Resumo
- Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum) é uma árvore emergente da Amazônia que atinge 30 a 50 metros e se destaca pela madeira nobre extremamente dura e resistente.
- Tem folhas compostas pinadas, tronco cilíndrico de casca acinzentada e frutos em sâmara com asa que giram ao cair, dispersos pelo vento.
- Exige sol pleno, solo profundo e bem drenado e muito espaço, sendo indicada para reflorestamento, fazendas e grandes áreas, não para calçadas ou quintais pequenos.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Angelim-pedra |
|---|---|
| Nome científico | Hymenolobium petraeum Ducke |
| Família botânica | Fabaceae (Leguminosae) |
| Origem | Amazônia brasileira |
| Tamanho | 30 a 50 m de altura; DAP 90 a 150 cm |
| Copa | Alta, ampla e irregular, concentrada no terço superior |
| Folhagem | Semidecídua a perene; folhas compostas pinadas |
| Crescimento | Lento a moderado |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Moderada na fase jovem; baixa após estabelecida |
| Solo | Profundo, bem drenado, argiloso a latossolo fértil |
| Usos | Madeira nobre, construção pesada, reflorestamento e SAFs |
| Longevidade | 200 a 400 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Baixo |
|---|---|
| Sombra | Muito alto |
| Resistência à seca | Médio |
| Agressividade das raízes | Alto |
| Facilidade de cultivo | Baixo |
| Atrai fauna | Médio |
O que é o Angelim-pedra e por que ele se destaca
O Angelim-pedra é o nome popular mais usado para Hymenolobium petraeum Ducke, uma leguminosa arbórea emergente da Amazônia. O epíteto petraeum vem do latim petra (pedra), referência direta à madeira extremamente dura e pesada, que chega a 0,85 a 0,95 g/cm³ de densidade.
Diferente do que muitos pensam, não é uma única espécie com esse nome no comércio. No mercado madeireiro, Angelim-pedra, Angelim-vermelho e Angelim-ferro são frequentemente misturados, mas botanicamente o Angelim-pedra verdadeiro é Hymenolobium, enquanto o Angelim-vermelho mais comum é Dinizia excelsa. São gêneros distintos, com frutos e flores diferentes.
Na nossa avaliação, o Angelim-pedra é uma das árvores mais subestimadas para quem busca reflorestamento de longo prazo. Ela não entrega sombra rápida nem crescimento explosivo, mas compensa com longevidade, estabilidade e uma madeira que atravessa gerações sem apodrecer.
Como identificar o Angelim-pedra: tronco, folhas e frutos
O tronco é o melhor ponto de partida. É cilíndrico, reto e muito alto, sem ramificações nos primeiros 15 a 25 metros em mata fechada. A casca é acinzentada a pardo-acinzentada, áspera, que se desprende em placas pequenas e irregulares, nunca em lâminas grandes como a do Angelim-vermelho.
As folhas são compostas pinadas, com 6 a 12 folíolos coriáceos, brilhantes na face superior e mais opacos embaixo. Quando novas, têm tom verde-claro avermelhado. A copa, vista de baixo, é aberta e pouco densa, o que permite luz filtrada mesmo sob uma árvore gigante.
O fruto entrega a identidade sem erro. É uma sâmara com uma única asa membranosa de 8 a 12 cm, contendo uma semente na base. Quando cai, gira como hélice e pode ser levada a dezenas de metros pelo vento. A floração é discreta, com pequenas flores rosadas a lilás em panículas, muito visitadas por abelhas grandes.
Onde vive e qual seu habitat natural
O Angelim-pedra é espécie nativa da Amazônia brasileira, com ocorrência confirmada no Pará, Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima e Maranhão, além de áreas de transição para o Cerrado. Fora do Brasil, ocorre em Guiana, Suriname, Venezuela e Colômbia, sempre em floresta de terra firme.
Prefere floresta ombrófila densa de terra firme, em solos profundos, bem drenados e de fertilidade média a alta. Não tolera encharcamento prolongado nem solos rasos e pedregosos. É espécie clímax exigente em luz na fase adulta, mas tolera sombreamento leve quando jovem.
Na mata primária, aparece como emergente isolada, com poucos indivíduos por hectare, e raramente forma maciços homogêneos. Essa baixa densidade natural é um dos motivos pelos quais o manejo sustentável exige planejamento e ciclo de corte muito longo.
Tamanho, copa e raízes: o porte real de uma emergente
Em floresta, o Angelim-pedra atinge 30 a 50 metros de altura, com exemplares excepcionais acima disso. O DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 90 a 150 cm em árvores adultas, com sapopemas discretas na base, bem menores que as do Angelim-vermelho.
A copa é alta, ampla e irregular, com ramos grossos e tortuosos no topo. Projeta sombra extensa, mas não muito densa, o que a torna interessante para sistemas agroflorestais e pastagens arborizadas em grandes propriedades, onde a luz filtrada beneficia o sub-bosque.
O sistema radicular é profundo e vigoroso, com raiz pivotante forte e raízes laterais bem desenvolvidas. É por isso que a espécie tem agressividade moderada a alta: não deve ser plantada perto de muros, casas, tubulações ou fiação. Precisa de raio livre de pelo menos 10 a 15 metros.
Madeira do Angelim-pedra: por que é tão valorizada
A madeira é o principal motivo da fama. É extremamente dura, pesada e resistente a fungos, cupins e umidade, com cerne castanho-avermelhado a castanho-escuro e veios bem marcados. A densidade elevada dificulta o corte e exige ferramentas apropriadas, mas garante durabilidade natural superior a 20 anos em contato com o solo.
Os usos clássicos são construção pesada externa: pontes, dormentes, postes, vigas, assoalhos, decks, escadas e estruturas navais. Também é usada em móveis de alta resistência e, historicamente, em embarcações. É considerada madeira de lei e seu comércio exige origem legal com DOF e manejo autorizado.
Um erro comum é achar que toda madeira escura vendida como Angelim-pedra é Hymenolobium petraeum. No varejo, há mistura com Hymenolobium excelsum e outras espécies do gênero. A diferença só aparece em análise anatômica da madeira e no fruto, não apenas na cor.
| Característica | Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum) | Angelim-vermelho (Dinizia excelsa) |
|---|---|---|
| Família | Fabaceae | Fabaceae (Mimosoideae) |
| Fruto | Sâmara alada com 1 semente | Vagem achatada com várias sementes |
| Casca | Placas pequenas acinzentadas | Escamosa avermelhada que solta em lâminas |
| Porte | 30 a 50 m | 40 a 60 m, pode passar de 80 m |
Como plantar Angelim-pedra no Brasil
O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, entre novembro e março na maior parte da Amazônia e Centro-Oeste. Mudas de viveiro com 40 a 80 cm têm melhor pegamento. Sementes perdem viabilidade rápido e devem ser semeadas logo após a coleta, sem necessidade de quebra de dormência complexa.
Escolha local com sol pleno e solo profundo, bem drenado e com matéria orgânica. Coveie com 40 x 40 x 40 cm no mínimo, maior se o solo for compactado. O espaçamento recomendado é de 6 x 6 m a 10 x 10 m para reflorestamento, ou isolada com grande afastamento em áreas abertas.
Nos primeiros dois anos, mantenha coroamento e roçada para evitar competição com gramíneas. Tutoramento raramente é necessário, pois o fuste é naturalmente reto quando há luz lateral controlada. Irrigação é importante apenas no primeiro período seco após o plantio.
Como cuidar, crescimento e problemas comuns
O crescimento é lento nos primeiros 3 a 5 anos e acelera depois que o sistema radicular se estabelece. Em plantio, o incremento médio anual em altura fica entre 0,6 e 1,2 m nos primeiros anos, bem abaixo de espécies pioneiras como Paricá ou Eucalipto. É árvore para projeto de décadas, não para sombra rápida.
Adubação deve ser leve e baseada em análise de solo. Em geral, usa-se matéria orgânica e fósforo na cova, com reposição anual de cobertura. Poda é mínima: apenas desrama para conduzir fuste único quando jovem. Não faça poda drástica na copa adulta.
Pragas são pouco frequentes em plantios diversificados. Podem ocorrer formigas cortadeiras e lagartas desfolhadoras na fase jovem, além de fungos em solos encharcados. O maior problema, na prática, é plantar em local pequeno ou sombreado, onde a árvore estola, entorta ou não se desenvolve.
Usos no paisagismo, reflorestamento e conservação
No paisagismo urbano, o Angelim-pedra não é indicado para calçadas, ruas estreitas ou quintais. Seu uso correto é em parques, praças amplas, fazendas, reservas e projetos de restauração florestal, onde pode cumprir papel de árvore matriz e de sombra para grandes áreas.
Em reflorestamento e SAFs, é valorizada por ser espécie clímax que atrai polinizadores e melhora a estrutura da floresta a longo prazo. Consorcia bem com espécies de crescimento mais rápido que fazem sombreamento inicial e depois são manejadas.
Por ser madeira nobre, a espécie sofre pressão de exploração ilegal. Prefira sempre madeira com certificação e documento de origem florestal e, se for plantar, adquira mudas de viveiros registrados. Plantar Angelim-pedra é um gesto de conservação que só mostra resultado completo para a próxima geração.
Perguntas frequentes
Angelim-pedra e Angelim-vermelho são a mesma árvore?
Não. Angelim-pedra verdadeiro é Hymenolobium petraeum, com fruto em sâmara alada. Angelim-vermelho é Dinizia excelsa, com vagem achatada e porte ainda maior. No comércio as madeiras se misturam, mas são espécies diferentes.
Qual o tamanho que o Angelim-pedra atinge?
Em mata atinge 30 a 50 metros de altura e 90 a 150 cm de DAP. É uma emergente que se destaca acima do dossel.
Pode plantar Angelim-pedra na calçada?
Não é recomendado. Tem raízes vigorosas, copa muito ampla e precisa de 10 a 15 metros livres de construções e fiação.
Quanto tempo demora para crescer?
Crescimento lento a moderado. Nos primeiros anos cresce 0,6 a 1,2 m por ano e só atinge porte adulto após décadas.
A madeira do Angelim-pedra é boa para área externa?
Sim, é uma das mais duráveis para área externa, resistente a fungos, cupins e umidade, ideal para decks, vigas e pontes quando de origem legal.
Como conseguir mudas de Angelim-pedra?
Procure viveiros florestais registrados e que trabalhem com espécies nativas da Amazônia. Sementes devem ser semeadas logo após a coleta, pois perdem viabilidade rápido.
Você sabia?
Nome que é literal
O epíteto petraeum significa "de pedra" em latim, dado pela madeira tão densa que afunda na água e resiste a pregos comuns sem pré-furo.
Semente que voa girando
O fruto é uma sâmara alada que gira como helicóptero ao cair, estratégia de dispersão pelo vento rara entre as gigantes da Amazônia.
Confusão no comércio
Muita madeira vendida como Angelim-pedra na verdade é de outras espécies de Hymenolobium, distinguíveis só pelo fruto e pela anatomia da madeira, não pela cor.
Gigante que demora
Em mata primária, um Angelim-pedra pode levar mais de 80 anos para atingir porte comercial, por isso o ciclo de manejo legal é um dos mais longos da Amazônia.










