🍊 Frutíferas

Fruta-do-conde-roxa

Annona squamosa L.

Atualizado em

3 a 6 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
2 a 3 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Fruta-do-conde-roxa inteira e cortada ao meio mostrando polpa branca e sementes pretas

A fruta-do-conde-roxa é uma variedade da pinha ou ata (Annona squamosa) que se destaca pela casca em tons de roxo, vinho e verde-arroxeado. A árvore é de tamanho médio, entre 3 e 6 metros, com copa aberta e folhas alongadas, e produz frutos doces de polpa branca, cremosa e com sementes pretas brilhantes.

Diferente da pinha verde comum, a coloração roxa vem do acúmulo de antocianinas na casca e, em alguns clones, em manchas rosadas na polpa próxima à casca. No Brasil ela é cultivada sobretudo em quintais e pequenos pomares do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, onde o clima quente favorece floração abundante e frutos de 200 a 500 g.

É uma frutífera tropical produtiva, mas exige atenção à polinização e à colheita no ponto certo. Quando bem manejada, frutifica já no segundo ou terceiro ano se enxertada e pode produzir por mais de 15 anos.

Também conhecido como: Fruta-do-conde-roxa, Ata-roxa, Pinha-roxa, Atemoia roxa (uso popular incorreto), Custard apple roxa, Pomme cannelle violette

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Fruta-do-conde-roxa

Fruta-do-conde-roxa inteira e cortada ao meio mostrando polpa branca e sementes pretas
Fruta-do-conde-roxa cortada exibindo polpa cremosa e sementes pretas.
Árvore de fruta-do-conde-roxa carregada de frutos roxos no quintal
Árvore de fruta-do-conde-roxa em produção no quintal.
Polinização manual da flor da fruta-do-conde-roxa com pincel fino
Polinização manual aumenta o pegamento dos frutos.
Cesta com colheita de frutas-do-conde-roxas maduras
Colheita de fruta-do-conde-roxa no ponto ideal.
Polinização manual da flor da fruta-do-conde-roxa com pincel fino
Polinização manual aumenta o pegamento dos frutos.
Cesta com colheita de frutas-do-conde-roxas maduras
Colheita de fruta-do-conde-roxa no ponto ideal.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal com sol pleno em clima quente e quer uma frutífera de porte médio, produtiva e ornamental pela casca roxa. Funciona bem para famílias que gostam de colher e consumir a fruta fresca na safra e que podem dedicar tempo à polinização manual e ao ensacamento dos frutos.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento sem sol direto, região com geadas frequentes ou para quem tem pouco tempo para manejo. Também não é indicada para quem busca frutífera de baixa manutenção ou com frutos de longa prateleira, pois exige poda anual e colheita quase diária na safra.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, 6 a 8 horas de sol direto; meia-sombra reduz floração e cor
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana no estabelecimento, depois 1 a 2 vezes, sem encharcar
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 6,0 a 7,0
Temperatura
Ideal 22 a 30 °C; sensível a geada e vento frio; perde folhas no inverno seco
Adubação
Orgânica + NPK 10-10-10 ou 4-14-8, 3 vezes na estação chuvosa; reforçar boro e zinco
Poda
Formação no 1º ano e poda anual de limpeza e desponte após a colheita (maio-julho)
Propagação
Sementes (15-30 dias para germinar) e enxertia por garfagem/borbulhia para manter cor roxa

Perfil rápido de Fruta-do-conde-roxa

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 3 países

  • México
  • Guatemala
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Magnoliales
Família
Annonaceae
Gênero
Annona
Espécie
Annona squamosa

Resumo

  • Fruta-do-conde-roxa é a variedade de Annona squamosa de casca roxa, com polpa branca muito doce e árvore de 3 a 6 m, ideal para quintais tropicais.
  • Frutifica de dezembro a maio no Brasil, com pico entre fevereiro e abril, e precisa de sol pleno, solo bem drenado e polinização manual para alta produtividade.
  • Pode ser cultivada em vaso grande com poda, mas é sensível a geada, broca-do-fruto e antracnose, e o fruto amadurece em 2 a 3 dias após a colheita.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularFruta-do-conde-roxa
Nome científicoAnnona squamosa L. (variedade roxa)
Família botânicaAnnonaceae
OrigemAmérica tropical (Antilhas e América Central)
Tamanho3 a 6 m de altura; copa de 3 a 4 m de diâmetro
Coresroxavinhoverde-arroxeada
Tempo até frutificar2 a 3 anos (enxertada); 3 a 4 anos (por semente)
Época de frutificaçãoDezembro a maio (pico de fevereiro a abril no Sudeste)
LuminosidadeSol pleno, mínimo de 6 horas por dia
RegaModerada, mantendo solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 6,0 a 7,0
ClimaTropical e subtropical quente; sensível a geada
PropagaçãoSementes e enxertia (garfagem e borbulhia)
Espaçamento4 x 4 m a 5 x 5 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasBaixo

O que é a fruta-do-conde-roxa e como reconhecer

A fruta-do-conde-roxa não é outra espécie, e sim uma variedade de Annona squamosa selecionada pela casca arroxeada. O fruto mantém a forma arredondada da pinha tradicional, com gomos salientes, mas a casca varia de verde-arroxeada a vinho intenso quando exposta ao sol.

A árvore é pequena a média, de tronco retorcido e copa aberta, com folhas verde-claras, alongadas e aromáticas quando amassadas. As flores são pendentes, com três pétalas carnudas verde-amareladas e interior arroxeado, muito discretas entre as folhas.

Por dentro, a polpa é branca, cremosa e muito doce, com cerca de 20 a 40 sementes pretas por fruto. Em alguns frutos bem coloridos, a base dos gomos próxima à casca fica levemente rosada por causa das antocianinas, mas a polpa não é roxa por inteiro.

Fruta-do-conde-roxa, pinha comum e atemoia: diferenças reais

Muita gente confunde as três, mas a distinção é simples no campo. A pinha comum tem casca verde-clara e gomos bem separados, a fruta-do-conde-roxa tem a mesma estrutura com casca roxa, e a atemoia (Annona squamosa x Annona cherimola) tem casca menos segmentada, fruto maior e polpa com menos sementes.

No sabor, a roxa costuma ser mais aromática e levemente mais ácida que a verde, o que equilibra o dulçor. A atemoia, por outro lado, é mais firme e menos granulada.

Característica Fruta-do-conde-roxa Pinha verde Atemoia
Casca Roxa a vinho, gomos salientes Verde-clara, gomos salientes Verde, gomos fundidos e lisos
Peso médio 200 a 500 g 200 a 450 g 400 a 900 g
Sementes Muitas (20-40) Muitas (20-40) Poucas (10-20)
Clima preferido Quente tropical Quente tropical Subtropical ameno

Se você compra muda, peça muda enxertada de clone roxo. Muda de semente da roxa pode segregar e voltar a produzir frutos verdes ou manchados.

Quando frutifica e quanto produz

No Brasil, a floração ocorre principalmente de setembro a dezembro, e a colheita vai de dezembro a maio, com pico entre fevereiro e abril no Sudeste e Centro-Oeste. No Nordeste, com irrigação, pode haver duas safras.

Árvore enxertada bem conduzida começa a produzir com 2 a 3 anos. Por semente, leva 3 a 4 anos e a produção é mais desuniforme. Uma planta adulta em quintal produz 30 a 80 frutos por safra; em pomar tecnificado com polinização manual, passa de 100 frutos.

O fruto não amadurece bem na árvore até ficar mole. O ponto de colheita é quando os gomos ficam mais separados, com linha amarelada entre eles e a casca roxa mais opaca. Depois de colhido, amadurece em 2 a 3 dias em temperatura ambiente e estraga rápido, por isso colha a cada 2 dias na safra.

Onde plantar: luz, solo e clima ideais

Fruta-do-conde-roxa é de sol pleno. Precisa de pelo menos 6 horas de sol direto para colorir bem e adoçar. Sombra deixa a planta estiolada e com poucos frutos.

O solo ideal é fértil, profundo e bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,0. Ela não tolera encharcamento: raiz encharcada por mais de 48 horas favorece podridão. Em solo argiloso, plante em camalhão de 30 a 40 cm de altura.

Clima quente é essencial. Cresce melhor entre 22 °C e 30 °C e sofre com geada e vento frio. Vento forte resseca flores e derruba frutos novos, então escolha local protegido ou use quebra-vento. Em regiões com inverno definido, ela perde parte das folhas, o que é normal.

Como plantar fruta-do-conde-roxa passo a passo

Prefira o plantio no início das chuvas, de outubro a março. Cove de 50 x 50 x 50 cm é suficiente para muda enxertada.

  1. Misture à terra da cova 10 a 15 L de composto orgânico + 200 g de calcário + 150 g de superfosfato simples. Deixe curtir por 15 dias.
  2. Retire a muda do saco sem desmanchar o torrão e plante com o colo no nível do solo. Tutorar nos primeiros meses evita tombamento.
  3. Regue fundo após o plantio e mantenha rega 2 a 3 vezes por semana nos primeiros 3 meses, depois espaçe.
  4. Cubra a base com palhada fina, sem encostar no tronco, para manter umidade e reduzir mato.

Espaçamento recomendado é 4 x 4 m em quintal e 5 x 5 m em pomar. Para duas plantas, deixe pelo menos 3,5 m de distância de muros para a copa abrir.

Semente ou muda enxertada?

Semente germina em 15 a 30 dias, mas gera plantas desiguais e demora mais. Enxertia garante cor roxa uniforme, precocidade e frutos maiores. Na nossa avaliação, para quem quer fruta-do-conde-roxa de verdade, a muda enxertada compensa o investimento inicial.

Poda, adubação e o segredo da polinização manual

A poda é o que mantém a árvore produtiva e baixa. Faça poda de formação no primeiro ano, deixando 3 a 4 ramos principais a 60 cm do solo. Depois, todo ano após a colheita (maio a julho), faça poda de limpeza e desponte ramos muito longos.

Adubação básica para planta adulta, dividida em 3 vezes na estação chuvosa:

  • Cobertura orgânica: 10 a 20 L de esterco curtido ou composto por planta.
  • Mineral: 300 a 500 g de NPK 10-10-10 ou 4-14-8 por aplicação, longe do tronco.
  • Micronutrientes: boro e zinco são críticos para pegamento de frutos; use formulação com micros ou farinha de rocha conforme análise de solo.

O ponto mais importante é a polinização. As flores são hermafroditas, mas a parte feminina amadurece antes da masculina, e a polinização natural por besouros nitidulídeos é baixa no quintal. Sem intervenção, apenas 5% a 10% das flores vingam.

A polinização manual eleva o pegamento para 60% a 80%. Colete pólen de flores totalmente abertas pela manhã (pétalas bem separadas, anteras com pó amarelado) e, no fim da tarde, transfira com pincel fino para flores em estágio feminino (pétalas entreabertas, estigma brilhante). Em 5 a 7 dias o fruto já começa a inchar se vingou.

Dá para cultivar em vaso? Como fazer dar certo

Sim, mas com manejo. Escolha vaso de 80 a 100 litros, com no mínimo 50 cm de profundidade e furos amplos. Substrato leve: 50% terra vegetal + 30% composto + 20% areia grossa ou perlita.

Em vaso, a planta fica menor, com 1,8 a 2,5 m com podas, e produz de 8 a 20 frutos por safra se bem adubada e polinizada à mão. Precisa de sol pleno em varanda ou quintal, rega quase diária no verão e adubação mensal leve.

Troque 30% do substrato a cada 12 meses e faça poda de raiz superficial se a planta parar de crescer. Sem sol direto e sem polinização manual, o vaso vira planta ornamental sem frutos.

Pragas, doenças e erros que estragam a colheita

As principais pragas são broca-do-fruto (Cerconota anonella), que fura frutos jovens e causa mumificação, e cochonilhas e pulgões em brotações. A doença mais comum é a antracnose (Colletotrichum), que mancha frutos e folhas com lesões pretas em clima úmido.

  • Ensacamento de frutos com saco de TNT ou papel quando atingem 5 cm reduz drasticamente broca e mosca-das-frutas.
  • Remova frutos mumificados da copa e do chão para quebrar o ciclo da broca.
  • Evite molhar flores e frutos ao regar; prefira rega no solo pela manhã.
  • Faça poda para arejar a copa; copa fechada mantém umidade e favorece fungos.

Erros frequentes: colher verde demais (fruto não amadurece e fica insosso), deixar fruto maduro na árvore (racha e atrai abelhas e fungos) e exagerar no nitrogênio, que dá muita folha e pouco fruto. Colha no ponto de gomos separados e finalize o amadurecimento na fruteira por 1 a 2 dias.

Curiosidades, conservação e uso do fruto

A casca roxa é mais sensível ao sol forte que a verde e pode queimar se o fruto ficar exposto sem folhas. Por isso, raleio de frutos e manejo de copa ajudam a manter cor uniforme.

O fruto é climatérico e muito perecível: dura 2 a 3 dias maduro em temperatura ambiente e até 6 dias refrigerado já maduro. Para congelar, retire a polpa sem sementes e congele em porções; assim mantém aroma por meses para sucos e sorvetes.

Na cozinha, além do consumo in natura com colher, a polpa rende mousse, sorvete e suco cremoso. Evite bater sementes no liquidificador, pois elas contêm acetogeninas e amargam. Peneire a polpa antes de usar.

Perguntas frequentes

Fruta-do-conde-roxa é diferente da pinha verde?

É a mesma espécie, Annona squamosa, mas uma variedade de casca roxa selecionada por coloração e aroma. O manejo e o sabor são muito parecidos, mudando principalmente a cor e a intensidade aromática.

Quanto tempo demora para dar frutos?

Muda enxertada produz em 2 a 3 anos; muda de semente leva 3 a 4 anos. Com polinização manual e adubação correta, a produção já é boa na segunda safra.

Precisa fazer polinização manual?

Não é obrigatória, mas altamente recomendada. Sem ela, só 5% a 10% das flores vingam; com pincel, o pegamento sobe para mais de 60% e os frutos ficam maiores e sem deformação.

Pode plantar em vaso?

Sim, em vaso de 80 a 100 litros com sol pleno, substrato bem drenado e poda anual. Em vaso a produção é menor, de 8 a 20 frutos por safra, e exige rega e adubação mais frequentes.

Quando colher a fruta-do-conde-roxa?

Colha quando os gomos estiverem bem separados com linha amarelada entre eles e a casca roxa opaca. Deixe amadurecer 1 a 3 dias fora da geladeira até ficar levemente macia ao toque.

Por que os frutos ficam pretos e apodrecem?

Geralmente é antracnose ou broca-do-fruto, favorecidas por copa fechada e umidade. Pode arejar a copa, ensacar frutos com 5 cm e remover frutos mumificados.

A fruta-do-conde-roxa aguenta frio e geada?

Não. É tropical e sensível a geada; frio abaixo de 10 °C derruba flores e queima brotações. Em clima subtropical, plante em local protegido e cubra mudas jovens no inverno.

Você sabia?

1

Cor que depende do sol

A intensidade do roxo varia com a exposição solar; frutos sombreados dentro da copa ficam mais verdes, enquanto os da periferia ficam vinho intenso por maior acúmulo de antocianinas.

2

Flor que muda de sexo no mesmo dia

Cada flor abre primeiro como feminina à tarde e só libera pólen na manhã seguinte como masculina, por isso a polinização natural falha tanto sem besouros ou mão humana.

3

Parentesco com a cherimoia

Annona squamosa cruza naturalmente com Annona cherimola e gerou a atemoia; já a fruta-do-conde-roxa é seleção dentro da própria squamosa, não um híbrido.

4

Sementes que não podem ser trituradas

As sementes contêm acetogeninas (anonacina) e não devem ser ingeridas trituradas; a polpa é segura, mas o chá de semente, popular em crendices, é desaconselhado.

Fontes

  1. Embrapa - Fruticultura Tropical
  2. Instituto Agronômico (IAC) - Annonaceae
  3. FAO - Ecocrop

Prós e contras: Fruta-do-conde-roxa

Prós

  • Frutos muito doces e aromáticos com apelo ornamental pela casca roxa
  • Árvore de porte médio, ideal para quintais e pomares domésticos
  • Entrada rápida em produção quando enxertada (2 a 3 anos)
  • Polpa versátil para consumo in natura, sucos e sorvetes
  • Boa adaptação ao clima tropical quente do Brasil

Contras

  • Exige polinização manual para alta produtividade
  • Fruto muito perecível, dura 2 a 3 dias maduro fora da geladeira
  • Sensível a geada, vento frio e encharcamento
  • Suscetível a broca-do-fruto e antracnose sem manejo preventivo
  • Muda de semente não garante cor roxa uniforme
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a fruta-do-conde-roxa vale mais pelo conjunto ornamental + sabor do que pela produtividade pura; se o objetivo é volume, a pinha verde ou a atemoia são mais estáveis. Para quintal, porém, ela é imbatível quando o tutor topa fazer polinização manual, que é o que realmente separa uma árvore carregada de uma árvore com dois frutos.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.