🍓 Frutas

Quina

Solanum pseudoquina A.St.-Hil.

Atualizado em

1,5 a 3 cmTamanho
amarelo-alaranjadaCor
agridoce e amargoSabor
dez. a mar.Safra
~45 kcal/100 gCalorias
Fruta quina inteira e cortada mostrando polpa e sementes

A quina é uma fruta nativa pequena, de 1,5 a 3 cm, que fica amarelo-alaranjada quando madura e chama atenção pelo sabor agridoce com fundo amargo bem marcante. Pertence à família Solanaceae e é mais conhecida no Sudeste e Sul do Brasil, onde aparece em áreas de Mata Atlântica e restinga.

Diferente da famosa casca de quina medicinal (Cinchona), esta fruta não é consumida crua em grande quantidade. Ela precisa de preparo para perder o amargor e costuma virar geleia, compota ou licor caseiro. É rara em feiras, tem safra curta e estraga rápido depois de colhida.

Também conhecido como: quina-verdadeira, quina-do-mato, quina-branca, quina-do-campo, false quina

Faz parte de: Frutas Exóticas

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Galeria de fotos de Quina

Fruta quina inteira e cortada mostrando polpa e sementes
Quina madura inteira e cortada, com polpa fina e muitas sementes.
Flores brancas em estrela e folhas da planta quina
Flores brancas típicas de Solanaceae e folhas alongadas da quineira.
Pote de geleia de quina com frutas frescas ao lado
Geleia de quina, forma mais comum e saborosa de consumo.
Cesta com colheita de frutas quina
Colheita de quina, fruta de safra curta e extrativista.
Cesta com colheita de frutas quina
Colheita de quina, fruta de safra curta e extrativista.
Cesta com colheita de frutas quina
Colheita de quina, fruta de safra curta e extrativista.
Cesta com colheita de frutas quina
Colheita de quina, fruta de safra curta e extrativista.

Cultivo rápido

Luz
sol pleno a meia-sombra
Solo
fértil, bem drenado, levemente ácido, rico em matéria orgânica
Clima
subtropical úmido a tropical de altitude, sem geada forte
Propagação
sementes e estaquia de ramos semilenhosos

Perfil rápido de Quina

Calendário

Safra / colheitaJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica se verde ou em excesso
  • PessoasFrutos verdes podem causar náusea e dor abdominal por glicoalcaloides

Consuma apenas bem madura e cozida, em pequena quantidade. Em caso de ingestão de frutos verdes, busque orientação de saúde.

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~45 kcal
Carboidratos
~11 g
Fibras
~2,5 g
Proteínas
~0,9 g
Gorduras totais
~0,3 g
Vitamina C
~18 mg
Potássio
~210 mg
Cálcio
~18 mg

Vida útil

Tipo de planta
arbusto perene de 1,5 a 4 m

Reprodução

Polinização
por abelhas, principalmente mamangavas (buzz pollination)
Frutificação
sazonal, de dezembro a março

Habitat

Ambientes

  • bordas de Mata Atlântica
  • restinga e capoeiras úmidas
  • quintais e terrenos baldios úmidos

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Solanales
Família
Solanaceae
Gênero
Solanum
Espécie
Solanum pseudoquina

Resumo

  • Quina é uma frutinha nativa de 1,5 a 3 cm, amarelo-alaranjada e de sabor agridoce com amargor característico, da família Solanaceae.
  • No Brasil ocorre sobretudo na Mata Atlântica do Sudeste e Sul, com safra entre dezembro e março e baixa disponibilidade comercial.
  • É consumida com moderação e quase sempre cozida em geleias, compotas ou licores para suavizar o amargor; frutos verdes não devem ser consumidos crus.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoSolanum pseudoquina A.St.-Hil.
Família botânicaSolanaceae
OrigemMata Atlântica do Brasil (Sudeste e Sul)
Tamanho1,5 a 3 cm de diâmetro, 3 a 8 g por fruto
Coresverde-clara quando imaturaamarelo-alaranjada quando madura
Saboragridoce com amargor residual característico
Época da safra no Brasildezembro a março, pico em janeiro e fevereiro
Calorias por 100 g~45 kcal
Principais nutrientesfibras, vitamina C, potássio e compostos fenólicos
Como consumircozida em geleia, compota ou licor; in natura apenas bem madura e em pequena quantidade
Conservação2 a 4 dias refrigerada; até 6 meses como geleia ou congelada cozida
Tipos ou variedadesquina-verdadeira (Solanum pseudoquina) e quina-do-campo (Solanum corymbiflorum), muito similares

Perfil e comportamento

DoçuraBaixo
AcidezMédio
SuculênciaBaixo
Facilidade de encontrarMuito baixo
Versatilidade na cozinhaBaixo

O que é a quina e por que quase ninguém come crua

A quina que vira fruta no Brasil não é a mesma quina da casca medicinal do quinino. A fruta é de Solanum pseudoquina, arbusto nativo da Mata Atlântica, enquanto a quina medicinal é de Cinchona, da família Rubiaceae.

Essa confusão explica por que muita gente procura quina esperando um efeito medicinal e encontra uma frutinha ácida e amarga. A fruta não tem quinino em quantidade relevante e não deve ser usada como remédio.

O fruto é uma baga pequena, com polpa fina e muitas sementinhas claras no centro. Quando está bem maduro, fica macio e perfumado, mas mantém um amargor de fundo que a maioria das pessoas não tolera in natura.

Como reconhecer a quina na planta e na banca

O arbusto tem 1,5 a 4 metros, folhas alongadas verde-escuras e flores brancas em forma de estrela, típicas de Solanaceae. Os frutos nascem em cachos pequenos e mudam de verde-claro para amarelo-alaranjado brilhante.

Na mão, a quina lembra um tomatinho cereja bem pequeno ou uma gabiroba lisa. A casca é fina e levemente translúcida, a polpa é suculenta mas pouco espessa e as sementes são numerosas, achatadas e amareladas.

O cheiro é suave, entre herbáceo e cítrico, que fica mais doce após 1 a 2 dias da colheita. Se o fruto estiver verde, com polpa firme e gosto muito adstringente, ainda não está no ponto e pode causar desconforto.

Origem e onde ela aparece no Brasil

A quina é nativa do Brasil, com maior ocorrência em Mata Atlântica, restinga e capoeiras do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. Também surge espontânea em bordas de mata, terrenos baldios úmidos e quintais do interior.

Fora do Brasil, há registros pontuais no Paraguai e norte da Argentina, sempre associada a clima subtropical úmido. Não é cultivada em escala comercial e quase todo o volume vem de coleta extrativista.

Por ser sensível a geada forte e a seca prolongada, a frutificação é irregular. Em anos de verão chuvoso, a planta produz muito mais e a safra se estende até abril.

Sabor, aroma e por que é tão amarga

O sabor é agridoce com amargor persistente, diferente de frutas doces como manga ou mamão. A acidez é moderada e o dulçor só aparece quando o fruto está completamente maduro e levemente enrugado.

O amargor vem de glicoalcaloides e compostos fenólicos, comuns em Solanum. É o mesmo grupo que deixa o fruto verde de jurubeba e o tomate verde amargos. Com o amadurecimento e o cozimento, parte desses compostos se degrada.

Na nossa avaliação, a graça da quina está justamente nesse contraste. Bem preparada, ela lembra marmelo com toque de laranja-azeda, ótima para preparos que pedem acidez e perfume, não para comer como sobremesa fresca.

Como escolher, conservar e tirar o amargor na cozinha

Escolha frutos inteiros, sem manchas escuras, com cor uniforme e leve cedência ao toque. Evite os verdes ou com casca rachada. O perfume adocicado é o melhor sinal de maturação.

Em temperatura ambiente dura 1 dia; na geladeira, em pote fechado com papel absorvente, vai a 3 dias. Para guardar mais, congele só depois de branqueada e cozida com açúcar, pois crua ela escurece e amarga mais.

Para usar bem:

  • Branqueamento: ferva por 1 minuto, descarte a água e repita 1 vez. Reduz muito o amargor sem perder acidez.
  • Geleia: o uso clássico. Cozinhe com açúcar em proporção de 1 para 0,7 e finalize com limão. A pectina natural da fruta ajuda a dar ponto.
  • Compota e licor: deixe de molho em cachaça ou álcool de cereais com açúcar por 20 a 30 dias. Fica aromática e menos amarga.
  • Evite comer crua em grande quantidade, mesmo madura. Porções pequenas são mais seguras e palatáveis.

Valor nutricional: o que a quina realmente entrega

Por ser pouco estudada, os dados são aproximados e variam com o ponto de maturação. Em média, 100 g de polpa fresca têm ~45 kcal, 10 a 12 g de carboidratos e 2 a 3 g de fibras.

Destaca-se o teor de vitamina C (15 a 25 mg/100 g) e potássio (180 a 230 mg/100 g), além de compostos fenólicos com ação antioxidante. Não é fonte relevante de proteína ou gordura.

Por ter pouca polpa e muita semente, o rendimento é baixo. Uma xícara de frutos rende cerca de 80 a 100 g de polpa coada, suficiente para um vidro pequeno de geleia.

Quem deve ter cuidado

Frutos verdes ou crus em excesso podem causar náusea, dor abdominal e gosto amargo prolongado por causa dos glicoalcaloides. Crianças, gestantes e pessoas com estômago sensível devem consumir apenas bem madura e cozida, em porção pequena.

Quem tem histórico de cálculo renal ou precisa controlar potássio deve moderar, como com outras frutinhas ácidas. Em caso de condição de saúde, alergia a Solanaceae (tomate, berinjela, pimenta) ou uso contínuo de medicamentos, converse com nutricionista ou médico antes de incluir.

Animais domésticos também não devem comer a fruta, sobretudo verde. Guarde cachos fora do alcance e descarte frutos estragados.

Curiosidades e confusões que só a quina tem

Muita gente chama qualquer frutinha amarga de quina, mas no interior paulista e capixaba a quina-verdadeira é bem específica e tem até festa local de geleia de quina em comunidades rurais, onde a receita passa entre vizinhos.

Outro erro comum é achar que quina é marmelo. O marmelo (Cydonia oblonga) é grande, duro e peludo; a quina é pequena, lisa e suculenta, e não precisa de meses de cura para ser usada.

Historicamente, a quina nativa chegou a ser usada como substituto de lúpulo na cerveja artesanal no século XIX, justamente pelo amargor. O uso foi abandonado porque o sabor ficava instável e a fruta estragava rápido.

Na natureza, a polinização é feita sobretudo por abelhas mamangavas, que vibram a flor para liberar o pólen. Sem elas, a frutificação cai drasticamente, mesmo com a planta bem adubada.

Perguntas frequentes

Quina pode ser comida crua?

Pode, mas só bem madura e em pequena quantidade. Crua e verde é muito amarga e pode causar náusea. O ideal é branquear e cozinhar.

Qual o gosto da quina?

Agridoce com amargor persistente, lembrando marmelo com laranja-azeda quando cozida. In natura o amargor domina.

Quina é a mesma fruta que marmelo?

Não. Marmelo é Cydonia oblonga, grande e peludo. Quina é Solanum pseudoquina, pequena (1,5 a 3 cm) e lisa.

Quina tem quinino e serve como remédio para malária?

Não. O quinino medicinal vem da casca de Cinchona. A fruta quina não tem efeito antimalárico e não deve ser usada como medicamento.

Como tirar o amargor da quina?

Ferva por 1 minuto, descarte a água e repita. Depois cozinhe com açúcar e limão em geleia ou compota.

Quando é a safra da quina no Brasil?

De dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro no Sudeste e Sul.

Como conservar quina?

Fresca dura 2 a 4 dias refrigerada. Para mais tempo, faça geleia ou congele já cozida por até 6 meses.

Você sabia?

1

Branqueamento obrigatório

Para tirar o amargor, produtores tradicionais fervem a quina 2 vezes trocando a água, técnica herdada de receitas de jurubeba e que não funciona só com açúcar.

2

Falsa quina medicinal

A quina-fruta (Solanum) não contém quinino em dose medicinal. O quinino vem da casca de Cinchona, da Amazônia andina, e a confusão de nomes dura desde o século XVII.

3

Cerveja amarga do século XIX

No interior do Sudeste, a quina foi testada como substituto do lúpulo para amargar cerveja caseira, mas foi abandonada por dar sabor irregular e oxidar rápido.

4

Dependente de mamangava

A flor de quina só libera bem o pólen com vibração. Abelhas mamangavas fazem a polinização por buzz pollination, sem elas quase não há frutos.

Fontes

  1. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. USDA FoodData Central

Prós e contras: Quina

Prós

  • Sabor singular agridoce-amargo, ótimo para geleias e licores artesanais
  • Nativa da Mata Atlântica, valoriza a biodiversidade local
  • Boa fonte de fibras, vitamina C e potássio para uma fruta pequena
  • Rende preparos aromáticos com pouca pectina adicional

Contras

  • Muito amarga crua e com frutos verdes potencialmente irritativos
  • Rendimento baixo de polpa por causa das sementes
  • Extremamente difícil de encontrar fora da safra e do Sudeste/Sul
  • Estraga rápido e exige branqueamento antes do uso
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a quina não é fruta de sobremesa fresca, e é aí que mora seu valor: como ingrediente ácido-amargo para geleias e licores artesanais. Vale a pena para quem gosta de sabores rústicos e de resgatar frutas nativas, não para quem busca doçura imediata.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

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Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.