🍓 Frutas

Maracujá-doce

Passiflora alata

Atualizado em

8 a 10 cm, 100 a 300 gTamanho
Laranja-amareladoCor
Muito doce, acidez baixaSabor
Dez. a mar. (pico)Safra
~90 kcal / 100 gCalorias
Maracujá-doce inteiro e cortado ao meio mostrando polpa clara e sementes pretas

O maracujá-doce (Passiflora alata) é a espécie de maracujá feita para comer de colher. Diferente do maracujá-azedo, ele tem casca laranja-amarelada, polpa clara e doçura alta com acidez quase nula, por isso não precisa de açúcar.

Nativo da Mata Atlântica, é cultivado sobretudo no Sudeste e Sul do Brasil e tem safra concentrada no verão. A planta é uma trepadeira vigorosa com flores vermelho-arroxeadas muito ornamentais, maiores e mais vistosas que as do maracujá comum.

No mercado, aparece menos que o azedo e costuma ser confundido com outros maracujás doces. Reconhecer a casca lisa, o formato ovalado e o peso de 100 a 300 g ajuda a não errar na compra.

Também conhecido como: Maracujá-açu (nome regional, causa confusão com P. quadrangularis), Maracujá-mamão, Maracujá-de-comer, Sweet passion fruit (inglês), Passiflore ailée (francês), Maracuyá dulce (espanhol)

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Maracujá-doce

Maracujá-doce inteiro e cortado ao meio mostrando polpa clara e sementes pretas
Maracujá-doce maduro inteiro e cortado, com polpa clara e sementes pretas.
Close-up da casca lisa e brilhante do maracujá-doce laranja-amarelado
Detalhe da casca lisa e brilhante do maracujá-doce maduro.
Pé de maracujá-doce com frutos pendentes na treliça
Planta trepadeira de maracujá-doce com frutos pendentes.
Flor grande do maracujá-doce com pétalas vermelhas e corona roxa
Flor ornamental da Passiflora alata, polinizada por mamangavas.
Tigela com polpa de maracujá-doce e sementes
Polpa suculenta do maracujá-doce pronta para consumo com colher.
Cesta com colheita de maracujá-doce
Colheita de maracujá-doce na safra de verão.

Perfil rápido de Maracujá-doce

Calendário

Safra principalJFMAMJJASOND
Safra secundáriaJFMAMJJASOND
FloradaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~90 kcal
Carboidratos
~21 g
Fibras
~1,5 g
Proteínas
~2,0 g
Gorduras totais
~0,7 g
Vitamina C
~20 mg
Potássio
~340 mg
Fósforo
~30 mg
Cálcio
~13 mg
Ferro
~1,6 mg

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Passifloraceae
Gênero
Passiflora
Espécie
Passiflora alata Curtis

Resumo

  • Maracujá-doce (Passiflora alata) é nativo da Mata Atlântica e se destaca pela casca laranja-amarelada e polpa muito doce, com baixa acidez e sementes pretas envoltas em arilo esbranquiçado.
  • A safra principal vai de dezembro a março, com pico no verão, e a fruta deve ser consumida bem madura, quando a casca está lisa e levemente enrugada e a polpa atinge 18 a 20 °Brix.
  • É consumido principalmente in natura com colher, tem cerca de 85 a 95 kcal por 100 g e combina fibras, vitamina C e minerais, mas deve ser moderado por quem precisa controlar açúcar e calorias.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoPassiflora alata Curtis
Família botânicaPassifloraceae
OrigemMata Atlântica, Brasil (leste e sul)
Tamanho8 a 10 cm de comprimento; 100 a 300 g por fruto
CorCasca laranja-amarelada a laranja-intenso quando madura
Coreslaranjaamarelo
SaborMuito doce, acidez muito baixa (18 a 20 °Brix)
Época da safra no BrasilDezembro a março (pico); segunda safra menor de junho a agosto
Calorias por 100 g~85 a 95 kcal
Principais nutrientesVitamina C, niacina, potássio, fósforo, ferro e fibras
Como consumirIn natura com colher, sucos, geleias e sobremesas
Conservação3 a 5 dias em temperatura ambiente; até 10 dias refrigerado
Tipos ou variedadesSem variedades comerciais registradas; confundido com maracujá-açu e maracujá-azedo

Perfil e comportamento

DoçuraMuito alto
AcidezMuito baixo
SuculênciaAlto
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é o maracujá-doce e por que ele é diferente

O maracujá-doce é a Passiflora alata, espécie distinta do maracujá-azedo (Passiflora edulis). Não é apenas um azedo colhido mais maduro, é outra planta, com outra flor, outra casca e outro sabor.

A diferença mais prática está na acidez. Enquanto o azedo tem pH em torno de 2,8 a 3,3 e precisa de açúcar, o doce tem acidez quase nula e sólidos solúveis de 18 a 20 °Brix, nível de fruta de sobremesa. Por isso ele é a única Passiflora realmente agradável para comer pura, com colher.

Na nossa avaliação, é a melhor porta de entrada para quem torce o nariz para maracujá por causa do azedo. O sabor lembra mel suave com notas de goiaba branca, sem aquela ardência cítrica.

Como reconhecer: casca, polpa e sementes

O fruto é ovalado a piriforme, com 8 a 10 cm e casca espessa, lisa e brilhante. Quando verde é verde-amarelado; maduro fica laranja-amarelado a laranja-escuro, às vezes com pequenas pintas claras.

Ao cortar, a casca tem cerca de 1 cm de espessura e mesocarpo branco e esponjoso. A cavidade interna é menor que a do maracujá-azedo, com polpa esbranquiçada a amarelada-clara e menos suco livre.

As sementes são pretas, maiores e em menor quantidade que as do azedo, envoltas por arilo suculento e doce. Se a polpa estiver amarela-ouro intensa, muito ácida e muito líquida, provavelmente não é o doce, e sim o azedo ou o maracujá-açu.

Origem, onde é encontrado e época de safra

A espécie é nativa da Mata Atlântica, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, com centro de diversidade no Sudeste. Foi domesticada localmente e hoje é cultivada em pomares domésticos e pequenos plantios comerciais em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

É trepadeira lenhosa que pode passar de 6 metros de comprimento e precisa de suporte, sol pleno e boa drenagem. No quintal, costuma produzir bem em caramanchão ou cerca.

A safra principal vai de dezembro a março, com oferta máxima em janeiro e fevereiro. Há uma segunda florada que gera frutos entre junho e agosto, em menor volume. Fora desses meses, a oferta cai e o preço sobe.

Sabor, textura e como consumir do jeito certo

O maracujá-doce se come cru e ao natural. Corte ao meio e consuma a polpa com sementes com colher, como se fosse mamão. Não precisa coar, bater nem adoçar.

A textura é macia, suculenta e levemente mucilaginosa, menos aquosa que a do azedo. As sementes são comestíveis e crocantes, ricas em fibras. Quem prefere sem sementes pode peneirar, mas perde parte da fibra.

Na cozinha, funciona melhor em preparos que valorizam a doçura: salada de frutas, mousse, geleia, calda para iogurte e sorvete. Para suco, rende menos que o azedo e o sabor fica muito suave; vale misturar com limão ou maracujá-azedo para equilibrar.

Precisa de açúcar?

Não. Se estiver maduro, o teor de açúcar já é alto. Adoçar esconde o sabor e aumenta calorias sem necessidade.

Valor nutricional e o que ele oferece de fato

Por 100 g de polpa com sementes, o maracujá-doce tem cerca de 85 a 95 kcal, mais que o azedo por causa do açúcar natural. A maior parte são carboidratos (18 a 21 g).

Fornece fibras (1,2 a 2 g), vitamina C (15 a 25 mg), niacina, potássio (cerca de 340 mg), fósforo e ferro. As sementes concentram fibras insolúveis e pequena fração de gorduras insaturadas.

Não é fruta de baixa caloria nem remédio natural. Pode ajudar na saciedade e no funcionamento intestinal pelo conjunto de fibras e água, mas o efeito depende da dieta como um todo. Quem tem diabetes, resistência à insulina ou precisa controlar peso deve observar a porção, sempre com orientação profissional.

Como escolher, amadurecer e conservar

Escolha frutos pesados para o tamanho, com casca lisa, firme e cor laranja uniforme. Evite os muito verdes, com manchas escuras moles ou cheiro fermentado. Leve enrugamento da casca indica maior doçura, mas enrugamento excessivo com casca murcha demais é sinal de perda de água.

Se comprou ainda firme, deixe 2 a 3 dias em temperatura ambiente até a casca ceder levemente à pressão. Não acelere no sol direto, que resseca.

Maduro, conserve na geladeira por até 10 dias, preferencialmente em pote fechado. A polpa pode ser congelada com sementes por até 3 meses para suco e geleia. Casca não se consome crua.

Tipos, variedades e confusões comuns no mercado

Não existem variedades comerciais padronizadas de Passiflora alata como há no maracujá-azedo. O que muda é a procedência e o ponto de colheita.

A confusão mais frequente é com o maracujá-açu ou maracujá-mamão (Passiflora quadrangularis), bem maior (até 25 cm), de casca verde-amarelada e polpa também doce, mas com frutos de 1 a 3 kg. Outro erro é vender maracujá-azedo de casca amarela bem maduro como “doce”.

Característica Maracujá-doce (P. alata) Maracujá-azedo (P. edulis) Maracujá-açu (P. quadrangularis)
Tamanho 8 a 10 cm, 100 a 300 g 6 a 9 cm, 80 a 150 g 15 a 25 cm, 1 a 3 kg
Casca madura Laranja-amarelada, lisa Amarela ou roxa, enrugada Verde-amarelada, espessa
Polpa Clara, pouco suco, muito doce Amarela intensa, muito suco, ácida Clara, doce, com grande cavidade
Uso ideal In natura com colher Suco e culinária Doces e consumo da polpa + mesocarpo cozido

Na dúvida, pergunte o nome científico ao produtor ou observe a flor: a do doce é inconfundível.

Curiosidades da planta: a flor que parece orquídea

A flor da Passiflora alata é um dos motivos pelos quais a espécie é cultivada como ornamental na Europa desde o século XIX. Tem cerca de 10 a 12 cm de diâmetro, pétalas vermelho-vinho por fora e brancas por dentro, com corona franjada em faixas roxas e brancas.

Ela abre pela manhã e é polinizada principalmente por mamangavas (abelhas do gênero Xylocopa). Sem essas abelhas grandes, a frutificação falha. Por isso, pomares com uso intenso de inseticida produzem pouco.

A planta frutifica cerca de 6 a 9 meses após o plantio por semente em condições ideais, mas o pico produtivo vem no segundo ano. Cada fruto leva de 70 a 90 dias da polinização até a maturação.

Quem deve ter mais atenção ao consumir

Por ser mais doce e calórico que o azedo, o maracujá-doce pede porção moderada para quem controla glicemia ou peso. Uma unidade média já equivale a uma porção completa de fruta.

As sementes, embora comestíveis, podem incomodar quem tem diverticulite em crise, síndrome do intestino irritável sensível a fibras insolúveis ou dificuldade de mastigação. Nesses casos, prefira polpa peneirada e porções menores.

Crianças podem consumir, mas sementes inteiras exigem supervisão para menores de 4 anos devido ao risco de engasgo. Pessoas com alergia a Passifloraceae devem testar com cautela.

Perguntas frequentes

Maracujá-doce e maracujá-azedo são a mesma fruta?

Não. São espécies diferentes: o doce é Passiflora alata e o azedo é Passiflora edulis. O doce tem casca laranja, polpa clara e sabor muito doce; o azedo tem polpa amarela intensa e acidez alta.

Como saber se o maracujá-doce está maduro?

A casca deve estar laranja-amarelada, lisa e levemente brilhante, cedendo um pouco à pressão. Fruto muito verde está imaturo e muito murcho e leve já perdeu água.

Precisa colocar açúcar no maracujá-doce?

Não, quando está maduro ele já tem 18 a 20 °Brix e é doce o suficiente para comer com colher. Adoçar só aumenta calorias e mascara o sabor.

Pode comer a semente do maracujá-doce?

Sim, as sementes pretas são comestíveis e ricas em fibras. Quem tem sensibilidade intestinal ou crianças pequenas devem preferir a polpa peneirada.

Maracujá-doce prende ou solta o intestino?

Por conter fibras e água, pode ajudar no funcionamento intestinal dentro de uma dieta equilibrada, mas o efeito varia por pessoa e pela quantidade consumida.

Qual a época do maracujá-doce no Brasil?

A safra principal é de dezembro a março, com pico no verão. Há uma segunda safra menor entre junho e agosto.

Pode congelar a polpa?

Sim. Retire a polpa com sementes, coloque em pote fechado e congele por até 3 meses. Descongele na geladeira e use em sobremesas ou sucos.

Você sabia?

1

A flor mais bonita das passifloras

A Passiflora alata tem uma das flores mais ornamentais do gênero, com até 12 cm, pétalas bicolores e corona listrada. Na Inglaterra vitoriana era cultivada em estufas só pela flor, antes mesmo do fruto.

2

Doce que não serve para suco industrial

Apesar do sabor agradável, a indústria prefere o maracujá-azedo porque ele tem muito mais rendimento de suco e acidez que conserva melhor. O doce rende menos líquido e estraga mais rápido depois de aberto.

3

Dependência total de mamangava

Sem abelhas mamangavas do gênero Xylocopa, a polinização falha. A flor tem estrutura que só abelhas grandes conseguem acessar, por isso plantios urbanos sem essas abelhas precisam de polinização manual.

4

Casca que engana

Muita gente descarta o maracujá-doce achando que está velho quando a casca começa a enrugar levemente. Na verdade, esse é o ponto ideal de doçura, quando o Brix chega a 20 e a polpa fica mais perfumada.

Fontes

  1. Embrapa - Passifloras
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos - Unicamp
  3. USDA FoodData Central

Prós e contras: Maracujá-doce

Prós

  • Doçura natural alta, não precisa de açúcar
  • Ótimo para consumo in natura com colher
  • Menos ácido, agrada quem não tolera o azedo
  • Fornece fibras, vitamina C e potássio
  • Flor ornamental muito valorizada

Contras

  • Difícil de encontrar fora da safra e mais caro que o azedo
  • Rendimento de suco baixo
  • Mais calórico que o maracujá-azedo
  • Depende de mamangavas para polinização, frutificação irregular sem elas
  • Sementes podem incomodar intestinos sensíveis
Nossa opinião

O maracujá-doce é a Passiflora que mais faz sentido comer pura, mas justamente por isso decepciona quem espera rendimento de suco. Na nossa avaliação, vale comprar quando estiver na safra e bem maduro; fora de época, o azedo continua sendo a escolha mais inteligente.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
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Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.