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Tachã

Chauna torquata

Atualizado em

81 a 95 cmTamanho
3 a 4,5 kgPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Muito alto e estridenteCanto
Banhados e campos alagadosHabitat
Tachã de corpo inteiro em pé em banhado raso mostrando plumagem cinza e colar preto

O tachã (Chauna torquata) é uma ave grande e inconfundível dos banhados da América do Sul, da família Anhimidae. Com até 95 cm e grito que alcança 2 a 3 km, ele é mais ouvido do que visto em campos alagados do Pantanal, Pampa e sul do Brasil.

Apesar do parentesco com patos e gansos, não é um anatídeo típico: tem pernas longas, dedos sem membrana completa e dois esporões ósseos e afiados nas asas usados para defesa. Vive em casais fiéis e grupos familiares, alimenta-se quase só de plantas aquáticas e constrói ninhos flutuantes na vegetação densa.

Também conhecido como: tachã, chajá, chaja, southern screamer, chauna torquata

Faz parte de: Aves Aquáticas

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Galeria de fotos de Tachã

Tachã de corpo inteiro em pé em banhado raso mostrando plumagem cinza e colar preto
Tachã adulto em banhado, note o colar preto e as pernas avermelhadas.
Retrato em close da cabeça do tachã mostrando bico e colar
Detalhe da cabeça do tachã, sem chifre e com bochechas claras.
Tachã em voo sobre banhado com asas abertas
Tachã em voo com batidas lentas e pescoço esticado.
Tachã se alimentando de plantas aquáticas em água rasa
Tachã pastando brotos aquáticos, base da sua dieta herbívora.
Ninho flutuante do tachã com ovos claros entre juncos
Ninho flutuante do tachã ancorado na vegetação do brejo.
Casal de tachã com filhotes caminhando no banhado
Casal de tachã com filhotes precoces que já caminham após nascer.

Perfil rápido de Tachã

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, sem risco iminente de extinção.

População
estável
Protegido por
Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67) e Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98)

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Incubação e filhotesJFMAMJJASOND
Maior atividade vocalJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro autorizado
até 15 anos com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, casal fiel por várias estações
Estrutura social
Casal territorial isolado na cria; grupos familiares fora da estação
Padrão sazonal
Sazonal, de setembro a março no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo, filhotes precoces e nidífugos
Ninhada
2 a 6 ovos (média 3 a 4); incubação 43 a 46 dias; 1 ninhada por ano

Habitat

Ambientes

  • banhados e brejos permanentes
  • campos alagados e várzeas
  • margens de lagoas e açudes
  • arrozais e pastagens úmidas

Biomas

  • Pantanal
  • Pampa
  • Mata Atlântica
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • folhas e brotos de plantas aquáticas
  • sementes e talos de gramíneas de brejo

Outros alimentos

  • pequenos invertebrados aquáticos (ocasional)
  • insetos para filhotes

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Anseriformes
Família
Anhimidae
Gênero
Chauna
Espécie
Chauna torquata (Oken, 1816)

Resumo

  • O tachã é uma ave grande de 81 a 95 cm dos banhados do Centro-Sul da América do Sul, reconhecível pelo colar preto no pescoço e pelos esporões nas asas.
  • Vive em casais monogâmicos e grupos familiares em áreas alagadas, com canto extremamente alto que serve como alarme territorial e pode ser ouvido a quilômetros.
  • Alimenta-se de folhas e brotos aquáticos, faz ninho flutuante com 2 a 4 ovos e não é criado como ave de estimação, sendo sua captura na natureza crime ambiental no Brasil.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAnhimidae
Origem e distribuiçãoCentro-Sul da América do Sul: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai
HabitatBanhados, brejos, várzeas, lagoas e campos alagados
Tamanho (comprimento)81 a 95 cm
Envergadura150 a 180 cm
Peso3 a 4,5 kg
Corescinzabrancopretocinza-claro
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
AlimentaçãoHerbívora: folhas, brotos e sementes de plantas aquáticas
CantoGrito alto e áspero, audível a 2-3 km
Reprodução (ninho e ovos)Ninho flutuante na vegetação; 2 a 6 ovos, geralmente 3 a 4; incubação 43 a 46 dias
Comportamento socialMonogâmico, vive em casais ou grupos familiares de 4 a 10 aves
SubespéciesNenhuma reconhecida atualmente (monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o tachã: tamanho, cores e esporões

O tachã é impossível de confundir quando visto de perto. Mede 81 a 95 cm, pesa 3 a 4,5 kg e tem envergadura de 150 a 180 cm, maior que a maioria dos patos. O corpo é robusto, o pescoço é relativamente curto e as pernas são longas e avermelhadas, adaptadas para caminhar em brejo.

A plumagem é predominantemente cinza no dorso e nas asas, com barriga mais clara e colar preto em forma de anel na base do pescoço, que dá o nome científico torquata. A cabeça é cinza-clara com bochechas esbranquiçadas e um topete curto e arrepiado. O bico é cinza com ponta mais escura e curvado como o de galinha, não achatado como o de pato.

O detalhe mais singular são os dois esporões ósseos e afiados na dobra da asa, de até 4 a 5 cm. São usados em brigas territoriais e na defesa do ninho. O tachã pode golpear com as asas abertas e causar ferimentos sérios em predadores e até em outros tachãs. Não há dimorfismo sexual evidente: macho e fêmea são iguais a olho nu.

Onde vive e onde encontrar o tachã no Brasil

O tachã é típico de áreas úmidas abertas: banhados, brejos, campos inundáveis, margens de lagoas, arrozais e várzeas de rios de planície. Evita mata fechada e prefere locais com água rasa e vegetação aquática abundante, onde se alimenta e nidifica.

No Brasil ocorre com maior densidade no Pantanal, Pampa gaúcho, oeste do Paraná e Santa Catarina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Também aparece no Cerrado alagado e em partes da Mata Atlântica litorânea. Fora do país, está presente no leste da Bolívia, Paraguai, Uruguai e norte e centro da Argentina até a Patagônia norte.

É ave sedentária e territorial. Não faz migração longa, mas realiza deslocamentos curtos conforme o nível da água. Na seca pode se concentrar em lagoas permanentes; na cheia se espalha. É facilmente observado em duplas ou pequenos grupos pousados em campos alagados, muitas vezes ao lado de capivaras e marrecos.

O que o tachã come e como se alimenta

O tachã é essencialmente herbívoro, o que o diferencia de muitos Anseriformes. Cerca de 90% da dieta são folhas, talos, brotos, sementes e raízes de plantas aquáticas como aguapés, salvínia, gramíneas de brejo e arroz.

Alimenta-se pastando com a cabeça baixa, caminhando na água rasa ou em solo úmido. Usa o bico para cortar a vegetação e raramente mergulha. Diferente de patos, não filtra água e tem moela forte para triturar fibras vegetais.

Ocasionalmente consome pequenos invertebrados e insetos, sobretudo filhotes que precisam de proteína nas primeiras semanas. Adultos quase não predam animais. Em áreas agrícolas pode entrar em plantações de arroz, o que gera conflito com produtores, mas o impacto é localizado.

Canto alto e comportamento social: por que grita tanto

Se você ouviu um grito áspero e duplo que parece “tachã… tachã” a quilômetros de distância, era ele. O canto é extremamente alto, estridente e repetitivo, audível a 2 a 3 km em campo aberto. É emitido pelo casal em dueto, com macho e fêmea vocalizando juntos para marcar território.

O tachã é monogâmico e territorial. O casal permanece junto por anos e defende a mesma área de banhado com voos de exibição, gritos e golpes de asa. Qualquer intruso, de gavião a humano, é recebido com alarme coletivo. Por isso funciona como “sentinela do banhado”: outras aves se beneficiam do seu alerta.

Vive em casais isolados na reprodução e em grupos familiares de 4 a 10 aves fora dela, às vezes com juvenis do ano anterior. É diurno, passa muito tempo em descanso e alisando penas, e voa com batidas lentas e pesadas, pescoço esticado e pernas para trás. Apesar do peso, voa bem e plana em térmicas.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução ocorre na estação chuvosa, de setembro a março no Brasil, com pico de outubro a janeiro. O casal constrói um ninho grande e flutuante com juncos, capim e folhas, ancorado na vegetação densa dentro d’água, com cerca de 50 a 80 cm de diâmetro.

A postura é de 2 a 6 ovos, normalmente 3 a 4, de cor amarelada ou creme. A incubação dura 43 a 46 dias, uma das mais longas entre aves aquáticas sul-americanas, e é feita por ambos os pais. Os ovos são muito predados por carcarás e gambás, por isso o casal raramente se afasta.

Os filhotes são nidífugos e precoces: nascem cobertos de penugem amarelada com manchas escuras, já caminham e nadam em poucas horas, mas permanecem com os pais por 4 a 5 meses. Ambos os adultos defendem agressivamente a ninhada com gritos e ataques de esporão. A maturidade sexual vem com 2 anos.

O tachã voa e migra? Deslocamentos ao longo do ano

Sim, o tachã voa, embora prefira caminhar. O voo é potente porém pouco ágil, com decolagem corrida sobre a água. Usa o voo para fugir de perigo, trocar de banhado e fazer exibições territoriais em círculos altos com vocalização.

Não é migratório de longa distância. É considerado residente com movimentos locais ligados ao regime de cheias e secas. No Pantanal, por exemplo, acompanha o pulso de inundação: dispersa na cheia e se concentra em refúgios úmidos na seca.

Esses deslocamentos são curtos, de dezenas de quilômetros, e feitos em pequenos grupos familiares. Anilhamentos mostram alta fidelidade ao território: o mesmo casal pode ocupar o mesmo banhado por vários anos seguidos.

Tachã pode ser criado em casa? Legalidade

Não. O tachã é ave silvestre nativa protegida por lei. No Brasil, manter, capturar ou comercializar tachãs sem autorização do IBAMA e órgãos estaduais é crime ambiental (Lei 9.605/98). Não existe criação comercial legal como há para calopsita ou canário.

Além da questão legal, é totalmente inadequado como pet. Precisa de hectares de banhado, dieta de plantas aquáticas frescas, vive em casal barulhento e se torna agressivo com os esporões. Em cativeiro sem estrutura sofre estresse, problemas articulares e vocaliza excessivamente.

A observação deve ser feita na natureza, com binóculo e distância. Em centros de triagem e zoológicos autorizados ele aparece apenas quando resgatado. Se encontrar filhote aparentemente abandonado, não recolha: os pais costumam estar por perto e a melhor chance é deixá-lo onde está e avisar o órgão ambiental.

Conservação e relação com o ser humano

Globalmente o tachã é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. No Brasil ainda é comum no Pantanal e no Pampa, mas sofre pressão local.

As principais ameaças são drenagem de banhados, conversão de campos úmidos em agricultura, uso de agrotóxicos em arrozais e caça eventual. O esporão já foi usado como amuleto e a ave já foi perseguida por ser considerada praga de arroz. Atropelamentos em estradas que cortam áreas alagadas também matam adultos.

Por outro lado, é espécie-bandeira de zonas úmidas e se beneficia de unidades de conservação como o Parque Nacional do Pantanal e a Estação Ecológica do Taim (RS). Na nossa avaliação, o tachã é um termômetro da saúde do banhado: onde ele grita forte e cria filhotes, o ecossistema ainda está funcional.

Diferença entre tachã e anhuma

Muita gente confunde tachã com anhuma (Anhima cornuta), da mesma família. São parecidas, mas fáceis de separar com atenção.

Característica Tachã (Chauna torquata) Anhuma (Anhima cornuta)
Tamanho 81 a 95 cm 84 a 95 cm, mais pesada
Colar Anel preto bem definido no pescoço Sem colar, pescoço preto uniforme
Chifre Sem chifre Com chifre córneo longo na testa
Distribuição no Brasil Sul, Sudeste e Centro-Oeste Amazônia e norte do Centro-Oeste
Voz Grito duplo “tachã-tachã” Mugido grave “anhum”

As duas têm esporões, mas a anhuma tem o chifre frontal inconfundível e ocorre mais ao norte. Onde as áreas se sobrepõem, no Mato Grosso, o colar preto do tachã é o melhor campo para identificação rápida.

Perguntas frequentes

Tachã é a mesma coisa que anhuma?

Não. São da mesma família, mas espécies diferentes. O tachã (Chauna torquata) tem colar preto no pescoço e não tem chifre; a anhuma (Anhima cornuta) tem um chifre longo na testa e vive mais na Amazônia.

O tachã ataca pessoas?

Pode atacar se o ninho for invadido. Ele avança com asas abertas e golpeia com os esporões ósseos, que podem causar cortes. Mantenha distância de 50 metros ou mais.

Onde ver tachã no Brasil?

Com mais facilidade no Pantanal (MS/MT), no Banhado do Taim e Lagoa do Peixe (RS), e em várzeas do Paraná e Santa Catarina, sempre em áreas alagadas abertas.

O que o tachã come?

Quase só plantas aquáticas: folhas, brotos, sementes e raízes de aguapé e gramíneas de brejo. Filhotes comem também pequenos insetos nas primeiras semanas.

Tachã pode ser criado em casa?

Não. É ave silvestre nativa e sua criação sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Além disso exige banhado, vive em casal barulhento e é agressivo.

Quanto tempo vive o tachã?

De 10 a 15 anos na natureza quando o habitat está preservado. Em centros autorizados pode chegar a 15 anos.

Tachã voa alto?

Voa bem, com batidas lentas e pesadas, e pode planar alto em exibições territoriais, mas passa a maior parte do tempo caminhando em água rasa.

Você sabia?

1

Esporão que perfura

Os dois esporões da asa do tachã são de osso recoberto por queratina e podem chegar a 5 cm. Em brigas, o casal cruza as asas e golpeia como boxeadores, e há registros de perfuração de pele de predadores.

2

Grito que virou nome

O nome tachã é onomatopeico: reproduz o próprio canto duplo e explosivo da ave. Em espanhol é chamado de chajá, pela mesma razão, e fazendeiros o usam como alarme natural contra intrusos no campo.

3

Parente distante de pato

Apesar de parecer um ganso grande, o tachã pertence à família Anhimidae, separada dos anatídeos há mais de 60 milhões de anos. Tem dedos apenas semipalmados e não tem bico filtrador.

4

Ninho que flutua e sobe com a cheia

O ninho flutuante é ancorado mas não fixo ao fundo, por isso acompanha a subida da água sem alagar os ovos. Os pais ainda adicionam material durante a incubação para mantê-lo seco.

Fontes

  1. WikiAves - Tachã
  2. IUCN Red List - Chauna torquata
  3. CBRO - Lista de Aves do Brasil
  4. BirdLife Data Zone

Prós e contras: Tachã

Prós

  • Grito potente que funciona como alarme natural do banhado
  • Fácil de observar em áreas abertas do Pantanal e Pampa
  • Casal fiel e cuidado parental prolongado, interessante para observação
  • Indicador de saúde de zonas úmidas preservadas
  • Resistente e adaptado a variações de cheia e seca

Contras

  • Canto extremamente alto, inadequado para áreas urbanas
  • Agressivo na defesa do ninho por causa dos esporões
  • Exige grandes áreas alagadas, impossível manter em quintal
  • Pode entrar em arrozais e gerar conflito com agricultores
  • Sem dimorfismo sexual, difícil sexar a olho nu
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tachã é a ave mais subestimada dos banhados brasileiros: menos fotografada que o tuiuiú, mas muito mais importante como sentinela acústica do ecossistema. Vale protegê-lo não pelo risco de extinção, mas porque seu silêncio indica banhado drenado e doente.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.