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Periquito-de-cabeça-amarela

Eupsittula auricapillus

Atualizado em

30 cmTamanho
120 a 140 gPeso
20 a 30 anosExpectativa de vida
Agudo, estridente e repetitivoCanto
Caatinga, Cerrado e Mata AtlânticaHabitat
Periquito-de-cabeça-amarela adulto pousado em galho seco da Caatinga mostrando cabeça amarela com testa laranja

O periquito-de-cabeça-amarela (Eupsittula auricapillus) é um psitacídeo endêmico do Brasil inconfundível pela cabeça amarelo-ouro com testa laranja-avermelhada, corpo verde e barriga amarelada. Mede cerca de 30 cm e vive em bandos barulhentos que cruzam a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica.

Muito confundido com a jandaia-verdadeira, distingue-se pela testa vermelha bem marcada e pela ausência de coloração preta no bico. É uma ave social, monogâmica e essencial para dispersão de sementes, mas sofre com captura ilegal e desmatamento no Nordeste e Sudeste.

Também conhecido como: Jandaia-de-testa-vermelha, Periquito-de-cara-amarela, Golden-capped Parakeet, Sittiche mit Goldhaube

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Galeria de fotos de Periquito-de-cabeça-amarela

Periquito-de-cabeça-amarela adulto pousado em galho seco da Caatinga mostrando cabeça amarela com testa laranja
Adulto com cabeça amarelo-ouro e testa laranja-avermelhada característica.
Close-up da cabeça do periquito-de-cabeça-amarela mostrando bico claro e olho laranja
Detalhe da cabeça: bico claro e mancha laranja na testa.
Periquito-de-cabeça-amarela em voo sobre a Caatinga com asas abertas
Voo rápido e direto com gritos agudos em bando.
Bando de periquitos-de-cabeça-amarela se alimentando de frutos de palmeira na Caatinga
Bando se alimentando de coquinhos e frutos nativos.
Ninho do periquito-de-cabeça-amarela em oco de árvore com ovos brancos
Ninho em oco de árvore com ovos brancos.
Casal de periquitos-de-cabeça-amarela fazendo alisamento mútuo de penas
Casal monogâmico em comportamento social de alisamento.

Perfil rápido de Periquito-de-cabeça-amarela

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

Espécie endêmica do Brasil com população em declínio por desmatamento e captura ilegal.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida por lei federal; captura e comércio sem autorização são crime ambiental

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade vocalJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 25 anos
Em cativeiro regularizado
25 a 30 anos

Reprodução

Maturidade sexual
2 a 3 anos
Época reprodutiva
Setembro a março, pico outubro a janeiro
Tipo de ninho
Oco de árvore, cupinzeiro arbóreo ou fenda rochosa
Ovos por postura
3 a 5 ovos brancos
Incubação
23 a 26 dias, feita pela fêmea
Saída do ninho
50 a 55 dias
Estrutura social
Monogâmico, vive em bandos familiares

Habitat

Ambientes

  • Caatinga arbórea e matas secas
  • Cerrado e cerradão
  • Bordas de Mata Atlântica e capoeiras
  • Coqueirais, pomares e áreas agrícolas com árvores isoladas

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutos carnosos
  • Sementes de árvores nativas
  • Coquinhos de palmeiras

Outros alimentos

  • Flores e néctar
  • Brotos
  • Grãos cultivados como milho e sorgo

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa para iniciantes; muito vocal e social, precisa de bando ou companhia constante
Legalidade no Brasil
Só com ave anilhada de criadouro autorizado pelo IBAMA/órgão estadual; captura e comércio ilegal são crime ambiental
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, dieta variada, enriquecimento e veterinário especializado
Observação
Prefira observar livre na natureza; denuncie tráfico ao IBAMA/Linha Verde

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Eupsittula
Espécie
Eupsittula auricapillus

Resumo

  • O periquito-de-cabeça-amarela é endêmico do Brasil, com 30 cm, cabeça amarela viva e testa laranja-avermelhada, facilmente reconhecível em voo pelo grito agudo e bando coeso.
  • Vive em Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, de Maranhão ao Paraná, alimentando-se de frutos, sementes, flores e coquinhos, com forte atividade ao amanhecer e entardecer.
  • Está classificado como Quase Ameaçado, com população em declínio por tráfico e perda de habitat, e sua criação só é legal com autorização do IBAMA e criadouro regularizado.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoEndêmico do Brasil, do Maranhão e Piauí ao Paraná
HabitatCaatinga, Cerrado, Mata Atlântica, bordas de mata e áreas agrícolas
Tamanho (comprimento)30 cm
Envergadura48 a 52 cm
Peso120 a 140 g
Coresamarelolaranja-avermelhadoverdeverde-oliva
Expectativa de vida20 a 25 anos na natureza; até 30 em cativeiro regularizado
AlimentaçãoFrugívora e granívora
CantoGrito agudo e rápido, sequência de "krik-krik-krik"
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em oco de árvore; 3 a 5 ovos brancos; incubação 23 a 26 dias
Comportamento socialVive em bandos de 6 a 40 indivíduos, monogâmico
Variedades ou subespécies2 subespécies: E. a. auricapillus e E. a. aurifrons

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer o periquito-de-cabeça-amarela: tamanho, cores e traços únicos

O periquito-de-cabeça-amarela tem 30 cm de comprimento e 120 a 140 g, porte pequeno-médio entre os psitacídeos brasileiros. A proporção é de corpo alongado, cauda pontuda e bico claro acinzentado, diferente do bico preto da jandaia-verdadeira.

O que mais chama atenção é a cabeça amarelo-ouro intensa com testa e coroa anterior laranja-avermelhada. O manto, dorso e asas são verde vivo, a barriga é amarelada com tom esverdeado e as rêmiges têm face interna azulada visível em voo.

Olhos com íris laranja e anel perioftálmico branco-acinzentado completam o rosto. Jovens têm amarelo mais pálido e pouca ou nenhuma mancha laranja na testa, o que causa confusão com filhotes de jandaia. Não há dimorfismo sexual evidente a olho nu.

Onde vive no Brasil: distribuição e habitat natural

É endêmico do Brasil. Ocorre de forma contínua do Maranhão, Piauí e Ceará até o Paraná, passando por Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo. É mais comum no Nordeste e no Sudeste.

Habita Caatinga arbórea, Cerrado, matas secas, bordas de Mata Atlântica, capoeiras, coqueirais e áreas agrícolas com árvores isoladas. Evita interior de mata fechada e alta montanha, preferindo paisagens semiabertas com oferta de frutos.

Forma bandos nômades que se deslocam conforme a frutificação. Em períodos de seca na Caatinga, concentra-se perto de rios, brejos e plantações de milho e sorgo, onde é visto em fios e em ocos de caraibeiras e angicos.

O que come na natureza e como se alimenta

A dieta é frugívora e granívora. Consome coquinhos de palmeiras, frutos de faveleira, umbu, mangaba, caju, goiaba, mamão, sementes de angico e de baraúna, flores e néctar.

Alimenta-se em grupo, geralmente nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde. Usa o bico para descascar sementes e a língua musculosa para manipular polpa. É comum vê-lo pendurado de cabeça para baixo para alcançar frutos.

Tem papel importante como dispersor de sementes, mas também pode atacar roças de milho e sorgo, o que gera conflito com agricultores. Em cativeiro regularizado, a base deve ser ração extrusada para psitacídeos, mix de sementes com moderação e frutas variadas.

  • Principal: frutos carnosos e sementes de árvores nativas da Caatinga e Cerrado
  • Complementos: flores, brotos, néctar e grãos cultivados
  • Evitar: alimentos com sal, chocolate, abacate e sementes de maçã em excesso

Comportamento e vida em bando: barulho, voo e sociabilidade

É uma ave extremamente social. Vive em bandos de 6 a 40 indivíduos que mantêm coesão com gritos constantes. O casal permanece junto o ano todo e dorme lado a lado no mesmo poleiro.

O voo é rápido, direto e ondulante, com batidas curtas e gritos sincronizados. Ao pousar, o bando se espalha na copa e fica bem camuflado pelo verde das costas, só revelado quando se move.

Passa boa parte do dia forrageando, fazendo manutenção de penas em grupo e explorando ocos. É curioso e vigilante: um indivíduo emite alarme agudo e todo o bando levanta voo imediatamente.

Canto e vocalização: como é o som e quando canta

O canto não é melódico. É um grito agudo, estridente e repetitivo, tipo “krik-krik-krik-kri”, emitido em voo e quando pousado. A intensidade é alta e audível a centenas de metros.

Vocaliza mais ao amanhecer, ao entardecer e durante deslocamentos. Em bando, os chamados se sobrepõem e criam um coro áspero característico da Caatinga. Casais trocam chamados mais suaves quando estão próximos no poleiro.

Não é bom imitador de voz humana. Pode aprender assobios curtos em cativeiro, mas sua capacidade de imitação é baixa comparada a papagaios e periquitos australianos.

Reprodução, ninho e filhotes

A reprodução ocorre na estação chuvosa, de setembro a março, com pico entre outubro e janeiro. É monogâmico e nidifica em ocos naturais de árvores, como caraibeira, mulungu e aroeira, e ocasionalmente em cupinzeiros arbóreos e frestas de rocha.

A fêmea põe 3 a 5 ovos brancos e incuba por 23 a 26 dias, enquanto o macho alimenta a parceira e defende o território. Os filhotes nascem sem penas e com olhos fechados.

Os pais alimentam os ninhegos com alimento regurgitado por cerca de 50 a 55 dias até deixarem o ninho. Mesmo após voarem, os jovens seguem com os pais por semanas, aprendendo rotas de alimentação e vocalizações do bando.

É possível criar periquito-de-cabeça-amarela em casa? O que diz a lei

Por ser silvestre e endêmico, a captura na natureza e a compra de aves sem origem comprovada são crime ambiental no Brasil. A criação só é legal quando a ave provém de criadouro comercial ou conservacionista autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada e nota fiscal.

Na nossa avaliação, não é uma boa ave de estimação para iniciantes ou para apartamento. É muito vocal, precisa voar e viver em grupo, e sofre com isolamento e gaiolas pequenas. Exige viveiro amplo, enriquecimento ambiental e dieta variada.

Quem mantém a espécie legalmente precisa oferecer viveiro de no mínimo 2 metros de comprimento, poleiros de madeira natural, banheira para banho, horas de luz natural e interação social diária. Aves ilegais devem ser encaminhadas ao CETAS, nunca soltas sem avaliação.

Conservação e principais ameaças

A espécie é classificada como Quase Ameaçada (NT) pela IUCN/BirdLife, com população em declínio. A estimativa é de declínio contínuo devido à perda de habitat e captura.

As principais ameaças são desmatamento da Caatinga e do Cerrado, tráfico para comércio ilegal, captura de filhotes em ninhos e perseguição como praga agrícola. A dependência de ocos de árvores velhas torna a espécie sensível à retirada de árvores maduras.

Está protegida por lei e consta em listas estaduais de fauna ameaçada. Ações importantes são fiscalização do tráfico, proteção de áreas de Caatinga, instalação de ninhos artificiais e educação ambiental para reduzir a demanda por aves silvestres.

Diferenças para jandaia-verdadeira e outras jandaias

A confusão é comum porque três jandaias têm cabeça amarela. O periquito-de-cabeça-amarela se distingue por detalhes objetivos.

Espécie Cabeça Bico Distribuição
Periquito-de-cabeça-amarela (E. auricapillus) Amarela com testa laranja-avermelhada Claro, acinzentado Endêmico do Brasil oriental
Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya) Amarela uniforme sem mancha vermelha Preto Norte e Nordeste
Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus – sinonímia antiga) Mesma espécie, nome popular alternativo Claro Mesma área
Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri) Verde, sem amarelo na cabeça Claro com mancha amarela na asa Ampla no Brasil central

Na dúvida em campo, observe bico e testa: bico claro + testa laranja indica periquito-de-cabeça-amarela; bico preto + cabeça toda amarela indica jandaia-verdadeira.

Perguntas frequentes

Periquito-de-cabeça-amarela e jandaia-verdadeira são a mesma ave?

Não. O periquito-de-cabeça-amarela (Eupsittula auricapillus) tem testa laranja-avermelhada e bico claro. A jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya) tem cabeça toda amarela e bico preto.

Onde o periquito-de-cabeça-amarela vive no Brasil?

É endêmico do Brasil, do Maranhão ao Paraná, com maior frequência na Caatinga, Cerrado e bordas de Mata Atlântica do Nordeste e Sudeste.

O que ele come?

Frutos, coquinhos de palmeiras, sementes de árvores nativas, flores e, oportunisticamente, milho e sorgo em áreas agrícolas.

Ele fala ou imita sons?

Quase não imita voz humana. Seu canto natural é um grito agudo e repetitivo, e pode aprender assobios simples, mas com pouca clareza.

Está ameaçado de extinção?

É classificado como Quase Ameaçado (NT) pela IUCN, com população em declínio por desmatamento da Caatinga/Cerrado e tráfico ilegal.

Posso ter um em casa?

Só se for de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e nota fiscal. Aves capturadas na natureza são ilegais e o tráfico é crime ambiental.

Quanto tempo vive?

Vive 20 a 25 anos na natureza e pode chegar a 30 anos em cativeiro regularizado com manejo adequado.

Fatos surpreendentes

1

O laranja da testa só aparece com a idade

Filhotes nascem com a cabeça amarelo-pálida e quase sem vermelho. A mancha laranja-avermelhada da testa só fica viva após a primeira muda completa, o que ajuda a estimar a idade em campo.

2

Dorme amontoado para se aquecer

Em noites frias da Caatinga, o bando se aperta lado a lado no mesmo galho ou oco, trocando calor. Casais dormem encostados e fazem alisamento mútuo de penas antes de adormecer.

3

Fura coquinhos com precisão cirúrgica

Consegue abrir coquinhos duros de palmeiras segurando o fruto com uma pata e girando o bico. Deixa marcas triangulares características que pesquisadores usam para confirmar sua presença mesmo sem ver a ave.

4

Já foi confundido com espécie invasora

Por usar áreas agrícolas e coqueirais urbanos, já foi erroneamente tratado como praga exótica em algumas regiões, quando na verdade é endêmico e indicador de Caatinga bem conservada com árvores ocas antigas.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. WikiAves
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Periquito-de-cabeça-amarela

Prós

  • Endêmico do Brasil, ótimo para observação e fotografia na Caatinga
  • Muito social e ativo, com comportamento de bando interessante de acompanhar
  • Importante dispersor de sementes de árvores nativas
  • Coloração marcante e fácil de identificar quando bem observada

Contras

  • Canto estridente e alto, inadequado para apartamento
  • Exige viveiro grande e vida em grupo, sofre isolado
  • Criação legal exige criadouro autorizado e manejo especializado
  • Sensível ao tráfico e à perda de ocos naturais, não deve ser retirado da natureza
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o periquito-de-cabeça-amarela é uma das jandaias mais mal compreendidas do Brasil: tratada como praga barulhenta, é na verdade um endemismo que denuncia a saúde da Caatinga. Vale mais observá-lo livre em bando do que tentar mantê-lo isolado em gaiola, onde seu comportamento social se perde.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.