Resumo
- O Mergulhão-pequeno é o menor Podicipedidae das Américas, com 21 a 27 cm, bico fino e olhos amarelo-vivo, encontrado em lagoas e brejos de todo o Brasil.
- Vive quase sempre na água, mergulha para caçar peixes, insetos aquáticos e girinos e constrói ninho flutuante ancorado na vegetação.
- Tem canto agudo e trinado, é pouco social fora da época reprodutiva e está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, embora dependa de áreas úmidas preservadas.
Características
Ficha da espécie
| Família | Podicipedidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Das Américas, do sul dos EUA e México até o norte da Argentina; presente em todo o Brasil |
| Habitat | Lagoas, brejos, represas, canais, manguezais e alagados com vegetação flutuante |
| Tamanho (comprimento) | 21 a 27 cm |
| Envergadura | 40 a 45 cm |
| Peso | 110 a 180 g |
| Cores | cinza-escuropretocastanhobrancoamarelo |
| Expectativa de vida | 5 a 7 anos na natureza |
| Alimentação | Peixes pequenos, insetos aquáticos, crustáceos, girinos e sementes |
| Canto | Sequência aguda de notas tipo "bee-bee-bee" ou trinado vibrante |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho flutuante de vegetação; 3 a 6 ovos branco-azulados que ficam amarronzados |
| Comportamento social | Solitário ou em pares; forma pequenos grupos familiares após a reprodução |
| Variedades ou subespécies | 5 subespécies, 2 no Brasil: T. d. brachypterus e T. d. brachyrhynchus |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Baixo |
|---|---|
| Intensidade do canto | Médio |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Muito baixo |
| Necessidade de espaço | Alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
Como identificar o Mergulhão-pequeno: tamanho, cores e marcas inconfundíveis
O Mergulhão-pequeno é o menor mergulhão do continente, com corpo compacto, pescoço curto e bico fino e pontiagudo, bem diferente do bico achatado dos patos.
Na época reprodutiva, o adulto exibe cabeça e pescoço cinza-escuro a preto, dorso cinza-ardósia e garganta preta com mancha castanha na lateral do pescoço. Fora dela, fica mais pardo e apagado, com garganta esbranquiçada.
Os olhos amarelo-limão são a melhor pista a curta distância. Filhotes têm listras pretas e brancas na cabeça e bico com ponta clara. Em voo, mostra mancha branca nas secundárias, mas raramente voa.
Medidas que ajudam na identificação
- Comprimento: 21 a 27 cm, do tamanho de um pardal grande.
- Peso: 110 a 180 g, mais leve que um pombo.
- Bico: fino, preto com base clara e olhos amarelos sem anel orbital vermelho.
- Pés: lobados, não palmados, posicionados bem atrás do corpo para mergulho.
Onde vive o Mergulhão-pequeno no Brasil e nas Américas
Ocorre de forma contínua do sul do Texas e México até o Panamá e por toda a América do Sul até o norte da Argentina e Uruguai. No Brasil está em todos os estados, do Amapá ao Rio Grande do Sul.
Prefere águas paradas ou de corrente lenta com vegetação flutuante: lagoas, brejos, açudes, represas, canais de irrigação e até lagos urbanos. Evita rios de corredeira e mar aberto.
É altamente adaptável e coloniza rapidamente novos açudes e tanques de piscicultura, desde que haja cobertura de aguapés e taboas para ancorar o ninho e se esconder.
O que o Mergulhão-pequeno come e como caça debaixo d’água
A dieta é predominantemente animal e capturada em mergulho. Mergulha com um salto curto para frente e nada com os pés lobados, usando as asas semiabertas para manobrar.
Um mergulho dura de 10 a 20 segundos e pode chegar a 2 metros de profundidade. Ele persegue a presa debaixo d’água em vez de esperar na superfície.
- Principal: peixes pequenos (lambaris, alevinos), larvas de libélula, besouros aquáticos e camarões de água doce.
- Outros: girinos, pequenos anfíbios, sementes e brotos de plantas aquáticas.
- Técnica: captura com o bico e engole ainda na água; filhotes recebem presas pequenas levadas no bico pelos pais.
Em locais com muitos aguapés, passa boa parte do dia mergulhando entre as raízes, o que o torna difícil de contar em censos.
Comportamento e canto: discreto, mas inconfundível
É uma ave solitária e arisca. Fora da reprodução vive sozinho ou em casal, e quando se sente ameaçado prefere afundar lentamente na água até só o bico ficar visível a voar.
Voa pouco e baixo, batendo as asas rapidamente. Para decolar precisa correr sobre a água, por isso só voa quando realmente necessário.
O canto é a melhor forma de detectá-lo. É um trinado agudo, vibrante e repetitivo, tipo “bii-bii-bii-bii”, emitido principalmente ao amanhecer e no entardecer na época reprodutiva. Lembra um riso metálico e carrega longe sobre a água.
Durante a corte, o casal faz duetos e exibições de sincronia na água, nadando lado a lado com o pescoço esticado e sacudindo a cabeça.
Reprodução, ninho flutuante e cuidado com os filhotes
Reproduz-se praticamente o ano todo no Brasil, com pico na estação chuvosa quando o nível da água sobe e há mais vegetação flutuante disponível.
O ninho é uma plataforma flutuante de talos e folhas de aguapé e taboa, ancorada na vegetação para não derivar. Fica quase ao nível da água e encharca facilmente.
A postura é de 3 a 6 ovos branco-azulados que logo ficam manchados de marrom pela vegetação úmida. O casal incuba por 21 a 25 dias, revezando-se e cobrindo os ovos com folhas ao sair para despistar predadores.
- Filhotes nidífugos: nascem cobertos de penugem listrada e já nadam em poucas horas.
- Transporte nas costas: nos primeiros dias, os filhotes sobem nas costas dos pais, até entre as asas, para se aquecer e se proteger.
- Alimentação: ambos os pais mergulham e trazem presas pequenas; a família permanece unida por 4 a 6 semanas.
Migração e deslocamentos: fica ou sai?
O Mergulhão-pequeno não é migrante de longa distância. É considerado residente na maior parte da distribuição, mas faz deslocamentos locais conforme o nível da água.
Em regiões com seca sazonal, como o Nordeste e o Pantanal, abandona lagoas temporárias que secam e se concentra em açudes permanentes. Quando as chuvas voltam, recoloniza rapidamente.
No extremo sul do Brasil e na Argentina, populações mais austrais podem se deslocar para o norte no inverno, mas sem rota migratória definida como a de aves limícolas.
Mergulhão-pequeno e Mergulhão-caçador: como não confundir
No Brasil ocorrem outros Podicipedidae e a confusão é comum. Veja as diferenças principais:
| Espécie | Tamanho | Bico e olho | Traço distintivo |
|---|---|---|---|
| Mergulhão-pequeno T. dominicus | 21-27 cm | Bico fino preto, olho amarelo-vivo | Menor de todos, sem topete |
| Mergulhão-caçador Podilymbus podiceps | 30-38 cm | Bico grosso com anel preto, olho escuro | Bico mais robusto, parece “pintado” |
| Mergulhão-grande Podicephorus major | 55-60 cm | Bico longo amarelado, olho vermelho | Bem maior, pescoço longo castanho |
Na dúvida, observe o tamanho e o bico: o Mergulhão-pequeno cabe na palma da mão em comparação e tem bico de agulha, enquanto o caçador tem bico de galinha-d’água.
É possível ter Mergulhão-pequeno em casa? Legalidade e cuidados
Não. O Mergulhão-pequeno é ave silvestre nativa protegida por lei. Sua captura, manutenção em cativeiro ou venda sem autorização do IBAMA é crime ambiental (Lei 9.605/98).
Além da questão legal, é uma espécie totalmente aquática e especializada em mergulho, que não se adapta a gaiolas ou viveiros secos. Precisa de espelho d’água com vegetação, dieta viva e espaço para mergulhar, condições impossíveis de replicar em casa.
A criação legal no Brasil se restringe a criadouros autorizados e não inclui mergulhões. Quem deseja observar a espécie deve fazê-lo na natureza, com binóculos e distância respeitosa.
Conservação e como observar sem atrapalhar
A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. É uma das aves aquáticas mais comuns em inventários de áreas úmidas.
As principais ameaças locais são drenagem de brejos, poluição por agrotóxicos, retirada de vegetação flutuante e predação por peixes exóticos como tilápias e tucunarés que competem por alimento.
Para observar: chegue cedo, mantenha distância, evite ruídos e não se aproxime do ninho flutuante. O uso de luneta ou binóculo 8×42 permite ver o olho amarelo e o comportamento de afundamento sem causar estresse. Registros em plataformas como WikiAves ajudam no monitoramento.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho do Mergulhão-pequeno?
De 21 a 27 cm de comprimento e 110 a 180 g, é o menor mergulhão das Américas, menor que um pombo.
Onde encontrar o Mergulhão-pequeno no Brasil?
Em lagoas, brejos, represas e canais com vegetação flutuante em todos os estados, inclusive em áreas urbanas com água parada.
O Mergulhão-pequeno canta? Como é o canto?
Sim. Um trinado agudo, metálico e repetitivo, tipo "bee-bee-bee", mais ouvido ao amanhecer na época reprodutiva.
Pode criar Mergulhão-pequeno em casa?
Não. É ave silvestre nativa protegida por lei; criar ou vender sem autorização do IBAMA é crime ambiental e a espécie não se adapta a gaiolas.
O que o Mergulhão-pequeno come?
Principalmente peixes pequenos, insetos aquáticos, larvas de libélula, crustáceos e girinos capturados em mergulhos de 10 a 20 segundos.
Qual a diferença entre Mergulhão-pequeno e Mergulhão-caçador?
O pequeno é menor (até 27 cm), tem bico fino e olho amarelo; o caçador é maior (30 a 38 cm), tem bico grosso com anel preto e olho escuro.
O Mergulhão-pequeno está ameaçado de extinção?
Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas depende da preservação de brejos e lagoas.
Você sabia?
Afunda sem mergulhar
Quando ameaçado, o Mergulhão-pequeno não mergulha de cabeça: ele controla a flutuabilidade e afunda verticalmente como um submarino, deixando só o bico fora d'água para respirar.
Ovos que mudam de cor
Os ovos nascem branco-azulados, mas em poucos dias ficam marrom-escuros por causa dos taninos da vegetação podre do ninho flutuante, o que funciona como camuflagem.
Filhotes de carona
Nos primeiros dias, os filhotes se escondem entre as penas das costas dos pais e são carregados até durante mergulhos curtos, com apenas a cabeça para fora.
Pés que não são de pato
Ao contrário dos patos, seus dedos não têm membrana completa: cada dedo tem lóbulos independentes que se abrem como remos na braçada e se fecham no retorno, mais eficiente para mergulho.









