🦜 Aves e Pássaros

Pardal-doméstico

Passer domesticus

Atualizado em

14 a 16 cmTamanho
24 a 32 gPeso
3 a 6 anosExpectativa de vida
Chilreio repetitivo e ásperoCanto
Áreas urbanas e agrícolasHabitat
Pardal-doméstico macho pousado em telha mostrando coroa cinza e babador preto

O pardal-doméstico é a ave mais familiar do brasileiro: pequeno, barulhento e presente em praticamente toda rua, praça e telhado do país. Originário do Oriente Médio, acompanhou a expansão humana e hoje é uma das aves de distribuição mais ampla do mundo.

Apesar de tão comum, ele é frequentemente confundido com outras espécies nativas e tem uma biologia surpreendente, com ninhos em cavidades urbanas, até quatro ninhadas por ano e um declínio acentuado nas grandes cidades europeias que não se repete no Brasil.

Também conhecido como: Pardal, Pardal-comum, Pardal-doméstico, House Sparrow (inglês), Gorrión común (espanhol), Moineau domestique (francês)

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Galeria de fotos de Pardal-doméstico

Pardal-doméstico macho pousado em telha mostrando coroa cinza e babador preto
Macho adulto de pardal-doméstico com plumagem típica e babador preto bem marcado.
Close-up da cabeça do pardal-doméstico macho
Detalhe da cabeça do macho: bico cônico e babador que indica dominância.
Fêmea de pardal-doméstico pousada em fio
Fêmea de pardal-doméstico, bem mais discreta que o macho, sem o babador preto.
Pardal-doméstico em voo com asas abertas
Voo rápido e ondulado do pardal-doméstico, típico em deslocamentos curtos.
Bando de pardais-domésticos se alimentando no chão
Bando se alimentando no chão, comportamento gregário característico da espécie.
Ninho de pardal-doméstico em cavidade de telhado com ovos
Ninho volumoso em cavidade urbana com ovos manchados.

Perfil rápido de Pardal-doméstico

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global muito grande e amplamente distribuída, apesar de declínio em parte da Europa.

População
Em declínio na Europa, estável no Brasil
Protegido por
Não possui proteção especial no Brasil por ser espécie exótica; protegido por leis contra captura de fauna silvestre

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
3 a 6 anos em média; mortalidade alta no primeiro ano
Em cativeiro
Até 13 anos em condições controladas (não recomendado criar)

Reprodução

Sistema
Monogâmico social, com pares duradouros e cópulas extrapar ocasionais
Tipo de ninho
Cavidade fechada e desorganizada com capim, penas e materiais urbanos
Ovos por postura
3 a 5 ovos branco-acinzentados com manchas marrons
Incubação
11 a 14 dias, por ambos os pais
Filhotes no ninho
14 a 17 dias até deixarem o ninho
Ninhadas por ano
2 a 4 no Brasil, de agosto a março

Habitat

Ambientes

  • Centros urbanos e bairros residenciais
  • Áreas agrícolas e galpões rurais
  • Parques, praças e jardins
  • Telhados, forros e cavidades de construções

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal
  • Amazônia (áreas urbanas)
  • Áreas antropizadas em todos os biomas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas
  • Grãos (arroz, trigo, milho)

Outros alimentos

  • Insetos e larvas (essencial para filhotes)
  • Restos de alimentos humanos
  • Brotos e pequenos frutos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Argentina
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • Alemanha
  • Austrália
  • África do Sul
  • Índia

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não recomendado; ave silvestre gregária que estressa em gaiola e não tem canto melódico
Legalidade no Brasil
Proibida a captura e manutenção sem autorização; espécie silvestre exótica, não consta na lista de aves domésticas do IBAMA
Nível de cuidado
Alto se mantido ilegalmente; precisa de bando, espaço e dieta com insetos para filhotes
O que fazer se encontrar filhote
Tentar recolocar no ninho ou deixar por perto; se ferido, encaminhar ao CETAS/órgão ambiental, não manter em casa

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Passeridae
Gênero
Passer
Espécie
Passer domesticus

Resumo

  • O pardal-doméstico é uma ave pequena de 14 a 16 cm, com forte dimorfismo sexual: macho tem babador preto e coroa cinza, fêmea é toda em tons de marrom-claro.
  • Vive exclusivamente associado ao ser humano em áreas urbanas e agrícolas, alimenta-se de sementes, grãos e restos de comida e se reproduz em cavidades de telhados e postes.
  • No Brasil sua criação em gaiola é proibida por ser ave silvestre exótica, e apesar de ser abundante aqui, sofre declínio populacional grave na Europa por falta de insetos e locais para nidificar.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPasseridae
Origem e distribuiçãoOriente Médio; hoje cosmopolita, presente em todos os continentes exceto Antártida
HabitatÁreas urbanas, suburbanas e agrícolas associadas ao ser humano
Tamanho (comprimento)14 a 16 cm
Envergadura19 a 25 cm
Peso24 a 32 g
Coresmarrompretocinzabrancobege
Expectativa de vida3 a 6 anos na natureza; até 13 anos em cativeiro
AlimentaçãoGranívora e onívora oportunista
CantoChilreios curtos e repetidos, sem canto melódico
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidade; 3 a 5 ovos brancos com manchas cinza/marrom; incubação 11 a 14 dias
Comportamento socialAltamente gregário, vive em bandos permanentes
Variedades ou subespécies12 subespécies reconhecidas; no Brasil ocorre P. d. domesticus

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoBaixo
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pardal-doméstico: macho, fêmea e filhote

O pardal-doméstico tem dimorfismo sexual evidente, o que facilita a identificação mesmo para iniciantes. O macho na plumagem reprodutiva é inconfundível: coroa cinza, nuca castanha, bochechas brancas e um babador preto que se estende do bico ao peito. As costas são marrons com listras pretas e as asas têm uma barra branca bem visível.

A fêmea e o jovem são muito mais discretos, em tons de marrom-claro e bege sem o preto do macho, com uma listra clara atrás do olho (supercílio). É exatamente por isso que muita gente acha que são espécies diferentes. O bico também muda: preto no verão e amarelado com ponta escura no inverno.

Com 14 a 16 cm e 24 a 32 g, é menor e mais atarracado que o tico-tico, com quem é mais confundido. O tico-tico tem topete listrado e peito riscado, enquanto o pardal tem peito liso e bico mais grosso e cônico. O voo é rápido, ondulado e baixo, em pequenos bandos barulhentos.

Onde vive e por que está em toda cidade do Brasil

O pardal-doméstico é o exemplo clássico de ave comensal do ser humano. Surgiu no Crescente Fértil há cerca de 10 mil anos, acompanhando os primeiros agricultores, e se espalhou pelo mundo levado intencionalmente ou em navios. Chegou ao Brasil no início do século XX, introduzido no Rio de Janeiro por volta de 1906.

Hoje ocorre em todo o território nacional, de capitais a vilarejos do interior, sempre onde há gente. É raro em matas fechadas e áreas sem ocupação humana. Prefere telhados, forros, postes, semáforos, toldos e cavidades de prédios para nidificar. Em áreas rurais, ocupa galpões e silos.

É uma espécie sedentária e extremamente fiel ao local: um bando raramente se desloca mais de 1 a 2 km durante toda a vida. Essa fidelidade explica por que coloniza quarteirões específicos e demora a ocupar áreas novas, mesmo próximas.

O que o pardal-doméstico come na cidade e no campo

É granívoro oportunista. Na natureza, a base são sementes de gramíneas e grãos cultivados como arroz, trigo e milho. Na cidade, adaptou-se a comer praticamente tudo: pão, farelo, restos de refeições, ração de cachorro e até batata frita.

Um detalhe crucial e pouco lembrado: filhotes precisam de insetos nos primeiros dias. Sem lagartas, pulgões e pequenos besouros, os filhotes não se desenvolvem bem, pois precisam de proteína animal. Na Europa, a falta de insetos por uso de pesticidas e urbanização é uma das causas do declínio da espécie.

Adultos também caçam insetos, sobretudo na primavera, e podem predar brotos e flores. Em praças, é comum vê-los no chão, aos pulos, ciscando em bando e disputando migalhas com pombos. Bebem água com frequência e tomam banhos de areia ou poeira para controlar parasitas das penas.

Comportamento e vida em bando: por que nunca anda sozinho

O pardal é intensamente gregário. Dorme, se alimenta, toma banho de poeira e se reproduz em colônias barulhentas. Essa vida social serve como defesa: mais olhos vigilantes contra predadores como gatos, gaviões e falcões.

Possui uma hierarquia social bem definida. Machos com babador preto maior e mais escuro são dominantes e têm prioridade no alimento e nos melhores locais de ninho. O tamanho do babador sinaliza saúde e idade, e fêmeas preferem machos com marca mais extensa.

É agressivo com outras aves pequenas na disputa por cavidades. Pode expulsar andorinhas, corruíras e até outras espécies de pardal de ninhos. No chão, a disputa por comida envolve muitos chilreios, bicadas e exibição do babador. Apesar disso, raramente se afasta do bando e emite chamados de alarme coletivos quando um predador se aproxima.

Canto e comunicação: o que significam os chilreios

O pardal não tem canto melódico. Sua vocalização é um chilreio áspero, repetitivo e monótono, tipo “tchiu-tchiu-tchiu” ou “chirrup”, emitido principalmente pelo macho empoleirado perto do ninho. A função é marcar território e atrair a fêmea, não encantar ouvidos humanos.

Além do chilreio territorial, há chamados específicos: um “tchew” curto para manter contato no bando, um trinado de alarme agudo quando há gato por perto e um chamado nasal de filhotes pedindo comida. Machos cantam mais no início da manhã, sobretudo na estação reprodutiva.

Diferente de canários e trinca-ferros, não aprende cantos elaborados nem imita sons. Sua capacidade de imitação é praticamente nula, o que o torna pouco interessante para criação como ave de canto.

Como diferenciar o som do pardal de outras aves urbanas

O chilreio do pardal é mais seco e repetitivo que o do tico-tico, que é melodioso e com assobios. A corruíra tem canto muito mais alto e variado, e o bico-de-lacre emite um piado fino e contínuo. Ouvir bandos chilreando ao entardecer em árvores ou fios é quase sempre pardal.

Reprodução, ninho e filhotes: até 4 ninhadas por ano

A reprodução no Brasil ocorre principalmente de agosto a março, com pico entre setembro e janeiro, mas em regiões quentes pode nidificar o ano todo se houver alimento. É monogâmico socialmente, com pares que duram várias estações, embora haja cópulas extrapar.

O ninho é desorganizado, volumoso e feito de capim seco, penas, barbantes, papel e até plástico, sempre dentro de uma cavidade: telha, forro, buraco em muro, luminária ou ninho abandonado de joão-de-barro. O macho escolhe a cavidade e chama a fêmea com chilreios insistentes.

A fêmea põe 3 a 5 ovos branco-acinzentados com manchas marrons, incubados por 11 a 14 dias por ambos os pais. Os filhotes nascem pelados e de olhos fechados, e ficam no ninho por 14 a 17 dias sendo alimentados pelos dois. Um casal pode fazer 2 a 4 ninhadas por temporada, o que explica sua rápida proliferação urbana.

Subespécie Região Traço distintivo
P. d. domesticus Europa e Brasil (introduzida) Coroa cinza, babador médio
P. d. indicus Ásia (Índia e Oriente Médio) Menor, coroa mais acinzentada
P. d. bactrianus Ásia Central Mais clara, adaptada a clima seco

É permitido criar pardal-doméstico em casa? O que diz a lei

Não. A criação do pardal-doméstico em gaiola é proibida no Brasil. Apesar de ser uma espécie exótica introduzida, ela é considerada ave silvestre pela legislação ambiental e sua captura, manutenção em cativeiro e comércio sem autorização são crime ambiental (Lei 9.605/98).

O IBAMA não autoriza a criação amadora ou comercial de pardal-doméstico, e ele não consta na lista de aves domésticas permitidas como calopsita, canário-belga e periquito-australiano. Não existe anilha ou criadouro legal para a espécie. Manter um filhote caído do ninho em casa, mesmo por boa intenção, exige entrega ao CETAS ou órgão ambiental estadual.

Na prática, o pardal também não se adapta bem à gaiola: é muito ativo, estressa-se facilmente, não canta bem e precisa de vida em bando. A melhor forma de ajudar é preservar cavidades para ninho, oferecer água e evitar o uso de venenos que matam os insetos dos filhotes. Se encontrar um filhote, tente devolvê-lo ao ninho ou deixe-o onde está se já estiver empenado, pois os pais continuam alimentando no chão.

Conservação: por que está sumindo na Europa mas não no Brasil

Globalmente o pardal é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por sua população enorme e distribuição vasta. No entanto, a tendência é de declínio acentuado em vários países europeus. No Reino Unido, a população caiu cerca de 60% desde os anos 1970, e em Londres a queda passou de 70%.

As causas apontadas são falta de insetos para filhotes, perda de cavidades em prédios modernos, poluição e aumento de predadores urbanos. Prédios com telhados selados e sem frestas eliminam locais de ninho, e a dieta pobre em insetos reduz o sucesso reprodutivo.

No Brasil, a situação é oposta: a população é estável e em expansão em áreas urbanas, beneficiada pela oferta constante de alimento e abrigo. Não é considerado ameaçado aqui, mas serve como bioindicador de qualidade urbana: onde há muitos pardais, há oferta de recursos; onde somem, pode haver excesso de poluição ou falta de áreas verdes.

Perguntas frequentes

Como diferenciar pardal-doméstico macho e fêmea?

O macho tem coroa cinza, nuca castanha e babador preto no peito; a fêmea é toda marrom-clara e bege, sem preto, com supercílio claro atrás do olho.

Pardal-doméstico pode ser criado em gaiola?

Não. É ave silvestre e sua captura e criação sem autorização são crime ambiental no Brasil. O IBAMA não autoriza criadouros para a espécie.

O que pardal-doméstico come?

Principalmente sementes e grãos, mas na cidade come restos de pão, farelo e ração. Filhotes precisam de insetos nos primeiros dias de vida.

Onde o pardal faz ninho?

Em cavidades protegidas: sob telhas, forros, buracos em muros, postes e luminárias. O ninho é volumoso, feito de capim, penas e até plástico.

Quanto tempo vive um pardal-doméstico?

Em média 3 a 6 anos na natureza, com alta mortalidade no primeiro ano. Em cativeiro pode chegar a 13 anos, mas não é recomendado mantê-lo preso.

Por que o pardal está desaparecendo em alguns países?

Na Europa, a população caiu mais de 60% em décadas por falta de insetos para filhotes, perda de locais para ninho em prédios modernos e poluição.

Pardal-doméstico é nativo do Brasil?

Não. É espécie exótica originária do Oriente Médio, introduzida no Brasil por volta de 1906 no Rio de Janeiro e hoje naturalizada em todo o país.

Você sabia?

1

O babador denuncia o chefe

O tamanho e a escuridão do babador preto do macho indicam dominância. Machos com babador maior têm acesso prioritário à comida e são preferidos pelas fêmeas, e o babador pode aumentar após vitórias em disputas.

2

Banho de poeira coletivo

Em vez de só tomar banho de água, pardais fazem banhos de areia ou poeira em grupo. O pó ajuda a remover óleo excessivo e parasitas das penas, e o comportamento é altamente social e contagioso no bando.

3

Introduzido para combater pragas e virou praga

Foi levado aos EUA em 1851 e ao Brasil em 1906 para controlar lagartas. Adaptou-se tão bem que passou a ser considerado praga agrícola em algumas regiões, atacando plantações de grãos.

4

Fidelidade extrema ao quarteirão

Estudos de anilhamento mostram que a maioria dos pardais passa a vida toda a menos de 2 km de onde nasceu. Mesmo com grande capacidade de voo, raramente exploram bairros vizinhos.

Fontes

  1. IUCN Red List - Passer domesticus
  2. WikiAves - Pardal
  3. BirdLife International
  4. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Pardal-doméstico

Prós

  • Extremamente adaptável e fácil de observar em qualquer cidade
  • Ajuda a controlar insetos na época de criação dos filhotes
  • Vida social fascinante para quem gosta de observação de aves
  • Não exige manejo humano, vive bem em ambiente urbano

Contras

  • Não pode ser criado legalmente em gaiola no Brasil
  • Canto simples e repetitivo, sem valor como ave de canto
  • Pode deslocar aves nativas na disputa por cavidades para ninho
  • Em grandes bandos pode causar danos a plantações de grãos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pardal-doméstico é a melhor porta de entrada para observar aves no Brasil justamente por estar em toda esquina, mas é subestimado por ser comum. Vale mais observá-lo livre no telhado, com seu comportamento social complexo, do que tentar prendê-lo: ele não é ave de gaiola, e sua graça está no bando.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.