Resumo
- O salgueiro-chorão é uma árvore grande de 12 a 20 metros, caducifólia, de ramos pendentes e crescimento muito rápido, ideal para sombra e paisagismo perto de água.
- Tem raízes superficiais e agressivas que buscam umidade a longas distâncias e por isso não deve ser plantado perto de construções, fossas ou redes de esgoto.
- No Brasil perde as folhas no outono-inverno, brota no final do inverno e precisa de sol pleno, solo úmido e podas de formação para manter a copa bonita e segura.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Salgueiro-chorão |
|---|---|
| Nome científico | Salix babylonica L. (no Brasil muito cultivado como Salix × sepulcralis) |
| Família botânica | Salicaceae |
| Origem | China setentrional; introduzido e cultivado no mundo todo |
| Tamanho | 12 a 20 m de altura; copa com 10 a 15 m de diâmetro |
| Copa | Ampla, arredondada e fortemente pendente (ramos chorões) |
| Folhagem | Caducifólia |
| Crescimento | Muito rápido (1,5 a 2,5 m por ano nos primeiros anos) |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Alta; precisa de solo constantemente úmido |
| Solo | Profundo, fértil, úmido e bem drenado; tolera encharcamento breve |
| Usos | Ornamental, sombra, contenção de margem de lagos e quebra-vento |
| Longevidade | 40 a 60 anos em média |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Muito alto |
|---|---|
| Sombra | Muito alto |
| Resistência à seca | Muito baixo |
| Agressividade das raízes | Muito alto |
| Facilidade de cultivo | Médio |
| Atrai fauna | Médio |
Como reconhecer o salgueiro-chorão sem confundir
O salgueiro-chorão é inconfundível pela copa em forma de guarda-chuva com ramos finos, flexíveis e pendentes que chegam a tocar o solo. O tronco é curto, retorcido e de casca acinzentada e fissurada, enquanto os ramos jovens são amarelados a verde-oliva, lisos e muito quebradiços.
As folhas são estreitas, lanceoladas, com 8 a 16 cm, verde-claras na face superior e mais acinzentadas embaixo, com borda finamente serrilhada. No outono ficam amareladas antes de cair, deixando a árvore totalmente nua no inverno.
Na primavera surgem os amentos (espigas cilíndricas) amarelo-esverdeados, ao mesmo tempo da brotação. São discretos e pouco ornamentais, mas atraem abelhas. Os frutos são cápsulas pequenas que liberam sementes com penugem branca, levadas pelo vento.
Origem e por que o nome está errado
Apesar do nome científico babylonica, a espécie é nativa do norte da China, não da Babilônia. Lineu deu esse nome em 1753 por interpretar erroneamente o Salmo 137 da Bíblia, que cita salgueiros nos rios da Babilônia — que na verdade eram choupos.
A maioria dos exemplares vistos no Brasil e na Europa não é o Salix babylonica puro, e sim o híbrido Salix × sepulcralis (Salix alba × Salix babylonica), mais resistente ao frio e a doenças. Na prática, ambos são vendidos como salgueiro-chorão e têm a mesma aparência chorão.
Chegou ao Brasil no período colonial como árvore ornamental e simbólica de melancolia e cemitérios, muito plantada em praças, chácaras e margens de açudes no Sul e Sudeste. Hoje é comum em parques urbanos e propriedades rurais com água abundante.
Tamanho, copa e o alerta das raízes agressivas
É uma árvore grande. Em condições ideais atinge 12 a 20 metros de altura com copa de 10 a 15 metros de diâmetro em poucos anos. O crescimento é explosivo: 1,5 a 2,5 metros por ano até os 5-6 anos, depois desacelera.
A copa é a grande atração, mas também o maior risco. Os ramos são frágeis e quebram com vento forte, exigindo poda de limpeza. Uma árvore adulta projeta sombra densa e fresca, excelente para piqueniques, mas suja muito com queda de folhas e ramos finos.
O ponto crítico são as raízes superficiais, extensas e hidrófilas. Elas podem se estender por 20 a 30 metros em busca de água e invadir tubulações, fossas, piscinas, calçadas e fundações. Nunca plante a menos de 15 metros de construções e a 30 metros de redes de esgoto ou água.
| Característica | Salgueiro-chorão (Salix babylonica / × sepulcralis) | Salgueiro-comum (Salix alba) |
|---|---|---|
| Ramos | Fortemente pendentes, amarelados | Eretos a arqueados, não chorões |
| Copa | Cortina até o chão | Arredondada e aberta |
| Uso | Ornamental de lago | Produção de madeira e vime |
Folhas, flores e o ciclo anual no Brasil
O salgueiro-chorão é caducifólio. No Sul e Sudeste, perde as folhas entre maio e julho e fica com os ramos nus e amarelados no inverno, o que também tem valor ornamental.
A brotação ocorre no final do inverno (agosto a setembro), junto com a floração em amentos. As folhas novas surgem verde-claras e brilhantes, criando um efeito muito bonito de cortina se movendo ao vento.
Durante a primavera e o verão a copa fica cheia e densa. No outono, as folhas amarelam de forma irregular e caem por semanas, exigindo varrição frequente se estiver sobre gramado ou espelho d’água.
Onde e como plantar corretamente
Escolha um local com sol pleno, muito espaço e água por perto. O ideal são margens de lagos, açudes, córregos ou áreas baixas do terreno onde o solo permanece úmido. Evite quintais pequenos, calçadas e áreas pavimentadas.
O plantio no Brasil deve ser feito no início da estação chuvosa (setembro a novembro) ou no final do inverno, para a muda enraizar com umidade. Coveie com pelo menos 60 x 60 x 60 cm, misture composto orgânico e mantenha o torrão bem úmido nos primeiros 12 meses.
- Espaçamento: plante isolado ou com no mínimo 12 metros de outras árvores grandes.
- Solo: prefira solo profundo, argilo-arenoso, fértil e úmido. Tolera solo brevemente encharcado, mas não solo compactado e seco.
- Propagação: extremamente fácil por estaca de galho. Um pedaço de 30 a 50 cm enterrado em solo úmido enraíza em 3 a 4 semanas, mesmo sem hormônio.
Mudas de salgueiro-chorão são encontradas em viveiros do Sul e Sudeste. Como o enraizamento por estaca é quase garantido, muitos produtores multiplicam a própria árvore a partir de galhos podados no inverno.
Como cuidar: água, adubação e poda
Água é inegociável. Nos dois primeiros anos, regue 2 a 3 vezes por semana se não chover. Árvores adultas resistem melhor, mas sofrem e perdem folhas precocemente em seca prolongada. Se não houver lago por perto, crie uma bacia de irrigação ao redor do tronco.
Adube uma vez ao ano, no final do inverno, com composto orgânico ou NPK rico em nitrogênio para estimular a brotação. Solo pobre resulta em copa rala e ramos finos e quebradiços.
A poda é essencial e deve ser feita no inverno, com a árvore sem folhas. Remova ramos secos, cruzados e os que tocam o chão ou fiações. Levante a copa se for área de passagem, mas nunca faça poda drástica de topo — ela deforma a silhueta chorão e estimula brotações fracas.
Cuidados que evitam dor de cabeça
- Não plante sob fiação elétrica. O crescimento rápido alcança fios em 3 a 4 anos.
- Recolha ramos caídos após temporais. A madeira é leve e quebra fácil, podendo cair sobre telhados.
- Mantenha a área da copa sem piso impermeável. As raízes precisam respirar e buscar água superficialmente.
Pragas, doenças e problemas comuns
O salgueiro-chorão é rústico, mas sofre com pulgões, cochonilhas e lagartas desfolhadoras na primavera. Infestações leves podem ser controladas com jato d’água e poda; casos severos pedem manejo com óleo de neem e orientação agronômica.
Doenças fúngicas como ferrugem, mancha foliar e antracnose aparecem em locais úmidos e sombreados, causando manchas pretas e queda antecipada das folhas. Melhore a ventilação com poda e evite molhar a copa ao irrigar.
Outro problema é a vida curta e a madeira fraca. Com 30 a 40 anos o tronco já apresenta ocos e risco de queda de galhos grandes. Avaliações periódicas com profissional são recomendadas em áreas urbanas.
Em pessoas sensíveis, a penugem das sementes e o pólen podem causar alergia respiratória na primavera. Não é uma árvore tóxica, mas a casca contém salicina, princípio que deu origem à aspirina, e não deve ser ingerida sem orientação.
Usos no paisagismo e na natureza
No paisagismo, o uso é quase exclusivamente ornamental e de sombra. Funciona como árvore isolada em gramados amplos, espelhos d’água e parques, criando um ponto focal romântico e fotogênico. Não serve para calçada, estacionamento ou arborização urbana alinhada.
Na natureza e em propriedades rurais, é usado para contenção de erosão em margens de rios e açudes, pois o sistema radicular denso segura o solo. Também serve como quebra-vento rápido, embora de vida curta.
Historicamente, os ramos flexíveis foram usados para cestaria, amarrios e artesanato em vime, e a casca teve uso medicinal popular como antitérmico. Na Inglaterra, híbridos de salgueiro são até hoje usados para fabricar tacos de críquete.
Curiosidades e por que ele vive pouco
Diferente de ipês e jacarandás que vivem mais de 100 anos, o salgueiro-chorão é uma árvore pioneira de vida curta. Ele aposta em crescer muito rápido, ocupar a margem do rio e depois dar lugar a outras espécies — por isso raramente passa de 60 anos.
Essa estratégia explica a madeira leve e de baixa durabilidade. Em compensação, qualquer galho quebrado que caia em solo úmido pode enraizar sozinho e formar uma nova árvore, o que facilita sua dispersão natural ao longo de cursos d’água.
Se você busca sombra rápida e efeito visual imediato perto de água e tem espaço de sobra, ele é imbatível. Se busca árvore para a vida toda, de baixa manutenção e para área urbana densa, há escolhas melhores.
Perguntas frequentes
Salgueiro-chorão pode plantar perto de casa?
Não é recomendado. Mantenha pelo menos 15 metros de casas e muros e 30 metros de fossas e tubulações, pois as raízes buscam água e podem causar danos.
Quanto tempo leva para crescer?
É muito rápido: cresce 1,5 a 2,5 m por ano nos primeiros anos e já forma boa sombra entre 3 e 5 anos após o plantio.
Salgueiro-chorão perde as folhas no inverno?
Sim, é caducifólia. No Brasil perde as folhas entre maio e julho e brota novamente no final do inverno, entre agosto e setembro.
Pode plantar salgueiro-chorão em vaso?
Não. É árvore grande de raízes agressivas e precisa de solo profundo e úmido. Em vaso não se desenvolve e morre rapidamente.
Como fazer muda de salgueiro-chorão?
Por estaca: corte um galho lenhoso de 30 a 50 cm no inverno e enterre 2/3 em solo úmido. Enraíza em 3 a 4 semanas.
Salgueiro-chorão é tóxico?
Não é considerado tóxico ao toque, mas a casca contém salicina e não deve ser ingerida. A penugem das sementes pode causar alergia em pessoas sensíveis.
Qual a diferença entre Salix babylonica e Salix × sepulcralis?
O segundo é um híbrido mais resistente e mais comum no Brasil e na Europa, mas ambos são vendidos como salgueiro-chorão e têm a mesma copa pendente.
Você sabia?
O nome Babilônia é um erro histórico
Lineu batizou de Salix babylonica achando que eram os salgueiros do Salmo 137, mas a espécie é chinesa. Os da Babilônia eram choupos (Populus euphratica).
Um galho vira árvore
Basta enterrar uma estaca de 30 cm de ramo no solo úmido no inverno para ter uma nova muda enraizada em menos de um mês, sem hormônio.
Parente da aspirina
A casca contém salicina, glicosídeo que no organismo vira ácido salicílico. Foi a partir de salgueiros que se desenvolveu o ácido acetilsalicílico.
Vive rápido e morre jovem
Enquanto um carvalho passa de 300 anos, o salgueiro-chorão raramente passa de 60. Ele cresce até 2,5 m por ano justamente porque tem estratégia de pioneira de vida curta.










