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Abelha-da-terra

Grupo de abelhas terrícolas — Andrena spp., Halictidae spp. e Centris spp.

Atualizado em

8 a 15 mm (pequena)Tamanho
Néctar e pólenAlimentação
Metamorfose completa, 4 a 6 semanas como adultaCiclo de vida
Solo exposto e seco, jardins e cerradoHabitat
Baixo, pica só se manuseadaPerigo para humanos
Abelha-da-terra adulta sobre solo arenoso seco

A abelha-da-terra não é uma única espécie, mas o nome popular para várias abelhas solitárias que cavam ninhos no solo. Diferente da abelha africanizada e das sem ferrão que vivem em colmeias, ela cria túneis individuais na terra e raramente forma colônias grandes.

É uma polinizadora nativa muito eficiente, comum em quintais, hortas e áreas de cerrado. Apesar do susto que os buraquinhos no chão causam, ela é dócil, quase não pica e tem papel essencial na produção de frutas, legumes e flores.

Também conhecido como: Abelha-mineira, Abelha da terra, Abelha do chão, Ground bee (inglês), Abeille terricole (francês)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Insetos Polinizadores, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Abelha-da-terra

Abelha-da-terra adulta sobre solo arenoso seco
Abelha-da-terra adulta, com corpo peludo e tamanho pequeno, sobre o solo onde nidifica.
Close extremo da cabeça e antenas da abelha-da-terra verde-metálica
Detalhe da cabeça e antenas de uma abelha-da-terra verde-metálica.
Abelha-da-terra em voo próximo à entrada do ninho no chão
Abelha-da-terra em voo baixo entrando no túnel no solo.
Corte do ninho subterrâneo da abelha-da-terra com células e larvas
Corte do ninho subterrâneo com células provisionadas com pólen.
Abelha-da-terra coletando pólen em flor amarela do cerrado
Abelha-da-terra coletando pólen, seu principal alimento e serviço de polinização.
Agregação de buraquinhos de abelha-da-terra no solo exposto
Agregação típica de ninhos de abelha-da-terra em solo exposto e seco.

Perfil rápido de Abelha-da-terra

Calendário

Maior atividade de adultosJFMAMJJASOND
Construção de ninhosJFMAMJJASOND
Fase subterrânea (larva/pupa)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa, picada dolorosa mas sem ataque em massa
  • PessoasBaixa, dor e inchaço local; risco maior só para alérgicos

Fêmeas têm ferrão, machos não. Procure atendimento médico em caso de reação alérgica sistêmica.

Vida útil

Na natureza (adulta)
4 a 6 semanas
Fase subterrânea (larva + pupa)
2 a 10 meses, dependendo da espécie e da estação

Reprodução

Metamorfose
Completa
Acasalamento
No solo ou próximo a flores, machos patrulham a área de nidificação
Estrutura social
Solitária, sem rainha; agregações facultativas
Padrão sazonal
Univoltina ou bivoltina, pico de setembro a março
Ovos por célula
1 ovo por célula, 5 a 15 células por fêmea
Nascimento
Ovipara, larva se alimenta de bola de pólen deixada pela mãe

Habitat

Ambientes

  • Solo exposto e bem drenado
  • Barrancos e taludes
  • Canteiros de horta e jardim
  • Áreas de cerrado e caatinga rala
  • Beira de caminhos e calçadas

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Áreas urbanas e agrícolas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Néctar
  • Pólen

Outros alimentos

  • Óleos florais de malpighiáceas em espécies de Centris

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Andrenidae / Halictidae / Apidae
Gênero
Andrena, Augochlora, Halictus, Centris, entre outros
Espécie
Grupo de espécies terrícolas (ex.: Centris tarsata, Augochlora esox)

Resumo

  • A abelha-da-terra é um grupo de abelhas solitárias que nidifica em túneis escavados no solo, com fêmeas trabalhando sozinhas.
  • É facilmente reconhecida pelos buraquinhos de 5 a 10 mm no chão seco e pelo voo baixo e rápido rente à terra.
  • É dócil, raramente pica e é uma polinizadora importante que não deve ser exterminada, apenas manejada com convivência.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaAndrenidae, Halictidae e Apidae (gêneros Centris, Epicharis, Augochlora)
Origem e distribuiçãoNativa das Américas, muito comum em todo o Brasil
Tamanho8 a 15 mm de comprimento, envergadura de 15 a 25 mm
Corespretomarromcinzaverde-metálicoamarelo
Asas e voo2 pares de asas membranosas, voo rápido e baixo, próximo ao solo
AlimentaçãoNéctar e pólen de flores nativas e cultivadas
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulta)
Expectativa de vida4 a 6 semanas na fase adulta; larva/pupa pode durar meses no solo
HabitatSolo arenoso ou argiloso bem drenado, barrancos, gramados falhados
Comportamento socialSolitária, cada fêmea faz seu ninho; agregações de ninhos são comuns
Principais predadoresPássaros, lagartixas, aranhas, vespas e formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito alto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar a abelha-da-terra de verdade

A abelha-da-terra é menor e mais opaca que a abelha africanizada, com corpo de 8 a 15 mm, muitas vezes com pelos densos no tórax e faixas claras no abdômen. Algumas, como as Augochlora, têm brilho verde-metálico inconfundível.

O sinal mais claro não é o inseto, e sim o ninho: buraquinhos redondos de 5 a 10 mm no chão seco, sem montinho grande de terra como o de formiga. Em volta da entrada pode haver um anel discreto de terra solta. Em áreas com muitos ninhos, o solo parece uma peneira.

Na hora do voo, ela é diferente da mamangava e da arapuá. Voa baixo, rápido e em zigue-zague rente ao chão, entrando e saindo do mesmo orifício. Não forma enxame barulhento nem bola de abelhas na parede.

Onde vive e por que escolhe o chão

A abelha-da-terra ocorre em todo o Brasil, do Pampa ao Amazonas, mas é mais visível no Cerrado, Caatinga e áreas urbanas com solo exposto. Prefere locais com sol direto, terra firme e bem drenada.

Cada fêmea cava um túnel principal de 15 a 30 cm de profundidade, com 3 a 10 células laterais. Cada célula é revestida com uma secreção cerosa hidrofóbica que impermeabiliza a parede e protege a larva da umidade e de fungos. É um comportamento único das abelhas terrícolas.

Elas não gostam de solo encharcado, coberto por grama densa ou muito pisoteado. Por isso aparecem em barrancos, canteiros sem cobertura, beira de calçadas e hortas. Agregações de dezenas a centenas de ninhos próximos são normais, mas cada buraco tem uma dona só.

O que come e como poliniza

A dieta é exclusivamente néctar e pólen. A fêmea coleta pólen nas pernas traseiras, que são bem peludas, e leva para a célula subterrânea como alimento da larva.

É uma polinizadora nativa de alta eficiência. Espécies como Centris e Epicharis fazem polinização por vibração e visitam acerola, maracujá, abóbora, tomate, pimentão e muitas flores nativas do cerrado. Uma única fêmea pode visitar centenas de flores por dia.

  • Principal: pólen e néctar de flores nativas e cultivadas
  • Secundário: em algumas espécies, óleos florais coletados de malpighiáceas como acerola
  • Não come: folhas, madeira, sangue ou restos humanos, diferente de vespas

Ciclo de vida e reprodução no solo

O ciclo é de metamorfose completa. Depois do acasalamento, a fêmea escava, provisiona cada célula com uma bola de pólen e néctar, põe um ovo por célula e fecha com terra.

A larva se alimenta do estoque, vira pupa ainda dentro da célula e só emerge como adulta na estação favorável. No Sudeste e Centro-Oeste, o pico de emergência é de setembro a março, sincronizado com a floração.

Isso explica por que os buraquinhos surgem de repente na primavera e somem no inverno. Grande parte da vida acontece invisível, debaixo da terra. Em espécies de clima sazonal, a pupa pode ficar em diapausa por meses esperando a chuva.

Quanto tempo vive?

A fase adulta dura 4 a 6 semanas. Machos vivem menos e morrem logo após acasalar. Fêmeas trabalham intensamente por 3 a 4 semanas cavando e provisionando antes de morrer.

Comportamento: solitária, mas nem sempre sozinha

A abelha-da-terra é solitária por definição: não tem rainha, operárias nem colmeia. Cada fêmea é fértil e cuida sozinha da prole. Isso a torna muito menos defensiva que abelhas sociais.

Mesmo solitárias, muitas formam agregações: dezenas de fêmeas cavam lado a lado porque o local é bom. Parece uma colônia, mas não há cooperação nem divisão de tarefas. Machos costumam fazer dormitórios coletivos, agrupados em ramos ou flores à noite, um comportamento curioso e inofensivo.

Não produzem mel armazenado para humanos. O alimento na célula é só o suficiente para uma larva. Também não constroem cera aparente fora do solo.

Pica ou é perigosa? Riscos para pessoas e pets

A maioria das abelhas-da-terra pode picar, mas raramente pica. A fêmea tem ferrão, o macho não. Como não defende colmeia, ela só usa o ferrão se for apertada, pisada descalça ou presa na roupa.

A picada é comparável à de uma abelha comum: dor local, vermelhidão e inchaço por 1 a 2 dias. O risco maior é para pessoas com alergia a veneno de himenópteros, que podem ter reação sistêmica. Nesse caso, procure atendimento médico imediatamente.

Para cachorros e gatos, o risco é baixo. Pets curiosos podem levar picada no focinho se cavarem o ninho, mas não há comportamento de ataque em massa. Se houver inchaço excessivo, vômitos ou dificuldade para respirar, leve ao veterinário.

Não confunda com formiga-feiticeira ou vespa-cavalo, que também nidificam no solo e são bem mais agressivas. Abelha-da-terra não faz zumbido alto nem persegue.

Papel no ecossistema e na agricultura

Na nossa avaliação, a abelha-da-terra é uma das polinizadoras mais subestimadas do Brasil. Por nidificar no solo e não produzir mel, passa despercebida, mas sustenta a produção de frutas e a regeneração do cerrado.

Estudos com Centris analis em acerola mostram aumento de até 30% na frutificação quando há ninhos próximos. Em hortas urbanas, ela é responsável por grande parte da polinização de abóbora e maracujá.

Além disso, ao escavar, aera o solo e melhora a infiltração de água, um serviço ecossistêmico raramente citado. Matar a agregação com veneno prejudica a horta mais do que ajuda.

Característica Abelha-da-terra Abelha africanizada Mamangava
Tamanho 8-15 mm 12-13 mm 20-30 mm
Vida social Solitária Colônia com rainha Solitária
Ninho Túnel no solo Colmeia suspensa Buraco em madeira
Agressividade Muito baixa Alta quando defende colmeia Baixa
Produz mel? Não comercial Sim Não

Como conviver e o que fazer se aparecer no quintal

Na maioria dos casos, não é preciso fazer nada. A agregação dura poucas semanas e as abelhas somem sozinhas após a reprodução. Manter distância de 1 metro dos buraquinhos já evita acidentes.

  • Não jogue água fervente, querosene ou inseticida no ninho. Além de ineficaz, contamina o solo e mata polinizadores.
  • Molhe o solo levemente por alguns dias se quiser desestimular sem matar: terra úmida afasta novas escavações.
  • Cubra com cobertura morta, palha ou grama após o período de atividade para evitar recolonização no mesmo ponto.
  • Sinalize a área para crianças e pets não pisarem descalços em cima.

Se a agregação estiver em local de passagem intensa, como entrada de escola ou canteiro de obra, contate a Secretaria de Meio Ambiente local ou apicultor especializado em abelhas nativas. O manejo é de exclusão, não de extermínio.

Curiosidades que pouca gente sabe

Muita gente acha que todo buraco no chão é formiga. Outro erro comum é achar que ela vai virar uma infestação dentro de casa. Abelha-da-terra não entra em casas, não rói madeira e não ataca alimentos.

Um fato pouco divulgado: algumas fêmeas passam a noite dentro do próprio ninho com a entrada fechada por terra, como uma porta. Machos, sem ninho, dormem agarrados uns aos outros em galhos finos.

E há um detalhe evolutivo fascinante: o revestimento da célula é tão eficiente que fósseis de ninhos de abelhas terrícolas com 50 milhões de anos já foram encontrados preservados, idênticos aos atuais.

Perguntas frequentes

Abelha-da-terra pica?

Sim, a fêmea tem ferrão, mas só pica se for apertada ou pisada. É muito dócil e não ataca em grupo como a abelha africanizada.

Como saber se o buraco no chão é de abelha-da-terra?

É um orifício redondo de 5 a 10 mm, sem montinho grande de terra, com abelhas pequenas entrando e saindo em voo baixo. Formigas fazem carreiros e montes maiores.

Abelha-da-terra faz mel?

Não produz mel para consumo humano. Cada célula tem apenas uma bolinha de pólen e néctar suficiente para uma larva.

Como tirar abelha-da-terra do quintal sem matar?

Mantenha o solo úmido e coberto com palha ou grama após o período de atividade (abril a agosto). Não use veneno; se precisar, contate o órgão ambiental local.

Ela vive em colmeia?

Não. É solitária, cada fêmea faz seu túnel. O que parece colmeia é uma agregação de ninhos individuais próximos.

Quanto tempo dura a infestação?

A atividade adulta dura 4 a 6 semanas, geralmente entre setembro e março. Depois os ninhos ficam inativos até a próxima estação.

Abelha-da-terra é perigosa para cachorro?

Risco baixo. Pode picar o focinho se o pet cavar o ninho, causando dor e inchaço local. Reações graves são raras e ligadas a alergia.

Você sabia?

1

Porta de terra

A fêmea fecha a entrada do túnel com terra toda vez que sai e reabre ao voltar, para despistar parasitas como moscas cleptoparasitas.

2

Dormitório de machos

Machos de várias espécies não têm ninho e se reúnem ao entardecer em grupos de 5 a 20 indivíduos pendurados em um mesmo ramo para dormir.

3

Tinta impermeável natural

A secreção que reveste a célula é tão hidrofóbica que a larva pode sobreviver mesmo se o solo ficar alagado por alguns dias.

4

Fidelidade ao local

Fêmeas nascidas em uma agregação tendem a cavar seu próprio ninho a poucos centímetros de onde nasceram, por isso o mesmo canteiro é usado por anos.

Fontes

  1. Embrapa Meio Ambiente - Abelhas nativas
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto

Prós e contras: Abelha-da-terra

Prós

  • Polinizadora nativa muito eficiente para hortas e frutíferas
  • Não é agressiva e não forma enxames perigosos
  • Não danifica plantas, madeira ou estruturas
  • Ajuda a aerar o solo com seus túneis
  • Indicadora de ambiente saudável e solo bem drenado

Contras

  • Buraquinhos no gramado podem incomodar esteticamente
  • Risco de pisada descalça e picada dolorosa
  • Agregações podem assustar quem não conhece
  • Pode ser confundida com praga e morta por engano
  • Retorna ao mesmo local todo ano se o solo continuar exposto
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a abelha-da-terra é o exemplo perfeito de inseto benéfico que sofre por falta de informação. Confundida com praga, ela é na verdade uma aliada da horta e do pomar que merece ser protegida, não exterminada.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.