🌳 Árvores

Angico-vermelho

Parapiptadenia rigida

Atualizado em

15 a 30 m de alturaTamanho
SemidecíduaFolhagem
Moderado a rápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
80 a 100+ anosLongevidade
Angico-vermelho adulto isolado mostrando porte grande e copa ampla

O angico-vermelho (Parapiptadenia rigida) é uma árvore nativa de grande porte da família Fabaceae, facilmente reconhecida pela casca grossa, avermelhada e muito fissurada e pela copa ampla e arredondada. Perde boa parte das folhas no inverno e se destaca na floração com inflorescências amarelo-esverdeadas em espigas.

Muito usada em restauração florestal, na produção de madeira dura e como melífera, é uma espécie rústica, heliófila e fixadora de nitrogênio. Não é indicada para calçadas ou quintais pequenos devido ao porte e às raízes vigorosas, mas é excelente para sítios, fazendas e parques amplos.

Também conhecido como: Angico-cedro, Angico-rosa, Angico-amarelo, Gurucaia, Curupaí, Angico-verdadeiro

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes, Árvores Ornamentais

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Galeria de fotos de Angico-vermelho

Angico-vermelho adulto isolado mostrando porte grande e copa ampla
Angico-vermelho adulto com copa ampla e tronco avermelhado característico.
Angico-vermelho adulto isolado mostrando porte grande e copa ampla
Angico-vermelho adulto com copa ampla e tronco avermelhado característico.
Folhas bipinadas e flores em espiga do angico-vermelho
Detalhe das folhas bipinadas e das espigas florais amarelo-esverdeadas.
Tronco e casca fissurada avermelhada do angico-vermelho
Casca grossa e avermelhada com fissuras profundas, marca da espécie.
Copa do angico-vermelho vista de baixo
Copa vista de baixo, com folhagem rala típica da espécie semidecídua.
Vagens achatadas e sementes do angico-vermelho
Vagens achatadas que liberam sementes com dormência tegumentar.
Angico-vermelho em área de restauração florestal
Plantio de angico-vermelho em área de restauração de mata ciliar.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou terreno amplo e busca uma árvore nativa rústica para sombra rural, quebra-vento e restauração de mata ciliar. É excelente também para apicultores, pois floresce abundantemente e produz mel claro muito apreciado, além de fixar nitrogênio e melhorar o solo.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçadas, quintais pequenos, perto de muros, piscinas ou fiação elétrica. O porte grande, a queda sazonal de folhas e vagens e as raízes vigorosas exigem espaço e manutenção, além de não oferecer copa densa e perene para quem quer sombra o ano todo.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; não tolera sombra na fase adulta
Rega
Moderada no 1º ano; depois baixa, apenas em estiagens prolongadas
Solo
Profundo, bem drenado, fértil a médio; pH 5,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Temperatura
Subtropical a tropical; tolera geada leve quando adulta; ideal 18 °C a 28 °C
Adubação
Composto orgânico anual na primavera; dispensável após 3 anos em solo bom
Poda
Apenas formação e limpeza no inverno; evitar poda drástica
Propagação
Por sementes com escarificação; germinação em 7 a 20 dias

Perfil rápido de Angico-vermelho

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie nativa com ampla distribuição e populações estáveis.

População
estável
Protegido por
Não protegida por lei específica, mas nativa e recomendada para restauração conforme Lei de Proteção da Vegetação Nativa.

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta estacional semidecidual
  • Mata ciliar
  • Capoeirões e formações secundárias
  • Encostas bem drenadas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Parapiptadenia
Espécie
Parapiptadenia rigida

Resumo

  • O angico-vermelho (Parapiptadenia rigida) é uma árvore nativa semidecídua de 15 a 30 m, com casca avermelhada fissurada e copa ampla.
  • Ocorre na Mata Atlântica, Cerrado e Pampa, floresce entre setembro e novembro e tem madeira muito dura e rica em tanino.
  • É ideal para reflorestamento, sombra rural e apicultura, mas não serve para calçada ou espaços pequenos por causa do porte e das raízes.

Características

Ficha da árvore

Nome popularAngico-vermelho
Nome científicoParapiptadenia rigida (Benth.) Brenan
Família botânicaFabaceae (Mimosoideae)
OrigemAmérica do Sul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
Tamanho15 a 30 m de altura; tronco 40 a 80 cm de diâmetro
CopaAmpla, arredondada a umbeliforme, 8 a 12 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua a caducifólia
CrescimentoModerado a rápido
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada no 1º ano; baixa após estabelecida
SoloProfundo, bem drenado, fértil a medianamente fértil; tolera solos pedregosos
UsosMadeira, reflorestamento, apicultura, sombra rural, tanino
Longevidade80 a 100+ anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraAlto
Resistência à secaAlto
Agressividade das raízesAlto
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaMuito alto

O que é o angico-vermelho e como reconhecê-lo

O angico-vermelho é Parapiptadenia rigida, árvore nativa da América do Sul ainda muito citada como Piptadenia rigida em materiais antigos. Pertence à família Fabaceae e se distingue de outros angicos pela casca mais avermelhada e muito fendilhada.

A identificação em campo é direta. O tronco é tortuoso a reto, com casca grossa, pardo-avermelhada e fissuras longitudinais profundas que soltam placas pequenas. Ramos jovens são acinzentados e finamente pubescentes.

As folhas são bipinadas, com 3 a 6 pares de pinas e 10 a 20 pares de folíolos pequenos por pina, verde-escuras e sensíveis ao frio. No inverno, a árvore fica quase nua, o que ajuda a diferenciá-la de espécies perenes.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar do porte adulto

Em mata, o angico-vermelho atinge 15 a 30 m de altura, com exemplares isolados mais baixos e bem copados. O diâmetro do tronco varia de 40 a 80 cm e a copa chega a 8 a 12 m de largura, arredondada e relativamente rala quando sem folhas.

É árvore de crescimento moderado a rápido nos primeiros anos, podendo passar de 2 m em 2 anos em solo bom e com água no estabelecimento. Depois o ritmo desacelera e o investimento vai para densidade da madeira.

As raízes são vigorosas, superficiais e expansivas, com capacidade de fixar nitrogênio por associação com bactérias. Isso explica a agressividade moderada a alta: podem levantar canteiros, calçadas e competir com gramados próximos.

Onde o angico-vermelho vive no Brasil

A espécie é nativa do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil ocorre com mais frequência no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com manchas no Nordeste.

Seus biomas principais são Mata Atlântica, Cerrado e Pampa, aparecendo também em transições para Caatinga. Habita floresta estacional semidecidual, mata ciliar, capoeirões e encostas bem drenadas.

Prefere clima subtropical a tropical, com estação seca definida, e altitudes de 200 a 1.200 m. Tolera geadas leves depois de adulta, mas mudas jovens precisam de proteção.

Floração, frutos e sementes: quando e como acontece

A floração ocorre de setembro a novembro, logo após a brotação. As flores são pequenas, amarelo-esverdeadas, reunidas em espigas cilíndricas de 5 a 9 cm, muito visitadas por abelhas.

É uma das melíferas nativas mais importantes do Sul. O mel de angico-vermelho é claro, aromático e de cristalização rápida, bastante valorizado na apicultura.

Os frutos amadurecem de novembro a fevereiro. São vagens achatadas, coriáceas, de 10 a 18 cm, que se abrem liberando 8 a 15 sementes achatadas e castanhas com dormência tegumentar. A dispersão é autocórica e anemocórica a curta distância.

Como plantar angico-vermelho do jeito certo

Plante a pleno sol, em área ampla e longe de construções, muros e redes. Respeite pelo menos 8 a 10 m de qualquer edificação e evite plantar em calçada.

A melhor época de plantio é o início da estação chuvosa, de setembro a dezembro, quando a muda enraíza com menos irrigação. Em regiões frias, evite plantar no auge do inverno.

O solo ideal é profundo, bem drenado e com matéria orgânica. A espécie tolera solos pobres e pedregosos, mas não suporta encharcamento prolongado. Faça cova de 60 x 60 x 60 cm, com mistura de terra, composto e areia grossa se o solo for argiloso.

A propagação é por sementes. Elas precisam de escarificação para quebrar a dormência: imersão em água quente a 80 °C por 1 minuto e depois 24 h em água em temperatura ambiente, ou lixa leve no tegumento. A germinação ocorre em 7 a 20 dias e o índice costuma ser alto quando a semente é recém-colhida.

Como cuidar depois do plantio

No primeiro ano, regue 1 a 2 vezes por semana se não chover, mantendo o solo úmido sem encharcar. Após o estabelecimento, a resistência à seca é alta e a rega pode ser suspensa.

Adubação é simples. Uma cobertura anual com composto orgânico no início da primavera é suficiente. Por ser leguminosa, ela mesma enriquece o solo com nitrogênio.

A poda deve ser de formação e limpeza, feita no inverno sem folhas. Remova galhos cruzados, secos ou muito baixos para conduzir um fuste único. Não faça podas drásticas, pois a cicatrização é lenta.

Tutore a muda por 12 a 18 meses em locais com vento. Mantenha o coroamento limpo nos dois primeiros anos para evitar competição com gramíneas, que atrasam muito o crescimento inicial.

Usos da madeira, valor ecológico e paisagismo

A madeira do angico-vermelho é muito dura, densa (0,80 a 1,00 g/cm³), com cerne castanho-avermelhado e alta durabilidade natural. É usada para moirões, dormentes, vigas, assoalhos e lenha de alto poder calórico, mas é difícil de trabalhar e pregar.

A casca é rica em tanino (12 a 18%) e já foi amplamente usada em curtumes. Hoje o uso é menor, mas ainda há interesse para extração de tanantes naturais.

No campo ecológico, é pioneira a secundária inicial, de grande valor para restauração de mata ciliar e áreas degradadas. Cresce rápido, fixa nitrogênio, atrai abelhas nativas, Apis mellifera, borboletas e aves e serve de abrigo para fauna.

No paisagismo, funciona melhor em parques, fazendas, sítios e reflorestamentos do que em jardins urbanos pequenos. Oferece sombra rala a média no verão e sol no inverno, quando perde as folhas, o que é útil em áreas de criação e piquetes.

Pragas, doenças e problemas comuns

É árvore rústica e com poucos problemas fitossanitários. Ocasionalmente surgem lagartas desfolhadoras e serradores (Oncideres spp.) que cortam ponteiros, além de cochonilhas em mudas estressadas.

Em viveiro, o excesso de água pode causar damping-off e podridão de raízes. Em campo, solos compactados e encharcados provocam amarelecimento e queda precoce de folhas.

O maior problema prático não é praga, mas manejo do espaço. Plantar perto de fiação, muros ou piscinas gera conflito com queda de vagens, folhedo no inverno e raízes superficiais. Planejar o local evita cortes futuros.

Curiosidades e confusões frequentes

Muita gente confunde angico-vermelho com angico-branco (Anadenanthera colubrina) e com angico-preto. O vermelho tem folíolos menores e mais numerosos e casca mais avermelhada; o branco tem sementes com forma e casca bem diferentes e uso tradicional distinto.

Outro erro é achar que todo angico é tóxico. As sementes de Anadenanthera contêm bufotenina, mas Parapiptadenia rigida não é usada como alucinógena e seu principal composto de interesse é o tanino da casca, não alcaloides nas sementes.

Na nossa avaliação, o angico-vermelho é uma das melhores nativas para quem precisa de sombra rápida e restauração sem muita frescura, desde que haja espaço. Para jardim pequeno ou calçada, existem nativas de porte menor e raízes menos agressivas que entregam menos dor de cabeça.

Perguntas frequentes

Angico-vermelho cresce rápido?

Sim, tem crescimento moderado a rápido nos primeiros 2 a 3 anos, podendo passar de 2 m nesse período em solo bom e com sol pleno. Depois o crescimento desacelera.

Angico-vermelho pode plantar na calçada?

Não é recomendado. Atinge 15 a 30 m, tem raízes vigorosas e perde folhas e vagens no inverno, causando sujeira e risco de danos à calçada e fiação.

Qual a diferença entre angico-vermelho e angico-branco?

O vermelho é Parapiptadenia rigida, com casca mais avermelhada e folíolos menores e numerosos. O branco é Anadenanthera colubrina, com casca mais clara e sementes diferentes.

Quando o angico-vermelho floresce?

Floresce de setembro a novembro, com espigas amarelo-esverdeadas muito visitadas por abelhas nativas e africanizadas.

Angico-vermelho atrai abelhas?

Sim, é uma das nativas mais melíferas do Sul e Sudeste. A floração abundante produz néctar e pólen em grande quantidade.

A madeira do angico-vermelho é boa?

É muito dura, densa e durável, ótima para moirões, postes, vigas e lenha, mas difícil de serrar e pregar por causa da alta densidade.

Como germinar semente de angico-vermelho?

É preciso quebrar a dormência com escarificação: água a 80 °C por 1 minuto + 24 h de molho, ou lixa leve no tegumento. Germina em 7 a 20 dias.

Você sabia?

1

Casca que virou couro

A casca do angico-vermelho tem de 12% a 18% de tanino e foi uma das principais fontes naturais para curtir couro no Sul do Brasil até a década de 1970.

2

Madeira que afunda

Com densidade de 0,80 a 1,00 g/cm³, a madeira é tão pesada que mal boia na água e é extremamente resistente a fungos e cupins, por isso era usada em dormentes de ferrovia.

3

Relógio do inverno

É uma das primeiras árvores a ficar totalmente nua no inverno no Sul e Sudeste, funcionando como indicadora fenológica da chegada do frio mais intenso.

4

Semente que precisa de susto

As sementes têm dormência tegumentar e só germinam bem após escarificação com água quente ou lixa leve, imitando a passagem pelo trato digestivo ou o fogo baixo natural.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Parapiptadenia rigida
  2. Embrapa Florestas
  3. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF)

Prós e contras: Angico-vermelho

Prós

  • Excelente para reflorestamento e mata ciliar, fixa nitrogênio e melhora o solo
  • Crescimento rápido nos primeiros anos e alta rusticidade
  • Madeira muito dura e durável, com alto poder calorífico
  • Floração melífera abundante, muito visitada por abelhas
  • Tolerante à seca após estabelecida e a geadas leves quando adulta

Contras

  • Porte grande demais para calçadas e quintais pequenos
  • Raízes vigorosas que podem danificar pisos e muros próximos
  • Perde folhas e solta vagens no inverno, gerando sujeira sazonal
  • Copa semidecídua, não oferece sombra densa o ano todo
  • Madeira difícil de trabalhar e sementes com dormência que exige tratamento
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o angico-vermelho é imbatível para restauração e sombra em áreas rurais amplas, mas superestimado como árvore urbana. Se o espaço é limitado, vale escolher uma nativa de menor porte e copa perene.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.