro após as primeiras chuvas fortes. No inverno você não ouve cantoria porque só existem ninfas enterradas.

Mesmo chamada de anual, ela não vive um ano. O nome vem do fato de que todo ano há adultos emergindo, pois gerações de diferentes idades se sobrepõem no solo. Cada indivíduo, porém, leva de 2 a 5 anos para completar o desenvolvimento.

O que a cigarra-anual come de verdade

Tanto ninfa quanto adulta são sugadoras de xilema, o vaso que leva água e sais minerais das raízes para as folhas. Com o rostro em forma de agulha, ela perfura ramos finos ou raízes e bombeia seiva com uma musculatura poderosa da cabeça.

Seiva do xilema é extremamente pobre em nutrientes, por isso a cigarra precisa sugar grandes volumes e excretar o excesso em forma de gotículas. É por isso que às vezes parece que está chovendo fino embaixo de árvores infestadas.

Ela não come folhas, frutos, outros insetos ou sangue. Não há dano de mastigação e ela não ataca horta ou grãos armazenados. O impacto, quando existe, é pela sucção prolongada em árvores jovens ou pela postura de ovos.

Ciclo de vida: anos embaixo da terra, semanas no alto

Tudo começa quando a fêmea corta com o ovipositor uma fenda em ramos finos e deposita 200 a 600 ovos enfileirados. O ramo pode secar na ponta, num sintoma chamado flagging, mas raramente mata a árvore adulta.

Em 6 a 10 semanas nascem ninfas minúsculas que se deixam cair e se enterram. No solo, elas constroem galerias de 30 cm a 1 metro de profundidade e passam por 5 ínstares sugando seiva de raízes. Essa fase dura 2 a 5 anos dependendo da espécie e do clima.

Quando madura, a ninfa sai à noite, sobe em um tronco e faz a última muda. O adulto recém-emergido é pálido e de asas moles; em poucas horas escurece e endurece. A partir daí, não cresce mais e vive apenas 3 a 6 semanas para cantar e se reproduzir. Depois de acasalar, machos e fêmeas morrem.

Característica Cigarra-anual (Brasil) Cigarra-periódica (EUA)
Emergência Todo ano, gerações sobrepostas Sincronizada a cada 13 ou 17 anos
Ciclo total 2 a 5 anos 13 ou 17 anos fixos
Densidade Dezenas a centenas por hectare Milhões por hectare
Exemplo Quesada gigas, Fidicina mannifera Magicicada septendecim

Por que o canto é tão alto e só os machos cantam

Apenas machos cantam, usando um órgão exclusivo chamado timbalo, uma membrana costelada no abdômen que vibra de 300 a 400 vezes por segundo quando músculos a puxam e soltam. Cada espécie tem um canto próprio, como uma impressão digital acústica.

A cigarra-anual brasileira pode atingir 90 a 120 decibéis a curta distância, equivalente a uma britadeira. O coro de dezenas de machos na mesma árvore serve para atrair fêmeas à distância e confundir predadores.

Fêmeas não cantam, mas respondem com estalos de asas quase inaudíveis. Se você se aproximar, o canto para de repente: é comportamento de defesa para não revelar a posição.

Ela morde, pica ou é venenosa? Risco para pessoas, cachorro e gato

Não. A cigarra-anual não morde, não pica, não tem ferrão e não possui veneno. O rostro só perfura plantas e é incapaz de perfurar pele humana de forma relevante. Reações alérgicas são extremamente raras.

Para cachorro e gato, o risco também é mínimo. Pets que caçam cigarras podem engolir o inseto inteiro. A quitina e as asas podem causar engasgo, vômito ou irritação gástrica leve, mas não há toxina. O maior perigo é se o animal comer muitas de uma vez.

Se seu pet ingeriu uma cigarra, observe por algumas horas e ofereça água. Procure veterinário apenas se houver vômito persistente, apatia ou dificuldade para respirar, o que indica engasgo e não envenenamento.

É praga ou aliada? Papel no ecossistema e na agricultura

Na natureza, a cigarra é engenheira do solo. As galerias das ninfas arejam a terra e melhoram a infiltração de água, e a emergência em massa alimenta pássaros, morcegos, lagartos e aranhas em um período de fartura.

Na agricultura, o status é intermediário. Em árvores adultas de café, citros ou eucalipto, o dano costuma ser tolerável e esporádico. O problema surge em viveiros e pomares jovens, onde muitas ninfas nas raízes podem reduzir o vigor e a postura de ovos pode secar ponteiros.

  • Quando tolerar: poucas exúvias, árvores adultas saudáveis, canto sazonal normal.
  • Quando manejar: mudas com crescimento travado, muitos ramos secos em forma de bengala e histórico de alta infestação.
  • Como manejar sem veneno: poda e queima de ramos com ovos, irrigação e adubação para fortalecer a planta, e preservação de predadores naturais.

Evite inseticida de amplo espectro no período de canto. Ele mata polinizadores e predadores e raramente alcança ninfas protegidas no solo. O manejo integrado é mais eficaz e preserva o equilíbrio.

Como conviver e o que fazer se o barulho incomoda

Em áreas urbanas, o coro pode atrapalhar sono e gravações. Como o canto é diurno e cessa à noite, fechar janelas voltadas para árvores no pico da tarde e usar vegetação densa como barreira acústica ajuda mais que tentar eliminar o inseto.

Não tente arrancar ninfas do solo ou pulverizar troncos por conta própria. A melhor prevenção para o próximo ano é recolher ramos finos secos com fileiras de ovos entre janeiro e março e descartá-los longe do pomar.

Se encontrar uma cigarra adulta desorientada dentro de casa, apenas capture com um pote e solte em uma árvore. Ela não vai infestar a residência, pois precisa de planta viva para se alimentar.

Curiosidades e mitos que precisam ser corrigidos

O mito da cigarra preguiçosa da fábula não se sustenta. A ninfa trabalha por anos no subsolo e o adulto canta não por preguiça, mas porque tem poucas semanas para garantir a próxima geração antes de morrer.

Outro erro comum é achar que a cigarra explode de tanto cantar. Ela morre por exaustão natural e predação, não por ruptura. O abdômen oco amplifica o som, mas tem limites estruturais que impedem qualquer explosão.

Muita gente também acredita que matar a cigarra faz chover. Na verdade, a relação é inversa: ela só emerge quando a chuva e o calor já chegaram, por isso seu canto coincide com o início da estação chuvosa e virou marcador popular de verão.

Perguntas frequentes

Cigarra-anual morde ou pica?

Não. Ela só perfura plantas com o rostro para sugar seiva e não tem ferrão, presas ou veneno para picar pessoas ou pets.

Quanto tempo vive a cigarra-anual?

O ciclo total dura 2 a 5 anos, quase todo como ninfa no solo. A fase adulta, alada e cantadora, vive apenas 3 a 6 semanas.

Por que ela canta tão alto?

Só o macho canta, vibrando membranas chamadas timbalos no abdômen até 400 vezes por segundo para atrair fêmeas e formar coros que confundem predadores.

Cigarra-anual é praga?

Em árvores adultas raramente causa prejuízo sério. Pode ser praga em mudas e pomares jovens quando há muitas ninfas nas raízes e muitos ovos secando ponteiros.

Qual a diferença entre cigarra-anual e cigarra-periódica?

A anual aparece todo verão porque gerações se sobrepõem; a periódica dos EUA emerge sincronizada a cada 13 ou 17 anos em números massivos.

O que fazer com a casquinha na árvore?

É a exúvia, a pele da última muda, vazia e inofensiva. Pode deixar onde está ou retirar; ela indica que uma cigarra adulta já emergiu.

Cigarra faz mal para cachorro ou gato?

Não é tóxica. Se o pet comer uma, pode ter vômito ou engasgo leve por causa das asas duras, mas não há envenenamento.

Você sabia?

1

O canto mais alto do Brasil

Quesada gigas pode ultrapassar 100 dB a 1 metro, mais alto que um cortador de grama, e o coro sincronizado serve para que predadores não foquem em um único macho.

2

Olhos que veem ultravioleta

Cigarras têm 5 olhos: 2 compostos grandes e 3 ocelos no topo da cabeça que detectam luz e ajudam a escolher o horário mais quente para cantar.

3

Exúvia intacta por meses

A casca deixada no tronco mantém pernas, olhos e até a bainha do rostro perfeitos e pode ficar presa por meses, sendo usada por pesquisadores para contar quantas ninfas emergiram.

4

Bomba de sucção na cabeça

Para sugar xilema, que está sob pressão negativa, a cigarra usa uma bomba cibarial tão forte que precisa filtrar volumes enormes de líquido, excretando jatos finos o dia todo.

Fontes

  1. Embrapa - Entomologia Agrícola
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Museu Nacional / UFRJ - Coleção Entomológica

Prós e contras: Cigarra-anual

Prós

  • Canto marcante que indica chegada do verão e da estação chuvosa
  • Não morde, não pica e não transmite doenças
  • Ninfas aeram o solo com galerias subterrâneas
  • Serve de alimento importante para pássaros, morcegos e aranhas
  • Fácil de observar por exúvias e pelo canto diurno

Contras

  • Canto acima de 90 dB pode incomodar em áreas muito arborizadas
  • Postura de ovos seca ponteiros de mudas e ramos finos
  • Alta densidade de ninfas pode enfraquecer raízes de plantas jovens
  • Adultos têm voo desajeitado e podem entrar acidentalmente em casas
  • Ciclo longo no solo dificulta controle rápido quando vira praga
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cigarra-anual é o termômetro sonoro do verão brasileiro: barulhenta, inofensiva e ecologicamente útil, só merece controle em viveiros e pomares jovens. Para o quintal comum, admirar o canto e preservar as árvores vale mais que qualquer tentativa de silenciá-la.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.