🌳 Árvores

Favela

Cnidoscolus quercifolius

Atualizado em

4 a 8 mTamanho
CaducifóliaFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
40 a 80 anosLongevidade
Folhas lobadas e flores brancas da favela em close

A favela, ou faveleira, é uma árvore espinhosa da Caatinga cujo nome científico é Cnidoscolus quercifolius. De 4 a 8 m de altura, ela perde as folhas na seca, tem tronco claro com espinhos e pelos urticantes que queimam a pele.

Muito confundida com o nome das comunidades urbanas, a árvore deu origem ao termo: soldados que voltaram de Canudos associaram o Morro da Providência, no Rio, ao Morro da Favela, na Bahia, coberto por essa planta. Na natureza, é forrageira valiosa, produz sementes oleosas e sustenta abelhas e aves no sertão.

Também conhecido como: Faveleira, Favela-de-galinha, Mandioca-brava, Urtiga-brava, Cansanção

Faz parte de: Árvores Pequenas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Favela

Folhas lobadas e flores brancas da favela em close
Folhas lobadas e flores brancas da faveleira.
Copa rala da favela vista de baixo contra o céu
Copa aberta e rala, típica da estação chuvosa.
Frutos e sementes da favela sobre solo seco
Cápsulas trilobadas e sementes oleosas da favela.
Faveleiras jovens em área de restauração da Caatinga
Faveleiras em área de recuperação da Caatinga.
Frutos e sementes da favela sobre solo seco
Cápsulas trilobadas e sementes oleosas da favela.
Faveleiras jovens em área de restauração da Caatinga
Faveleiras em área de recuperação da Caatinga.
Faveleiras jovens em área de restauração da Caatinga
Faveleiras em área de recuperação da Caatinga.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou área no semiárido e precisa de planta rústica para forragem de seca, recuperação de solo degradado ou cerca viva defensiva. Vai bem para projetos de restauração da Caatinga e para criadores de caprinos e ovinos que sabem fenar as folhas corretamente.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quintal pequeno, calçada, escola ou casa com crianças e pets soltos. Os espinhos no tronco e os pelos que queimam exigem manejo com luvas e distância de áreas de circulação, além de sol pleno e solo bem drenado que apartamento e cidade úmida não oferecem.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo, mínimo 6 horas de sol direto
Rega
Baixa; regar só nos 3 a 4 primeiros meses, depois apenas em seca extrema
Solo
Arenoso, pedregoso e muito bem drenado; não tolera encharcamento
Temperatura
Prefere 25 a 35 °C; tolera calor extremo e seca, sensível a geada
Adubação
Quase dispensável; se necessário, composto orgânico leve no plantio
Poda
Sanitária no fim da seca, com proteção total contra espinhos e pelos
Propagação
Por sementes com quebra de dormência; germinação em 15 a 30 dias

Perfil rápido de Favela

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie amplamente distribuída na Caatinga e ainda comum.

População
Estável
Protegido por
Não possui proteção legal específica além da proteção geral da Caatinga

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Euphorbiaceae
Gênero
Cnidoscolus
Espécie
Cnidoscolus quercifolius

Resumo

  • A favela é a faveleira Cnidoscolus quercifolius, árvore de 4 a 8 m da Caatinga, caducifólia, espinhosa e com pelos urticantes.
  • Vive em sol pleno, solo pedregoso e seco, perde as folhas na estiagem e floresce com as primeiras chuvas, atraindo abelhas nativas.
  • Tem sementes ricas em óleo, folhas usadas como forragem após secagem e madeira leve, mas não serve para calçada por causa dos espinhos e da queimadura.

Características

Ficha da árvore

Nome popularFavela, faveleira, favela-de-galinha
Nome científicoCnidoscolus quercifolius Pohl
Família botânicaEuphorbiaceae
OrigemCaatinga do Brasil (endêmica)
Tamanho4 a 8 m de altura, até 10 m em condições ideais
CopaAberta, irregular e rala, 3 a 6 m de diâmetro
FolhagemCaducifólia, perde as folhas na seca
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa; só nos primeiros meses após plantio
SoloArenoso, pedregoso, bem drenado, pH 5,5 a 7,5
UsosForragem, óleo, recuperação de áreas degradadas, cerca viva defensiva
Longevidade40 a 80 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraBaixo
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

O que é a favela e por que o nome confunde

A favela que é árvore nada tem a ver com cidade. É a faveleira (Cnidoscolus quercifolius), da família Euphorbiaceae, mesma da mandioca e do pinhão-manso.

O nome popular vem do tupi e se espalhou pelo sertão muito antes de virar sinônimo de comunidade urbana. Depois da Guerra de Canudos (1896-1897), soldados voltaram ao Rio e chamaram o Morro da Providência de Morro da Favela por lembrar o Morro da Favela de Monte Santo, na Bahia, coberto por essa árvore espinhosa.

Na nossa avaliação, é uma das árvores mais subestimadas da Caatinga: feia na seca, exuberante na chuva e extremamente útil para quem vive no semiárido.

Como reconhecer a faveleira sem erro

O tronco é o melhor cartão de visita. Cinza-claro, com espinhos cônicos e acúleos que ficam mais ralos quando a árvore envelhece, além de pelos urticantes que causam queimadura.

As folhas são grandes, de 10 a 20 cm, com 3 a 5 lobos profundos lembrando folha de carvalho — daí o nome quercifolius. São verde-escuras, ásperas e cobertas por tricomas urticantes com histamina. Na seca, caem todas.

Flores pequenas, brancas e cerosas, em cimeiras no fim dos ramos. Frutos são cápsulas trilobadas de 2 a 3 cm, que estouram quando secas e lançam 3 sementes manchadas, parecidas com sementes de mamona, com cerca de 1,5 cm.

  • Teste rápido: se a planta tem leite branco ao cortar, espinhos no tronco e queima ao tocar a folha, é favela.
  • Não confunda com mandioca-brava (Manihot) ou pinhão-bravo (Jatropha), que têm folhas menos recortadas e não têm espinhos no tronco.

Onde ela vive e por que aguenta seca extrema

É endêmica da Caatinga, do Maranhão e Piauí até Minas Gerais, em altitudes de 200 a 800 m. Ocorre em caatinga arbórea, carrasco e em afloramentos rochosos, sempre em sol pleno.

A estratégia é radical: na estação seca, de maio a setembro, perde 100% das folhas para não perder água. O tronco e os ramos suculentos armazenam água, e as raízes pivotantes buscam umidade profunda.

Suporta 8 a 10 meses sem chuva, temperaturas acima de 35 °C e solos rasos e pedregosos onde poucas árvores sobrevivem. Por isso é pioneira em áreas degradadas e muito usada em recuperação da Caatinga.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no terreno

Altura mais comum de 4 a 8 m, com exemplares antigos chegando a 10 m. Diâmetro do tronco de 20 a 35 cm, copa aberta e irregular de 3 a 6 m.

A copa é rala e decídua, então a sombra é leve e sazonal. No período chuvoso forma sombra filtrada; na seca, deixa o sol passar. Não espere sombra densa o ano todo.

Raízes são pivotantes e pouco agressivas na superfície, o que é bom para não quebrar calçada, mas não compensa o problema dos espinhos. O sistema radicular é profundo, ajuda a segurar solo e não compete tanto com plantas vizinhas.

Como plantar favela no Brasil: semente e época certa

A propagação é quase sempre por semente. Colha as cápsulas quando começam a rachar, antes da dispersão explosiva. Use luvas grossas.

As sementes têm dormência e óleo. Para quebrar a dormência, deixe de molho em água por 24 horas ou escarifique levemente a ponta. Semeie a 2 cm de profundidade em saquinhos com areia + terra vegetal bem drenada.

Melhor época de plantio no campo: início das chuvas, de novembro a fevereiro no Nordeste. Plante mudas com 30 a 40 cm, em covas de 40 x 40 cm, espaçamento de 5 x 5 m se for para forragem ou reflorestamento. Nos primeiros 3 a 4 meses, regue a cada 7 a 10 dias se não chover. Depois, a natureza cuida.

Estaquia funciona pouco. Enxertia não se usa. Em viveiros da Embrapa, a germinação fica entre 40% e 70% e as mudas vão a campo com 4 a 6 meses.

Como cuidar, podar e não se queimar

Depois de pegada, a favela quase não precisa de cuidados. Não adube em excesso; solo pobre é o que ela prefere. Se o solo for muito argiloso, melhore a drenagem com areia grossa.

A poda é defensiva e sanitária. Use luvas de couro, manga longa, óculos e podão longo. Os pelos urticantes causam dermatite que dura horas. Pode no fim da seca, antes da brotação, retirando ramos secos e malformados.

Nunca queime as folhas para dar aos animais. O correto é fenar ao sol por 48 a 72 horas ou triturar e deixar murchar: o ácido cianídrico e os pelos urticantes se degradam e a forragem fica segura. Verde e fresca, é tóxica.

Rega e solo em resumo

  • Rega: só na implantação. Planta adulta não tolera encharcamento.
  • Solo: arenoso ou pedregoso, bem drenado. Não vai bem em várzea ou terra roxa compactada.
  • Sol: precisa de sol pleno o dia todo. Sombra atrasa o crescimento e reduz floração.

Para que serve: forragem, óleo, madeira e restauração

O maior valor é como planta forrageira de emergência. Na seca, quando tudo seca, as folhas fenadas e as sementes são ricas em proteína (folhas com 18% a 24% de proteína bruta) e sustentam caprinos e ovinos.

As sementes têm 30% a 35% de óleo, já estudado para biodiesel e para alimentação animal após prensagem. O arilo é comestível depois de torrado, parecido com castanha, mas exige preparo.

A madeira é leve, macia e de baixa durabilidade, usada para caixotaria, lenha e carvão rápido. Não é madeira de lei. O uso mais inteligente hoje é recuperação de áreas degradadas e cercas vivas defensivas: ninguém atravessa uma fileira de faveleiras.

Ecologicamente, é crucial. Floresce de novembro a março e alimenta abelhas nativas como jandaíra (Melipona subnitida) e uruçu, além de pássaros que comem as sementes.

Riscos, pragas e por que passa longe da calçada

O risco principal é humano. Toda a planta tem tricomas urticantes que injetam histamina e formigamento forte. Crianças, pets e quem roça sem proteção sofrem queimaduras. Os espinhos do tronco furam pneus e machucam.

As folhas e sementes cruas contêm glicosídeos cianogênicos. Se ingeridas verdes em quantidade, causam intoxicação em humanos e animais. Secas ou cozidas, o risco cai drasticamente.

Pragas são poucas, justamente pela defesa química. Pode aparecer cochonilha, ácaros e lagartas desfolhadoras no período chuvoso, mas raramente matam a planta. O maior problema é podridão de raiz por encharcamento em solo mal drenado.

Por tudo isso, não plante em calçada, praça com playground, quintal pequeno ou perto de passagem. É árvore para sítio, fazenda, área de Caatinga e projetos de restauração, com espaço e manejo.

Curiosidades que pouca gente sabe

A favela tem dispersão balística: a cápsula seca explode e arremessa sementes a até 5 metros. É assim que coloniza clareiras.

Durante a seca, a árvore pode ficar meses só com tronco e espinhos, parecendo morta, e brotar em 7 a 10 dias após a primeira chuva forte. Essa resiliência fez dela símbolo de resistência no sertão.

Perguntas frequentes

Favela é a mesma árvore que deu nome à favela urbana?

Sim. O Morro da Favela em Monte Santo (BA), coberto por Cnidoscolus quercifolius, deu nome ao Morro da Providência no Rio após a Guerra de Canudos, e o termo se popularizou.

Pode plantar favela na calçada?

Não é recomendado. Tem espinhos no tronco e pelos urticantes que queimam a pele, além de sombra rala e caducifólia.

A favela é tóxica?

Folhas e sementes cruas contêm glicosídeos cianogênicos e pelos com histamina. Secas ao sol por 2 a 3 dias ou torradas, perdem a toxicidade para uso como forragem.

Como acabar com a queimadura da faveleira?

Lave com água fria e sabão neutro, não coce e use compressa fria. Se houver inchaço forte ou alergia, procure atendimento médico.

Quanto tempo leva para dar sementes?

Em campo, começa a frutificar com 3 a 5 anos, com pico de produção na estação chuvosa, de dezembro a abril.

Precisa regar muito?

Não. Depois dos primeiros meses, só precisa de chuva. Solo encharcado apodrece a raiz.

Atrai abelhas?

Sim, as flores brancas são muito visitadas por abelhas nativas sem ferrão, como jandaíra e uruçu, na Caatinga.

Você sabia?

1

O nome da favela urbana vem da árvore

O Morro da Favela em Monte Santo (BA), coberto por Cnidoscolus quercifolius, deu nome ao Morro da Providência no Rio após Canudos, originando o termo favela para comunidade.

2

Semente que explode

O fruto seco estoura com estalo audível e lança as três sementes a metros de distância, uma dispersão balística que ajuda a colonizar solos pedregosos.

3

Queima química de verdade

Os pelos urticantes não são só espinhos: têm glândulas que liberam histamina e outros irritantes, causando dor e coceira por horas, parecido com urtiga.

4

Castanha do sertão

Depois de torrada e sem a casca, a semente tem até 35% de óleo e já foi estudada pela Embrapa como fonte de biodiesel e alimento, mas crua é tóxica pelo ácido cianídrico.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas e Embrapa Semiárido
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Favela

Prós

  • Extremamente resistente à seca, vive 8 a 10 meses sem chuva
  • Ótima para forragem de emergência e recuperação de áreas degradadas
  • Exige pouca água, adubo e manutenção após pegamento
  • Atrai abelhas nativas e aves, com valor ecológico alto
  • Raízes pouco agressivas e boa para solo pedregoso

Contras

  • Tronco com espinhos e folhas com pelos urticantes que queimam
  • Folhas e sementes cruas são tóxicas se ingeridas
  • Sombra rala e caducifólia, perde folhas na seca
  • Não tolera solo encharcado, sombra ou geada
  • Crescimento lento a moderado e pouco ornamental para cidade
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a favela é uma árvore utilitária brilhante para o semiárido e péssima para cidade. Se você busca sombra densa e ornamental, passe longe; se busca resiliência, forragem e restauração da Caatinga, poucas nativas entregam tanto com tão pouca água.

Continue explorando: Árvores

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.