Resumo
- O periquito-de-encontro-amarelo é um periquito verde de 20 a 23 cm com mancha amarela viva no encontro da asa, comum no Cerrado e em áreas urbanas do Brasil central.
- Vive em bandos barulhentos, se alimenta de sementes, frutos e flores e nidifica em ocos de árvores entre agosto e janeiro.
- É espécie silvestre protegida por lei, de status pouco preocupante, e sua criação só é legal com autorização do IBAMA e origem de criadouro autorizado.
Características
Ficha da espécie
| Família | Psittacidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Brasil central e nordeste, leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina |
| Habitat | Cerrado, Caatinga, Pantanal, bordas de mata, palmeirais e áreas urbanas arborizadas |
| Tamanho (comprimento) | 20 a 23 cm |
| Envergadura | 34 a 38 cm |
| Peso | 60 a 75 g |
| Cores | verdeamareloazul-esverdeado na frontecinza-rosado no bicomarrom-escuro nos olhos |
| Expectativa de vida | 12 a 15 anos na natureza; 20 a 25 anos em cativeiro autorizado |
| Alimentação | Sementes, frutos, flores, néctar, brotos e pequenos coquinhos |
| Canto | Gritos agudos e rápidos, sequência tipo "cri-cri-cri" mais forte em voo |
| Reprodução (ninho e ovos) | Oco de árvore ou palmeira; 4 a 6 ovos brancos; incubação 23 a 26 dias |
| Comportamento social | Bandos de 6 a 30 indivíduos; dormitórios coletivos ao entardecer |
| Variedades ou subespécies | 2: Brotogeris chiriri chiriri e B. c. behni |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Muito alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Alto |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Baixo |
| Necessidade de espaço | Alto |
| Nível de atividade | Muito alto |
| Capacidade de imitar sons | Baixo |
Como identificar o periquito-de-encontro-amarelo: tamanho, cores e o detalhe da asa
O periquito-de-encontro-amarelo é predominantemente verde, com tom mais amarelado no ventre e mais escuro no dorso e nas asas. O bico é cinza-rosado claro, os olhos são escuros com anel periocular acinzentado discreto e as pernas são rosadas.
O detalhe que dá nome à espécie só aparece bem quando a ave voa ou se espreguiça: o encontro amarelo vivo na parte superior da asa, formado pelas coberteiras menores. Em repouso, com asas fechadas, ele pode ficar quase escondido, o que confunde muita gente.
Mede 20 a 23 cm e pesa 60 a 75 g, menor que um periquito-australiano grande e bem menor que um papagaio. A cauda é curta e em forma de cunha, típica do gênero Brotogeris.
Há um leve tom azul-esverdeado na fronte e coroa em adultos, mais evidente sob luz natural. Filhotes têm cores mais opacas e menos amarelo na asa nos primeiros meses.
Onde vive e onde encontrar no Brasil
A distribuição natural vai do Maranhão e Piauí ao Paraná, cobrindo todo o Brasil central, além do leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina. É ave do interior, não do litoral úmido fechado.
Habitat preferido é o Cerrado em todas as suas fisionomias, Caatinga arborizada, Pantanal, matas de galeria e palmeirais de buriti e babaçu. Evita mata densa e contínua, preferindo bordas, clareiras e áreas semiabertas.
Nas últimas décadas colonizou cidades. É muito comum em Goiânia, Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Palmas e interior de São Paulo e Minas, onde usa praças, parques e até fiações e forros de prédios como dormitório. Em áreas urbanas, compete e convive com o periquito-de-encontro-vermelho e com a maritaca.
- Melhor horário para observar: início da manhã e fim de tarde, quando os bandos se deslocam entre dormitório e áreas de alimentação.
- Sinal sonoro: antes de ver, você ouve. O bando em voo emite gritos sincronizados e agudos que cortam o barulho da cidade.
- Dormitórios: árvores altas e densas, como mangueiras e eucaliptos, podem reunir 30 a 100 indivíduos ao entardecer.
O que come na natureza e na cidade
É granívoro-frugívoro com forte componente florívoro. Na natureza consome sementes de gramíneas, frutos de pequizeiro, jatobá, mangueira, goiabeira, embaúba e coquinhos de palmeiras, além de flores de ipê, mulungu e baru.
Usa o bico curvo para abrir sementes e a língua musculosa para extrair polpa e néctar. Em floração de ipê-amarelo, bandos inteiros se penduram de cabeça para baixo para alcançar as flores, um comportamento típico.
Na cidade, adapta a dieta a frutos de jambo, amora, pitanga, mamão, manga e flores de flamboyant e sibipiruna. Também visita comedouros com sementes, mas não depende deles.
Essa plasticidade alimentar explica por que a espécie aumentou a área de ocorrência enquanto outros psitacídeos recuaram. Ela aproveita recursos efêmeros e se desloca rápido entre manchas de alimento.
Comportamento, bando e aquele canto que não passa despercebido
Vive em bandos coesos de 6 a 30 aves, raramente sozinho. O bando voa de forma rápida e direta, com batidas curtas e gritos constantes que mantêm o grupo unido. No chão, quase nunca desce.
O canto é agudo, metálico e repetitivo, do tipo “cri-cri-cri-cri”. Não é melodioso e tem alta intensidade para o tamanho. Em dormitórios, a algazarra antes do anoitecer pode ser ouvida a quarteirões.
É extremamente social e ativo. Passa o dia forrageando, se alisando mutuamente e explorando ocos. Demonstra inteligência na manipulação de frutos e na escolha de abrigos, mas imita pouco sons humanos, diferente de papagaios maiores.
À noite, forma dormitórios coletivos que funcionam como centro de informação: indivíduos seguem na manhã seguinte quem encontrou alimento no dia anterior. Essa estratégia é comum em Brotogeris e aumenta a eficiência do bando.
Reprodução, ninho e filhotes
A estação reprodutiva no Brasil central vai de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro, coincidindo com o início das chuvas e maior oferta de frutos.
É monogâmico e nidifica em ocos de árvores, palmeiras mortas, cupinzeiros arborícolas e até forros e caixas de fiação em cidades. Não constrói ninho elaborado; forra o fundo com serragem do próprio oco.
A fêmea põe 4 a 6 ovos brancos e incuba por 23 a 26 dias, enquanto o macho alimenta a parceira. Os filhotes nascem sem penas e com olhos fechados, permanecem no oco por cerca de 45 a 50 dias até o primeiro voo.
Mesmo após saírem, os jovens seguem os pais por semanas, aprendendo rotas de alimentação. A fidelidade ao local de nidificação é alta: o mesmo oco pode ser usado por anos se não for destruído.
Periquito-de-encontro-amarelo x periquito-de-encontro-vermelho: não confunda
A confusão mais comum é com o periquito-de-encontro-vermelho (Brotogeris tirica), endêmico da Mata Atlântica. A diferença está no encontro da asa e na distribuição.
| Característica | Encontro-amarelo (B. chiriri) | Encontro-vermelho (B. tirica) |
|---|---|---|
| Encontro da asa | Amarelo-limão | Vermelho-alaranjado |
| Distribuição | Interior: Cerrado, Caatinga, Pantanal | Litoral: Mata Atlântica do Nordeste ao Sul |
| Fronte | Azul-esverdeada discreta | Verde sem azul |
| Voz | Mais aguda e rápida | Mais áspera e grave |
Em São Paulo capital, as duas espécies hoje se sobrepõem por causa da urbanização, mas o amarelo ainda domina no interior e o vermelho na faixa atlântica. Outro similar é o periquito-de-asa-branca (Brotogeris versicolurus), amazônico, com encontro branco e amarelo.
Pode criar em casa? O que diz a lei
O periquito-de-encontro-amarelo é ave silvestre nativa protegida. Capturar, manter ou vender indivíduos da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98), com multa e apreensão.
A criação só é legal se a ave vier de criadouro comercial ou criador amador autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e registro no sistema SISPASS. A oferta é pequena, porque a espécie não está entre as mais criadas legalmente como calopsita e periquito-australiano.
Na nossa avaliação, não é ave indicada para criação doméstica improvisada. Exige viveiro espaçoso, dieta variada com frutos nativos, enriquecimento ambiental e manejo veterinário especializado. Gaiolas pequenas e alimentação só com sementes levam a problemas hepáticos e comportamentais.
Se você encontrou um filhote caído, o correto é acionar o CETAS, Polícia Ambiental ou órgão ambiental municipal. Tentar criar por conta própria, mesmo com boa intenção, é ilegal e raramente dá certo sem técnica.
Conservação e por que ele se adaptou tão bem às cidades
Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e até em expansão em áreas urbanas. A adaptabilidade a ambientes alterados o protege do declínio que afeta psitacídeos mais exigentes.
As principais pressões são desmatamento de ocos, captura para tráfico e colisão com redes e linhas. Em cidades, eletrocussão em fiação e predação por gatos são causas frequentes de morte.
Curiosamente, a espécie se tornou invasora nos Estados Unidos: populações asselvajadas de B. chiriri se estabeleceram na Califórnia e Flórida a partir de aves escapadas, competindo com espécies locais. Isso demonstra sua resiliência.
Proteger árvores ocas, palmeiras e matas de galeria é a medida mais eficaz para mantê-lo na natureza. Em áreas urbanas, manter árvores frutíferas nativas e evitar poda drástica na época reprodutiva ajuda bandos inteiros.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre periquito-de-encontro-amarelo e de-encontro-vermelho?
O amarelo (Brotogeris chiriri) tem mancha amarelo-limão no encontro da asa e vive no interior (Cerrado/Pantanal). O vermelho (B. tirica) tem mancha vermelha e é da Mata Atlântica litorânea.
Periquito-de-encontro-amarelo fala ou imita sons?
Imita muito pouco. Pode aprender assobios curtos, mas não tem a capacidade de fala de papagaios e calopsitas; seu forte é o grito agudo em bando.
Onde encontrar periquito-de-encontro-amarelo na cidade?
Em praças com árvores frutíferas, parques e perto de dormitórios coletivos ao entardecer, especialmente no Centro-Oeste, interior de São Paulo e Minas.
O que ele come?
Sementes, frutos nativos como pequi e manga, coquinhos e flores com néctar, como ipê e mulungu. Na cidade consome jambo, pitanga e amora.
É legal criar periquito-de-encontro-amarelo em casa?
Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA com anilha e nota fiscal. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.
Quanto tempo vive?
De 12 a 15 anos livre na natureza e até 20 a 25 anos em cativeiro autorizado com manejo e alimentação adequados.
Está ameaçado de extinção?
Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e em expansão urbana, mas depende de árvores ocas para nidificar.
Fatos que pouca gente sabe
Dormitório barulhento
Ao entardecer, bandos se reúnem em dormitórios coletivos que podem passar de 80 aves na mesma árvore, com gritaria sincronizada antes do silêncio total da noite.
Duas subespécies discretas
A subespécie B. c. behni, do norte da Bolívia e oeste do Brasil, tem tom de verde mais escuro e menos azul na fronte que a forma nominal do Brasil central.
Invasor na América do Norte
Aves escapadas formaram populações selvagens em Los Angeles e Miami desde a década de 1970, onde hoje são vistas em parques urbanos como espécie estabelecida.
Fiel ao oco
Casais podem usar o mesmo oco por várias temporadas seguidas, defendendo-o agressivamente de abelhas, outras aves e até morcegos que tentam ocupá-lo.









