🐛 Insetos

Bicho-de-pé

Tunga penetrans

Atualizado em

1 mm livre, até 10 mm encistadaTamanho
Hematofágica (sangue)Alimentação
21 a 35 diasCiclo de vida
Solo arenoso e secoHabitat
Alto se não tratadoPerigo para humanos
Bicho-de-pé Tunga penetrans adulto em macro, corpo marrom achatado lateralmente

O bicho-de-pé não é um bicho de pé de planta, e sim uma pulga minúscula, a Tunga penetrans, cuja fêmea fecundada penetra a pele de humanos e animais para se alimentar de sangue e pôr ovos.

Diferente da pulga comum que pica e sai, ela fica encistada, incha até o tamanho de uma ervilha e forma o famoso ponto preto no centro. É a causa da tungíase, uma parasitose ainda comum em áreas de solo arenoso e seco no Brasil.

Apesar do tamanho discreto, é um inseto que exige atenção: a extração incorreta e a falta de higiene podem levar a infecções bacterianas graves, tétano e dificuldade para andar.

Também conhecido como: Bicho-de-porco, Bicho-de-pé-de-porco, Tungíase, Jatecuba, Chigoe flea (inglês), Nigua (espanhol), Puce-chique (francês)

Faz parte de: Insetos do Brasil

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Galeria de fotos de Bicho-de-pé

Bicho-de-pé Tunga penetrans adulto em macro, corpo marrom achatado lateralmente
Adulto livre de Tunga penetrans, com cerca de 1 mm, antes de penetrar a pele.
Cabeça do bicho-de-pé em close extremo mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça e aparelho bucal usado para penetrar a pele.
Lesão de bicho-de-pé na sola do pé com nódulo branco e ponto preto central
Lesão típica de tungíase: neossoma esbranquiçado com ponto preto central.
Ciclo de vida do bicho-de-pé com ovo, larva e pupa no solo arenoso
Ovos e larvas se desenvolvem no solo arenoso e seco.
Bicho-de-pé na almofada da pata de cachorro
Cachorros são hospedeiros frequentes e mantêm o ciclo no quintal.
Solo arenoso e chiqueiro, habitat típico do bicho-de-pé
Solo arenoso, seco e sombreado é o ambiente ideal para as larvas.

Perfil rápido de Bicho-de-pé

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie não avaliada pela IUCN por ser ectoparasita cosmopolita e abundante.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade e risco de infestaçãoJFMAMJJASOND
Período reprodutivo (liberação de ovos no solo)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsPerigoso
  • PessoasPerigoso

Não é venenoso, mas parasita que causa tungíase; risco principal é infecção bacteriana secundária e tétano. Procure serviço de saúde e veterinário.

Vida útil

Na natureza
2 a 4 semanas como adulto livre; 3 a 4 semanas encistada até a morte após oviposição

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Acasalamento
No hospedeiro ou no solo; macho copula com fêmea livre antes da penetração
Fecundidade
100 a 200 ovos por fêmea encistada, liberados aos poucos no solo
Sazonalidade
Pico na estação seca, quando o solo arenoso permanece seco e favorável às larvas
Nascimento
Ovíparo; ovos caem no solo e eclodem em 3 a 4 dias

Habitat

Ambientes

  • Solo arenoso e seco
  • Chão de terra batida dentro de casas
  • Chiqueiros, galinheiros e currais
  • Quintais sombreados com matéria orgânica

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Amazônia (áreas antropizadas)
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sangue de mamíferos (hematofagia obrigatória)

Outros alimentos

  • Fluidos teciduais do hospedeiro (fêmea encistada)
  • Matéria orgânica em decomposição (larvas no solo)

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • México
  • Nigéria
  • Quênia
  • Tanzânia
  • Angola

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Siphonaptera
Família
Tungidae
Gênero
Tunga
Espécie
Tunga penetrans

Resumo

  • O bicho-de-pé é a pulga Tunga penetrans, cuja fêmea grávida penetra a pele e forma um neossoma de até 1 cm com ponto preto central.
  • Vive em solos arenosos, secos e sombreados, com maior incidência na estação seca, e parasita humanos, cachorros e porcos.
  • Não deve ser espremido com agulha caseira: a prevenção com calçados, higiene e cuidado com animais e solo é a forma mais segura de evitar a tungíase.

Características

Ficha do inseto

OrdemSiphonaptera
FamíliaTungidae
Origem e distribuiçãoAmérica Latina (nativa); introduzida na África subsaariana e presente em todo o Brasil
TamanhoMacho 1 mm; fêmea livre 1 mm; fêmea encistada (neossoma) 5 a 10 mm
Coresmarrom-avermelhadomarrom-escurobranco-amarelado (quando ingurgitada)
Asas e vooÁptera (sem asas), não voa; salta até 30 cm
AlimentaçãoHematofágica obrigatória
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto livre 2 a 4 semanas; fêmea encistada 3 a 4 semanas
HabitatSolo arenoso, seco e sombreado; chiqueiros, quintais, áreas peridomiciliares
Comportamento socialSolitário; fêmeas são sésseis após penetração
Principais predadoresFormigas, besouros e ácaros predadores de larvas no solo

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMédio
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar o bicho-de-pé sem confundir com pulga comum

O bicho-de-pé adulto livre é quase invisível a olho nu, com cerca de 1 mm, corpo achatado lateralmente e cor marrom-avermelhada. Macho e fêmea não fecundada pulam e picam como qualquer pulga.

O que caracteriza a tungíase é a fêmea fecundada encistada na pele. Ela penetra principalmente na sola, entre os dedos, sob as unhas e no calcanhar, deixando apenas a porção final do abdômen exposta para respirar, defecar e expelir ovos.

Em 2 a 3 dias, o local vira uma pápula esbranquiçada de 5 a 10 mm com ponto preto central, que é a abertura do neossoma. Ao redor há vermelhidão, coceira intensa e dor à pressão. Diferente de bicho-geográfico ou verruga, ele cresce rapidamente e dói ao pisar.

Diferença para outras lesões

  • Pulga comum: pica e sai, deixa ponto vermelho que coça, não forma nódulo com ponto preto.
  • Carrapato: fica grudado por fora da pele, com pernas visíveis e corpo que incha, não encistado.
  • Berne: larva de mosca maior, com movimento perceptível e orifício que secreta líquido.

Onde vive e por que prefere chão de areia

A Tunga penetrans é nativa da América Central e do Sul e hoje ocorre em todo o Brasil, especialmente no Norte, Nordeste e em comunidades rurais e periferias urbanas. Foi levada para a África no século XIX e se espalhou pela região subsaariana.

Ela depende de solo arenoso, seco, sombreado e com matéria orgânica para o desenvolvimento das larvas. Chão de terra batida dentro de casa, quintais com areia, chiqueiros, galinheiros e áreas sob árvores são os focos clássicos.

Os ovos caem no solo e as larvas vivem livres na poeira, alimentando-se de detritos. Por isso, andar descalço nesses locais é o principal fator de risco. Em cidades com asfalto e casas com piso, a incidência cai drasticamente.

Ciclo de vida: da pulga livre ao neossoma na pele

O ciclo é de metamorfose completa e dura de 21 a 35 dias em condições quentes e secas. A fêmea encistada libera de 100 a 200 ovos ao longo de 2 a 3 semanas, que caem no chão.

  • Ovo: branco, minúsculo, eclode em 3 a 4 dias no solo.
  • Larva: vermiforme, de 3 a 5 mm, vive 1 a 2 semanas comendo matéria orgânica.
  • Pupa: forma casulo pegajoso com areia, dura 1 a 2 semanas.
  • Adulto: pulga livre que busca hospedeiro para se alimentar de sangue e acasalar.

Após o acasalamento, apenas a fêmea fecundada penetra a pele. Ela escava a epiderme com a boca, ancora-se e começa a se alimentar de sangue. Em 48 horas já dobra de tamanho.

Entre o 8º e 10º dia atinge o volume máximo, o abdômen vira um neossoma branco de até 1 cm cheio de ovos. Após liberar os ovos, a fêmea morre e é eliminada pela pele, deixando uma pequena cratera que cicatriza.

O que o bicho-de-pé come e como se alimenta

É hematófago obrigatório. Tanto machos quanto fêmeas livres precisam de sangue para sobreviver, mas só a fêmea fecundada se fixa.

Na pele, ela se alimenta de sangue e fluidos teciduais continuamente. O inchaço não é pus, e sim o próprio abdômen distendido com ovos, sangue digerido e fezes.

Os hospedeiros mais comuns são humanos, cachorros, porcos, gatos e ratos. Porcos e cachorros com acesso a solo contaminado mantêm o ciclo no peridomicílio e reinfectam o ambiente, mesmo que a pessoa use calçado ocasionalmente.

Bicho-de-pé pica? Riscos, tungíase e quando procurar atendimento

Sim, mas o problema não é a picada inicial, e sim a permanência do parasita na pele. A tungíase causa dor, coceira intensa, dificuldade para caminhar e para usar calçado fechado.

O maior perigo são as infecções bacterianas secundárias. Manipular com agulha suja, palito ou espinho pode introduzir bactérias, levar a celulite, abscesso, linfangite e, em casos graves, gangrena e tétano. Em pessoas com diabetes ou imunidade baixa, o risco é ainda maior.

Infestações múltiplas, com dezenas de lesões nos pés e mãos, podem causar deformidade de unhas, fissuras, anemia e perda de mobilidade. Em cachorros, lesões na almofada da pata levam a claudicação e infecções.

Procure unidade de saúde se houver dor forte, pus, febre, vermelhidão que se espalha, mau cheiro ou se a lesão não cicatriza em poucos dias. A remoção deve ser feita com material estéril e, quando necessário, com anestesia local. Não tente espremer em casa.

Diferença entre bicho-de-pé em humanos, cachorros e porcos

Em humanos, as lesões se concentram nos pés, especialmente na região periungueal e plantar. Em casos graves aparecem nas mãos, cotovelos e nádegas de quem senta no chão.

Em cachorros, o local preferido é a almofada plantar, entre os dedos e na borda das unhas. O tutor nota que o animal lambe muito a pata, manca e tem nódulos com ponto preto. Cachorros de rua e de sítios são os mais afetados.

Em porcos, a infestação costuma ser massiva no focinho, patas e orelhas, e o animal funciona como grande disseminador de ovos no solo do chiqueiro. O controle do ambiente animal é tão importante quanto o tratamento humano.

Como prevenir e o que não fazer ao tentar remover

A prevenção é mais eficaz que qualquer tratamento caseiro. O inseto não vive em asfalto limpo, e sim em poeira e areia contaminada.

  • Use calçado fechado sempre que pisar em chão de terra, areia ou chiqueiro. Chinelo não protege.
  • Mantenha o chão úmido e limpo: varra, lave com água e, se possível, cimente o piso de dentro de casa.
  • Cuide dos animais: mantenha cachorros e porcos fora de quartos, vermifugue e trate lesões com veterinário para quebrar o ciclo.
  • Inspecione os pés diariamente, principalmente de crianças e idosos que andam descalços.

O que não fazer: não cutuque com agulha de costura, palito, espinho ou lâmina sem esterilização; não aplique querosene, cal, creolina ou cera quente; não tente puxar o neossoma à força, pois a ruptura deixa restos na pele e aumenta a infecção.

O manejo integrado recomendado por órgãos de saúde envolve higiene do ambiente, uso de calçados, tratamento dos animais e remoção profissional quando indicada. Inseticidas no solo só devem ser considerados com orientação técnica e nunca dentro de casa por conta própria.

Papel no ambiente e por que não é só uma praga

Na natureza, as larvas de Tunga participam da decomposição de matéria orgânica no solo, junto com outros detritívoros. Adultos livres servem de alimento para formigas e outros predadores do solo.

Para o ecossistema humano, porém, seu papel é exclusivamente negativo: é um ectoparasita que causa doença negligenciada, associada à pobreza, falta de saneamento e habitação precária. Não poliniza, não controla outras pragas e não traz benefício agrícola.

Por isso, as estratégias de controle focam em melhoria habitacional e educação em saúde, não em extermínio químico amplo. Pavimentar casas, dar acesso a água e a calçados reduz a tungíase mais que qualquer veneno.

Curiosidades que tornam o bicho-de-pé único

A fêmea é um dos poucos insetos que sofre neossomia: o abdômen cresce até 2.000 vezes o volume original sem mudar de forma, apenas esticando a cutícula. É por isso que ela não consegue mais sair.

O nome científico penetrans vem exatamente desse comportamento de penetrar. Já o nome popular bicho-de-porco surgiu porque os porcos foram os primeiros animais onde os colonizadores notaram infestações massivas.

A tungíase foi descrita pela primeira vez no século XVI por cronistas da América do Sul e chegou a impedir expedições inteiras, pois soldados com dezenas de lesões não conseguiam marchar.

Perguntas frequentes

Bicho-de-pé é o mesmo que pulga?

É uma pulga, a Tunga penetrans, mas diferente da pulga comum: a fêmea fecundada penetra e fica encistada na pele até pôr ovos, enquanto a pulga comum só pica e sai.

Como pega bicho-de-pé?

Ao pisar descalço ou com chinelo em solo arenoso e seco contaminado com larvas e pupas, principalmente em chiqueiros, quintais e chão de terra batida.

Pode espremer o bicho-de-pé em casa?

Não. A manipulação sem esterilização aumenta o risco de infecção, tétano e de deixar restos do parasita na pele. Procure unidade de saúde para remoção segura.

Bicho-de-pé dá em cachorro?

Sim, e com frequência. Cachorros apresentam nódulos com ponto preto nas almofadas das patas, mancam e lambem muito o local. Precisam de avaliação veterinária.

Quanto tempo o bicho-de-pé fica na pele?

A fêmea encistada permanece de 3 a 4 semanas: cresce por 8 a 10 dias, libera ovos por 2 semanas e depois morre e é eliminada.

Como prevenir bicho-de-pé?

Use calçado fechado em solo de terra, mantenha pisos limpos e úmidos, cimente o chão de casa quando possível e trate animais infestados para quebrar o ciclo no ambiente.

Bicho-de-pé transmite doença?

Ele causa a tungíase. O maior risco são infecções bacterianas secundárias, tétano e, em infestações graves, dificuldade para andar e deformidades.

Você sabia?

1

Neossoma gigante

A fêmea fecundada aumenta até 2.000 vezes de volume em cerca de 10 dias, ficando do tamanho de uma ervilha, mas mantém cabeça e pernas do tamanho original presas na pele.

2

Só a fêmea fica

Machos e fêmeas não fecundadas apenas picam e pulam como pulgas comuns; somente a fêmea fecundada penetra e permanece encistada até morrer.

3

Viajou para a África em navios

Originária das Américas, a Tunga penetrans chegou à Angola em 1872 em navios negreiros e, a partir dali, colonizou toda a África subsaariana em poucas décadas.

4

O ponto preto não é a cabeça

O ponto escuro visível no centro da lesão é a abertura posterior do abdômen por onde a pulga respira e elimina ovos e fezes, não a cabeça enterrada.

Fontes

  1. Fiocruz - Tungíase
  2. Embrapa - Entomologia
  3. GBIF - Tunga penetrans
  4. Ministério da Saúde - Guia de Vigilância

Prós e contras: Bicho-de-pé

Prós

  • Ciclo bem estudado, o que facilita prevenção com medidas simples como calçados e higiene do solo
  • Indicador útil de vulnerabilidade habitacional e sanitária para ações de saúde pública
  • Larvas participam da decomposição de matéria orgânica no solo
  • Fácil de identificar pela lesão típica com ponto preto central

Contras

  • Causa dor intensa, coceira e dificuldade para caminhar
  • Alto risco de infecção secundária e tétano se manipulado sem esterilização
  • Infesta humanos, cachorros e porcos, mantendo ciclo no peridomicílio
  • Pico na estação seca, quando o solo seco favorece larvas e pupas
  • Pode causar infestações múltiplas e deformidades em casos negligenciados
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bicho-de-pé é o exemplo mais claro de como uma pulga minúscula vira um problema grave de saúde pública quando falta piso, saneamento e cuidado com animais. Não é folclore nem algo para remover com agulha em casa: é uma parasitose que exige calçado, higiene do solo e atendimento profissional.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.