🍓 Frutas

Cereja-do-pará

Eugenia punicifolia

Atualizado em

1 a 2 cmTamanho
Vermelho-alaranjadaCor
Agridoce suaveSabor
Out. a fev.Safra
~43 kcal/100gCalorias
Cereja-do-pará fresca inteira e cortada mostrando polpa e sementes

A cereja-do-pará (Eugenia punicifolia) é uma frutinha nativa da Amazônia e do Cerrado, da família Myrtaceae, do mesmo grupo da pitanga e da grumichama. Pequena, redonda e vermelho-alaranjada quando madura, chama atenção pelo sabor agridoce e pela polpa suculenta com 1 a 2 sementes.

Muito consumida in natura nas regiões Norte e Centro-Oeste, ainda é pouco conhecida no Sudeste e Sul, onde aparece mais em quintais, feiras regionais e pomares domésticos. É uma fruta de safra curta, sensível após a colheita e valorizada para geleias, sucos e licores.

Também conhecido como: Cereja-do-pará, Pedra-ume-caá, Cereja-do-cerrado, Grumichama-do-pará, Pará cherry

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais, Frutas Vermelhas

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Galeria de fotos de Cereja-do-pará

Cereja-do-pará fresca inteira e cortada mostrando polpa e sementes
Cereja-do-pará madura, com polpa suculenta e 1 a 2 sementes pequenas.
Close-up da casca lisa e brilhante da cereja-do-pará
Detalhe da casca fina e brilhante no ponto ideal de maturação.
Arbusto de cereja-do-pará com frutos pendentes entre folhas verdes
Arbusto de cereja-do-pará carregado durante a safra.
Flores brancas da cereja-do-pará com muitos estames
Flores brancas e delicadas que atraem abelhas nativas.
Cesto com colheita de cereja-do-pará
Colheita de cereja-do-pará: frutos pequenos e muito perecíveis.
Suco e geleia de cereja-do-pará com frutos frescos ao lado
Suco e geleia são os usos mais populares na cozinha.
Ideal para

Ideal para quem busca variar as frutas do dia a dia com uma opção leve, refrescante e pouco calórica, e para quem gosta de sabores agridoces naturais. Funciona bem para famílias que fazem sucos, geleias e sobremesas caseiras e querem valorizar ingredientes nativos. Também é interessante para quem tem quintal ou sítio em clima quente e quer uma frutífera rústica, produtiva e atrativa para polinizadores, sem manejo complexo.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem sensibilidade gástrica à acidez ou precisa de frutas disponíveis o ano todo em supermercados, pois a cereja-do-pará tem safra curta e é difícil de encontrar fora do Norte e Centro-Oeste. Crianças muito pequenas precisam de supervisão pelo risco de engasgo com frutos pequenos e sementes. Quem espera fruta muito doce e carnosa pode se decepcionar, já que ela é aquosa e agridoce, com pouco rendimento de polpa por unidade e alta perecibilidade após a colheita.

Perfil rápido de Cereja-do-pará

Calendário

FloradaJFMAMJJASOND
Frutificação / SafraJFMAMJJASOND
Pico de colheitaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~43 kcal
Carboidratos
10,5 g
Proteínas
0,6 g
Gorduras totais
0,2 g
Fibras
1,8 g
Vitamina C
28 mg
Potássio
150 mg
Cálcio
18 mg
Água
~85 g

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Colômbia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Eugenia
Espécie
Eugenia punicifolia

Resumo

  • A cereja-do-pará é uma fruta nativa da Amazônia e do Cerrado, pequena e vermelho-alaranjada, com sabor agridoce e polpa suculenta.
  • Sua safra é curta e concentrada entre outubro e fevereiro, e a fruta deve ser consumida ou congelada em poucos dias após colhida.
  • É rica em vitamina C, fibras e compostos antioxidantes, sendo consumida in natura ou em preparações como sucos, geleias e sobremesas.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoEugenia punicifolia (Kunth) DC.
Família botânicaMyrtaceae
OrigemAmazônia e Cerrado (Brasil), norte da América do Sul
Tamanho1 a 2 cm de diâmetro, 3 a 6 g por fruto
Coresverdeamarelolaranjavermelho-alaranjado
Cor quando maduraVermelho-alaranjado brilhante
SaborAgridoce, levemente ácido, com notas de pitanga
Época da safra no BrasilOutubro a fevereiro (pico em novembro a janeiro)
Calorias por 100 g~43 kcal
Principais nutrientesVitamina C, fibras, potássio, antocianinas e carotenoides
Como consumirIn natura, sucos, geleias, licores e sobremesas
Conservação2 a 3 dias na geladeira; até 6 meses congelada
Tipos ou variedadesSem variedades comerciais; há variações regionais de tamanho e cor

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezMédio
SuculênciaAlto
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaAlto

O que é a cereja-do-pará e como reconhecer na hora

A cereja-do-pará é uma frutinha nativa do Brasil, da família Myrtaceae, mesma da pitanga, jabuticaba e goiaba. O nome científico aceito é Eugenia punicifolia, embora ainda apareça como Eugenia lambertiana em materiais antigos.

O fruto é pequeno, arredondado e liso, com 1 a 2 cm de diâmetro e peso entre 3 e 6 g. Quando verde é firme e adstringente; ao amadurecer passa por amarelo e laranja até chegar ao vermelho-alaranjado brilhante, com polpa fina, suculenta e 1 a 2 sementes pequenas no centro.

Na boca, ela lembra pitanga, mas é menos ácida e mais suave. A casca é fina e comestível, a polpa é aquosa e o sabor é agridoce com leve adstringência se colhida antes do ponto ideal. O pedúnculo curto e as sépalas persistentes no topo são bons marcadores para não confundir com outras cerejas nativas.

Origem, onde cresce e como é a planta

A espécie ocorre naturalmente na Amazônia, Cerrado e Caatinga, além de áreas de transição, e também em países vizinhos como Guiana, Venezuela e Colômbia. É típica de solos arenosos, bem drenados e de clima quente.

A planta é um arbusto a arvoreta de 1,5 a 4 metros, muito ramificado, com folhas pequenas, brilhantes e coriáceas. É comum em quintais, capoeiras e bordas de mata, onde frutifica sem exigir manejo intensivo.

A floração é delicada, com flores brancas de quatro pétalas e muitos estames, muito visitadas por abelhas nativas. Após a polinização, os frutos amadurecem em cerca de 30 a 45 dias e caem com facilidade, por isso a colheita precisa ser rápida.

Sabor, textura e como comer in natura

Madura no ponto, a cereja-do-pará tem polpa macia, suculenta e levemente fibrosa junto à semente. A casca não é amarga e pode ser comida junto, o que aumenta a sensação de frescor.

O sabor é agridoce equilibrado: doce leve no início e acidez refrescante no final. Se estiver amarela ou laranja-clara, ainda está adstringente e trava um pouco na boca. O ponto ideal é quando está vermelha por inteiro e cede levemente ao toque.

Para comer in natura, basta lavar e morder descartando a semente. Muita gente polvilha uma pitada de açúcar ou consome gelada, o que suaviza a acidez. Por ser pequena, o rendimento é baixo: um punhado de 100 g tem cerca de 20 a 30 frutinhas.

Valor nutricional: o que ela entrega de verdade

Por 100 g, a cereja-do-pará é uma fruta leve e hidratante, com cerca de 43 kcal, 10 a 11 g de carboidratos e 85% de água. Não é fonte de gordura nem de proteína, mas contribui com fibras.

O destaque é a vitamina C, com teores que costumam variar de 20 a 35 mg por 100 g dependendo do ponto de maturação e da procedência, além de potássio e pequenas quantidades de cálcio e ferro. As cores fortes indicam antocianinas e carotenoides, pigmentos com ação antioxidante.

Como toda fruta vermelha nativa, o valor exato muda conforme solo e safra. Para dieta, encare como fruta fresca para complementar, não como suplemento. Quem precisa de controle rigoroso de nutrientes deve confirmar com tabela TACO/USDA e orientação profissional.

Benefícios e quando ela se destaca na dieta

Por ser rica em água e fibras e pobre em calorias, a cereja-do-pará funciona bem como lanche leve entre refeições e para aumentar variedade de frutas no dia a dia. A combinação de vitamina C e compostos fenólicos ajuda na ingestão de antioxidantes de forma natural.

Na nossa avaliação, o maior trunfo dela não é um nutriente isolado, mas a densidade de sabor com pouca caloria. Isso a torna interessante para quem quer reduzir ultraprocessados doces e busca uma fruta diferente para sucos e geleias sem precisar adicionar muito açúcar.

Ela não tem efeito medicinal comprovado isoladamente. Os benefícios vêm do consumo regular dentro de uma alimentação variada, não de doses pontuais ou de chás e extratos sem padronização.

Como escolher, conservar e congelar sem estragar

Na feira ou no pé, escolha frutos vermelho-alaranjados, firmes e sem manchas escuras. Frutos amassados fermentam em horas por causa do alto teor de água. Evite os verdes ou com cheiro avinagrado.

Na geladeira, dura 2 a 3 dias em pote fechado com papel-toalha, sem lavar antes de guardar. Lave só na hora de consumir. Como é muito perecível, o melhor é congelar se não for usar no dia.

Para congelar, lave, seque bem, descarte frutos machucados e espalhe em assadeira para congelamento aberto por 2 horas antes de transferir para sacos. Assim não forma bloco. Dura até 6 meses no freezer e pode ir direto para suco ou geleia ainda congelada. Descongelada, fica mole e não volta a ficar firme para comer in natura.

Como usar na cozinha: ideias que realmente funcionam

A cereja-do-pará brilha em preparações simples que não mascaram a acidez natural. O uso mais certeiro é em suco batido com água e pouco açúcar, coado ou não, e em geleia com 1 parte de açúcar para 2 partes de polpa.

Outras combinações que funcionam:

  • Geleia e coulis para iogurte, queijo branco e torradas; a pectina natural ajuda a dar ponto rápido.
  • Licor e caipirinha: macere a fruta com cachaça e açúcar por 15 dias; o sabor lembra pitanga, mas mais floral.
  • Sorvete e picolé batendo polpa congelada com banana madura.
  • Molho agridoce para carne de porco ou frango, reduzindo a polpa com cebola roxa e um toque de mel.

Evite cozinhar por muito tempo em fogo alto, pois ela perde cor e vitamina C. Para manter o vermelho vivo na geleia, cozinhe em panela aberta e finalize com algumas gotas de limão.

Variedades, nomes populares e confusões comuns

Não existem variedades comerciais registradas de cereja-do-pará no Brasil. O que se vê são populações locais com frutos um pouco maiores ou mais alaranjados, chamadas pelos produtores de tipos regionais, sem padrão oficial.

Os nomes populares mais usados são pedra-ume–caá, cereja-do-cerrado e grumichama-do-pará. Em inglês aparece como Pará cherry. Essa multiplicidade de nomes gera confusão com a grumichama (Eugenia brasiliensis) e com a pitanga (Eugenia uniflora).

Característica Cereja-do-pará Pitanga Grumichama
Tamanho 1 a 2 cm, lisa 2 a 3 cm, com gomos 1,5 a 2,5 cm, lisa
Cor madura Vermelho-alaranjado Vermelho intenso a quase preto Vermelho-escuro a preto
Sabor Agridoce suave Mais ácido e resinoso Doce e mais carnoso
Semente 1 a 2 pequenas 1 grande 1 a 3

Se a fruta tem gomos bem marcados, é pitanga. Se fica quase preta e maior, é grumichama. A cereja-do-pará é sempre menor, lisa e mais clara.

Quem deve moderar e cuidados no consumo

Por ser ácida, pode causar desconforto em quem tem gastrite ou refluxo quando consumida em grande quantidade ou em jejum. Nesses casos, prefira porções pequenas e combinada com outros alimentos.

As sementes não são consumidas e devem ser descartadas, não mastigadas em excesso, como em outras Myrtaceae. Crianças pequenas devem comer sempre com supervisão para evitar engasgo pelo tamanho.

Pessoas com alergia a Myrtaceae devem introduzir com cautela. E, como toda fruta, o excesso de suco coado sem fibras pode elevar rapidamente a carga de açúcar natural; prefira a fruta inteira ou suco com polpa.

Curiosidades e por que vale procurar

A cereja-do-pará é um exemplo de fruta negligenciada: abundante no Norte, mas quase invisível nas estatísticas nacionais. Isso acontece porque a produção é extrativista e de quintal, sem cadeia comercial larga.

Para quem gosta de biodiversidade, ela é uma porta de entrada para outras Eugenia nativas. Plantar um pé em casa atrai abelhas nativas e pássaros, frutifica em 2 a 3 anos se bem conduzida e exige poucos insumos.

Na nossa opinião, vale a pena valorizar a cereja-do-pará justamente por ser autêntica, rústica e versátil, mas sem romantizar: é fruta de safra curta, perecível e que exige congelamento para uso fora de época. Quem espera disponibilidade o ano todo vai se frustrar.

Perguntas frequentes

Cereja-do-pará e grumichama são a mesma coisa?

Não. A cereja-do-pará é Eugenia punicifolia, menor e vermelho-alaranjada; a grumichama é Eugenia brasiliensis, maior e vermelho-escura a preta quando madura.

Qual o sabor da cereja-do-pará?

Agridoce suave, suculenta e levemente ácida, lembrando pitanga porém menos resinosa e menos ácida.

Como saber se está madura?

Quando está totalmente vermelho-alaranjada, brilhante e cede levemente ao toque. Frutos amarelos ou laranja-claros ainda estão adstringentes.

Pode comer a casca e a semente?

A casca fina é comestível. A semente deve ser descartada e não mastigada em grande quantidade.

Quanto tempo dura depois de colhida?

De 2 a 3 dias na geladeira. Para guardar por mais tempo, congele a polpa ou o fruto inteiro por até 6 meses.

Quando é a safra no Brasil?

De outubro a fevereiro, com pico entre novembro e janeiro, variando conforme a região e as chuvas.

Precisa descascar para fazer suco ou geleia?

Não. Basta lavar, bater e coar se desejar; a casca fina se desmancha e ajuda na cor da preparação.

Você sabia?

1

Fruta de quintal, não de supermercado

Quase toda a produção é extrativista ou doméstica, por isso raramente entra em estatísticas oficiais e chega a poucas centrais de abastecimento.

2

Madura em degradê

O fruto passa por quatro cores até o ponto ideal — verde, amarelo, laranja e vermelho-alaranjado — e só fica doce e sem adstringência na última fase.

3

Parente da pitanga, mas sem gomos

Ao contrário da pitanga, que tem 8 gomos bem marcados, a cereja-do-pará é totalmente lisa, o que ajuda a diferenciá-la no pé.

4

Imã de abelhas nativas

As flores brancas com muitos estames são muito visitadas por abelhas sem ferrão, e a frutificação costuma ser mais abundante quando há polinizadores por perto.

Fontes

  1. Embrapa - Espécies Nativas da Amazônia
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos - Unicamp
  3. USDA FoodData Central

Prós e contras: Cereja-do-pará

Prós

  • Sabor agridoce refrescante com pouca caloria
  • Rica em vitamina C e antioxidantes naturais
  • Versátil para sucos, geleias, licores e sobremesas
  • Planta rústica e produtiva para quintais em clima quente
  • Atrai abelhas nativas e pássaros

Contras

  • Safra curta e difícil de encontrar fora do Norte/Centro-Oeste
  • Muito perecível, estraga em 2 a 3 dias na geladeira
  • Frutos pequenos com pouco rendimento de polpa
  • Sabor levemente ácido pode incomodar quem tem gastrite
  • Sem variedades comerciais padronizadas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cereja-do-pará é uma das Myrtaceae nativas mais subestimadas: entrega frescor e acidez equilibrada com pouca caloria, mas exige aceitar a sazonalidade e a perecibilidade. Vale cultivá-la ou congelar na safra em vez de esperar encontrá-la o ano todo no mercado.

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Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.