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Pitomba-do-Norte

Talisia esculenta

Atualizado em

6 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
Fácil a moderadaDificuldade
Frutos de pitomba-do-norte inteiros e cortados mostrando polpa translúcida

A pitomba-do-norte (Talisia esculenta) é uma árvore frutífera nativa do Brasil, muito comum na Amazônia e no Nordeste, conhecida pelos frutos pequenos, redondos e de polpa translúcida, agridoce e muito suculenta. Pertence à família Sapindaceae, a mesma da lichia e do guaraná, e pode chegar a 12 metros de altura quando adulta.

É uma espécie rústica e produtiva, que frutifica em pleno período chuvoso, entre janeiro e abril, e atrai abelhas e pássaros. Apesar de ainda pouco cultivada comercialmente fora do Norte e Nordeste, vem ganhando espaço em quintais e pomares domésticos pelo sabor, pela rusticidade e pelo valor cultural.

Também conhecido como: Pitomba-do-norte, Pitombeira, Pitomba-da-mata, Pitomba-de-macaco, Olho-de-boi

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pitomba-do-Norte

Frutos de pitomba-do-norte inteiros e cortados mostrando polpa translúcida
Frutos de pitomba-do-norte com polpa translúcida e sementes grandes.
Árvore de pitomba-do-norte carregada de frutos no pomar
Pitombeira adulta em produção no período chuvoso.
Folhas e flores brancas da pitomba-do-norte
Folhas compostas e floração branca perfumada.
Cesto com colheita de pitomba-do-norte
Colheita da safra de verão, entre janeiro e abril.
Detalhe do fruto de pitomba-do-norte cortado ao meio
Detalhe da casca fina, polpa suculenta e semente.
Muda jovem de pitomba-do-norte em saquinho de viveiro
Muda de pitomba-do-norte pronta para plantio.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal amplo, chácara ou sítio no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e busca uma frutífera nativa, rústica e de sombra generosa. Vai bem para famílias que valorizam frutos regionais e querem atrair abelhas e pássaros para o pomar. Também é ótima para projetos de restauração e arborização produtiva, pois cresce rápido, tolera solos pobres quando bem corrigidos e produz safra farta sem exigir manejo complexo.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem mora em apartamento, tem varanda pequena ou busca frutífera compacta para vaso, pois a árvore fica grande e frutifica pouco em espaço restrito. Também não funciona bem em regiões com geada frequente ou inverno frio e úmido. Quem tem pouco tempo para colher na safra pode se frustrar, já que os frutos amadurecem de forma escalonada, caem e estragam em poucos dias se não forem colhidos e consumidos rapidamente.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo de 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana em mudas, depois apenas em estiagem prolongada
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura
22 °C a 32 °C; sensível a geada e frio abaixo de 12 °C
Adubação
3 vezes ao ano com esterco + NPK; reforçar potássio e fósforo na fase produtiva
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual após a colheita
Propagação
Sementes frescas (principal) e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Pitomba-do-Norte

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Sapindaceae
Gênero
Talisia
Espécie
Talisia esculenta

Resumo

  • A pitomba-do-norte é a Talisia esculenta, árvore nativa da Amazônia e do Nordeste que produz frutos redondos de polpa suculenta e agridoce.
  • Frutifica uma vez ao ano, entre janeiro e abril, e começa a produzir de 3 a 5 anos após o plantio por semente.
  • Precisa de sol pleno, solo fértil e bem drenado e clima quente e úmido, sendo ideal para quintais amplos e pomares regionais.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPitomba-do-norte, pitombeira, pitomba-da-mata
Nome científicoTalisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk.
Família botânicaSapindaceae
OrigemNorte e Nordeste do Brasil (Amazônia, Caatinga e Cerrado)
Tamanho6 a 12 m de altura; copa densa de 4 a 7 m de diâmetro
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos por enxertia
Época de frutificaçãoJaneiro a abril (período chuvoso)
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; 2 a 3 vezes por semana na fase jovem
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente e úmido; não tolera geada
PropagaçãoSementes e enxertia
Cultivo em vasoPouco indicado; só em vasos acima de 200 litros e com poda
Espaçamento7 x 7 m a 8 x 8 m entre plantas

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

O que é a pitomba-do-norte e como reconhecer a árvore

A pitomba-do-norte é a Talisia esculenta, árvore nativa do Brasil chamada também de pitombeira. Não é a mesma planta da pitanga nem da pitomba miúda de outras regiões, embora o nome cause confusão.

A árvore tem tronco reto com casca acinzentada, copa arredondada e densa e folhas compostas, com 5 a 9 folíolos verde-escuros, brilhantes e coriáceos. Atinge de 6 a 12 metros em cultivo e pode passar disso na mata. É fácil reconhecê-la na época de safra pelos cachos de frutos.

O fruto é uma drupa globosa de 2 a 3,5 cm, com casca fina marrom-clara e levemente aveludada. Dentro há 1 a 2 sementes grandes envoltas por polpa translúcida, esbranquiçada a amarelada, suculenta e agridoce. A polpa é pouca em volume, mas muito aromática, e gruda na semente como na lichia.

Onde ela ocorre e qual clima prefere no Brasil

A espécie é nativa da Amazônia e do Nordeste, ocorrendo do Pará e Maranhão até o Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, avançando para áreas de Cerrado e Caatinga. É típica de matas de várzea, capoeiras e quintais do interior.

Prefere clima tropical quente e úmido, com temperaturas entre 22 °C e 32 °C e chuvas bem distribuídas. Não tolera geada e sofre com frio prolongado abaixo de 12 °C. Por isso vai melhor do Norte e Nordeste ao Sudeste, em baixas altitudes.

Em regiões mais secas, como o sertão, ela frutifica bem se houver irrigação na fase de crescimento. Já no Sul, o cultivo é limitado e só funciona em áreas protegidas e sem inverno rigoroso.

Quando dá frutos: floração e safra

A pitomba-do-norte floresce na primavera, entre setembro e novembro, com inflorescências terminais de flores pequenas, brancas e perfumadas, muito visitadas por abelhas nativas. A polinização é cruzada e depende de insetos.

A frutificação acontece no verão chuvoso, de janeiro a abril, com pico em fevereiro e março. A árvore adulta e bem nutrida produz cachos com dezenas de frutos e safra anual única, mas abundante. Os frutos amadurecem de forma desuniforme e caem quando maduros.

O ponto de colheita é quando a casca passa de verde para marrom-claro e cede levemente ao toque. Depois de colhida, a pitomba fermenta em 2 a 3 dias em temperatura ambiente, por isso o consumo deve ser rápido ou a polpa deve ser congelada.

Como plantar pitomba-do-norte: semente e muda

A forma mais comum é por semente fresca. A semente é recalcitrante e perde a viabilidade em poucos dias se secar, então deve ser semeada logo após retirar da polpa. Lave bem, deixe secar à sombra por algumas horas e plante a 2 cm de profundidade.

Use saquinhos de 15 x 25 cm com substrato de terra vegetal, areia grossa e esterco curtido em partes iguais. A germinação ocorre em 15 a 30 dias e a muda vai para o local definitivo com 40 a 60 cm, geralmente com 8 a 12 meses.

A enxertia por garfagem antecipa a produção para 2 a 3 anos e garante frutos iguais à planta-mãe, mas é menos usada em viveiros populares. Para pomar, plante no início das chuvas, em covas de 50 x 50 x 50 cm bem adubadas, com espaçamento de 7 a 8 metros entre árvores.

Diferença entre pitomba-do-norte e pitomba comum

A pitomba-do-norte (Talisia esculenta) tem fruto maior, casca mais grossa e polpa mais abundante que a pitomba miúda (Talisia microphylla e outras Talisia spp.). A do norte também tem árvore de maior tamanho e folhas com folíolos mais largos.

Na hora da compra, desconfie de mudas vendidas apenas como “pitomba” sem nome científico. Peça a identificação correta para não levar uma espécie de fruto muito pequeno e pouco carnoso.

Luz, rega e solo ideais

A pitombeira exige sol pleno o dia todo. Sombreamento atrasa o crescimento e reduz drasticamente a frutificação. Escolha local aberto, sem competição com muros ou outras copas.

Na fase de muda, mantenha rega 2 a 3 vezes por semana, sem encharcar. Depois de estabelecida, a árvore tolera estiagens curtas, mas produz melhor com água regular na floração e no enchimento dos frutos. Em verões muito secos, irrigue semanalmente.

O solo ideal é profundo, fértil e bem drenado, com boa matéria orgânica e pH entre 5,5 e 6,5. Solos argilosos e compactados causam apodrecimento de raízes. Antes do plantio, incorpore 10 a 15 litros de esterco curtido e 200 g de calcário por cova, quando indicado por análise.

Adubação e poda na prática

Adube três vezes ao ano nos primeiros anos: no início das chuvas, no meio e no fim do período chuvoso. Use esterco curtido + NPK 10-10-10 ou formulações ricas em potássio na fase produtiva. A partir do terceiro ano, aumente a dose de potássio e fósforo para estimular floração.

Cobertura morta com palha ou folhas secas ajuda a manter a umidade e a vida do solo. Evite adubo encostado no tronco e sempre regue após adubar.

A poda é simples. Faça poda de formação nos dois primeiros anos para conduzir um tronco único e 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Depois, faça apenas poda de limpeza após a colheita, retirando ramos secos, doentes e cruzados. Não faça poda drástica, pois a espécie brota lentamente.

Dá para cultivar pitomba-do-norte em vaso?

Não é a melhor espécie para vaso. Por ser árvore de grande tamanho e raiz pivotante profunda, ela precisa de espaço para se desenvolver e frutificar bem. Em vasos pequenos, cresce pouco e quase não produz.

Se a única opção for o vaso, use recipiente de no mínimo 200 a 300 litros, com substrato leve e drenado, sol pleno e adubação mensal. Será preciso podar a copa todo ano após a safra para controlar a altura e fazer irrigação frequente.

Na nossa avaliação, a pitomba-do-norte compensa mesmo em quintal, chácara ou sítio, onde pode atingir seu tamanho natural e produzir sombra e frutos em quantidade. Para varanda ou apartamento, outras Sapindaceae menores são escolhas mais realistas.

Pragas, doenças e como prevenir

É uma árvore considerada rústica e resistente, mas pode ser atacada por broca-dos-frutos, mosca-das-frutas e cochonilhas, além de lagartas desfolhadoras em plantas jovens. Frutos caídos no chão atraem moscas e fermentam rápido.

Previna com colheita frequente, retirada de frutos do chão e ensacamento de cachos quando a produção for para consumo familiar. Evite ferir o tronco na roçada e mantenha a área coroada limpa, sem mato alto.

Doenças fúngicas como antracnose e fumagina aparecem em locais muito úmidos e sombreados. Garanta sol pleno, espaçamento adequado e poda para ventilação. Se houver muita cochonilha, a fumagina surge como consequência e sai com controle do inseto e lavagem da folhagem.

Usos, sabor e curiosidades que só esta espécie tem

O sabor da pitomba-do-norte lembra uma mistura de lichia com pitanga, doce e levemente ácido, com perfume adocicado. Consome-se in natura, chupando a polpa ao redor da semente, ou em sucos, licores, geleias e sorvetes. A polpa rende pouco por fruto, então o suco costuma ser feito com muitos frutos batidos e coados.

A madeira é dura e pesada, usada regionalmente para cabos de ferramentas e mourões, e as folhas e cascas têm uso na medicina popular do Nordeste, embora sem comprovação científica e sem recomendação de uso caseiro.

Um detalhe pouco conhecido é que a pitomba-do-norte quase não é encontrada em supermercados do Sudeste porque o fruto é extremamente perecível e não aguenta transporte longo sem refrigeração. Por isso a melhor forma de provar é colher direto do pé ou comprar em feiras do Norte e Nordeste na época da safra.

Característica Pitomba-do-norte (Talisia esculenta) Pitomba miúda (Talisia spp. menores)
Tamanho do fruto 2 a 3,5 cm 1,5 a 2 cm
Casca Marrom-clara, levemente aveludada Mais fina e lisa
Polpa Mais abundante, translúcida Bem escassa
Altura da árvore 6 a 12 m 3 a 6 m

Perguntas frequentes

Pitomba-do-norte é a mesma coisa que pitomba comum?

Não. A pitomba-do-norte é Talisia esculenta, de frutos maiores (2 a 3,5 cm) e árvore mais alta. A pitomba miúda costuma ser Talisia microphylla, com frutos menores e menos polpa.

Quanto tempo leva para dar frutos?

De semente, de 3 a 5 anos em boas condições de sol e solo. Mudas enxertadas podem frutificar em 2 a 3 anos.

Qual a época de safra da pitomba-do-norte?

No Brasil, a safra vai de janeiro a abril, com pico em fevereiro e março, coincidindo com o período chuvoso.

Pode plantar em vaso?

Não é recomendado. A árvore chega a 12 m e tem raiz profunda. Só é viável em vasos gigantes acima de 200 litros e com poda constante, mas a produção será baixa.

Como plantar a semente corretamente?

Use sementes frescas, recém-retiradas do fruto, plante a 2 cm de profundidade em substrato fértil e mantenha úmido. A germinação ocorre em 15 a 30 dias.

Precisa de duas árvores para frutificar?

A polinização é cruzada por abelhas, então ter duas ou mais plantas próximas aumenta muito a frutificação, embora uma árvore isolada possa produzir.

O fruto estraga rápido?

Sim. Sem refrigeração, fermenta em 2 a 3 dias. O ideal é consumir na hora ou congelar a polpa para sucos e sorvetes.

Você sabia?

1

Semente que não pode esperar

A semente da pitomba-do-norte é recalcitrante: se secar por mais de 5 a 7 dias, perde quase toda a capacidade de germinar. Por isso produtores plantam no mesmo dia da despolpa.

2

Parente da lichia

Ela pertence à família Sapindaceae, a mesma da lichia, do guaraná e da rambutã, o que explica a polpa translúcida grudada na semente e o sabor agridoce perfumado.

3

Fruto que não viaja

Por ter casca fina e polpa muito aquosa, a pitomba fermenta em até 48 horas após a colheita sem refrigeração. É por isso que quase não chega a supermercados fora do Norte e Nordeste.

4

Nome que confunde

Muita muda vendida como pitomba é na verdade Talisia microphylla ou Talisia cerasina, de frutos bem menores. A verdadeira pitomba-do-norte é Talisia esculenta, com frutos de até 3,5 cm.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE

Prós e contras: Pitomba-do-Norte

Prós

  • Frutífera nativa rústica e adaptada ao clima quente do Brasil
  • Produção anual farta e sabor agridoce muito apreciado regionalmente
  • Atrai abelhas nativas e pássaros, ajudando na biodiversidade do quintal
  • Fornece sombra densa e copa ornamental para chácaras e sítios
  • Pouco exigente após estabelecida e resistente a pragas quando bem manejada

Contras

  • Árvore grande, inadequada para vasos e espaços pequenos
  • Fruto extremamente perecível, não aguenta transporte e armazenamento longo
  • Sementes perdem viabilidade em poucos dias se não forem plantadas
  • Frutificação concentrada em poucos meses e desuniforme
  • Pouca polpa por fruto, exige grande quantidade para sucos e receitas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pitomba-do-norte é uma das frutíferas nativas mais subestimadas do Brasil: rústica, bonita e produtiva, mas ainda tratada como fruta de quintal. Vale o espaço em pomares regionais justamente por entregar sombra, safra farta e um sabor que não se encontra no varejo tradicional.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.