🍓 Frutas

Canhú

Alibertia edulis

Atualizado em

2 a 4 cmTamanho
Amarelo a pretoCor
Agridoce marcanteSabor
Out a janSafra
~70 kcal/100gCalorias
Fruta canhu inteira e cortada ao meio mostrando polpa escura e sementes

O canhu é uma fruta nativa do Cerrado e do Pantanal, ainda pouco conhecida fora do Centro-Oeste. Pequeno, redondo e de casca fina que vai do amarelo ao preto quando maduro, chama atenção pela polpa escura, suculenta e agridoce.

Na região de origem é consumido in natura, em sucos, doces e licores artesanais, mas quase não chega ao comércio de outras regiões por ser muito perecível. É uma fruta de safra curta, colhida direto do pé e melhor aproveitada no mesmo dia.

Para o leitor que busca frutas nativas brasileiras, o canhu se destaca pelo sabor marcante, pelo uso tradicional e pela importância ecológica: alimenta aves e abelhas nativas e faz parte da cultura alimentar pantaneira.

Também conhecido como: Canhu, Marmelada-de-cachorro, Apuruí, Puruí, Marmelo-do-cerrado

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Canhú

Fruta canhu inteira e cortada ao meio mostrando polpa escura e sementes
Canhu maduro inteiro e cortado, com polpa escura característica.
Close-up da casca e polpa do canhu
Detalhe da casca fina e da polpa suculenta do canhu.
Pé de canhu com frutos pendentes no Cerrado
Canhuzeiro com frutos em ambiente de Cerrado.
Flores brancas tubulares do canhuzeiro
Flores brancas e perfumadas do canhuzeiro.
Cesto com colheita de canhu
Colheita de canhu na safra do Centro-Oeste.
Suco e geleia de canhu com frutas frescas
Suco e geleia preparados com polpa de canhu.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, tolera meia-sombra rala de Cerrado
Solo
Arenoso a franco-arenoso, bem drenado, pH 5,0 a 6,5
Rega
Baixa após pegamento; irrigar apenas na seca prolongada no primeiro ano
Temperatura
20 a 32 °C; tolera seca e fogo rasteiro, sensível a geada forte
Propagação
Sementes recém-colhidas; germinação lenta de 30 a 90 dias, semear em areia + matéria orgânica
Frutificação
Inicia entre 3 e 5 anos; floração jul-set, colheita out-jan

Perfil rápido de Canhú

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie nativa ainda não avaliada individualmente na Lista Vermelha da IUCN.

População
estável

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Frutificação / SafraJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Energia
~70 kcal
Carboidratos
16 g
Fibras
3,2 g
Proteínas
0,8 g
Gorduras totais
0,5 g
Vitamina C
22 mg
Potássio
185 mg
Cálcio
18 mg

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Cerradão
  • Matas de galeria e bordas de mata no Pantanal

Biomas

  • Cerrado
  • Pantanal

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Gentianales
Família
Rubiaceae
Gênero
Alibertia
Espécie
Alibertia edulis

Resumo

  • Canhú é fruta nativa do Cerrado e Pantanal, de 2 a 4 cm, casca amarela a preta e polpa escura agridoce da espécie Alibertia edulis.
  • Tem safra curta entre outubro e janeiro, é muito perecível e consumida principalmente in natura, em sucos, doces e licores artesanais.
  • Rica em fibras, vitamina C e compostos antioxidantes, tem cerca de 65 a 75 kcal por 100 g e deve ser consumida logo após a colheita.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoAlibertia edulis (Rich.) A. Rich. ex DC.
Família botânicaRubiaceae
OrigemCerrado e Pantanal (Brasil central)
Tamanho2 a 4 cm de diâmetro, 8 a 20 g
Coresamareloamarelo-escuropreto quando bem maduro
SaborAgridoce, levemente adstringente, polpa escura e aromática
Época da safra no BrasilOutubro a janeiro, pico em novembro e dezembro
Calorias por 100 g65 a 75 kcal (aproximado)
Principais nutrientesFibras, vitamina C, potássio e compostos fenólicos
Como consumirIn natura, suco, doce em pasta, geleia e licor
Conservação1 a 2 dias refrigerado; até 6 meses congelado como polpa
Tipos ou variedadesNão há variedades comerciais; variações regionais de tamanho e doçura

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezAlto
SuculênciaAlto
Facilidade de encontrarMuito baixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é canhu e por que quase ninguém conhece

O canhu é uma fruta nativa do Cerrado e do Pantanal, produzida por um arbusto a arvoreta de 3 a 6 metros da família Rubiaceae. O nome mais aceito na literatura para esse uso popular é Alibertia edulis, embora o termo canhu seja regional e possa mudar de município para município.

Fora do Centro-Oeste ela é rara porque estraga em 24 a 48 horas após madura. A casca fina e a polpa muito úmida fermentam rápido, o que inviabiliza transporte longo sem refrigeração. Por isso você só encontra canhu em feiras locais, beira de estrada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ou direto no pé.

Diferente de frutas comerciais, o canhu nunca passou por melhoramento. Cada planta dá frutos com pequenas diferenças de tamanho, cor e acidez, o que explica a falta de padrão nas descrições que circulam na internet.

Como reconhecer o canhu maduro na hora

O fruto é globoso, liso e com coroa discreta na ponta, lembrando uma pequena goiaba. Imaturo é verde-claro e bem firme; quando começa a amadurecer fica amarelo, depois amarelo-escuro e, bem maduro, quase preto por fora.

Ao apertar levemente, o maduro cede sem afundar. Se estiver mole demais e com cheiro alcoólico, já passou do ponto. A polpa é o melhor indicador: preta a marrom-escura, brilhante e com 2 a 4 sementes achatadas envoltas em massa suculenta.

Erros comuns: confundir com marmelo-do-cerrado ou com jenipapo pequeno. O canhu é menor que o jenipapo, não tem a casca áspera do pequi e tem aroma adocicado fermentado bem característico, diferente do cheiro forte do jenipapo.

  • Casca: fina, lisa, sem pelos
  • Polpa: escura, que escurece ainda mais em minutos após aberta
  • Sementes: achatadas, castanho-claras, não devem ser mastigadas em grande quantidade
  • Cheiro: frutado intenso quando maduro, avinagrado quando passado

Origem e onde é encontrado no Brasil

O centro de ocorrência é o Cerrado stricto sensu, cerradões e bordas de mata no Pantanal, em solos arenosos e bem drenados. Ocorre de forma espontânea no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e oeste de Minas Gerais e São Paulo.

A planta é dioica: existem indivíduos masculinos e femininos. Só as plantas femininas dão fruto, e precisam de polinização cruzada feita principalmente por abelhas nativas e mariposas noturnas. Isso explica por que um pé isolado no quintal pode florescer e nunca frutificar.

No campo, a frutificação é irregular. Em anos de seca prolongada a produção cai muito, e pássaros como sabiás e periquitos disputam os frutos maduros antes da colheita humana.

Sabor, textura e como consumir sem desperdiçar

O sabor é agridoce com fundo levemente adstringente. Bem maduro, lembra uma mistura de ameixa preta com jabuticaba, mas com acidez mais viva. A textura é cremosa e muito suculenta, quase pastosa, que desmancha na boca.

In natura é o uso mais tradicional: corta-se ao meio e come-se a polpa com colher, descartando as sementes. Como oxida rápido, consuma em até 15 minutos após abrir ou regue com limão se for usar em receita.

Na cozinha pantaneira, o canhu rende melhor processado:

  • Suco: bata a polpa com água e coe; adoce pouco para não mascarar a acidez
  • Doce em pasta: polpa com açúcar em fogo baixo até dar ponto de corte
  • Geleia: combina bem com queijo curado por causa do contraste agridoce
  • Licor artesanal: polpa macerada na cachaça com açúcar, receita comum em fazendas do Pantanal

Evite cozinhar demais. Calor prolongado amarga e apaga o aroma. Para congelar, congele só a polpa peneirada, sem sementes, em porções pequenas.

Valor nutricional e o que ele realmente entrega

Por ser fruta silvestre, não há tabela oficial completa como a de laranja ou banana. Análises de Alibertia edulis indicam perfil de fruta de baixa a média caloria, rica em água e fibras.

Em 100 g de polpa fresca, os valores aproximados são 65 a 75 kcal, 15 a 18 g de carboidratos, 2,5 a 4 g de fibras e 15 a 30 mg de vitamina C, além de potássio e compostos fenólicos. Não é a fruta mais rica em vitamina C do Cerrado, mas contribui bem dentro de uma alimentação variada.

Os compostos escuros da polpa são antocianinas e taninos, responsáveis pela cor e pela adstringência. Eles têm ação antioxidante, mas também explicam por que algumas pessoas sentem a boca levemente áspera após comer muito canhu de uma vez.

Nutriente (por 100 g) Valor aproximado
Energia 65 a 75 kcal
Carboidratos 15 a 18 g
Fibras 2,5 a 4 g
Vitamina C 15 a 30 mg
Potássio 150 a 220 mg

Como toda fruta, não substitui tratamento e não tem efeito medicinal comprovado isoladamente. Quem tem restrição de fibras, diabetes ou sensibilidade a frutas ácidas deve consumir com moderação e orientação profissional.

Como escolher, conservar e congelar

Na feira, escolha frutos íntegros, sem rachaduras, com casca amarela a preta e leve perfume doce. Evite os com manchas moles escuras, líquido escorrendo ou cheiro de fermentado.

Em casa, o canhu maduro dura 1 a 2 dias na geladeira, em pote fechado com papel-toalha. Verde pode ser deixado em temperatura ambiente por 1 dia para completar a maturação, mas não amadurece bem se colhido muito imaturo.

Para guardar por mais tempo, congele a polpa: lave, corte, retire as sementes, bata rapidamente e peneire. Armazene em saquinhos de 100 a 200 g por até 6 meses. Descongele só a porção que vai usar e não recongele.

Tipos, nomes populares e confusões comuns

Não existem variedades comerciais registradas de canhu. O que há são populações nativas com frutos um pouco maiores ou mais doces, chamadas pelos coletores de canhu-açu ou canhu-mirim, sem valor formal de cultivar.

O nome muda muito. Além de canhu, a mesma espécie é citada como marmelada-de-cachorro, apuruí, marmelo-do-cerrado e puruí em diferentes estados. Essa sobreposição de nomes causa confusão com outras Rubiaceae de fruto comestível.

Se você comprar polpa congelada rotulada como canhu, confirme o nome científico no rótulo. Alibertia edulis é a referência mais consistente para o canhu do Cerrado/Pantanal, enquanto apuruí em outras regiões pode ser Alibertia patinoi ou espécies afins.

Como a planta cresce e por que é importante no Cerrado

O canhuzeiro é resistente à seca e ao fogo rasteiro, comum no Cerrado. Tem folhas coriáceas e brilhantes, flores brancas tubulares e perfumadas que abrem ao entardecer, atraindo polinizadores noturnos.

A frutificação ocorre na estação chuvosa, de outubro a janeiro, quando a planta investe toda a energia nos frutos. Cada fruto leva cerca de 40 a 60 dias da flor ao ponto de colheita, e a dispersão natural é feita por aves e mamíferos que comem a polpa e eliminam as sementes.

Do ponto de vista ecológico, manter canhuzeiros em pé ajuda a preservar corredores de alimentação para fauna e a conservar uma fruta que quase não existe em cultivo. Pequenos produtores começam a plantar por sementes, mas a germinação é lenta e desuniforme.

Curiosidades e importância cultural no Pantanal

No Pantanal sul-mato-grossense, o canhu faz parte da cultura do tereré e do licor caseiro. Famílias tradicionais maceram a polpa na cachaça branca com açúcar e deixam curtir por semanas, servindo como digestivo.

Outro fato pouco conhecido: a polpa oxida tão rápido que escurece antes de terminar de comer. Esse escurecimento não é sinal de estrago imediato, mas indica que o fruto deve ser consumido ou processado na hora.

Por fim, o canhu é um dos exemplos de frutas nativas subutilizadas que poderiam ganhar espaço em sistemas agroflorestais do Cerrado, justamente por exigir pouca água e nenhum defensivo quando bem manejado. O gargalo continua sendo a pós-colheita curta, não a produção no campo.

Perguntas frequentes

Canhú e marmelada-de-cachorro são a mesma coisa?

Na maior parte do Cerrado e Pantanal, sim. Ambos são nomes populares para Alibertia edulis, mas o nome varia por região e pode se referir a espécies próximas.

Como comer canhu in natura?

Lave bem, corte ao meio e coma a polpa com colher, descartando as 2 a 4 sementes achatadas. Consuma logo após abrir porque a polpa oxida rápido.

Qual o gosto do canhu?

Agridoce, com acidez viva e leve adstringência. Bem maduro lembra ameixa preta com jabuticaba, bem suculento e aromático.

Quando é a safra do canhu no Brasil?

De outubro a janeiro, com pico em novembro e dezembro no Centro-Oeste. Fora desse período é difícil encontrar fresco.

Canhu pode ser congelado?

Sim, como polpa peneirada sem sementes, em porções pequenas, por até 6 meses. O fruto inteiro não congela bem.

Canhu tem muita caloria?

Não. Tem cerca de 65 a 75 kcal por 100 g de polpa, valor próximo ao da goiaba, com boa quantidade de fibras.

Onde encontrar canhu para comprar?

Principalmente em feiras e mercados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás durante a safra, ou direto com produtores locais. É raro em outras regiões.

Você sabia?

1

Polpa que escurece em minutos

Assim que aberta, a polpa preta do canhu oxida e escurece ainda mais em 5 a 10 minutos, por isso o suco deve ser batido e consumido na hora.

2

Planta com sexos separados

O canhuzeiro é dioico: só as plantas femininas dão fruto e precisam de uma planta masculina por perto para haver polinização.

3

Licor tradicional pantaneiro

No Pantanal, a polpa é macerada na cachaça com açúcar para fazer licor de canhu, servido como bebida artesanal e presente regional.

4

Dispersão por aves

Sabiás e periquitos são os principais dispersores. As sementes germinam melhor após passarem pelo trato digestivo das aves.

Fontes

  1. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Embrapa Cerrados

Prós e contras: Canhú

Prós

  • Sabor agridoce único e aroma marcante, diferente de frutas comerciais
  • Fruta nativa que valoriza a biodiversidade do Cerrado e Pantanal
  • Boa fonte de fibras e compostos antioxidantes da polpa escura
  • Versátil para suco, geleia, doce em pasta e licor artesanal
  • Planta rústica, resistente à seca e adaptada a solos pobres

Contras

  • Extremamente perecível, dura só 1 a 2 dias refrigerado
  • Muito difícil de encontrar fora do Centro-Oeste e fora da safra
  • Polpa oxida e fermenta rápido, exige consumo imediato
  • Planta dioica: precisa de pé masculino e feminino para frutificar
  • Sabor adstringente pode não agradar quem prefere frutas bem doces
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o canhu é uma das frutas nativas mais interessantes do Cerrado justamente por não ter sido domesticada: sabor autêntico, aroma intenso e história cultural viva, mas com pós-colheita tão curta que só faz sentido consumir local e na safra. Vale a pena provar se você viajar ao Centro-Oeste entre novembro e dezembro, sem esperar encontrar em supermercado.

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Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

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Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.