Resumo
- Mergulhão é a ave aquática da família Podicipedidae, famosa por mergulhar por até 30 segundos e nadar com o corpo quase submerso.
- No Brasil as espécies mais comuns são o mergulhão-pequeno (Tachybaptus dominicus) e o mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps), de 21 a 38 cm e plumagem acinzentada.
- Vive em lagoas e brejos com vegetação, faz ninho flutuante, come pequenos peixes e insetos aquáticos e carrega os filhotes listrados nas costas.
Características
Ficha da espécie
| Família | Podicipedidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Cosmopolita; no Brasil de Norte a Sul, mais comum no Centro-Sul e Sudeste |
| Habitat | Lagoas, açudes, represas, brejos e banhados com vegetação aquática |
| Tamanho (comprimento) | 21 a 38 cm (mergulhão-pequeno 21-27 cm; mergulhão-caçador 31-38 cm) |
| Envergadura | 35 a 60 cm |
| Peso | 120 a 550 g |
| Cores | cinzapretobrancocastanhobege |
| Expectativa de vida | 5 a 10 anos na natureza |
| Alimentação | Pequenos peixes, insetos aquáticos, larvas, crustáceos e girinos |
| Canto | Trinados agudos, cacarejos e risada anasalada; mais vocal ao entardecer |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho flutuante de vegetação; 3 a 6 ovos branco-azulados que mancham de marrom |
| Comportamento social | Solitário ou em casal; discreto, mergulha ao menor sinal de perigo |
| Variedades ou subespécies | 22 espécies no mundo; no Brasil 2 residentes principais + 1 migrante raro (Podiceps major) |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Baixo |
|---|---|
| Intensidade do canto | Baixo |
| Inteligência | Médio |
| Facilidade de criação | Muito baixo |
| Necessidade de espaço | Muito alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
O que é o mergulhão e como reconhecê-lo na água
O mergulhão é uma ave aquática mergulhadora, não um pato nem uma marreca. Pertence à família Podicipedidae, com cerca de 22 espécies no mundo.
O jeito mais fácil de identificar é pelo comportamento: ele afunda o corpo na água e some em um mergulho rápido, sem levantar voo. Nada com o corpo baixo, só cabeça e dorso aparecendo.
Diferente dos patos, tem dedos lobados, não membrana. Cada dedo tem lóbulos laterais que funcionam como nadadeiras. As pernas ficam muito atrás do corpo, ótimas para propulsão submersa e péssimas para andar em terra.
Tamanho, cores e detalhes que diferenciam as espécies brasileiras
No Brasil, dois mergulhões são realmente comuns. O mergulhão-pequeno (Tachybaptus dominicus) é o menor das Américas, com 21 a 27 cm e cerca de 120 a 180 g. Cabe na mão.
O mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps) é maior, com 31 a 38 cm e 350 a 550 g, bico grosso e claro com anel preto vertical na época reprodutiva. É o que a maioria das pessoas vê em represas urbanas.
A plumagem é discreta: cinza-acastanhada no dorso, garganta e peito mais claros, olhos amarelados. Não há dimorfismo gritante, mas na reprodução o mergulhão-caçador fica com garganta preta e o pequeno ganha tons castanhos na lateral da cabeça.
Um detalhe que entrega o grupo: cauda quase inexistente e bico reto e pontudo. Quando voa, o que é raro de ver, mostra asas curtas e batimento rápido.
| Espécie no Brasil | Nome científico | Tamanho médio | Traço distintivo |
|---|---|---|---|
| Mergulhão-pequeno | Tachybaptus dominicus | 23 cm | Menor, bico fino e escuro, olhos amarelos |
| Mergulhão-caçador | Podilymbus podiceps | 34 cm | Bico grosso com anel preto, cabeça grande |
| Mergulhão-grande (raro) | Podiceps major | 55 cm | Maior, pescoço longo castanho, ocorre no Sul |
Onde vive o mergulhão no Brasil e no mundo
Mergulhões ocupam quase todos os continentes, sempre ligados a água doce parada ou de pouca correnteza. Preferem lagoas com aguapés, juncos e taboas, onde podem se esconder.
No Brasil está presente de Roraima ao Rio Grande do Sul, mas é mais fácil de encontrar no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, em represas, açudes de fazenda, parques urbanos e banhados. Evita rios de corredeira e mar aberto.
É uma ave extremamente aquática. Sai da água só para o ninho. Se precisar fugir, prefere mergulhar a voar. Por isso muita gente nunca nota que há mergulhões na lagoa do bairro.
O que o mergulhão come e como caça mergulhando
A dieta é carnívora de presas pequenas. Base de peixinhos, girinos, insetos aquáticos, larvas de libélula, besouros d’água e pequenos crustáceos. Ocasionalmente algas e sementes presas às presas.
A caça é por mergulho ativo. Ele inspira, comprime as penas para reduzir o ar e desce com forte impulso das pernas. Fica submerso 10 a 30 segundos e pode ir a 2 a 4 metros de profundidade em lagoas rasas.
Um comportamento único: mergulhões ingerem as próprias penas. Formam uma bolota no estômago que retém espinhas e partes duras dos peixes, protegendo o intestino. Depois regurgitam pelotas. Filhotes já recebem penugem dos pais nos primeiros dias.
Comportamento, canto e vida social: por que é tão discreto
Mergulhão é solitário ou em casal. Não forma bandos grandes como patos. Cada casal defende um território pequeno na lagoa e se comunica por vocalizações curtas.
O canto não é melodia. É um trinado agudo, cacarejo ou risada anasalada repetida, mais comum ao amanhecer e entardecer. O mergulhão-caçador tem chamado que lembra um “kow-kow-kow” acelerado. Muita gente confunde com rã.
Quando se sente ameaçado, afunda lentamente até só os olhos ficarem fora d’água ou mergulha e reaparece longe, entre a vegetação. Raramente levanta voo; precisa correr sobre a água para decolar.
Na nossa avaliação, é uma das aves aquáticas mais subestimadas para observação: exige paciência, mas recompensa com cenas de cuidado parental raras entre aves brasileiras.
Reprodução, ninho flutuante e cuidado com os filhotes
A reprodução no Brasil ocorre principalmente entre agosto e janeiro, após as chuvas, quando a vegetação aquática cresce. O casal faz display sincronizado com mergulhos lado a lado e oferta de material vegetal.
O ninho é uma plataforma flutuante de plantas aquáticas em decomposição, ancorada em juncos ou aguapés. A matéria em fermentação gera calor e ajuda na incubação. Quando sai do ninho, o adulto cobre os ovos com vegetação para esconder e manter a temperatura.
A postura é de 3 a 6 ovos branco-azulados que logo ficam manchados de marrom pela vegetação úmida. Incubação de 21 a 27 dias, revezada pelo casal.
Os filhotes nascem listrados de preto e branco, nidífugos e já nadam, mas sobem nas costas dos pais para se aquecer e se proteger. É comum ver um adulto nadando com dois filhotes nas costas enquanto o outro mergulha para buscar alimento.
Mergulhão pode ser criado em casa? Legalidade e por que não é pet
Não. Mergulhão é ave silvestre nativa e sua captura, manutenção ou venda sem autorização é crime ambiental no Brasil (Lei 9.605/98). A criação legal exige autorização do IBAMA e órgãos estaduais, concedida apenas para fins científicos, de conservação ou criadouros autorizados.
Além da questão legal, ele não se adapta a gaiola ou viveiro seco. Precisa de espelho d’água com vegetação, dieta viva e espaço para mergulhar. Em cativeiro improvisado adoece rápido por estresse, hipotermia e problemas nas pernas.
Se encontrar um filhote ou ninho, não toque. Observe à distância. Filhotes nas costas dos pais não estão abandonados. Em caso de ave ferida, acione o órgão ambiental local ou CETAS.
Conservação e principais ameaças no Brasil
As duas espécies residentes são classificadas como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas populações locais sofrem pressão. A maior ameaça é a perda de banhados e lagoas por drenagem, aterro e expansão urbana.
Outros riscos são poluição por agrotóxicos, redes de pesca onde se afogam, predação por espécies introduzidas como tilápia e traíra em excesso, e perturbação de ninhos por barcos e visitação descontrolada.
Um caso extremo é o mergulhão-de-atitlan (Podilymbus gigas), da Guatemala, extinto em 1989 após introdução de peixes predadores e queda do nível do lago. É um alerta do quanto mergulhões dependem de lagos equilibrados.
Proteger vegetação aquática nativa e manter faixas de junco nas margens já ajuda muito. Para quem observa aves, manter distância de 20 metros do ninho flutuante evita abandono.
Como observar mergulhões sem espantar
Procure em manhãs calmas, com binóculo, varrendo as bordas com aguapés. Fique parado e espere: ele reaparece após mergulhar no mesmo setor.
Evite playback de canto perto de ninhos. Se a ave começar a afundar o corpo ou nadar rapidamente para a vegetação, você está perto demais.
Registrar data, local e comportamento em plataformas como WikiAves ajuda no monitoramento da espécie, que é pouco censada justamente por ser discreta.
Perguntas frequentes
Mergulhão é pato?
Não. É da família Podicipedidae, com dedos lobados e pernas muito recuadas. Patos são Anatidae, com membrana entre os dedos e bico achatado.
Onde encontrar mergulhão no Brasil?
Em lagoas, açudes, represas e brejos com vegetação aquática, do Norte ao Sul, mais fácil no Sudeste e Sul em parques urbanos com espelho d'água.
O que o mergulhão come?
Principalmente peixinhos, girinos, insetos aquáticos e larvas, capturados em mergulhos de 10 a 30 segundos.
Mergulhão canta?
Sim, mas o canto é um trinado agudo, cacarejo ou risada anasalada, mais ouvido ao amanhecer e entardecer na época reprodutiva.
Pode ter mergulhão em casa?
Não como pet. É ave silvestre protegida por lei; manter sem autorização do IBAMA é crime e ele não se adapta a gaiola.
Quanto tempo o mergulhão fica embaixo d'água?
Em geral 10 a 30 segundos, podendo chegar a quase um minuto em mergulhos mais profundos.
Qual a diferença entre mergulhão-pequeno e mergulhão-caçador?
O pequeno (Tachybaptus dominicus) tem 21-27 cm e bico fino; o caçador (Podilymbus podiceps) tem 31-38 cm e bico grosso com anel preto na reprodução.
Fatos surpreendentes sobre o mergulhão
Come penas de propósito
Adultos e filhotes ingerem penas para formar um filtro no estômago que retém espinhas de peixe e parasitas. É um dos poucos grupos de aves com esse hábito regular.
Filhotes pegam carona nas costas
Listrados como zebrinhas, os filhotes sobem nas costas dos pais e se abrigam sob as asas. Os pais chegam a mergulhar com eles em cima para fugir de predadores.
Quase não anda
As pernas ficam tão atrás do corpo que em terra o mergulhão se arrasta desajeitado. Por isso passa 98% da vida na água e só sai para o ninho flutuante.
Ovo que muda de cor
O ovo nasce branco-azulado, mas em horas fica marrom-manchado pela vegetação úmida do ninho em decomposição, o que o camufla perfeitamente.









