🌳 Árvores

Paricá

Schizolobium parahyba var. amazonicum

Atualizado em

20 a 30 m (até 40 m)Tamanho
CaducifóliaFolhagem
UltrarrápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Paricá adulto de porte gigante com tronco reto e copa em guarda-chuva na Amazônia

O paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum) é uma árvore gigante da Amazônia, famosa pelo crescimento ultrarrápido e pelo tronco reto de casca clara. Caducifólia e heliófila, perde as folhas na estação seca e floresce em cachos amarelos antes de rebrotar.

Muito usada em reflorestamento produtivo, plantios de restauração e na indústria de lâminas e compensados, tem madeira leve, macia e de cor creme-amarelada. Apesar do porte imponente, tem vida relativamente curta e exige espaço, sol pleno e solo profundo para se desenvolver bem.

Também conhecido como: Paricá, Paricá-grande, Bandarra, Pinho-cuiabano, Guapuruvu-da-amazônia, Bacurubu, Faveira-branca

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Paricá

Paricá adulto de porte gigante com tronco reto e copa em guarda-chuva na Amazônia
Paricá adulto com tronco retilíneo e copa ampla, típico da Amazônia.
Folhas bipinadas grandes do paricá com muitos folíolos pequenos
Folhas bipinadas enormes, marca registrada do paricá.
Tronco e casca lisa cinza-esverdeada do paricá com cicatrizes em anel
Casca lisa e clara com cicatrizes anelares das folhas.
Floração amarela do paricá com cachos de flores na copa sem folhas
Floração amarela ocorre com a árvore totalmente sem folhas.
Frutos em forma de vagem achatada e sementes aladas do paricá
Vagens achatadas com uma semente alada cada.
Plantio jovem de paricá em sistema agroflorestal na Amazônia
Plantio homogêneo mostra o crescimento ultrarrápido nos primeiros anos.
Ideal para

Ideal para produtores rurais, reflorestadores e quem tem sítio ou fazenda na Amazônia e busca crescimento muito rápido para madeira leve, sombra rala em sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas. Também funciona bem em projetos de restauração e plantios comerciais com ciclo curto. Na nossa avaliação, é uma das melhores escolhas para quem precisa de retorno em menos de 10 anos e tem espaço de sobra, sol pleno e solo profundo.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quintais pequenos, calçadas, ruas com fiação ou jardins urbanos que buscam sombra densa e pouca sujeira. A queda anual de folhas e vagens, o porte gigante e os galhos quebradiços geram manutenção constante. Também não serve para quem procura madeira dura para estrutura ou para regiões com geada, seca longa ou solo raso e encharcado, onde o paricá cresce mal e fica vulnerável a queda.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; heliófila exigente, não tolera sombreamento inicial
Rega
Regular no 1º ano (1 a 2 vezes por semana sem chuva); depois só em seca prolongada
Solo
Profundo (>60 cm), bem drenado, fértil, argiloso a franco-argiloso, pH 4,5 a 6,5
Temperatura
24 a 28 °C; não tolera geada, sensível a frio <15 °C
Adubação
Cova com esterco + superfosfato; cobertura com NPK 10-10-10 no 1º e 2º ano
Poda
Desrama até 6-8 m nos anos 2 e 3; sem poda de copa
Propagação
Sementes com escarificação mecânica ou térmica; semeio em tubetes

Perfil rápido de Paricá

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e muito cultivada, sem risco iminente de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta de terra firme
  • Capoeiras e florestas secundárias
  • Clareiras e margens de rios

Biomas

  • Amazônia

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Peru
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Schizolobium
Espécie
Schizolobium parahyba var. amazonicum

Resumo

  • O paricá é uma árvore amazônica gigante, caducifólia e de crescimento ultrarrápido que pode passar de 20 metros em poucos anos.
  • Tem tronco reto e liso, folhas bipinadas muito grandes e flores amarelas em cachos, com frutos em forma de vagem achatada.
  • Sua madeira leve e clara é amplamente usada em compensados, forros e reflorestamento, mas não serve para calçadas ou quintais pequenos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularParicá
Nome científicoSchizolobium parahyba var. amazonicum (Schizolobium amazonicum)
Família botânicaFabaceae
OrigemAmazônia brasileira
Tamanho20 a 30 m de altura, até 40 m em floresta; DAP 60 a 90 cm
CopaAmpla, aberta e rala, em forma de guarda-chuva
FolhagemCaducifólia (perde folhas na seca)
CrescimentoUltrarrápido (3 a 5 m/ano nos primeiros anos)
LuminosidadeSol pleno (heliófila)
RegaAlta no 1º ano; depois moderada
SoloProfundo, bem drenado, fértil, pH 4,5 a 6,5
UsosMadeira para compensado, reflorestamento, restauração, sombra em sistemas agroflorestais
Longevidade30 a 50 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoMuito alto
SombraMédio
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaMédio

O que é o paricá e por que ele se destaca

O paricá é uma árvore pioneira gigante da Amazônia, do gênero Schizolobium, que domina clareiras e capoeiras com crescimento explosivo. É a variedade amazônica do guapuruvu, mas com porte mais alto e adaptação ao clima equatorial.

O que a torna singular é a combinação de tronco retilíneo, crescimento de 3 a 5 metros por ano e madeira extremamente leve. Em plantios comerciais no Pará, atinge 15 metros aos 4 anos e 25 metros aos 8-10 anos.

Por isso, é a espécie mais plantada para produção de lâminas e compensados na Amazônia, além de ser usada em restauração florestal e sistemas agroflorestais. Não é uma árvore ornamental de jardim, e sim uma florestal de produção e sombra rala.

Como identificar o paricá sem confundir

O tronco é o melhor marcador: reto, cilíndrico, sem ramificações nos primeiros 12 a 18 metros, com casca lisa cinza-esverdeada e cicatrizes em forma de anel deixadas pelas folhas.

As folhas são bipinadas e enormes, com 80 a 120 cm de comprimento, compostas por dezenas de folíolos pequenos e oblongos. Quando caem, deixam o solo forrado e a copa completamente nua.

Na floração, que ocorre com a árvore sem folhas, surgem cachos eretos de flores amarelo-vivas, pequenas e perfumadas. Depois vêm as vagens achatadas, em forma de espátula, com cerca de 10 a 14 cm, que ficam marrom-claras e liberam uma única semente alada.

Paricá x guapuruvu: qual a diferença?

O paricá amazônico (Schizolobum parahyba var. amazonicum) e o guapuruvu da Mata Atlântica (var. parahyba) são muito parecidos. O amazônico tem folíolos menores, crescimento mais rápido e madeira ainda mais leve, com densidade de 0,30 a 0,45 g/cm³.

Característica Paricá amazônico Guapuruvu atlântico
Altura 20 a 40 m 15 a 30 m
Casca Cinza-esverdeada lisa Cinza mais escura
Densidade da madeira 0,30 a 0,45 g/cm³ 0,40 a 0,55 g/cm³
Ocorrência Amazônia Mata Atlântica

Tamanho, copa e raízes: o que esperar do porte

Em floresta nativa o paricá chega a 30 a 40 metros de altura e 60 a 90 cm de DAP. Em plantio homogêneo, o padrão comercial é de 20 a 30 metros com fuste limpo e copa no topo.

A copa é ampla, aberta e em forma de guarda-chuva, com galhos grossos e horizontais. A sombra é rala e filtrada, ótima para consórcio com cacau, açaí e espécies que precisam de meia-sombra, mas fraca para quem busca sombra densa.

As raízes são pivotantes e profundas, com sapopemas discretas na base quando adulta. Não é tão agressiva quanto figueiras ou sibipirunas, mas precisa de recuo mínimo de 8 a 10 metros de construções, muros e redes elétricas devido ao porte e à queda de galhos.

Onde o paricá vive e qual clima prefere

É nativa da Amazônia brasileira, ocorrendo no Pará, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Mato Grosso, em floresta de terra firme, capoeiras e matas secundárias. Também aparece no Peru, Bolívia e Venezuela.

Prefere clima equatorial quente e úmido, com temperatura média de 24 a 28 °C e chuvas de 1.600 a 3.000 mm por ano. Não tolera geada e sofre com seca prolongada maior que 4 meses.

O solo ideal é profundo, bem drenado, argiloso a franco-argiloso e fértil, mas tolera solos pobres se houver adubação inicial. Áreas encharcadas, rasas ou compactadas limitam muito o crescimento.

Madeira de paricá: características e usos reais

A madeira é leve, macia, clara (creme a amarelada) e de grã direita, com brilho moderado. Seca rápido, é fácil de laminar, colar e pregar, mas tem baixa resistência natural a fungos e cupins se não for tratada.

O uso principal no Brasil é lâminas, compensados, MDF leve, forros, portas, caixotaria e formas para concreto. É uma das poucas madeiras amazônicas aceitas em larga escala pela indústria de painéis justamente pela uniformidade e cor clara.

Não é indicada para estrutura pesada, dormentes, moirões ou móveis de alta durabilidade sem tratamento preservante. Em reflorestamento, seu valor está no ciclo curto de 7 a 12 anos e no retorno econômico rápido, não na madeira nobre.

Como plantar paricá do jeito certo

O plantio é feito por sementes com dormência tegumentar. É preciso escarificação: lixe levemente a lateral da semente ou mergulhe em água quente a 80 °C por 1 minuto e depois em água à temperatura ambiente por 12 horas.

Semeie em tubetes ou sacos com substrato leve e mantenha a 50% de sombra até 20 cm, depois a sol pleno. As mudas vão para o campo com 30 a 50 cm, no início da estação chuvosa (novembro a fevereiro na maior parte da Amazônia).

No campo, use espaçamento de 3 x 3 m ou 4 x 4 m para produção e cova de 40 x 40 x 40 cm com adubação orgânica e fosfatada. Mantenha coroamento de 80 cm e controle de matocompetição no primeiro ano, fase em que a muda é sensível ao abafamento.

Como cuidar nos primeiros anos

No primeiro ano, regue semanalmente se não chover e adube com NPK + calcário conforme análise de solo. O crescimento responde muito a fósforo e matéria orgânica.

A poda é simples: faça desrama dos galhos laterais até 6 a 8 metros nos anos 2 e 3 para obter fuste limpo. Não faça poda drástica da copa, pois ela já é naturalmente rala.

Após o segundo ano, o manejo é mínimo. O paricá fecha o dossel rápido e abafa o mato, mas perde as folhas todo ano na seca. Recolha folhas e vagens se plantar perto de telhados e calhas.

Pragas, doenças e problemas comuns

Em viveiro, pode ocorrer damping-off (tombamento) e lagartas desfolhadoras. Em campo, o maior problema é formiga cortadeira nos primeiros meses, que pode dizimar um plantio jovem em dias.

Em solos mal drenados, há risco de podridão radicular. Em madeira estocada, o ataque de fungos manchadores e brocas é comum pela baixa durabilidade natural. Trate a madeira serrada rapidamente.

Na cidade, os problemas são queda de folhas e vagens, galhos quebradiços com vento forte e porte incompatível com fiação. Por isso, prefeituras amazônicas raramente recomendam paricá para arborização de calçadas.

Curiosidades e importância ecológica

O paricá é caducifólia total: fica completamente pelado por 2 a 4 semanas entre julho e setembro, floresce e só depois solta folhas novas. Esse sincronismo facilita a polinização por abelhas.

Apesar da madeira leve, a árvore acumula biomassa muito rápido e é usada em projetos de crédito de carbono e recuperação de áreas degradadas. Em sistemas agroflorestais, funciona como espécie sombreadora temporária que depois é colhida, liberando luz para as culturas permanentes.

Um erro comum é confundir paricá com paricá-da-terra-firme ou faveira, nomes populares de outras Fabaceae. Sempre confirme pelo nome científico Schizolobium parahyba var. amazonicum ao comprar sementes ou mudas.

Perguntas frequentes

Paricá e guapuruvu são a mesma árvore?

São variedades da mesma espécie. O paricá é a variedade amazônica (var. amazonicum) e o guapuruvu é a variedade atlântica (var. parahyba), com diferenças de porte, folíolo e densidade da madeira.

Quanto tempo o paricá leva para crescer?

Cresce de 3 a 5 metros por ano nos primeiros anos. Em 4 anos pode ter 15 metros e em 8 a 12 anos já atinge porte para corte comercial em plantios bem manejados.

Paricá pode ser plantado em calçada?

Não é recomendado. Atinge 20 a 30 metros, tem copa ampla, queda intensa de folhas e vagens e galhos que quebram com vento, além de exigir recuo grande de fiação e muros.

A madeira de paricá é boa?

É leve, clara e fácil de laminar, excelente para compensados, forros e caixotaria. Não é durável para uso externo sem tratamento e não serve para estruturas que exigem madeira pesada.

Como germinar semente de paricá?

É preciso quebrar a dormência lixando levemente a casca ou com água quente a 80 °C por 1 minuto, seguida de 12 horas de molho. Sem isso a germinação é baixa e lenta.

Paricá perde as folhas no inverno?

Sim, é caducifólia. Na Amazônia perde todas as folhas entre julho e setembro, floresce com a copa nua e depois rebrota. É um comportamento normal e anual.

Você sabia?

1

Fica pelado para florescer

O paricá perde todas as folhas de uma vez na estação seca e floresce com a copa nua, coberta de cachos amarelos. Só depois surgem as folhas novas, em um sincronismo raro entre as árvores amazônicas.

2

Semente precisa de lixa

A semente tem casca tão dura e impermeável que, sem escarificação mecânica ou água quente, pode ficar meses no solo sem germinar. Com o tratamento certo, a germinação passa de 80% em poucos dias.

3

Recorde de crescimento na Amazônia

Em solos férteis de terra firme no Pará, há registros de incremento de 4 a 5 metros de altura por ano nos três primeiros anos, o que coloca o paricá entre as árvores nativas que mais crescem no Brasil.

4

Madeira que vira compensado

Quase toda a madeira de paricá plantado no Brasil vira lâmina para compensado leve e claro, muito usado em portas e móveis populares. É uma das poucas espécies nativas amazônicas com cadeia industrial consolidada.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List of Threatened Species

Prós e contras: Paricá

Prós

  • Crescimento ultrarrápido, ideal para reflorestamento e ciclo curto de 7 a 12 anos
  • Tronco reto e madeira clara muito valorizada para compensados e lâminas
  • Ótima para restauração florestal e sombra rala em sistemas agroflorestais
  • Fácil de produzir mudas quando feita a escarificação correta
  • Fecha o dossel rápido e controla matocompetição

Contras

  • Porte gigante incompatível com quintais pequenos e calçadas
  • Queda anual intensa de folhas e vagens gera sujeira
  • Madeira leve e pouco durável sem tratamento contra fungos e cupins
  • Não tolera geada, seca longa ou solo raso/encharcado
  • Galhos podem quebrar com ventos fortes, exige área de segurança
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o paricá é imbatível para quem precisa de madeira leve e retorno rápido na Amazônia, mas é uma péssima escolha para arborização urbana. É uma árvore de produção e restauração, não de calçada: plante com espaço e objetivo definidos.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.