🌳 Árvores

Angelim-pedra

Hymenolobium petraeum

Atualizado em

30 a 50 m de alturaTamanho
Semidecídua a pereneFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
200 a 400 anosLongevidade
Angelim-pedra adulto emergente na floresta amazônica com tronco reto e copa alta

O Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum) é uma árvore emergente da Amazônia, famosa pela madeira nobre de altíssima densidade e durabilidade. Pode ultrapassar 40 metros de altura, com tronco reto e copa alta que se destaca acima do dossel da floresta.

Muito confundido com o Angelim-vermelho (Dinizia excelsa), o Angelim-pedra verdadeiro pertence à família Fabaceae e tem como marca o fruto em forma de sâmara alada e a casca acinzentada que se solta em pequenas placas. É espécie de crescimento lento a moderado, exigente em luz e espaço.

Na natureza ocorre em floresta de terra firme e é amplamente usada em construção pesada, estruturas externas e reflorestamento de grandes áreas. Não é árvore para calçada ou quintal pequeno, mas sim para quem pode oferecer espaço e tempo para uma gigante crescer.

Também conhecido como: Angelim-pedra-verdadeiro, Angelim-da-mata, Angelim-preto, Sapupira-da-mata

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Angelim-pedra

Angelim-pedra adulto emergente na floresta amazônica com tronco reto e copa alta
Angelim-pedra adulto emergente, com tronco reto que ultrapassa o dossel.
Folhas compostas pinadas do Angelim-pedra com folíolos brilhantes
Folhas compostas pinadas, com folíolos coriáceos e brilhantes.
Casca acinzentada do tronco do Angelim-pedra com placas pequenas
Casca acinzentada que se solta em pequenas placas irregulares.
Fruto sâmara alada do Angelim-pedra com asa membranosa
Fruto em sâmara alada, que gira ao cair e é disperso pelo vento.
Copa do Angelim-pedra vista de baixo com ramos altos e abertos
Copa alta e aberta, típica de árvore emergente.
Muda jovem de Angelim-pedra em viveiro florestal
Muda jovem, fase que exige coroamento e proteção contra mato.
Ideal para

Ideal para quem tem áreas amplas como fazendas, sítios grandes, parques ou projetos de reflorestamento e quer uma árvore nativa de vida muito longa e madeira nobre. Funciona bem em sistemas agroflorestais e como árvore matriz para restauração da Amazônia, onde há sol pleno e solo profundo disponível.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem busca sombra rápida, tem quintal pequeno, calçada estreita ou mora em apartamento. Também não serve para quem tem pouco tempo ou quer manejo simples, pois exige espaço de 10 a 15 metros livres, crescimento lento nos primeiros anos e cuidados contra competição com mato.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; jovem tolera meia-sombra leve, adulta exige luz total
Rega
Moderada no 1º ano; depois apenas em secas prolongadas
Solo
Profundo, bem drenado, fértil, pH 4,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Clima
Tropical úmido; temperatura 22 a 28 °C e alta umidade; sensível a geada
Adubação
Matéria orgânica na cova + fósforo; manutenção anual leve conforme análise
Poda
Apenas desrama de condução nos primeiros anos; evitar poda de copa adulta
Propagação
Por sementes recém-colhidas; semear logo após coleta, germinação em 10 a 25 dias

Perfil rápido de Angelim-pedra

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Ainda não avaliada individualmente pela IUCN, mas sujeita à pressão por exploração madeireira seletiva.

População
desconhecida
Protegido por
Manejo controlado: exige plano de manejo florestal sustentável e DOF no Brasil

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Plantio (mudas)JFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta de terra firme
  • Floresta ombrófila densa
  • Mata de transição Amazônia-Cerrado

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Guiana
  • Suriname
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Hymenolobium
Espécie
Hymenolobium petraeum

Resumo

  • Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum) é uma árvore emergente da Amazônia que atinge 30 a 50 metros e se destaca pela madeira nobre extremamente dura e resistente.
  • Tem folhas compostas pinadas, tronco cilíndrico de casca acinzentada e frutos em sâmara com asa que giram ao cair, dispersos pelo vento.
  • Exige sol pleno, solo profundo e bem drenado e muito espaço, sendo indicada para reflorestamento, fazendas e grandes áreas, não para calçadas ou quintais pequenos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularAngelim-pedra
Nome científicoHymenolobium petraeum Ducke
Família botânicaFabaceae (Leguminosae)
OrigemAmazônia brasileira
Tamanho30 a 50 m de altura; DAP 90 a 150 cm
CopaAlta, ampla e irregular, concentrada no terço superior
FolhagemSemidecídua a perene; folhas compostas pinadas
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada na fase jovem; baixa após estabelecida
SoloProfundo, bem drenado, argiloso a latossolo fértil
UsosMadeira nobre, construção pesada, reflorestamento e SAFs
Longevidade200 a 400 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMuito alto
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesAlto
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaMédio

O que é o Angelim-pedra e por que ele se destaca

O Angelim-pedra é o nome popular mais usado para Hymenolobium petraeum Ducke, uma leguminosa arbórea emergente da Amazônia. O epíteto petraeum vem do latim petra (pedra), referência direta à madeira extremamente dura e pesada, que chega a 0,85 a 0,95 g/cm³ de densidade.

Diferente do que muitos pensam, não é uma única espécie com esse nome no comércio. No mercado madeireiro, Angelim-pedra, Angelim-vermelho e Angelim-ferro são frequentemente misturados, mas botanicamente o Angelim-pedra verdadeiro é Hymenolobium, enquanto o Angelim-vermelho mais comum é Dinizia excelsa. São gêneros distintos, com frutos e flores diferentes.

Na nossa avaliação, o Angelim-pedra é uma das árvores mais subestimadas para quem busca reflorestamento de longo prazo. Ela não entrega sombra rápida nem crescimento explosivo, mas compensa com longevidade, estabilidade e uma madeira que atravessa gerações sem apodrecer.

Como identificar o Angelim-pedra: tronco, folhas e frutos

O tronco é o melhor ponto de partida. É cilíndrico, reto e muito alto, sem ramificações nos primeiros 15 a 25 metros em mata fechada. A casca é acinzentada a pardo-acinzentada, áspera, que se desprende em placas pequenas e irregulares, nunca em lâminas grandes como a do Angelim-vermelho.

As folhas são compostas pinadas, com 6 a 12 folíolos coriáceos, brilhantes na face superior e mais opacos embaixo. Quando novas, têm tom verde-claro avermelhado. A copa, vista de baixo, é aberta e pouco densa, o que permite luz filtrada mesmo sob uma árvore gigante.

O fruto entrega a identidade sem erro. É uma sâmara com uma única asa membranosa de 8 a 12 cm, contendo uma semente na base. Quando cai, gira como hélice e pode ser levada a dezenas de metros pelo vento. A floração é discreta, com pequenas flores rosadas a lilás em panículas, muito visitadas por abelhas grandes.

Onde vive e qual seu habitat natural

O Angelim-pedra é espécie nativa da Amazônia brasileira, com ocorrência confirmada no Pará, Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima e Maranhão, além de áreas de transição para o Cerrado. Fora do Brasil, ocorre em Guiana, Suriname, Venezuela e Colômbia, sempre em floresta de terra firme.

Prefere floresta ombrófila densa de terra firme, em solos profundos, bem drenados e de fertilidade média a alta. Não tolera encharcamento prolongado nem solos rasos e pedregosos. É espécie clímax exigente em luz na fase adulta, mas tolera sombreamento leve quando jovem.

Na mata primária, aparece como emergente isolada, com poucos indivíduos por hectare, e raramente forma maciços homogêneos. Essa baixa densidade natural é um dos motivos pelos quais o manejo sustentável exige planejamento e ciclo de corte muito longo.

Tamanho, copa e raízes: o porte real de uma emergente

Em floresta, o Angelim-pedra atinge 30 a 50 metros de altura, com exemplares excepcionais acima disso. O DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 90 a 150 cm em árvores adultas, com sapopemas discretas na base, bem menores que as do Angelim-vermelho.

A copa é alta, ampla e irregular, com ramos grossos e tortuosos no topo. Projeta sombra extensa, mas não muito densa, o que a torna interessante para sistemas agroflorestais e pastagens arborizadas em grandes propriedades, onde a luz filtrada beneficia o sub-bosque.

O sistema radicular é profundo e vigoroso, com raiz pivotante forte e raízes laterais bem desenvolvidas. É por isso que a espécie tem agressividade moderada a alta: não deve ser plantada perto de muros, casas, tubulações ou fiação. Precisa de raio livre de pelo menos 10 a 15 metros.

Madeira do Angelim-pedra: por que é tão valorizada

A madeira é o principal motivo da fama. É extremamente dura, pesada e resistente a fungos, cupins e umidade, com cerne castanho-avermelhado a castanho-escuro e veios bem marcados. A densidade elevada dificulta o corte e exige ferramentas apropriadas, mas garante durabilidade natural superior a 20 anos em contato com o solo.

Os usos clássicos são construção pesada externa: pontes, dormentes, postes, vigas, assoalhos, decks, escadas e estruturas navais. Também é usada em móveis de alta resistência e, historicamente, em embarcações. É considerada madeira de lei e seu comércio exige origem legal com DOF e manejo autorizado.

Um erro comum é achar que toda madeira escura vendida como Angelim-pedra é Hymenolobium petraeum. No varejo, há mistura com Hymenolobium excelsum e outras espécies do gênero. A diferença só aparece em análise anatômica da madeira e no fruto, não apenas na cor.

Característica Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum) Angelim-vermelho (Dinizia excelsa)
Família Fabaceae Fabaceae (Mimosoideae)
Fruto Sâmara alada com 1 semente Vagem achatada com várias sementes
Casca Placas pequenas acinzentadas Escamosa avermelhada que solta em lâminas
Porte 30 a 50 m 40 a 60 m, pode passar de 80 m

Como plantar Angelim-pedra no Brasil

O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, entre novembro e março na maior parte da Amazônia e Centro-Oeste. Mudas de viveiro com 40 a 80 cm têm melhor pegamento. Sementes perdem viabilidade rápido e devem ser semeadas logo após a coleta, sem necessidade de quebra de dormência complexa.

Escolha local com sol pleno e solo profundo, bem drenado e com matéria orgânica. Coveie com 40 x 40 x 40 cm no mínimo, maior se o solo for compactado. O espaçamento recomendado é de 6 x 6 m a 10 x 10 m para reflorestamento, ou isolada com grande afastamento em áreas abertas.

Nos primeiros dois anos, mantenha coroamento e roçada para evitar competição com gramíneas. Tutoramento raramente é necessário, pois o fuste é naturalmente reto quando há luz lateral controlada. Irrigação é importante apenas no primeiro período seco após o plantio.

Como cuidar, crescimento e problemas comuns

O crescimento é lento nos primeiros 3 a 5 anos e acelera depois que o sistema radicular se estabelece. Em plantio, o incremento médio anual em altura fica entre 0,6 e 1,2 m nos primeiros anos, bem abaixo de espécies pioneiras como Paricá ou Eucalipto. É árvore para projeto de décadas, não para sombra rápida.

Adubação deve ser leve e baseada em análise de solo. Em geral, usa-se matéria orgânica e fósforo na cova, com reposição anual de cobertura. Poda é mínima: apenas desrama para conduzir fuste único quando jovem. Não faça poda drástica na copa adulta.

Pragas são pouco frequentes em plantios diversificados. Podem ocorrer formigas cortadeiras e lagartas desfolhadoras na fase jovem, além de fungos em solos encharcados. O maior problema, na prática, é plantar em local pequeno ou sombreado, onde a árvore estola, entorta ou não se desenvolve.

Usos no paisagismo, reflorestamento e conservação

No paisagismo urbano, o Angelim-pedra não é indicado para calçadas, ruas estreitas ou quintais. Seu uso correto é em parques, praças amplas, fazendas, reservas e projetos de restauração florestal, onde pode cumprir papel de árvore matriz e de sombra para grandes áreas.

Em reflorestamento e SAFs, é valorizada por ser espécie clímax que atrai polinizadores e melhora a estrutura da floresta a longo prazo. Consorcia bem com espécies de crescimento mais rápido que fazem sombreamento inicial e depois são manejadas.

Por ser madeira nobre, a espécie sofre pressão de exploração ilegal. Prefira sempre madeira com certificação e documento de origem florestal e, se for plantar, adquira mudas de viveiros registrados. Plantar Angelim-pedra é um gesto de conservação que só mostra resultado completo para a próxima geração.

Perguntas frequentes

Angelim-pedra e Angelim-vermelho são a mesma árvore?

Não. Angelim-pedra verdadeiro é Hymenolobium petraeum, com fruto em sâmara alada. Angelim-vermelho é Dinizia excelsa, com vagem achatada e porte ainda maior. No comércio as madeiras se misturam, mas são espécies diferentes.

Qual o tamanho que o Angelim-pedra atinge?

Em mata atinge 30 a 50 metros de altura e 90 a 150 cm de DAP. É uma emergente que se destaca acima do dossel.

Pode plantar Angelim-pedra na calçada?

Não é recomendado. Tem raízes vigorosas, copa muito ampla e precisa de 10 a 15 metros livres de construções e fiação.

Quanto tempo demora para crescer?

Crescimento lento a moderado. Nos primeiros anos cresce 0,6 a 1,2 m por ano e só atinge porte adulto após décadas.

A madeira do Angelim-pedra é boa para área externa?

Sim, é uma das mais duráveis para área externa, resistente a fungos, cupins e umidade, ideal para decks, vigas e pontes quando de origem legal.

Como conseguir mudas de Angelim-pedra?

Procure viveiros florestais registrados e que trabalhem com espécies nativas da Amazônia. Sementes devem ser semeadas logo após a coleta, pois perdem viabilidade rápido.

Você sabia?

1

Nome que é literal

O epíteto petraeum significa "de pedra" em latim, dado pela madeira tão densa que afunda na água e resiste a pregos comuns sem pré-furo.

2

Semente que voa girando

O fruto é uma sâmara alada que gira como helicóptero ao cair, estratégia de dispersão pelo vento rara entre as gigantes da Amazônia.

3

Confusão no comércio

Muita madeira vendida como Angelim-pedra na verdade é de outras espécies de Hymenolobium, distinguíveis só pelo fruto e pela anatomia da madeira, não pela cor.

4

Gigante que demora

Em mata primária, um Angelim-pedra pode levar mais de 80 anos para atingir porte comercial, por isso o ciclo de manejo legal é um dos mais longos da Amazônia.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. Reflora - Herbário Virtual

Prós e contras: Angelim-pedra

Prós

  • Madeira nobre extremamente dura e durável, ótima para construção pesada externa
  • Longevidade de séculos, ideal para reflorestamento e legado florestal
  • Copa alta que fornece sombra extensa sem abafar totalmente o sub-bosque
  • Baixa exigência após estabelecida e boa resistência a pragas em plantio diversificado
  • Espécie nativa da Amazônia, importante para restauração e atração de polinizadores

Contras

  • Crescimento lento nos primeiros anos, não serve para sombra rápida
  • Porte gigante com raízes vigorosas, incompatível com calçadas e quintais pequenos
  • Exige solo profundo, bem drenado e sol pleno; não tolera encharcamento ou geada
  • Madeira difícil de trabalhar sem ferramentas adequadas e exige origem legal comprovada
  • Mudas e sementes nem sempre disponíveis fora da região amazônica
Nossa opinião

O Angelim-pedra é a escolha certa para quem pensa em legado florestal, não em resultado imediato. Na nossa avaliação, plantá-lo só faz sentido se houver espaço de sobra e compromisso de longo prazo, pois sua maior virtude — durar séculos — exige paciência nos primeiros anos.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.