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Pombo-olho-de-boi

Patagioenas corensis

Atualizado em

32 a 37 cmTamanho
250 a 320 gPeso
8 a 12 anosExpectativa de vida
Grave e rítmicoCanto
Caatinga e restinga litorâneaHabitat
Pombo-olho-de-boi empoleirado em galho seco na caatinga mostrando o anel vermelho ao redor do olho

O pombo-olho-de-boi (Patagioenas corensis) é uma pomba nativa do norte da América do Sul reconhecida na hora pelo anel de pele nua vermelho-alaranjado ao redor dos olhos, que lhe deu o nome popular. De porte médio e plumagem em tons de marrom-claro e cinza-azulado com reflexos rosados no peito, vive em bandos barulhentos em áreas secas e litorâneas.

No Brasil sua ocorrência é restrita ao extremo nordeste, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte, em caatingas arbóreas, restingas e manguezais. Fora do período reprodutivo é gregário e de voo rápido e direto, e se destaca pelo arrulho grave e repetido que entrega sua presença mesmo sem vê-lo.

Também conhecido como: pomba-olho-de-boi, pombo-galego-de-olho-nu, Bare-eyed Pigeon (inglês), Paloma de ojos desnudos (espanhol)

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Galeria de fotos de Pombo-olho-de-boi

Pombo-olho-de-boi empoleirado em galho seco na caatinga mostrando o anel vermelho ao redor do olho
Pombo-olho-de-boi adulto com o característico anel orbital nu vermelho-alaranjado.
Close da cabeça do pombo-olho-de-boi destacando o anel orbital e o bico
Detalhe da cabeça: íris clara e anel de pele nua que dá nome à espécie.
Pombo-olho-de-boi em voo sobre a restinga litorânea
Voo direto e forte, típico da espécie ao se deslocar em bando.
Pombo-olho-de-boi em seu habitat natural de manguezal e restinga no Nordeste
Habitat litorâneo: restinga e manguezal no Nordeste do Brasil.
Pombo-olho-de-boi se alimentando de sementes no chão da caatinga
Alimentação granívora e frugívora, no chão e na copa.
Ninho frágil de gravetos do pombo-olho-de-boi com um ovo branco
Ninho ralo de gravetos com postura típica de um único ovo branco.

Perfil rápido de Pombo-olho-de-boi

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global estável com distribuição ampla no norte da América do Sul.

População
estável
Protegido por
Lei de Proteção à Fauna - captura e comércio proibidos sem autorização

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos; vive em bandos fora da cria e em casais monogâmicos na reprodução; dorme em árvores altas em grupo

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal com corte por arrulhos e voos de exibição
Estrutura social
Casal isolado na cria; bandos de 10 a 30 indivíduos fora da cria
Padrão sazonal
Sazonal, ligado às chuvas; pico entre fevereiro e agosto no Nordeste
Tipo de nascimento
Ovíparo com 1 ovo branco por postura
Ninhada
1 filhote; incubação 14 a 16 dias; saída do ninho com 20 a 25 dias; alimentado com leite de papo

Habitat

Ambientes

  • caatinga arbórea
  • mata seca
  • restinga
  • manguezal
  • áreas urbanas litorâneas

Biomas

  • Caatinga
  • Mata Atlântica (restinga e manguezal)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • sementes
  • frutos carnosos

Outros alimentos

  • brotos
  • flores
  • coquinhos de palmeiras

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Aruba
  • Curaçao
  • Bonaire

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Columbiformes
Família
Columbidae
Gênero
Patagioenas
Espécie
Patagioenas corensis

Resumo

  • O pombo-olho-de-boi é uma pomba de 32 a 37 cm com anel orbital nu vermelho-alaranjado, peito rosado e dorso marrom-claro acinzentado.
  • Vive no norte da América do Sul e, no Brasil, no litoral do Nordeste em caatinga, restinga e manguezal, formando bandos fora da época de cria.
  • Faz ninho frágil de gravetos com apenas 1 ovo branco, alimenta-se de sementes e frutos e tem canto grave em sequência rítmica.

Características

Ficha da espécie

FamíliaColumbidae
Origem e distribuiçãoNorte da América do Sul: Colômbia, Venezuela, Aruba, Curaçao, Bonaire e extremo nordeste do Brasil (CE, RN)
HabitatCaatinga arbórea, mata seca, restinga, manguezal e áreas urbanas litorâneas
Tamanho (comprimento)32 a 37 cm
Envergadura52 a 60 cm
Peso250 a 320 g
Coresmarrom-clarocinza-azuladorosadobrancovermelho-alaranjado (anel orbital)
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoGranívora e frugívora
CantoArrulho grave em série "rroo-coo-coo"
Reprodução (ninho e ovos)Ninho frágil de gravetos; 1 ovo branco
Comportamento socialGregário fora da reprodução; monogâmico na cria
Variedades ou subespéciesMonotípica, sem subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pombo-olho-de-boi: tamanho, cores e o anel orbital

O pombo-olho-de-boi mede 32 a 37 cm e pesa 250 a 320 g, um pouco menor que o pombo-doméstico, mas com silhueta mais esguia e cauda relativamente longa. O que realmente o distingue não é o tamanho e sim a cabeça.

Ao redor do olho escuro há um anel de pele nua vermelho-alaranjado bem largo, que parece um olho maior — daí o nome olho-de-boi. A íris é clara, amarelada, o que aumenta o contraste. Nenhum outro Patagioenas do Brasil tem esse anel tão extenso e colorido.

A plumagem é discreta à distância, mas rica nos detalhes. Cabeça e peito são rosado-acanelados, nuca com brilho vináceo, dorso marrom-claro acinzentado e asas com bordas mais claras. Bico escuro com base avermelhada e pernas vermelho-arroxeadas completam o conjunto. Jovens são mais opacos, sem brilho na nuca e com anel orbital menor e pálido.

Onde vive: distribuição e habitat no Brasil

A espécie ocorre no norte da Colômbia e Venezuela e nas ilhas de Aruba, Curaçao e Bonaire, chegando ao Brasil de forma pontual. Aqui, os registros consistentes estão no litoral do Ceará e Rio Grande do Norte, com ocorrências mais esparsas no litoral do Maranhão e Piauí.

É ave de clima quente e seco. Prefere caatinga arbórea, matas secas, carnaubais, restingas e bordas de manguezal. Tolera bem áreas alteradas, como plantações de caju, coqueirais e periferias urbanas litorâneas, desde que haja árvores para pouso e frutificação.

Diferente de pombas florestais, evita mata fechada e úmida. É comum vê-lo pousado em galhos expostos ou em fios e postes ao amanhecer. Fora da reprodução forma bandos de 10 a 30 indivíduos, às vezes maiores perto de fontes de alimento.

O que come e como se alimenta

É essencialmente granívoro e frugívoro. A base são sementes de gramíneas e de leguminosas da caatinga, frutos de cactáceas, de juazeiro, de mangue e coquinhos de palmeiras. Broto e flores entram na dieta na estação seca, quando os frutos escasseiam.

Alimenta-se tanto no chão quanto na copa. No solo, caminha com passos curtos e rápidos, bicando sementes. Nas árvores, colhe frutos diretamente do ramo e engole inteiros, atuando como disseminador de sementes.

Em áreas litorâneas foi observado bebendo em poças salobras e forrageando em manguezais na maré baixa, comportamento incomum entre pombas do gênero. Visita comedouros improvisados e plantações, mas não depende de alimentação humana.

Comportamento e vida social

Fora da época de cria é claramente gregário. Os bandos mantêm contato vocal constante e voam de forma sincronizada, com batidas de asa fortes e voo direto, sem o zigue-zague de rolinhas pequenas.

Ao entardecer, reúne-se em árvores-dormitório, muitas vezes mangues e cajueiros altos. Pela manhã dispersa para se alimentar. É arisco com humanos, mas menos que outras pombas da caatinga, permitindo aproximação moderada em áreas urbanas.

Na defesa de território torna-se agressivo: machos perseguem intrusos em voo e dão golpes de asa no poleiro. Ainda assim, não é ave de briga prolongada; o conflito se resolve com exibição e canto.

Canto e vocalização: como identificar pelo som

O canto é a melhor pista para encontrá-lo. É um arrulho grave, rouco e rítmico, em sequência de três a cinco notas, algo como “rroo-coo-coo-coo”, com a primeira nota mais longa e as seguintes mais curtas.

O macho canta pousado no alto, estufando o peito e balançando a cabeça. A intensidade aumenta ao amanhecer e no fim da tarde, sobretudo no início da estação reprodutiva. Fêmeas também vocalizam, mas com frases mais curtas e suaves.

Além do canto territorial, emite um chamado de alarme áspero quando o bando levanta voo e um arrulho baixo de contato entre o casal no ninho. Não imita sons e não tem canto melodioso — a identificação é pelo ritmo grave e repetido.

Reprodução, ninho e filhotes

Forma casais monogâmicos durante a estação reprodutiva, que no Nordeste coincide com o período chuvoso e a maior oferta de frutos, geralmente entre fevereiro e agosto. A corte envolve arrulhos, reverências e voos curtos do macho ao redor da fêmea.

O ninho é surpreendentemente frágil: uma plataforma rala de gravetos secos, quase transparente, construída em forquilha de árvore ou arbusto denso, de 2 a 8 metros de altura. Às vezes reaproveita ninhos antigos.

A postura é de apenas 1 ovo branco, raramente 2 — traço incomum entre pombas brasileiras, que costumam pôr 2. A incubação dura cerca de 14 a 16 dias, com revezamento do casal. O filhote nasce coberto de penugem amarelada, é alimentado com leite de papo e deixa o ninho com 20 a 25 dias, já com o anel orbital começando a se formar.

É possível ter pombo-olho-de-boi em casa? Legalidade e cuidados

Não. O pombo-olho-de-boi é ave silvestre nativa protegida por lei. No Brasil, capturar, manter ou comercializar qualquer ave da fauna silvestre sem autorização do IBAMA e dos órgãos estaduais é crime ambiental (Lei 9.605/98).

Não existe criação comercial legalizada nem plantel autorizado para esta espécie como animal de estimação. Ela não é domesticada, exige voo amplo, dieta variada de frutos nativos e vida em bando, o que inviabiliza gaiola ou viveiro doméstico.

Quem deseja observar a espécie deve fazê-lo na natureza, com binóculo e sem alimentar ou perseguir. Para quem gosta de pombas em casa, as opções legais são espécies domésticas ou exóticas autorizadas, como pombo-doméstico e rolinha-diamante, sempre adquiridas com origem comprovada.

Estado de conservação e principais ameaças

Globalmente é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ter distribuição ampla e população estável. No Brasil, porém, a situação é mais delicada pela distribuição restrita e fragmentada no Nordeste.

As principais pressões são desmatamento da caatinga e da restinga para agricultura, carcinicultura e expansão urbana litorânea, além da caça eventual e da captura oportunista. A perda de árvores frutíferas nativas reduz locais de nidificação e alimento na seca.

Na nossa avaliação, o pombo-olho-de-boi é um bom indicador de caatinga litorânea bem conservada. Onde ele ainda forma bandos ruidosos ao amanhecer, o ecossistema mantém frutos, sementes e árvores-dormitório — quando ele some, é sinal de que o habitat já foi muito simplificado.

Perguntas frequentes

Pombo-olho-de-boi é o mesmo que pomba-galega?

Não. A pomba-galega é Patagioenas cayennensis, sem anel orbital nu. O olho-de-boi é Patagioenas corensis, com anel vermelho largo ao redor do olho.

Onde encontrar pombo-olho-de-boi no Brasil?

Principalmente no litoral do Ceará e Rio Grande do Norte, em caatinga arbórea, restinga e manguezal, pousado em árvores expostas ou fios ao amanhecer.

Como é o canto do pombo-olho-de-boi?

Um arrulho grave e rítmico em série, tipo "rroo-coo-coo-coo", com a primeira nota mais longa, emitido do alto de árvores.

Quantos ovos o pombo-olho-de-boi põe?

Quase sempre apenas 1 ovo branco por ninho, em plataforma frágil de gravetos. Raramente 2.

Pode criar pombo-olho-de-boi em gaiola?

Não. É ave silvestre nativa protegida por lei; capturar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

O pombo-olho-de-boi está ameaçado de extinção?

Globalmente é Pouco Preocupante (LC) com população estável, mas no Brasil tem distribuição restrita e depende da conservação da caatinga litorânea.

Você sabia?

1

O nome vem do olho

O anel de pele nua ao redor do olho pode ter mais de 1 cm de largura e fica vermelho intenso na época de reprodução, parecendo um olho de boi visto de longe.

2

Põe um ovo só

Enquanto a maioria das pombas põe 2 ovos, o pombo-olho-de-boi quase sempre põe apenas 1 ovo branco por ninho, estratégia ligada a ambientes secos com alimento imprevisível.

3

Ave das ilhas ABC

É uma das poucas pombas continentais que também vive em ilhas oceânicas áridas como Aruba, Curaçao e Bonaire, onde é comum em áreas urbanas e portos.

4

Bebe água salobra

Em manguezais e restingas foi registrado bebendo em poças salobras e forrageando na maré baixa, tolerância rara entre pombas do interior.

Fontes

  1. IUCN Red List - Patagioenas corensis
  2. WikiAves - Pombo-olho-de-boi
  3. BirdLife International
  4. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Pombo-olho-de-boi

Prós

  • Anel orbital vermelho torna identificação fácil mesmo à distância
  • Canto grave característico ajuda a encontrar sem ver
  • Tolerante a áreas litorâneas alteradas quando há árvores
  • Bom dispersor de sementes de frutos nativos
  • Voo forte e observação interessante em bandos

Contras

  • Distribuição restrita no Brasil, difícil de ver fora do Nordeste
  • Ninho muito frágil e postura de apenas 1 ovo, sensível a perturbações
  • Arisco, não se aproxima muito de humanos
  • Não é ave de criação legal ou doméstica
  • Dependente de caatinga e restinga conservadas, vulnerável ao desmatamento
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pombo-olho-de-boi vale mais como experiência de observação na caatinga litorânea do que como ave de lista: o anel orbital e o canto grave o tornam inconfundível mesmo para iniciantes. É uma espécie que mostra como o litoral nordestino ainda guarda aves únicas, mas que depende de restinga e mangue preservados para continuar comum.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.