🦜 Aves e Pássaros

Periquito-de-encontro-amarelo

Brotogeris chiriri

Atualizado em

20 a 23 cmTamanho
60 a 75 gPeso
Até 25 anos em cativeiroExpectativa de vida
Agudo, estridente e repetitivoCanto
Cerrado e áreas urbanasHabitat
Periquito-de-encontro-amarelo pousado em galho no Cerrado mostrando plumagem verde e mancha amarela da asa

O periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri) é um psitacídeo pequeno e barulhento que domina o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal, mas também se adaptou muito bem a praças e fiações de cidades do Centro-Oeste e Sudeste. Verde quase por inteiro, ele se entrega pela mancha amarelo-limão no encontro da asa, visível só quando abre as asas.

Vive em bandos agitados, se alimenta de frutos e flores e dorme em dormitórios coletivos que podem reunir dezenas de indivíduos. É uma das aves mais vistas e ouvidas no Brasil central, frequentemente confundido com o periquito-de-encontro-vermelho, mas com comportamento e voz próprios.

Também conhecido como: Periquito-de-asa-amarela, Periquito-verde, Periquito-de-encontro, Yellow-chevroned Parakeet (inglês), Chiriri (nome local no Paraguai e Bolívia)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Periquito-de-encontro-amarelo

Periquito-de-encontro-amarelo pousado em galho no Cerrado mostrando plumagem verde e mancha amarela da asa
Periquito-de-encontro-amarelo adulto pousado, com o encontro amarelo discreto em repouso.
Close da cabeça do periquito-de-encontro-amarelo mostrando bico claro e fronte azulada
Detalhe da cabeça: bico claro e tom azul-esverdeado na fronte.
Periquito-de-encontro-amarelo em voo com asas abertas exibindo mancha amarela
Em voo a mancha amarela do encontro da asa fica bem evidente.
Bando de periquitos-de-encontro-amarelo se alimentando em parque urbano
Bando se alimentando de frutos em área urbana arborizada.
Periquito-de-encontro-amarelo se alimentando de flores de ipê-amarelo
Alimentação em flores de ipê, comportamento comum na primavera.
Ninho em oco de árvore com ovos brancos do periquito-de-encontro-amarelo
Ninho em oco de árvore com ovos brancos, sem forração elaborada.

Perfil rápido de Periquito-de-encontro-amarelo

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, com expansão em áreas urbanas.

População
estável
Protegido por
Lei de Proteção à Fauna e Lei de Crimes Ambientais no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior oferta de frutos e floresJFMAMJJASOND
Formação de dormitórios coletivosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
12 a 15 anos, com alta mortalidade no primeiro ano
Em cativeiro autorizado
20 a 25 anos com dieta variada e acompanhamento veterinário

Reprodução

Sistema
Monogâmico com fidelidade ao parceiro e ao oco
Época
Agosto a janeiro, pico setembro-novembro
Ninho
Oco de árvore, palmeira ou cupinzeiro arborícola; sem material adicional
Ovos e incubação
4 a 6 ovos brancos; 23 a 26 dias, fêmea incuba
Filhotes
Nidícolas; saem do ninho com 45 a 50 dias e seguem os pais por semanas

Habitat

Ambientes

  • Cerrado e cerradão
  • Caatinga arborizada
  • Pantanal e palmeirais
  • Matas de galeria e bordas de mata
  • Parques e áreas urbanas arborizadas

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pantanal
  • Mata Atlântica (transição)
  • Amazônia (borda sul)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas e árvores
  • Frutos nativos (pequi, jatobá, manga, goiaba)
  • Flores e néctar (ipê, mulungu, baru)

Outros alimentos

  • Brotos e folhas tenras
  • Coquinhos de palmeiras
  • Frutos urbanos como jambo e pitanga

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para criação doméstica; ave silvestre muito ativa e vocal
Legalidade no Brasil
Só com anilha fechada e origem de criadouro autorizado pelo IBAMA/órgão estadual; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, dieta com frutos nativos, enriquecimento e veterinário de aves
Observação responsável
Prefira observar livre na natureza ou em áreas urbanas arborizadas; não compre ave sem procedência

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Brotogeris
Espécie
Brotogeris chiriri (Vieillot, 1818)

Resumo

  • O periquito-de-encontro-amarelo é um periquito verde de 20 a 23 cm com mancha amarela viva no encontro da asa, comum no Cerrado e em áreas urbanas do Brasil central.
  • Vive em bandos barulhentos, se alimenta de sementes, frutos e flores e nidifica em ocos de árvores entre agosto e janeiro.
  • É espécie silvestre protegida por lei, de status pouco preocupante, e sua criação só é legal com autorização do IBAMA e origem de criadouro autorizado.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoBrasil central e nordeste, leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina
HabitatCerrado, Caatinga, Pantanal, bordas de mata, palmeirais e áreas urbanas arborizadas
Tamanho (comprimento)20 a 23 cm
Envergadura34 a 38 cm
Peso60 a 75 g
Coresverdeamareloazul-esverdeado na frontecinza-rosado no bicomarrom-escuro nos olhos
Expectativa de vida12 a 15 anos na natureza; 20 a 25 anos em cativeiro autorizado
AlimentaçãoSementes, frutos, flores, néctar, brotos e pequenos coquinhos
CantoGritos agudos e rápidos, sequência tipo "cri-cri-cri" mais forte em voo
Reprodução (ninho e ovos)Oco de árvore ou palmeira; 4 a 6 ovos brancos; incubação 23 a 26 dias
Comportamento socialBandos de 6 a 30 indivíduos; dormitórios coletivos ao entardecer
Variedades ou subespécies2: Brotogeris chiriri chiriri e B. c. behni

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como identificar o periquito-de-encontro-amarelo: tamanho, cores e o detalhe da asa

O periquito-de-encontro-amarelo é predominantemente verde, com tom mais amarelado no ventre e mais escuro no dorso e nas asas. O bico é cinza-rosado claro, os olhos são escuros com anel periocular acinzentado discreto e as pernas são rosadas.

O detalhe que dá nome à espécie só aparece bem quando a ave voa ou se espreguiça: o encontro amarelo vivo na parte superior da asa, formado pelas coberteiras menores. Em repouso, com asas fechadas, ele pode ficar quase escondido, o que confunde muita gente.

Mede 20 a 23 cm e pesa 60 a 75 g, menor que um periquito-australiano grande e bem menor que um papagaio. A cauda é curta e em forma de cunha, típica do gênero Brotogeris.

Há um leve tom azul-esverdeado na fronte e coroa em adultos, mais evidente sob luz natural. Filhotes têm cores mais opacas e menos amarelo na asa nos primeiros meses.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

A distribuição natural vai do Maranhão e Piauí ao Paraná, cobrindo todo o Brasil central, além do leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina. É ave do interior, não do litoral úmido fechado.

Habitat preferido é o Cerrado em todas as suas fisionomias, Caatinga arborizada, Pantanal, matas de galeria e palmeirais de buriti e babaçu. Evita mata densa e contínua, preferindo bordas, clareiras e áreas semiabertas.

Nas últimas décadas colonizou cidades. É muito comum em Goiânia, Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Palmas e interior de São Paulo e Minas, onde usa praças, parques e até fiações e forros de prédios como dormitório. Em áreas urbanas, compete e convive com o periquito-de-encontro-vermelho e com a maritaca.

  • Melhor horário para observar: início da manhã e fim de tarde, quando os bandos se deslocam entre dormitório e áreas de alimentação.
  • Sinal sonoro: antes de ver, você ouve. O bando em voo emite gritos sincronizados e agudos que cortam o barulho da cidade.
  • Dormitórios: árvores altas e densas, como mangueiras e eucaliptos, podem reunir 30 a 100 indivíduos ao entardecer.

O que come na natureza e na cidade

É granívoro-frugívoro com forte componente florívoro. Na natureza consome sementes de gramíneas, frutos de pequizeiro, jatobá, mangueira, goiabeira, embaúba e coquinhos de palmeiras, além de flores de ipê, mulungu e baru.

Usa o bico curvo para abrir sementes e a língua musculosa para extrair polpa e néctar. Em floração de ipê-amarelo, bandos inteiros se penduram de cabeça para baixo para alcançar as flores, um comportamento típico.

Na cidade, adapta a dieta a frutos de jambo, amora, pitanga, mamão, manga e flores de flamboyant e sibipiruna. Também visita comedouros com sementes, mas não depende deles.

Essa plasticidade alimentar explica por que a espécie aumentou a área de ocorrência enquanto outros psitacídeos recuaram. Ela aproveita recursos efêmeros e se desloca rápido entre manchas de alimento.

Comportamento, bando e aquele canto que não passa despercebido

Vive em bandos coesos de 6 a 30 aves, raramente sozinho. O bando voa de forma rápida e direta, com batidas curtas e gritos constantes que mantêm o grupo unido. No chão, quase nunca desce.

O canto é agudo, metálico e repetitivo, do tipo “cri-cri-cri-cri”. Não é melodioso e tem alta intensidade para o tamanho. Em dormitórios, a algazarra antes do anoitecer pode ser ouvida a quarteirões.

É extremamente social e ativo. Passa o dia forrageando, se alisando mutuamente e explorando ocos. Demonstra inteligência na manipulação de frutos e na escolha de abrigos, mas imita pouco sons humanos, diferente de papagaios maiores.

À noite, forma dormitórios coletivos que funcionam como centro de informação: indivíduos seguem na manhã seguinte quem encontrou alimento no dia anterior. Essa estratégia é comum em Brotogeris e aumenta a eficiência do bando.

Reprodução, ninho e filhotes

A estação reprodutiva no Brasil central vai de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro, coincidindo com o início das chuvas e maior oferta de frutos.

É monogâmico e nidifica em ocos de árvores, palmeiras mortas, cupinzeiros arborícolas e até forros e caixas de fiação em cidades. Não constrói ninho elaborado; forra o fundo com serragem do próprio oco.

A fêmea põe 4 a 6 ovos brancos e incuba por 23 a 26 dias, enquanto o macho alimenta a parceira. Os filhotes nascem sem penas e com olhos fechados, permanecem no oco por cerca de 45 a 50 dias até o primeiro voo.

Mesmo após saírem, os jovens seguem os pais por semanas, aprendendo rotas de alimentação. A fidelidade ao local de nidificação é alta: o mesmo oco pode ser usado por anos se não for destruído.

Periquito-de-encontro-amarelo x periquito-de-encontro-vermelho: não confunda

A confusão mais comum é com o periquito-de-encontro-vermelho (Brotogeris tirica), endêmico da Mata Atlântica. A diferença está no encontro da asa e na distribuição.

Característica Encontro-amarelo (B. chiriri) Encontro-vermelho (B. tirica)
Encontro da asa Amarelo-limão Vermelho-alaranjado
Distribuição Interior: Cerrado, Caatinga, Pantanal Litoral: Mata Atlântica do Nordeste ao Sul
Fronte Azul-esverdeada discreta Verde sem azul
Voz Mais aguda e rápida Mais áspera e grave

Em São Paulo capital, as duas espécies hoje se sobrepõem por causa da urbanização, mas o amarelo ainda domina no interior e o vermelho na faixa atlântica. Outro similar é o periquito-de-asa-branca (Brotogeris versicolurus), amazônico, com encontro branco e amarelo.

Pode criar em casa? O que diz a lei

O periquito-de-encontro-amarelo é ave silvestre nativa protegida. Capturar, manter ou vender indivíduos da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98), com multa e apreensão.

A criação só é legal se a ave vier de criadouro comercial ou criador amador autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e registro no sistema SISPASS. A oferta é pequena, porque a espécie não está entre as mais criadas legalmente como calopsita e periquito-australiano.

Na nossa avaliação, não é ave indicada para criação doméstica improvisada. Exige viveiro espaçoso, dieta variada com frutos nativos, enriquecimento ambiental e manejo veterinário especializado. Gaiolas pequenas e alimentação só com sementes levam a problemas hepáticos e comportamentais.

Se você encontrou um filhote caído, o correto é acionar o CETAS, Polícia Ambiental ou órgão ambiental municipal. Tentar criar por conta própria, mesmo com boa intenção, é ilegal e raramente dá certo sem técnica.

Conservação e por que ele se adaptou tão bem às cidades

Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e até em expansão em áreas urbanas. A adaptabilidade a ambientes alterados o protege do declínio que afeta psitacídeos mais exigentes.

As principais pressões são desmatamento de ocos, captura para tráfico e colisão com redes e linhas. Em cidades, eletrocussão em fiação e predação por gatos são causas frequentes de morte.

Curiosamente, a espécie se tornou invasora nos Estados Unidos: populações asselvajadas de B. chiriri se estabeleceram na Califórnia e Flórida a partir de aves escapadas, competindo com espécies locais. Isso demonstra sua resiliência.

Proteger árvores ocas, palmeiras e matas de galeria é a medida mais eficaz para mantê-lo na natureza. Em áreas urbanas, manter árvores frutíferas nativas e evitar poda drástica na época reprodutiva ajuda bandos inteiros.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre periquito-de-encontro-amarelo e de-encontro-vermelho?

O amarelo (Brotogeris chiriri) tem mancha amarelo-limão no encontro da asa e vive no interior (Cerrado/Pantanal). O vermelho (B. tirica) tem mancha vermelha e é da Mata Atlântica litorânea.

Periquito-de-encontro-amarelo fala ou imita sons?

Imita muito pouco. Pode aprender assobios curtos, mas não tem a capacidade de fala de papagaios e calopsitas; seu forte é o grito agudo em bando.

Onde encontrar periquito-de-encontro-amarelo na cidade?

Em praças com árvores frutíferas, parques e perto de dormitórios coletivos ao entardecer, especialmente no Centro-Oeste, interior de São Paulo e Minas.

O que ele come?

Sementes, frutos nativos como pequi e manga, coquinhos e flores com néctar, como ipê e mulungu. Na cidade consome jambo, pitanga e amora.

É legal criar periquito-de-encontro-amarelo em casa?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA com anilha e nota fiscal. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.

Quanto tempo vive?

De 12 a 15 anos livre na natureza e até 20 a 25 anos em cativeiro autorizado com manejo e alimentação adequados.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e em expansão urbana, mas depende de árvores ocas para nidificar.

Fatos que pouca gente sabe

1

Dormitório barulhento

Ao entardecer, bandos se reúnem em dormitórios coletivos que podem passar de 80 aves na mesma árvore, com gritaria sincronizada antes do silêncio total da noite.

2

Duas subespécies discretas

A subespécie B. c. behni, do norte da Bolívia e oeste do Brasil, tem tom de verde mais escuro e menos azul na fronte que a forma nominal do Brasil central.

3

Invasor na América do Norte

Aves escapadas formaram populações selvagens em Los Angeles e Miami desde a década de 1970, onde hoje são vistas em parques urbanos como espécie estabelecida.

4

Fiel ao oco

Casais podem usar o mesmo oco por várias temporadas seguidas, defendendo-o agressivamente de abelhas, outras aves e até morcegos que tentam ocupá-lo.

Fontes

  1. IUCN Red List - Brotogeris chiriri
  2. WikiAves - Periquito-de-encontro-amarelo
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Periquito-de-encontro-amarelo

Prós

  • Muito adaptável e fácil de observar livre na natureza e na cidade
  • Dieta variada e comportamento social fascinante em bando
  • Resistente e com população estável, sem risco iminente
  • Voz e voo característicos ajudam na identificação em campo

Contras

  • Canto agudo e alto pode incomodar em viveiro doméstico
  • Não imita fala humana como outros psitacídeos
  • Exige viveiro grande e dieta com frutos nativos, não vive bem em gaiola pequena
  • Criação legal é restrita e captura na natureza é crime
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o periquito-de-encontro-amarelo é o melhor exemplo de psitacídeo que venceu a urbanização sem perder a vida selvagem: barulhento e comum, mas ainda dependente de ocos naturais. Tentar engaiolá-lo é desperdiçar sua maior graça, que é vê-lo em bando cortando o céu do Cerrado ao entardecer.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.