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Barata-d’água-gigante

Lethocerus grandis (Linnaeus, 1758)

Atualizado em

9 a 12 cm de comprimentoTamanho
Predadora de peixes e girinosAlimentação
Metamorfose incompleta, ~2 meses até adultoCiclo de vida
Lagoas e rios calmosHabitat
Picada muito dolorida, sem veneno letalPerigo para humanos
Barata-d'água-gigante vista de cima com corpo achatado marrom-escuro e pernas dianteiras em forma de pinça

A barata-d'água-gigante é o maior percevejo aquático das Américas, com até 12 cm de comprimento. Apesar do nome, não é barata e sim um hemíptero predador da família Belostomatidae, conhecido pela picada extremamente dolorida e pelo voo noturno em direção às luzes.

Vive em lagoas, açudes e rios de baixa correnteza, onde caça peixes, girinos e outros insetos por emboscada. É um predador importante para o equilíbrio de ambientes aquáticos e raramente representa risco grave, desde que não seja manuseada.

Também conhecido como: Barata-d'água-grande, Bicho-d'água-gigante, Escorpião-d'água-gigante, Giant water bug (inglês), Chinche de agua gigante (espanhol)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Insetos Peçonhentos, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Barata-d’água-gigante

Barata-d'água-gigante vista de cima com corpo achatado marrom-escuro e pernas dianteiras em forma de pinça
Vista dorsal da barata-d'água-gigante, com corpo achatado e pernas raptoriais.
Close extremo da cabeça da barata-d'água-gigante mostrando olhos grandes e bico picador
Detalhe da cabeça com olhos grandes e bico picador-sugador.
Barata-d'água-gigante com asas abertas em voo noturno
Adulto em voo noturno, quando é atraído por luzes artificiais.
Ovos da barata-d'água-gigante depositados em caule de planta aquática acima da água
Postura de ovos sobre vegetação emergente guardada pelo macho.
Ninfa da barata-d'água-gigante sem asas entre plantas aquáticas
Ninfa aquática, fase jovem sem asas que já caça pequenas presas.
Barata-d'água-gigante caçando peixe pequeno submersa na lagoa
Predação por emboscada, segurando peixe com as pernas dianteiras.

Perfil rápido de Barata-d’água-gigante

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie ainda não avaliada individualmente na Lista Vermelha da IUCN.

População
Desconhecida
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividade de voo e atração por luzJFMAMJJASOND
Reprodução e posturasJFMAMJJASOND
Ninfas em desenvolvimentoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão venenosa, mas picada muito dolorida; risco de lesão se o animal morder
  • PessoasNão venenosa; picada causa dor intensa, vermelhidão e inchaço local

Não há veneno letal. Dor é causada por saliva digestiva. Em caso de reação alérgica, dor persistente ou picada em criança, procure atendimento médico.

Vida útil

Na natureza
1 a 2 anos, com fase adulta de 6 a 12 meses

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetábola)
Acasalamento
No início da estação chuvosa, em vegetação aquática
Ovos
100 a 150 ovos depositados sobre plantas emergentes, acima da água
Cuidado parental
Paterno: macho molha e guarda os ovos até a eclosão
Desenvolvimento
5 ínstares de ninfa; 45 a 60 dias até adulto em clima quente
Ninhada
Uma a duas posturas por fêmea por estação

Habitat

Ambientes

  • Lagoas permanentes e temporárias
  • Açudes e represas com vegetação
  • Brejos e banhados
  • Rios e igarapés de baixa correnteza
  • Piscinas e tanques iluminados à noite (ocasional)

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Caatinga
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pequenos e alevinos
  • Girinos e larvas de anfíbios
  • Insetos aquáticos (larvas de libélula, besouros)

Outros alimentos

  • Caramujos aquáticos
  • Pequenos crustáceos
  • Anfíbios adultos pequenos

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Equador
  • Suriname

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Belostomatidae
Gênero
Lethocerus
Espécie
Lethocerus grandis

Resumo

  • A barata-d'água-gigante é um percevejo aquático predador que pode ultrapassar 10 cm e vive em águas paradas ou de pouca correnteza em quase todo o Brasil.
  • Caça por emboscada com as pernas dianteiras em forma de pinça e injeta saliva digestiva na presa, mas só pica humanos se for apertada ou pisada.
  • É atraída por luzes fortes à noite durante a estação chuvosa, quando voa para colonizar novos corpos d'água e se reproduzir.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaBelostomatidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul e Central; muito comum no Brasil
Tamanho9 a 12 cm (fêmeas maiores que machos)
Coresmarrom-escuromarrom-avermelhadopreto
Asas e vooCom asas; voo forte, noturno e atraído por luz
AlimentaçãoCarnívora: peixes, girinos, insetos aquáticos, anfíbios
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida1 a 2 anos na natureza
HabitatÁguas doces paradas ou de pouca correnteza com vegetação
Comportamento socialSolitário e territorial
Principais predadoresAves aquáticas, peixes grandes e jacarés

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMédio
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar a barata-d’água-gigante sem confundir

A barata-d’água-gigante não é barata. É um percevejo aquático achatado, oval e bem grande, que lembra uma folha molhada quando está parada.

O corpo tem três partes bem visíveis, cabeça curta com olhos grandes, tórax largo e abdômen achatado. As pernas dianteiras são em forma de pinça, como as de um louva-a-deus, usadas para agarrar a presa. As pernas traseiras são achatadas e com pelos, funcionando como remos.

A coloração varia de marrom-escuro a marrom-avermelhado, quase preta por cima e mais clara por baixo. Essa cor ajuda a se camuflar no lodo e entre folhas submersas.

Diferença para barata comum e escorpião-d’água

Baratas domésticas têm antenas longas e finas, corpo mais cilíndrico e pernas corridas. A barata-d’água-gigante tem antenas curtíssimas e escondidas, corpo muito mais largo e achatado e um tubo respiratório curto na ponta do abdômen.

O escorpião-d’água (Nepidae) é parecido, mas tem corpo mais estreito e um sifão respiratório longo como cauda. A barata-d’água-gigante tem sifão curto e retrátil e é muito maior e mais robusta.

  • Tamanho: 9 a 12 cm em Lethocerus grandis, a maior do Brasil.
  • Bico: aparelho picador-sugador forte, dobrado sob a cabeça, não visível de cima.
  • Asas: dois pares bem desenvolvidos, cruzados sobre o dorso quando em repouso.

Onde vive e por que aparece perto de luzes

No Brasil ocorre em quase todos os biomas, da Amazônia ao Pampa, sendo mais comum onde há água doce parada ou de pouca correnteza: lagoas, brejos, açudes, represas e igarapés calmos com vegetação aquática.

Passa a maior parte da vida submersa, imóvel entre plantas, esperando a presa passar. Sobe à superfície para respirar, levando a ponta do abdômen para fora da água e captando ar pelo sifão.

Na estação chuvosa, adultos fazem voos noturnos de dispersão para colonizar novos corpos d’água. Como orientam-se pela luz da lua, luzes artificiais fortes confundem seu sistema de navegação e as atraem para postes, varandas e piscinas. É por isso que aparecem tanto em áreas urbanas entre outubro e março.

O que ela come e como caça

É uma predadora de emboscada extremamente eficiente. A dieta inclui peixes pequenos, girinos, larvas de libélula, besouros aquáticos, caramujos e até pequenos anfíbios. Já foram registrados ataques a peixes do seu próprio tamanho.

A caça acontece em três etapas rápidas. Primeiro ela agarra a presa com as pernas anteriores raptoriais. Em seguida crava o bico e injeta saliva com enzimas digestivas que liquefazem músculos e órgãos por dentro. Por fim suga o conteúdo, como se tomasse com canudo.

Essa estratégia explica por que a picada em humanos dói tanto: a mesma saliva que dissolve tecidos da presa causa dor intensa, inchaço e queimação local, mesmo sem veneno verdadeiro.

Quanto precisa comer

Uma ninfa pode consumir várias larvas por dia e um adulto é capaz de predar um girino ou peixe de 3 a 4 cm em poucos minutos. Em açudes, ajuda a controlar excesso de larvas de mosquitos e de peixes pequenos.

Ciclo de vida e o cuidado paterno que chama atenção

A barata-d’água-gigante tem metamorfose incompleta: do ovo nasce uma ninfa já parecida com o adulto, mas sem asas e menor. Ela passa por cinco mudas até virar adulta.

A reprodução ocorre na estação quente e chuvosa. Em Lethocerus grandis, a fêmea deposita 100 a 150 ovos sobre vegetação emergente, acima da linha d’água, geralmente em caules de taboa ou junco.

O comportamento mais interessante é o cuidado paterno. O macho permanece próximo à postura, molhando os ovos regularmente com água levada no corpo para evitar ressecamento e defendendo-os de predadores e fungos. Ele repete o movimento de subir e descer da água dezenas de vezes por dia.

Os ovos eclodem em 10 a 14 dias. As ninfas caem na água e já começam a caçar microcrustáceos e larvas. Em cerca de 45 a 60 dias, dependendo da temperatura e da oferta de alimento, chegam à fase adulta.

Em Belostoma, gênero parente e menor, o macho carrega os ovos nas costas. Em Lethocerus, o gigante que vemos no Brasil, os ovos ficam na planta e o macho guarda à distância. Confundir os dois é um erro comum.

Ela pica? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Sim, pica, e a dor é desproporcional ao tamanho. A picada não é por agressividade: ela só usa o bico se for apertada, pisada descalço ou manuseada.

A sensação é descrita como pontada profunda e queimação que pode durar de 30 minutos a algumas horas, com vermelhidão e inchaço local. Em pessoas sensíveis pode haver coceira prolongada, mas não há veneno letal nem risco de necrose como em aranhas de importância médica.

Para cachorros e gatos, o risco é o mesmo: dor forte se tentarem morder ou brincar com o inseto. Animais costumam soltar imediatamente e evitar novo contato. Lesões oculares podem ocorrer se o pet levar o bico no focinho.

  • O que fazer: lave com água e sabão, aplique compressa fria e mantenha o local elevado.
  • Não esprema, não corte e não aplique produtos caseiros como pasta de dente ou álcool puro.
  • Procure atendimento médico se houver dor muito intensa, inchaço que se espalha, febre, sinais de alergia ou se a vítima for criança pequena.

Voo noturno, respiração e defesa

Fora da água, a barata-d’água-gigante é desajeitada, mas voa bem e por distâncias de centenas de metros. Antes de voar, bombeia ar sob as asas e aquece a musculatura torácica.

Na água, respira de dois jeitos: leva uma bolha de ar sob as asas como reserva e usa o sifão abdominal para renovar o ar na superfície. Consegue ficar submersa por vários minutos sem subir.

Quando ameaçada, tem três defesas. Finge-se de morta, libera um líquido de cheiro forte por glândulas torácicas e, se encurralada, desfere a picada. Também pode produzir um som áspero ao friccionar partes do corpo, audível de perto.

Papel no ecossistema: benéfica ou praga?

Na nossa avaliação, é claramente benéfica e não deve ser tratada como praga. É um predador de topo em ambientes aquáticos pequenos, regulando populações de girinos, peixes e insetos.

Em piscicultura extensiva, pode predar alevinos e causar prejuízo pontual, mas em lagoas naturais e açudes o efeito é de equilíbrio. Ela também serve de alimento para aves, jacarés e peixes grandes, ligando cadeias aquática e terrestre.

Matar todas as baratas-d’água com inseticida desequilibra o sistema e contamina a água. O manejo correto é preservar a vegetação nativa e evitar luzes fortes à beira da água, não eliminar o predador.

Como lidar se encontrar uma em casa, na piscina ou na luz

Encontrar uma na área externa não significa infestação. Geralmente é um adulto solitário atraído pela luz que pousou sem querer.

Não tente pegar com a mão. Cubra com um balde ou caixa, deslize um papelão por baixo e solte longe, perto de um corpo d’água com vegetação. Se estiver na piscina, desligue a luz noturna, retire com rede de cabo longo e solte fora.

Para reduzir novas visitas:

  • Troque luzes brancas intensas por luzes amarelas ou quentes e mantenha cortinas fechadas à noite.
  • Desligue luzes próximas a lagos e piscinas depois das 19h no verão.
  • Mantenha piscinas cobertas e sem vegetação em excesso nas bordas.
  • Não use inseticida na água; ele mata peixes, libélulas e outros controladores naturais.

Curiosidades que tornam a barata-d’água-gigante única

Apesar do nome popular, ela é parente de percevejos e barqueiros, não de baratas. O nome vem apenas do formato achatado e da cor escura.

É um dos poucos insetos que capturam vertebrados regularmente. Em laboratório, já foi observada predando peixes de até 10 cm, segurando a presa por mais de 10 minutos até a imobilização completa.

Seus ovos precisam ficar úmidos, mas não submersos. Se o nível da água baixa e os ovos secam, o macho aumenta a frequência de visitas para molhá-los, um comportamento quase ausente em outros hemípteros gigantes.

Característica Barata-d’água-gigante (Lethocerus) Barata doméstica
Grupo Hemíptero aquático predador Blatódeo terrestre detritívoro
Habitat Água doce, voa à noite Interior de casas, esgotos
Alimentação Caça ativa com saliva digestiva Restos orgânicos
Risco Picada dolorida se manuseada Contaminação de alimentos

Perguntas frequentes

Barata-d'água-gigante pica?

Sim, se for apertada ou pisada. A picada é muito dolorida, com queimação e inchaço local por algumas horas, mas não tem veneno letal.

Ela é venenosa?

Não é considerada venenosa. A dor vem de enzimas digestivas injetadas pelo bico, não de peçonha com efeito sistêmico.

Por que aparece na luz?

Adultos voam à noite na estação chuvosa para colonizar novas lagoas e se orientam pela lua; luzes fortes os desorientam e atraem para casas e postes.

Mora dentro de casa?

Não. Vive em água doce. Quando entra em casa, é por acidente durante voo noturno e não forma colônia doméstica.

O que fazer se encontrar uma na piscina?

Desligue a luz, retire com rede de cabo longo sem tocar com a mão e solte perto de lagoa ou brejo com vegetação.

Ela come peixe de aquário ou açude?

Pode predar alevinos e peixes pequenos em tanques rasos com vegetação. Em açudes grandes o impacto é pontual e faz parte do equilíbrio natural.

Quanto tempo vive?

Vive de 1 a 2 anos no total. A fase de ninfa dura cerca de 2 meses e a vida adulta pode durar de 6 a 12 meses.

Você sabia?

1

A picada mais dolorida entre os insetos aquáticos

A dor da picada de Lethocerus é frequentemente comparada à de vespa, mas sem inchaço alérgico grave na maioria das pessoas, e pode latejar por horas devido às enzimas digestivas.

2

Pai que rega os ovos

O macho de Lethocerus grandis não carrega os ovos nas costas como o gênero Belostoma; ele os guarda na planta e sobe e desce da água para molhá-los e impedir que ressequem.

3

Respira com sifão e bolha de ar

Ela armazena uma fina camada de ar sob as asas e respira pela ponta do abdômen, como um snorkel curto, o que permite ficar imóvel no fundo esperando a presa.

4

Atração fatal por luz

Durante voos noturnos pode confundir luzes de postes e varandas com o reflexo da lua na água, pousando longe de qualquer lagoa e aparecendo em estacionamentos e sacadas no verão.

Fontes

  1. Embrapa - Entomologia e Controle Biológico
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia (MZUSP)
  4. Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz

Prós e contras: Barata-d’água-gigante

Prós

  • Predadora eficiente que controla girinos, larvas de mosquitos e peixes em excesso
  • Indicadora de ambiente aquático com vegetação e boa disponibilidade de presas
  • Não infesta casas nem ataca plantações
  • Ciclo de vida com cuidado paterno raro e interessante para educação ambiental
  • Serve de alimento para aves e jacarés, conectando cadeias alimentares

Contras

  • Picada extremamente dolorida se manuseada ou pisada descalço
  • Pode predar alevinos em piscicultura extensiva
  • Atraída por luzes fortes e pode assustar moradores no verão
  • Aspecto grande e escuro gera medo e confusão com barata doméstica
Nossa opinião

A barata-d'água-gigante é mal compreendida por causa do nome: não é praga urbana e não infesta casas. Na nossa avaliação, vale mais preservá-la como predadora nativa que controla girinos e insetos do que temê-la, bastando não manuseá-la e manejar a iluminação noturna.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.