🍓 Frutas

Goiaba-serrana

Acca sellowiana

Atualizado em

4 a 7 cm, 40 a 120 gTamanho
Verde por fora, creme por dentroCor
Agridoce perfumadoSabor
Março a junhoSafra
~55 kcal por 100 gCalorias
Goiaba-serrana inteira e cortada ao meio mostrando polpa creme

A goiaba-serrana (Acca sellowiana), também chamada feijoa, é uma fruta nativa da Mata Atlântica do Sul do Brasil, do Uruguai e do norte da Argentina. Apesar do nome, não é uma goiaba comum (Psidium guajava): tem casca verde firme, polpa creme granulada e perfume intenso que lembra abacaxi e hortelã.

Muito cultivada em pomares domésticos da Serra Gaúcha e Catarinense, ela ainda é pouco encontrada em supermercados do Sudeste e Centro-Oeste. A safra é curta, de outono a início do inverno, e a fruta precisa ser colhida quase madura para não ficar adstringente. Quando bem madura, come-se de colher e as pétalas da flor também são comestíveis.

Também conhecido como: feijoa, goiaba-do-mato, goiabeira-serrana, feijoa em inglês, guayabo del país em espanhol

Faz parte de: Frutas Exóticas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Goiaba-serrana

Goiaba-serrana inteira e cortada ao meio mostrando polpa creme
Goiaba-serrana inteira e cortada ao meio, com polpa creme e sementes pequenas.
Close da casca verde da goiaba-serrana
Detalhe da casca verde firme da goiaba-serrana madura.
Goiabeira-serrana carregada de frutos na árvore
Goiabeira-serrana com frutos ainda na planta, em pomar serrano.
Flores da goiabeira-serrana com pétalas rosadas
Flores da goiabeira-serrana, com pétalas comestíveis e estames vermelhos.
Cesto com colheita de goiaba-serrana
Cesto com goiaba-serrana recém-colhida durante a safra de outono.
Polpa da goiaba-serrana sendo comida de colher
Polpa da goiaba-serrana consumida de colher, jeito mais comum de comer.
Ideal para

Ideal para quem busca frutas nativas aromáticas e versáteis na cozinha, com boa fibra e vitamina C. Funciona bem para famílias que gostam de comer a fruta pura de colher, fazer sucos, geleias e sobremesas perfumadas, e para quem tem quintal frio no Sul e Sudeste e quer uma frutífera rústica e ornamental.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem paladar muito sensível a acidez e aromas fortes, como algumas crianças, ou para quem tem refluxo e estômago sensível e consome grandes porções. Também não é boa escolha para quem mora em região quente e úmida de baixada ou tem pouco espaço e espera fruta o ano todo, já que a safra é curta e a planta precisa de frio e sol pleno.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas por dia
Solo
Bem drenado, fértil, levemente ácido, com matéria orgânica
Clima
Subtropical a temperado; tolera geada leve e frio, não vai bem em calor úmido constante
Rega
Regular no primeiro ano; depois apenas em estiagens
Adubação
Composto orgânico no outono; evitar excesso de nitrogênio na floração
Poda
Leve após a colheita para arejar a copa
Propagação
Sementes (4 a 6 anos para frutificar) ou muda enxertada (2 a 3 anos)

Perfil rápido de Goiaba-serrana

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Frutificação / SafraJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~55 kcal
Carboidratos
~12,5 g
Fibras
~6,0 g
Proteínas
~0,7 g
Gorduras totais
~0,4 g
Vitamina C
~32 mg
Potássio
~172 mg
Cálcio
~17 mg

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Uruguai
  • Argentina
  • Paraguai
  • Nova Zelândia
  • Colômbia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Acca
Espécie
Acca sellowiana

Resumo

  • Goiaba-serrana (Acca sellowiana) é fruta nativa do Sul do Brasil, de casca verde e polpa creme perfumada, agridoce e levemente granulada.
  • Safra curta entre março e junho, melhor consumo ao natural de colher ou em sucos, geleias e sobremesas; amadurece fora do pé e estraga rápido na geladeira.
  • Rica em fibras, vitamina C e compostos aromáticos, tem flores comestíveis e polinização feita também por pássaros, o que a torna única entre as frutíferas nativas.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoAcca sellowiana (sin. Feijoa sellowiana)
Família botânicaMyrtaceae
OrigemSul do Brasil, Uruguai, norte da Argentina e Paraguai
Tamanho4 a 7 cm de comprimento; 40 a 120 g
Coresverdeverde-acinzentada por forapolpa creme a amarelada
SaborAgridoce, aromático, notas de abacaxi, goiaba e menta
Época da safra no BrasilMarço a junho, pico em abril e maio
Calorias por 100 g~50 a 61 kcal
Principais nutrientesFibras, vitamina C, potássio e compostos fenólicos
Como consumirIn natura de colher, sucos, geleias, chutneys e sobremesas
Conservação2 a 4 dias em temperatura ambiente; até 7 dias refrigerada madura
Tipos ou variedadesHelena, Alcântara, Nonante, Apollo e Gemini (seleções da Epagri/INIA)

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezAlto
SuculênciaMédio
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaAlto

O que é a goiaba-serrana e por que ela não é uma goiaba comum

A goiaba-serrana é Acca sellowiana, da família Myrtaceae, a mesma da pitanga e do araçá. O nome popular confunde, mas ela não é variedade da goiaba comum (Psidium guajava). A diferença está no gênero, no aroma e na forma de consumo.

A planta é uma arvoreta ou arbusto de 3 a 6 metros, muito ramificada, com folhas verde-acinzentadas e flores vistosas. O fruto é uma baga ovalada, de casca verde firme e levemente rugosa, que não muda muito de cor quando amadurece.

Na nossa avaliação, o que mais distingue a espécie é o perfume. Mesmo fechada, a fruta madura exala cheiro forte, frutado e fresco, que ocupa a fruteira inteira. É esse aroma que faz muita gente reconhecê-la antes mesmo de provar.

Como reconhecer: aparência, aroma e sabor que não enganam

Por fora, a goiaba-serrana parece uma goiabinha alongada, verde, às vezes com pruína acinzentada. Por dentro, a polpa é creme a amarelada, translúcida no centro e granulada perto da casca, com pequenas sementes comestíveis.

O sabor é agridoce e muito aromático, com acidez presente. Lembra abacaxi com goiaba e um toque de hortelã ou eucalipto. A casca é firme e levemente adstringente; a maioria das pessoas come só a polpa, retirada de colher.

Quando verde, a fruta é dura e travada na boca. Madura, cede levemente à pressão dos dedos, como um abacate no ponto, e o perfume fica intenso. Se não tem cheiro, ainda não está pronta.

  • Toque: firme, mas que afunda levemente quando madura.
  • Cheiro: doce e perfumado, perceptível a 30 cm de distância.
  • Polpa: suculenta no centro, mais granulada junto à casca.
  • Sementes: pequenas, claras e macias, não precisam ser retiradas.

Origem e onde é encontrada no Brasil hoje

A espécie é nativa do Planalto Meridional Brasileiro, ocorrendo naturalmente em áreas de Mata Atlântica com araucária, entre 500 e 1.200 metros de altitude, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Também ocorre no Uruguai, nordeste da Argentina e Paraguai.

Foi descrita cientificamente em 1819 e batizada em homenagem ao naturalista alemão Friedrich Sellow, que coletou material no Sul do Brasil. Levada para a Europa no fim do século XIX, se adaptou tão bem à Nova Zelândia que hoje o país é o maior produtor comercial do mundo, onde a fruta é chamada simplesmente de feijoa.

No Brasil, a produção ainda é quase toda doméstica e regional. Você encontra com mais facilidade em feiras de produtores, CEASAs e pomares da Serra Gaúcha, Planalto Catarinense e Campos de Cima da Serra, de março a junho. Fora do Sul, aparece esporadicamente em mercados de produtos nativos e em quintais de quem plantou a muda ornamental sem saber que o fruto é comestível.

Safra, como escolher, amadurecer e conservar sem estragar

A safra brasileira é curta e concentrada no outono. A floração ocorre na primavera (outubro a dezembro) e a colheita vai de março a junho, com pico em abril e maio. A fruta não amadurece bem se colhida muito verde e cai facilmente quando madura.

Na feira, escolha frutos sem manchas escuras grandes, sem rachaduras e com perfume. Leve os mais firmes se for consumir em 2 ou 3 dias; leve os levemente macios se for comer no dia.

Em casa, deixe em temperatura ambiente sobre papel, sem amontoar. Ela amadurece em 2 a 4 dias. Para acelerar, coloque junto com uma banana em saco de papel. Depois de madura, vá para a geladeira e consuma em até 5 a 7 dias.

  • Não congele inteira crua: a textura fica aguada. Congele só a polpa já retirada, com um pouco de suco de limão, por até 3 meses.
  • Evite geladeira antes da hora: fruta dura na geladeira pode nunca amadurecer direito e ficar travada.
  • Queda natural é sinal: frutos caídos no chão, se intactos e perfumados, costumam estar no ponto ideal.

Como saber se passou do ponto

Polpa amarronzada, cheiro fermentado e casca muito mole indicam que passou. Ainda dá para usar em suco ou geleia no mesmo dia, mas não para comer pura.

Como consumir: do jeito simples ao que valoriza o aroma

O jeito mais tradicional no Sul é cortar ao meio e comer de colher, como se faz com kiwi. É assim que o sabor aparece melhor, sem precisar descascar.

A casca pode ser comida, mas a maioria prefere descartar por ser mais firme e levemente amarga. As sementes são macias e não incomodam.

Na cozinha, a goiaba-serrana brilha onde o perfume pode aparecer. Use a polpa sem cozinhar demais, para não perder o aroma volátil.

  • In natura: pura, com um fio de mel ou misturada a iogurte natural.
  • Sucos e smoothies: batida com água, limão e hortelã; combina com maçã e abacaxi.
  • Geleias e chutneys: cozinhe a polpa com pouco açúcar e limão; finalize rápido para manter o perfume.
  • Sobremesas: mousses, sorvetes, pavlovas e crumbles; na Nova Zelândia vai até em bolos e muffins.
  • Salgado: molho agridoce para carne de porco ou queijos de mofo, onde a acidez equilibra a gordura.

Um detalhe pouco conhecido: as pétalas das flores são comestíveis, carnudas, doces e levemente picantes. No Sul, é comum comer direto do pé na primavera. Elas podem ir em saladas e decorações, mas colha com moderação para não prejudicar a frutificação.

Variedades e diferença para goiaba comum e araçá

Não confunda: goiaba comum tem casca amarela quando madura e polpa rosada ou branca bem macia; araçá é menor, mais ácido e de casca fina. A goiaba-serrana é sempre verde por fora, maior que o araçá e de perfume mais complexo.

No Brasil, a Epagri desenvolveu as principais seleções comerciais adaptadas ao clima serrano:

Variedade Característica principal Uso
Helena Fruto grande (90 a 120 g), polpa doce Mesa e suco
Alcântara Muito produtiva, casca mais lisa Mesa e geleia
Nonante Sabor equilibrado, aroma intenso Mesa
Apollo Seleção neozelandesa, fruto alongado Mesa e indústria

Em pomar doméstico, a diferença entre variedades é sutil para o consumidor. O que mais importa é o ponto de colheita: colhida no perfume, qualquer seleção fica boa.

Valor nutricional e o que ela entrega de fato

Por 100 g, a goiaba-serrana tem cerca de 50 a 61 kcal, baixo teor de gordura e boa quantidade de fibras. É fonte de vitamina C (cerca de 30 a 35 mg), potássio e compostos fenólicos que dão adstringência e aroma.

As fibras estão concentradas perto da casca e ajudam na saciedade. A vitamina C varia muito com o grau de maturação e o tempo após a colheita; fruta muito armazenada perde parte.

Um ponto singular: entre as frutas nativas, a feijoa é citada por ter teor relativamente mais alto de iodo em solos onde o mineral está disponível, mas isso depende totalmente do solo e não deve ser visto como suplemento. Não há promessa de cura ou efeito medicinal comprovado isolado; o benefício vem do conjunto da alimentação.

Quem deve ter atenção ao consumir

Por ser ácida e aromática, pode causar desconforto em quem tem sensibilidade gástrica, refluxo ou síndrome do intestino irritável se consumida em grande quantidade ou com estômago vazio. Nesses casos, porções pequenas e fruta bem madura costumam ser melhor toleradas.

As sementes e fibras, embora macias, podem soltar o intestino em pessoas sensíveis quando o consumo passa de 3 a 4 frutos grandes de uma vez. Crianças podem comer, mas ofereça sem casca e em pedaços pequenos.

Quem tem alergia a outras Myrtaceae (como goiaba e pitanga) deve provar com cautela. E, como toda fruta, não substitui tratamento médico.

Como plantar e cultivar em casa se quiser ter a árvore

A goiabeira-serrana é uma das frutíferas nativas mais fáceis para quintal no Sul e Sudeste de altitude. Tolera frio, geada leve e até -10 °C por curtos períodos, mas não gosta de calor úmido constante da baixada tropical.

Precisa de sol pleno, solo bem drenado e levemente ácido, e de outra planta por perto para polinização cruzada, que aumenta muito a produção. A propagação por semente gera frutos em 4 a 6 anos; por muda enxertada, em 2 a 3 anos.

  • Luz: mínimo 6 horas de sol direto.
  • Rega: regular no primeiro ano; depois, só em estiagens longas.
  • Poda: leve, após a colheita, para arejar a copa e manter 3 a 4 metros de altura.
  • Adubação: matéria orgânica no outono e cobertura morta; excesso de nitrogênio derruba flores.

Além do fruto, a árvore é ornamental, com floração exuberante e folhagem prateada, muito usada em cercas vivas e jardins. É uma boa escolha para quem quer fruta nativa sem pulverizações frequentes.

Perguntas frequentes

Goiaba-serrana e feijoa são a mesma coisa?

Sim. Feijoa é o nome internacional de Acca sellowiana, chamada no Brasil de goiaba-serrana ou goiaba-do-mato.

Como saber se a goiaba-serrana está madura?

Ela cede levemente ao toque e exala perfume forte e doce. A casca continua verde, então não espere mudar de cor.

Pode comer a casca da goiaba-serrana?

Pode, mas a maioria prefere só a polpa, retirada de colher. A casca é mais firme e levemente adstringente.

Goiaba-serrana prende ou solta o intestino?

Por ser rica em fibras, em porções moderadas ajuda no trânsito intestinal. Em excesso, pode soltar o intestino em pessoas sensíveis.

Quando é a safra da goiaba-serrana no Brasil?

De março a junho, com pico em abril e maio, principalmente na Região Sul.

Precisa descascar para fazer suco?

Não. Bata só a polpa retirada de colher com água e limão. Coar é opcional.

A flor da goiabeira-serrana é comestível?

Sim, as pétalas são doces e comestíveis, mas consuma poucas para não atrapalhar a formação dos frutos.

Você sabia?

1

Flores que se comem

As pétalas da goiabeira-serrana são carnudas, doces e levemente apimentadas. No Sul, é comum comer direto da árvore na primavera e usar em saladas.

2

Polinizada por pássaros

Além de abelhas, sabiás e outros pássaros visitam as flores para comer as pétalas e acabam polinizando. É raro entre frutíferas cultivadas no Brasil.

3

Verde mesmo madura

Diferente da goiaba comum, ela não fica amarela quando amadurece. O ponto é dado pelo perfume e pela leve maciez ao toque, não pela cor.

4

Feijoa virou ícone na Nova Zelândia

Levada do Sul da América do Sul no século XIX, a fruta se tornou tão popular por lá que tem até refrigerante, chocolate e cosméticos com seu aroma.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Epagri
  3. TACO - Unicamp
  4. USDA FoodData Central

Prós e contras: Goiaba-serrana

Prós

  • Aroma único e sabor agridoce marcante
  • Boa fonte de fibras e vitamina C
  • Polpa versátil para consumo in natura e receitas
  • Planta rústica, tolerante a frio e ornamental
  • Flores comestíveis e atrai polinizadores

Contras

  • Safra muito curta e concentrada no outono
  • Difícil de encontrar fora do Sul do Brasil
  • Estraga rápido após madura
  • Casca adstringente para quem prefere comer com casca
  • Fruta verde é dura e trava na boca
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a goiaba-serrana é a nativa mais subestimada do Sul: perfumada, produtiva e ornamental, perde só por ter safra curta e pouca distribuição. Vale procurar na época e comer no ponto, de colher, sem tentar transformá-la em goiaba comum.

Continue explorando: Frutas

Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.