🦜 Aves e Pássaros

Seriema

Cariama cristata

Atualizado em

75 a 90 cmTamanho
1,4 a 2,3 kgPeso
15 a 20 anosExpectativa de vida
Muito alto, até 2 kmCanto
Cerrado e campos abertosHabitat
Seriema-de-pernas-vermelhas em pé no Cerrado mostrando corpo inteiro e pernas longas vermelhas

A seriema é uma ave terrícola e endêmica da América do Sul, símbolo do Cerrado brasileiro. Com pernas longas e vermelhas, crista frontal em leque e canto que parece risada humana, ela é inconfundível tanto pela aparência quanto pelo som.

Apesar de poder voar, prefere correr e vive quase sempre no chão, onde caça insetos, lagartos e cobras. É parente viva mais próxima das aves do terror, predadoras gigantes extintas há milhões de anos, e hoje ocupa um papel importante no controle de pragas e pequenos vertebrados.

Também conhecido como: Sariema, Siriema, Cariama, Red-legged Seriema (inglês), Chuña de patas rojas (espanhol)

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Galeria de fotos de Seriema

Seriema-de-pernas-vermelhas em pé no Cerrado mostrando corpo inteiro e pernas longas vermelhas
Seriema-de-pernas-vermelhas adulta em posição típica no chão do Cerrado.
Close da cabeça da seriema mostrando crista, olhos amarelos e bico vermelho
Detalhe da cabeça com crista em leque e olhos amarelos com cílios.
Seriema em voo baixo com asas abertas sobre o campo
Voo curto e baixo, usado apenas para subir em poleiros ou fugir.
Seriema em habitat natural de Cerrado com cupinzeiro ao fundo
Habitat típico: campos abertos e cerradões ralos.
Seriema caçando cobra batendo a presa contra o chão
Técnica de caça: bate a presa contra o chão antes de engolir.
Ninho de seriema com dois ovos brancos manchados em árvore baixa
Ninho em plataforma de gravetos com postura típica de dois ovos.

Perfil rápido de Seriema

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e ainda comum em grande parte da distribuição.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei federal contra captura e comércio ilegal

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
IncubaçãoJFMAMJJASOND
Cuidado com filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos
Em cativeiro
Até 25 anos com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, casal fixo e territorial
Estrutura social
Casal isolado ou grupo familiar com filhotes
Padrão sazonal
Estação chuvosa, pico de setembro a janeiro
Tipo de nascimento
Ovíparo, 2 ovos por ninhada
Ninhada
2 ovos brancos com manchas marrons; incubação 26 a 28 dias; filhotes nidícolas por 14 dias e dependentes por 4 a 5 meses

Habitat

Ambientes

  • Campos abertos
  • Cerrado ralo e campo sujo
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Pastagens nativas e áreas agrícolas com árvores esparsas

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos grandes (gafanhotos, besouros)
  • Pequenos vertebrados (lagartos, cobras, roedores, anfíbios)

Outros alimentos

  • Aracnídeos e miriápodes
  • Frutos e sementes do Cerrado
  • Ovos de outras aves ocasionalmente

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação
Não é ave de estimação; silvestre, territorial e muito vocal
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; criação só com autorização do IBAMA/órgão estadual; comércio de aves da natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto: exige recinto amplo, dieta com presas vivas e manejo técnico
Custo de aquisição
Não há comércio legal como pet; apenas criadouros científicos/conservacionistas autorizados

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Cariamiformes
Família
Cariamidae
Gênero
Cariama
Espécie
Cariama cristata

Resumo

  • A seriema é uma ave terrícola de 75 a 90 cm, de pernas longas vermelhas e crista frontal, famosa pelo canto estridente ouvido a até 2 km.
  • Vive em áreas abertas do Cerrado, Caatinga e Pampa, corre a até 25 km/h e caça cobras batendo-as contra o chão antes de engolir.
  • Faz ninho em árvores baixas, põe 2 ovos e é classificada como Pouco Preocupante, mas sofre com atropelamentos e perda de habitat.

Características

Ficha da espécie

FamíliaCariamidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia
HabitatCampos abertos, Cerrado, Caatinga e bordas de mata
Tamanho (comprimento)75 a 90 cm
Envergadura90 a 120 cm
Peso1,4 a 2,3 kg
Corescinza-amarronzadobegepretobrancovermelhoamarelo
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza; até 25 em cativeiro
AlimentaçãoOnívora: insetos, artrópodes, pequenos vertebrados, frutos e sementes
CantoVocalização territorial muito alta, em dueto, ao amanhecer
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em árvores de 1 a 5 m; 2 ovos brancos com manchas marrons; incubação 26 a 28 dias
Comportamento socialTerritorial, vive em casal ou pequenos grupos familiares
Variedades ou subespécies2 espécies: Cariama cristata (pernas vermelhas) e Chunga burmeisteri (pernas pretas)

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a seriema: tamanho, cores e traços inconfundíveis

A seriema que a maioria dos brasileiros conhece é a seriema-de-pernas-vermelhas (Cariama cristata), com 75 a 90 cm de comprimento e pernas longas que respondem por quase metade da altura. O corpo é coberto por penas cinza-amarronzadas e bege, mais claras no ventre, o que garante camuflagem perfeita no capim seco do Cerrado.

Três detalhes entregam a espécie de longe. O primeiro é a crista frontal em leque, um tufo de penas finas e arrepiadas bem na base do bico. O segundo são as pernas e o bico vermelho-alaranjados e os olhos amarelo-limão com cílios bem visíveis — uma raridade entre as aves. O terceiro é a cauda longa com barras pretas e brancas na ponta, muito evidente quando ela corre.

Apesar do tamanho, pesa pouco: 1,4 a 2,3 kg. As asas são curtas e arredondadas, com envergadura de 90 a 120 cm, suficientes para voos curtos até galhos baixos ou para escapar de predadores, mas não para migrações longas. No chão, é ágil e pode correr a cerca de 25 km/h com passadas largas.

Onde vive a seriema no Brasil e na América do Sul

A seriema é uma ave essencialmente campestre. No Brasil, ocorre com maior densidade no Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa, além de áreas de transição com a Mata Atlântica. Evita floresta fechada e prefere campos sujos, pastagens nativas, cerradões ralos e áreas agrícolas com árvores esparsas.

Sua distribuição vai do nordeste do Brasil até o centro da Argentina e o Uruguai, passando por Paraguai e leste da Bolívia. É ave residente, não migratória, e defende o mesmo território o ano todo. Onde o habitat é preservado, é comum vê-la caminhando em casal ao amanhecer em estradas de terra.

Por ser terrícola, depende de áreas abertas contínuas. O desmatamento do Cerrado para soja e pasto, somado a atropelamentos em rodovias, são as principais pressões atuais, mesmo com a espécie ainda sendo considerada comum.

O canto que se ouve a quilômetros: por que a seriema grita tanto

O canto da seriema é um dos mais impressionantes do Brasil. É uma sequência aguda, acelerada e estridente, que lembra uma risada histérica ou um latido agudo, repetida em dueto pelo casal. Em manhãs silenciosas, pode ser ouvido a mais de 1,5 km de distância.

Ela vocaliza principalmente ao amanhecer e no fim da tarde, do alto de cupinzeiros, mourões ou árvores baixas. O objetivo é marcar território e manter contato com o parceiro. Como vive em áreas abertas onde o som se espalha, evoluiu para uma das vocalizações mais potentes entre as aves terrestres brasileiras.

Esse canto deu origem a lendas. No interior, muita gente acredita que quando a seriema canta muito é sinal de chuva ou de mudança de tempo. Na prática, ela canta o ano todo, mas com pico na estação reprodutiva, entre setembro e janeiro.

  • Volume: um dos mais altos entre aves do Cerrado, sem precisar de banhados ou florestas para amplificar.
  • Dueto: macho e fêmea cantam alternadamente, reforçando o vínculo do casal.
  • Função: aviso territorial — outros casais raramente se aproximam após ouvirem o canto.

O que a seriema come e como caça cobras

A dieta é onívora e oportunista. A base são insetos grandes, gafanhotos, besouros, aranhas e formigas, complementada por lagartos, anfíbios, pequenas cobras, roedores, frutos do Cerrado e sementes. Em áreas agrícolas, também consome pragas como lagartas e grilos.

A fama de caçadora de cobras é real, mas com técnica. Ao encontrar uma cobra, a seriema a pega com o bico e a bate repetidamente contra o chão ou pedras até atordoá-la, para só então engolir. Usa o mesmo método para quebrar a carapaça de grandes insetos e para matar lagartos.

Caça caminhando lentamente, com a cabeça baixa, parando para observar e dar botes rápidos. Diferente de gaviões, não usa as garras para segurar a presa — todo o trabalho é do bico forte e adunco. Filhotes já aprendem a bater presas pequenas no chão nas primeiras semanas.

Comportamento e vida social: uma ave que prefere correr a voar

A seriema é diurna, territorial e monogâmica. Vive em casal fixo ou em pequenos grupos familiares com os filhotes da última ninhada. Cada casal defende um território que pode variar de 10 a 40 hectares, dependendo da oferta de alimento.

Passa mais de 90% do tempo no chão. Quando ameaçada, prefere correr e se esconder no capim a voar. O voo é pesado, baixo e curto, geralmente até um galho a poucos metros de altura para dormir ou cantar. À noite, dorme empoleirada em árvores.

É uma ave alerta e desconfiada, difícil de se aproximar. Na natureza, raramente permite aproximação a menos de 30 metros. Em cativeiro, pode se tornar agressiva, desferindo coices com as pernas e bicadas fortes, por isso não é recomendada como animal de estimação.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução coincide com a estação chuvosa. O ninho é uma plataforma rala de gravetos e ramos, forrada com barro, esterco e folhas, construído a 1 a 5 metros de altura em árvores baixas, arbustos densos ou até em forquilhas de cactos.

A postura é quase sempre de 2 ovos brancos com manchas marrons e lilases. A incubação dura 26 a 28 dias e é feita por ambos os pais, com revezamento. Os filhotes nascem cobertos de penugem bege-acinzentada, com bico escuro e pernas rosadas.

Os pais alimentam os filhotes no ninho por cerca de 14 dias, depois os jovens descem e seguem os adultos pelo território, aprendendo a caçar. Permanecem com o casal por 4 a 5 meses até se dispersarem. Em anos de seca severa, pode fazer apenas uma tentativa de nidificação; em anos bons, tenta duas.

Seriema-de-pernas-vermelhas x seriema-de-pernas-pretas: diferenças

Existem apenas duas espécies vivas na família Cariamidae, ambas chamadas de seriema. A confusão é comum, mas são fáceis de separar quando vistas lado a lado.

Característica Seriema-de-pernas-vermelhas Seriema-de-pernas-pretas
Nome científico Cariama cristata Chunga burmeisteri
Tamanho 75 a 90 cm, 1,4 a 2,3 kg 55 a 70 cm, 0,9 a 1,4 kg
Pernas e bico Vermelho-alaranjado vivo Preto-acinzentado
Distribuição Brasil central e oriental até Argentina central Chaco: Paraguai, Bolívia e norte da Argentina
Habitat preferido Cerrado e campos abertos Mata chaquenha seca e caatinga arbórea
Canto Mais longo e agudo, em dueto prolongado Mais curto e grave, sequência rápida

No Brasil, a espécie amplamente encontrada é a de pernas vermelhas. A de pernas pretas ocorre apenas em áreas de fronteira no oeste, no Chaco paraguaio-boliviano, e é bem mais rara de ser observada em território brasileiro.

É possível criar seriema em casa? Legalidade e conservação

A seriema é ave silvestre nativa protegida por lei. Sua captura, compra ou manutenção sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98). A criação só é permitida em criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgãos estaduais, para fins de conservação, pesquisa ou exposição, nunca como pet de gaiola.

Na prática, não é uma boa ave de criação doméstica. Exige território amplo, dieta variada com presas vivas e manejo especializado, além de ser barulhenta e territorial. A venda de filhotes capturados na natureza é ilegal e contribui para o tráfico.

O estado de conservação global é Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável. No entanto, sofre declínio local por perda de Cerrado, uso de agrotóxicos, atropelamentos e caça oportunista. Projetos de conservação do Cerrado e passagens de fauna em rodovias são as medidas mais eficazes para mantê-la comum.

Curiosidades evolutivas e importância ecológica

A seriema é a parente viva mais próxima das aves do terror (Phorusrhacidae), predadoras gigantes de até 3 metros que dominaram a América do Sul há milhões de anos. Como elas, tem bico adunco, pernas longas e hábito predador, mas em versão reduzida.

Ecologicamente, atua como controladora natural de pragas e de pequenos vertebrados, incluindo roedores e cobras peçonhentas. Em fazendas de Cerrado bem preservadas, um casal pode consumir centenas de gafanhotos e lagartas por semana.

Para observação, a melhor estratégia é sair ao amanhecer e procurar por cupinzeiros e mourões onde ela costuma cantar. Com binóculo e distância, é possível acompanhar a caça sem interferir. Fotografar exige paciência, pois ela percebe movimento a longa distância.

Perguntas frequentes

Seriema é ave de rapina?

Não. Apesar do bico adunco e da dieta carnívora, pertence à ordem Cariamiformes, família própria (Cariamidae), sem parentesco direto com gaviões e falcões.

Seriema voa?

Voa pouco e baixo, apenas para subir em árvores para dormir, cantar ou fugir. Prefere correr e passa quase todo o tempo no chão.

O que a seriema come?

É onívora: insetos, aranhas, lagartos, cobras, roedores, anfíbios, frutos e sementes. Mata cobras batendo-as contra o chão.

Qual a diferença entre seriema-de-pernas-vermelhas e de-pernas-pretas?

A de pernas vermelhas (Cariama cristata) é maior (75-90 cm) e ocorre em quase todo o Brasil; a de pernas pretas (Chunga burmeisteri) é menor (55-70 cm) e vive no Chaco seco.

Seriema pode ser criada em casa?

Não como pet. É ave silvestre protegida por lei; só pode ser mantida com autorização do IBAMA em criadouros para conservação ou pesquisa.

Onde encontrar seriema no Brasil?

Principalmente no Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa, em campos abertos, pastagens nativas e bordas de mata, ativa ao amanhecer.

Por que a seriema canta tão alto?

Para marcar território em áreas abertas. O canto em dueto do casal pode ser ouvido a mais de 1 km e é mais intenso na época reprodutiva.

Fatos surpreendentes sobre a seriema

1

Parente de gigante extinto

É a parente viva mais próxima das aves do terror, predadoras de até 3 metros que viveram na América do Sul. O bico curvo e as pernas longas são herança direta dessa linhagem.

2

Cílios de verdade

É uma das poucas aves com cílios bem visíveis. As penas modificadas ao redor dos olhos amarelos protegem contra poeira do Cerrado e dão a expressão característica.

3

Mata cobras na pancada

Não usa veneno nem garras: segura a cobra pelo meio do corpo e a golpeia contra o chão até a presa parar de se mover, técnica também usada para quebrar besouros grandes.

4

Canto que engana

O dueto do casal é tão sincronizado que parece uma única ave. O som pode ser ouvido a 1,5 km e já foi confundido com risada humana ou latido de cachorro ao longe.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. WikiAves - Enciclopédia das Aves do Brasil
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab of Ornithology - Birds of the World

Prós e contras: Seriema

Prós

  • Canto territorial inconfundível, ótima para observação e identificação em campo
  • Controla pragas agrícolas e pequenas cobras de forma natural
  • Ave símbolo do Cerrado, fácil de reconhecer pela crista e pernas vermelhas
  • Resistente e adaptável a áreas abertas preservadas

Contras

  • Muito vocal e territorial, inadequada para criação doméstica
  • Exige áreas abertas amplas, não se adapta a viveiros pequenos
  • Arisca e difícil de aproximar na natureza
  • Vulnerável a atropelamentos e perda de habitat do Cerrado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a seriema é a ave mais emblemática do Cerrado para quem observa a pé: fácil de identificar pelo canto e pela silhueta, mas difícil de ver de perto justamente por ser tão esperta. Valorizá-la é um ótimo argumento para conservar campos nativos em pé, que são subestimados perto das florestas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.