🦜 Aves e Pássaros

Trinta-réis-boreal

Sterna hirundo

Atualizado em

31 a 35 cmTamanho
110 a 145 gPeso
12 a 20 anosExpectativa de vida
Grito áspero e agudoCanto
Litoral, estuários e ilhasHabitat
Trinta-réis-boreal pousado na areia da praia mostrando plumagem completa

O Trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) é uma ave marinha migratória de longa distância, famosa pelo bico vermelho com ponta preta, manto cinza-claro e cauda profundamente bifurcada. Com cerca de 31 a 35 cm, é leve, ágil e um dos melhores pescadores em voo entre os trinta-réis.

No Brasil, não se reproduz: aparece como visitante de primavera e verão, quando migra do Hemisfério Norte para passar o inverno austral no litoral. É encontrado em praias, estuários, lagoas costeiras e ilhas, quase sempre em bandos que descansam na areia ou pescam com mergulhos verticais.

Distingue-se de espécies parecidas pelo conjunto de bico, pernas vermelhas e cauda longa que ultrapassa as asas quando pousado. É uma ave barulhenta em colônia, monogâmica e muito fiel aos locais de reprodução no norte.

Também conhecido como: Trinta-réis-comum, Andorinha-do-mar-comum, Common Tern (inglês), Charrán común (espanhol), Seeschwalbe (alemão)

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Trinta-réis-boreal

Trinta-réis-boreal pousado na areia da praia mostrando plumagem completa
Trinta-réis-boreal pousado: note o bico vermelho com ponta preta e a cauda bifurcada.
Close-up da cabeça do Trinta-réis-boreal mostrando bico e boné preto
Detalhe da cabeça com o boné preto e o bico vermelho característico.
Trinta-réis-boreal em voo sobre o mar com asas abertas
Em voo, asas longas e cauda bifurcada garantem manobras precisas.
Trinta-réis-boreal mergulhando para pescar
Mergulho vertical para capturar peixes pequenos perto da superfície.
Bando de Trinta-réis-boreal descansando na praia
Bando em descanso na areia, comportamento típico na invernada no Brasil.
Ninho simples do Trinta-réis-boreal com ovos camuflados na areia
Ninho em depressão rasa na areia com ovos bem camuflados.

Perfil rápido de Trinta-réis-boreal

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e estável, mas colônias locais em declínio por perturbação e perda de habitat.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegido por leis de fauna silvestre e acordos migratórios

Calendário

Reprodução (Hemisfério Norte)JFMAMJJASOND
Presença no Brasil (invernada)JFMAMJJASOND
Migração para o sulJFMAMJJASOND
Migração para o norteJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
12 a 20 anos em média; máximo documentado acima de 30 anos
Em cativeiro
Não se aplica; ave silvestre migratória não mantida em cativeiro regular

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, com exibições aéreas e oferta de peixe pelo macho
Estrutura social
Colonial; colônias de dezenas a milhares de casais
Padrão sazonal
Reproduz de maio a agosto no Hemisfério Norte; no Brasil apenas invernada
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
1 a 3 ovos; incubação 21 a 27 dias; voo com 22 a 28 dias; maturidade com 3 a 4 anos

Habitat

Ambientes

  • Praias arenosas e bancos de areia
  • Estuários e desembocaduras de rios
  • Lagoas costeiras e restingas
  • Ilhas costeiras e oceânicas
  • Áreas portuárias e molhes

Biomas

  • Zona Costeira
  • Mata Atlântica no litoral
  • Restinga
  • Manguezal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pequenos (manjubas, sardinhas, peixes-rei)

Outros alimentos

  • Pequenos crustáceos
  • Lulas jovens
  • Insetos aquáticos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Reino Unido
  • Portugal
  • Espanha
  • Senegal
  • África do Sul
  • Argentina
  • Uruguai
  • Noruega
  • Rússia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Charadriiformes
Família
Laridae
Gênero
Sterna
Espécie
Sterna hirundo

Resumo

  • O Trinta-réis-boreal é uma ave marinha migratória de 31 a 35 cm, com bico vermelho de ponta preta, dorso cinza-claro e cauda bifurcada bem longa.
  • No Brasil ocorre como visitante não reprodutivo entre setembro e abril, em praias, estuários e ilhas costeiras de todo o litoral.
  • Pesca peixes pequenos com mergulhos aéreos precisos, nidifica em colônias no Hemisfério Norte e migra milhares de quilômetros a cada ano.

Características

Ficha da espécie

FamíliaLaridae (subfamília Sterninae)
Origem e distribuiçãoCosmopolita do Hemisfério Norte; migra para América do Sul, África e Oceania
HabitatCostas marinhas, praias arenosas, estuários, lagoas costeiras e ilhas
Tamanho (comprimento)31 a 35 cm
Envergadura77 a 98 cm
Peso110 a 145 g
Corescinza-clarobrancopretovermelho
Expectativa de vida12 a 20 anos na natureza; recorde acima de 30 anos
AlimentaçãoPiscívora: peixes pequenos, crustáceos e pequenos invertebrados
CantoGritos ásperos tipo "kirr" e "kreee", muito vocal em colônia
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em depressão na areia; 1 a 3 ovos bege com manchas escuras; incubação 21 a 27 dias
Comportamento socialAltamente colonial e gregário, forma bandos grandes fora da reprodução
Variedades ou subespécies4 subespécies reconhecidas (S. h. hirundo, longipennis, minussensis e tibetana)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o Trinta-réis-boreal em campo

O Trinta-réis-boreal é elegante e leve, com corpo esguio e asas longas e pontiagudas. O adulto em plumagem reprodutiva tem manto cinza-claro, partes inferiores brancas, cabeça com boné preto que vai da testa à nuca e bico vermelho-alaranjado com ponta preta.

As pernas são vermelhas e curtas, e a cauda é branca e profundamente bifurcada, como uma andorinha grande — daí o nome inglês Common Tern. Quando pousado, a cauda costuma ultrapassar a ponta das asas fechadas, detalhe útil para separá-lo de outros trinta-réis.

Em voo, mostra borda escura na parte superior das primárias e um voo flutuante, com batidas rápidas e planadas. Jovens e adultos fora da reprodução ficam com testa branca, bico mais escuro e dorso escamado de marrom e preto. O tamanho ajuda: 31 a 35 cm e 77 a 98 cm de envergadura, menor que o Trinta-réis-real e maior que o Trinta-réis-anão.

Onde vive: distribuição global e presença no Brasil

É uma das aves marinhas mais amplamente distribuídas do planeta. Reproduz-se em toda a América do Norte, Europa e Ásia temperada, de lagos interiores a costas atlânticas e pacíficas. No inverno boreal, migra para o sul e ocupa costas da América do Sul, África, sul da Ásia e Austrália.

No Brasil, é migrante boreal e não se reproduz. Ocorre de setembro a abril, com pico entre novembro e fevereiro, em todo o litoral — do Amapá ao Rio Grande do Sul — além de ilhas oceânicas como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Prefere praias arenosas, bancos de areia, estuários, lagoas costeiras e áreas portuárias com poleiros.

Fora do período reprodutivo é estritamente costeiro, raramente visto no interior. Forma bandos de descanso mistos com outros trinta-réis e gaivotas, alinhados na areia contra o vento. É fiel a rotas migratórias e pode retornar aos mesmos locais de invernada ano após ano.

O que come e como caça

A dieta é quase toda de peixes pequenos, como manjubas, sardinhas e peixes-rei de 5 a 10 cm. Complementa com pequenos crustáceos, lulas jovens e insetos aquáticos quando há pouca oferta de peixe.

A técnica é inconfundível. Voa a 5 a 12 metros sobre a água, paira batendo as asas e com o bico apontado para baixo, e então mergulha em voo picado quase vertical. Entra poucos centímetros na água e sai com a presa atravessada no bico. Raramente mergulha fundo como um atobá.

Também pratica cleptoparasitismo ocasional, roubando peixes de outros trinta-réis, e segue barcos de pesca para aproveitar descartes. Em áreas estuarinas, aproveita cardumes encurralados pela maré, o que explica sua concentração em desembocaduras de rios.

Comportamento, voo e vida em colônia

É uma ave extremamente sociável e barulhenta. Fora da reprodução, passa horas em bandos compactos descansando e fazendo manutenção da plumagem. Na época reprodutiva no Hemisfério Norte, torna-se territorial e agressiva, atacando em voo qualquer intruso, inclusive humanos e gaivotas.

O voo é leve, ágil e flutuante, com manobras rápidas para corrigir o mergulho. Em migração, voa tanto de dia quanto de noite e pode cobrir centenas de quilômetros por dia com vento favorável. Em terra, anda pouco e com passos curtos devido às pernas curtas.

A comunicação visual é forte: exibições aéreas com peixe no bico fazem parte da corte, e o macho oferece alimento à fêmea como parte do ritual. Essa oferta é um teste real — fêmeas avaliam a qualidade do peixe antes de aceitar o parceiro.

Voz e canto: como identificar pelo som

Não tem canto melodioso. A vocalização mais comum é um “kirr” ou “kree-ar” áspero, descendente e estridente, repetido em série quando alarmado. Em colônia, o coro é contínuo e agudo, audível a centenas de metros.

Há variações para cada contexto: chamado de contato curto entre o casal, grito de alarme mais longo contra predadores e chamado de corte mais suave durante a oferta de peixe. Filhotes emitem pios finos e insistentes para pedir alimento.

Para quem observa no Brasil, o som ajuda muito: o Trinta-réis-boreal tem voz mais áspera e grave que o Trinta-réis-de-bando e menos nasal que o Trinta-réis-real. Ouvir o bando antes de ver é comum em praias ventosas.

Reprodução, ninho e desenvolvimento dos filhotes

A reprodução acontece entre maio e agosto no Hemisfério Norte. Nidifica em colônias densas que podem ter de dezenas a milhares de casais, em ilhas arenosas, dunas, cascalheiras e até telhados planos em cidades portuárias da Europa e América do Norte.

O ninho é simples: uma depressão rasa na areia ou cascalho, às vezes forrada com conchinhas e fragmentos vegetais. A fêmea põe 1 a 3 ovos bege-creme com manchas marrons e pretas bem camuflados. A incubação dura 21 a 27 dias, dividida entre macho e fêmea.

Os filhotes são semi-precociais: nascem com penugem, ficam no ninho por poucos dias e depois se escondem na vegetação próxima. São alimentados com peixes pequenos trazidos no bico e voam com 22 a 28 dias. A maturidade sexual ocorre com 3 a 4 anos, e muitos jovens só retornam à colônia natal após esse período.

As 4 subespécies

Subespécie Distribuição reprodutiva Traço distintivo
S. h. hirundo Europa, norte da África ao oeste da Ásia Forma nominal, bico vermelho com ponta preta bem marcada
S. h. longipennis Nordeste da Ásia ao Alasca Asas mais escuras e manto mais acinzentado
S. h. minussensis Ásia Central Mais pálida, com menos preto na asa
S. h. tibetana Planalto do Tibete e Ásia Central Maior, adaptada a lagos de altitude

Migração e ciclo anual: um viajante oceânico

É um migrante de longa distância. Populações da América do Norte invernam principalmente na costa leste da América do Sul, incluindo o Brasil, enquanto aves europeias vão para a África Ocidental e do Sul. Alguns indivíduos percorrem mais de 10.000 km em cada perna da migração.

O ciclo é bem marcado. Após reproduzir no verão boreal, os adultos fazem muda completa das penas antes de migrar. Chegam ao Brasil já em plumagem não reprodutiva, ganham peso e trocam penas lentamente durante o verão austral e partem entre março e abril para o norte.

Durante a invernada, não defendem território e vivem em bandos nômades que acompanham a disponibilidade de peixe. Essa estratégia explica por que em algumas semanas uma praia tem centenas e, na semana seguinte, quase nenhum. Ventos e frentes frias concentram os bandos em estuários abrigados.

Conservação, ameaças e como observar sem perturbar

Globalmente é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e distribuição ampla. No entanto, colônias locais sofrem declínios por predação de ratos e gaivotas, inundação de ninhos com a elevação do mar, perturbação humana e contaminação por plásticos e mercúrio.

No Brasil, as principais pressões na invernada são perturbações em áreas de descanso por pessoas, cães e veículos na areia, pesca com redes que reduz presas e causa emalhe, e poluição costeira. Como descansa em bandos densos na areia, uma única aproximação pode fazer centenas levantarem voo e gastarem energia vital para a migração de retorno.

Para observar com responsabilidade, mantenha distância mínima de 30 metros, não atravesse o bando, mantenha cães presos e evite fotografar com flash ou drone baixo. Prefira binóculo ou teleobjetiva e observe o mergulho de pesca contra a luz da manhã, quando a atividade é maior.

Como diferenciar de outros trinta-réis comuns no Brasil

A confusão é comum porque vários trinta-réis invernam juntos. Use este comparativo rápido:

  • Trinta-réis-boreal vs. Trinta-réis-ártico (Sterna paradisaea): o ártico tem bico todo vermelho sem ponta preta, pernas mais curtas e cauda ainda mais longa. É muito raro no Brasil.
  • Vs. Trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus): o de bando é maior, com bico amarelo e topete desgrenhado; o boreal é menor e tem bico vermelho e preto.
  • Vs. Trinta-réis-real (Thalasseus maximus): o real é bem maior, com bico laranja forte e porte de gaivota.
  • Vs. Trinta-réis-anão (Sternula superciliaris): o anão é muito menor (22 cm), com bico amarelo e testa branca grande.

Na dúvida, foque em três marcas do boreal: bico vermelho com ponta preta, pernas vermelhas e cauda bifurcada que passa das asas fechadas. Em voo, a barra escura na asa também ajuda. Com esses detalhes, a identificação fica segura mesmo em bandos mistos.

Perguntas frequentes

Trinta-réis-boreal ocorre no Brasil o ano todo?

Não. É migrante boreal, presente principalmente de setembro a abril. Entre maio e agosto está reproduzindo no Hemisfério Norte.

Qual a diferença para o Trinta-réis-ártico?

O boreal tem bico vermelho com ponta preta e pernas mais longas; o ártico tem bico todo vermelho, pernas curtíssimas e cauda ainda mais longa. O ártico é raríssimo no Brasil.

O Trinta-réis-boreal pode ser criado em casa?

Não. É ave silvestre migratória protegida por lei. No Brasil, capturar, manter ou comercializar fauna silvestre sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

Onde é mais fácil ver Trinta-réis-boreal no Brasil?

Em praias extensas, estuários e ilhas costeiras, em bandos descansando na areia na maré baixa ou pescando com mergulhos perto da arrebentação.

O que ele come?

Principalmente peixes pequenos de 5 a 10 cm, capturados com mergulhos verticais a partir de voo pairado. Também consome pequenos crustáceos.

Está ameaçado de extinção?

Não globalmente. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas colônias locais sofrem com perturbação humana, predadores introduzidos e elevação do nível do mar.

Fatos surpreendentes sobre o Trinta-réis-boreal

1

Recorde de longevidade

Um indivíduo anilhado na América do Norte viveu mais de 33 anos, voltando à mesma colônia por décadas e acumulando distância migratória equivalente a várias voltas ao mundo.

2

Ninho sem ninho

Ele não constrói ninho elaborado: apenas uma cova rasa na areia. Os ovos extremamente camuflados parecem pedras e são quase invisíveis a poucos passos.

3

Presente de casamento em forma de peixe

Durante a corte, o macho oferece um peixe à fêmea em voo. Se o peixe for pequeno ou estragado, ela pode rejeitar o parceiro na hora.

4

Confundido com o campeão da migração

Já foi muito confundido com o Trinta-réis-ártico, que faz a maior migração do mundo. O boreal migra menos, mas ainda cruza um hemisfério inteiro duas vezes por ano.

Fontes

  1. IUCN Red List - Sterna hirundo
  2. BirdLife International
  3. WikiAves
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Trinta-réis-boreal

Prós

  • Excelente para observação de aves no litoral, comum e fácil de ver no verão
  • Voo e pesca com mergulho muito fotogênicos
  • Indicador de saúde costeira e de disponibilidade de peixes
  • Migração impressionante que conecta hemisférios
  • Colônias barulhentas e comportamentos de corte interessantes

Contras

  • Não pode ser criado como ave de estimação; é silvestre e protegido
  • Sensível a perturbação humana em áreas de descanso
  • Pode ser confundido com outras espécies de trinta-réis
  • Colônias reprodutivas vulneráveis a predadores e inundações
  • Exige distância e cuidado para observar sem causar estresse
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o Trinta-réis-boreal é o melhor exemplo de elegância funcional entre os trinta-réis: leve, preciso no mergulho e extremamente fiel a suas rotas. Para observadores no Brasil, é a porta de entrada ideal para entender migração, pois é comum, identificável e conta uma história oceânica sem sair da praia.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.