🌳 Árvores

Pau-brasil

Paubrasilia echinata

Atualizado em

8 a 15 m (até 30 m na mata)Tamanho
SemicaducifóliaFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
+100 anosLongevidade
Pau-brasil adulto de copa arredondada em parque com luz natural

O pau-brasil é a árvore que deu nome ao Brasil e, por séculos, foi a mais valiosa da Mata Atlântica. De porte médio a grande, tem tronco aculeado, flores amarelo-ouro perfumadas e madeira de cerne vermelho intenso, muito densa e usada para arcos de violino.

Hoje é rara na natureza e protegida por lei, mas pode ser plantada em parques, sítios e grandes quintais como árvore ornamental, de sombra leve e de reflorestamento. Cresce devagar, vive mais de um século e atrai abelhas e pássaros quando floresce na primavera.

Também conhecido como: pau-de-pernambuco, ibirapitanga, orabutã, pau-rosado, brasilwood (inglês)

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes, Árvores Ornamentais

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Galeria de fotos de Pau-brasil

Pau-brasil adulto de copa arredondada em parque com luz natural
Pau-brasil adulto com copa arredondada e porte médio a grande.
Folhas bipinadas e flores amarelas com centro vermelho do pau-brasil
Folhas bipinadas brilhantes e flores amarelo-ouro com pétala central vermelha.
Tronco do pau-brasil com casca acinzentada e acúleos escuros
Tronco acinzentado característico com acúleos curtos e escuros.
Copa do pau-brasil vista de baixo contra o céu azul
Copa de sombra leve vista de baixo, com folhagem semicaducifólia.
Frutos em vagem espinhosa do pau-brasil no ramo
Vagens lenhosas e espinhosas que estalam ao secar para liberar sementes.
Pau-brasil jovem plantado em jardim amplo com tutor
Muda jovem em área ampla e ensolarada, ideal para o desenvolvimento.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara, fazenda ou praça ampla e quer uma árvore símbolo, de sombra leve e de longa vida para reflorestamento ou paisagismo histórico. Também é ótima para projetos de educação ambiental e Mata Atlântica, já que atrai polinizadores e conta a história do Brasil.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçada estreita, quintal pequeno ou sob fiação elétrica, pois precisa de sol pleno e de copa com até 10 m de diâmetro. Também não serve para quem busca crescimento muito rápido, sombra densa imediata ou árvore sem espinhos, já que tem acúleos no tronco e vagens espinhosas.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; não floresce bem à meia-sombra
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, com matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Rega
1 a 2 vezes por semana nos 2 primeiros anos; depois só em estiagem prolongada
Adubação
Anual com composto orgânico ou NPK de liberação lenta no início das chuvas
Poda
Apenas formação e limpeza no inverno; usar luvas por causa dos acúleos
Propagação
Por sementes com escarificação leve; germinação em 15 a 30 dias
Temperatura
Tropical a subtropical; sensível a geada forte e encharcamento frio

Perfil rápido de Pau-brasil

Estado de conservação

EN
Em Perigo

População reduzida a menos de 10% da cobertura original da Mata Atlântica por séculos de exploração.

População
Em declínio
Protegido por
Sim — Lei Federal 6.607/1978, protegida por lei e listada no Apêndice II da CITES; corte de nativas proibido

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda parcial de folhasJFMAMJJASOND
Plantio de mudasJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta ombrófila densa litorânea
  • Florestas estacionais semideciduais
  • Restingas e tabuleiros costeiros

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Paubrasilia
Espécie
Paubrasilia echinata

Resumo

  • Pau-brasil é a árvore símbolo nacional, nativa da Mata Atlântica, famosa pelo cerne vermelho que libera o corante brasilina e pelas flores amarelas em cachos perfumados.
  • Atinge 8 a 15 m em cultivo (até 30 m na mata), tem tronco com acúleos, folhas bipinadas semicaducifólias e frutos em forma de vagem espinhosa com sementes duras.
  • É espécie ameaçada de extinção (EN), protegida por lei federal e CITES, de crescimento lento a moderado, que exige sol pleno, solo bem drenado e espaço para a copa.

Características

Ficha da árvore

Nome popularPau-brasil
Nome científicoPaubrasilia echinata (Lam.) Gagnon, H.C. Lima & G.P. Lewis
Família botânicaFabaceae
OrigemMata Atlântica litorânea do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro)
Tamanho8 a 15 m em cultivo; até 30 m na mata nativa
CopaArredondada a irregular, 6 a 10 m de diâmetro
FolhagemSemicaducifólia
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; tolera estiagem curta após pegamento
SoloProfundo, fértil, bem drenado, levemente ácido
UsosOrnamental, reflorestamento, madeira nobre (arcos de violino), símbolo histórico
LongevidadeMais de 100 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMédio
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

O que torna o pau-brasil diferente de qualquer outra árvore

O pau-brasil não é só mais uma árvore da Mata Atlântica. É a espécie símbolo do Brasil, que batizou o país por causa do seu cerne vermelho-cor de brasa. Em tupi, ibirapitanga significa madeira vermelha.

Botanicamente, ela mudou de nome em 2016. Saiu de Caesalpinia echinata para Paubrasilia echinata, gênero criado só para ela. Isso mostra o quanto é única: não se encaixa bem em nenhum outro grupo.

O diferencial prático está na madeira. Quando cortada, ela é amarelada, mas oxida em minutos para vermelho-alaranjado intenso por causa da brasilina, que vira brasileína. Essa química rendeu séculos de exploração para corante e hoje sustenta um nicho muito específico: arcos de violino de alta qualidade.

Como identificar: tronco, folhas, flores e frutos

O tronco é o melhor atalho. É acinzentado e coberto de acúleos curtos e escuros, como espinhos rombudos. Árvores jovens têm mais acúleos; nas velhas, parte deles cai e o tronco fica mais liso e com fissuras.

As folhas são bipinadas e brilhantes, com folíolos pequenos, ovalados e verde-escuros. A folhagem é semicaducifólia: perde parte das folhas no inverno seco, mas nunca fica totalmente pelada por muito tempo.

Na primavera, a identificação fica fácil. A floração forma cachos com flores amarelo-ouro de quatro pétalas amarelas e uma central vermelha, muito perfumadas. O cheiro lembra cravo e atrai abelhas nativas e mamangavas.

Depois vêm os frutos: vagens lenhosas de 7 a 10 cm, cobertas de espinhos finos, que estalam quando secam e lançam as sementes a alguns metros. As sementes são marrons, duras e com dormência tegumentar.

Onde ocorre naturalmente e onde plantar hoje

Na natureza, o pau-brasil é endêmico da Mata Atlântica litorânea, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro, principalmente em florestas de tabuleiro, encostas e restingas. Quase desapareceu da costa por corte raso entre 1500 e 1900.

Hoje os remanescentes mais importantes estão em reservas no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além de arboretos e jardins botânicos. É raro encontrar exemplares espontâneos fora de áreas protegidas.

Para plantio, ela vai bem em clima tropical e subtropical úmido, sem geada forte. Aceita litoral e interior, desde que tenha sol pleno e solo bem drenado. Não é árvore de vaso nem de calçada estreita.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no terreno

Em cultivo urbano e em reflorestamento, o pau-brasil costuma ficar entre 8 e 15 m de altura, com tronco de 40 a 70 cm de diâmetro. Na mata primária, com competição por luz, pode passar de 30 m.

A copa é arredondada a irregular, com 6 a 10 m de diâmetro, de sombra leve a média. Não é sombra fechada como a de uma mangueira, mas filtra bem o sol e cria um microclima agradável.

As raízes são pivotantes e pouco agressivas quando comparadas a ficus ou sibipiruna. Não costumam levantar calçada se houver solo profundo e canteiro de pelo menos 2 x 2 m. Mesmo assim, evite plantar a menos de 4 m de muros, tubulações rasas e fiação baixa.

Como plantar pau-brasil do jeito certo

A propagação é por sementes. Elas têm casca dura e precisam de escarificação leve (lixar de leve o lado oposto ao hilo ou imersão rápida em água morna) para germinar em 15 a 30 dias. Sem isso, a germinação é baixa e demorada.

Plante no início da estação chuvosa, entre outubro e dezembro na maior parte do Brasil. Use berço de 60 x 60 x 60 cm, com solo fértil, areia grossa para drenagem e matéria orgânica. Mudas de 50 a 80 cm pegam melhor que sementes direto no local.

Nos dois primeiros anos, tutoramento e irrigação semanal fazem diferença. Depois de estabelecida, a árvore tolera estiagem curta, mas cresce mais rápido com água regular. Evite encharcamento prolongado.

Como cuidar: luz, rega, solo e poda

Luz é inegociável: sol pleno o dia todo. À meia-sombra ela estica, fica rala e quase não floresce. Solo ideal é profundo, fértil e bem drenado, pH 5,5 a 6,5. Solos compactados ou encharcados travam o crescimento.

Rega: moderada. Muda jovem precisa de 1 a 2 regas por semana sem chuva. Árvore adulta só precisa de rega em secas longas. Adubação anual com composto orgânico e cobertura morta ajuda a manter a umidade.

Poda deve ser leve e de formação, no inverno, apenas para conduzir um tronco único e retirar galhos secos ou cruzados. Não faça poda drástica: ela cicatriza devagar e perde a forma natural da copa. Os acúleos exigem luvas grossas.

Usos no paisagismo, na história e na natureza

No paisagismo, o pau-brasil funciona como árvore de destaque em parques, praças amplas, fazendas e sítios. É ornamental pela floração amarela, pela casca aculeada e pelo valor simbólico. Também é excelente para restauração da Mata Atlântica.

Historicamente, foi a primeira riqueza explorada no Brasil. Entre 1500 e 1850, estima-se que mais de 2 milhões de toras foram embarcadas para a Europa como corante vermelho para tecidos. Quando surgiram corantes sintéticos, a pressão diminuiu, mas a madeira continuou valorizada para arcos de violino, viola e violoncelo por sua densidade, elasticidade e ressonância.

Na ecologia, a floração sustenta abelhas nativas, mamangavas e pequenos besouros, e as folhas alimentam alguns insetos mastigadores sem grande dano. Não é árvore que suja muito, mas solta vagens espinhosas no verão.

É uma árvore rústica. Os problemas mais comuns são lagartas desfolhadoras e serradores em mudas, além de fungos de solo se houver encharcamento. Em geral, não precisa de defensivos se o solo drenar bem e houver sol.

O maior erro é plantar em local pequeno ou sombreado. Ela não floresce, cresce torta e pode ser cortada depois por falta de espaço. Outro erro é comprar madeira ou muda sem origem legal.

O pau-brasil é protegido por lei. A Lei Federal 6.607 de 1978 declarou o Dia do Pau-Brasil em 3 de maio e a espécie consta como Em Perigo (EN) na IUCN e no Apêndice II da CITES. O corte de nativas é proibido; só é permitido manejar madeira de plantio comprovado e certificado. Mudas devem vir de viveiros autorizados.

Curiosidades que pouca gente sabe

A árvore demorou para ter dia nacional porque quase sumiu antes de ser protegida. O programa de reflorestamento mais famoso, iniciado na década de 1970, distribuiu milhões de mudas e salvou a espécie da extinção total no litoral.

O nome echinata vem do latim e significa ouriço, referência direta às vagens espinhosas. E o vermelho da madeira não é pigmento fixo: é uma reação química com o ar.

Perguntas frequentes

Pau-brasil pode ser plantado na calçada?

Não é recomendado para calçadas estreitas ou sob fiação. Precisa de canteiro de pelo menos 2 x 2 m, sol pleno e 4 m de distância de muros.

Quanto tempo demora para florescer?

Em boas condições, começa a florescer entre 5 e 8 anos após o plantio da muda, com pico entre setembro e dezembro.

É crime cortar pau-brasil?

Sim, cortar exemplares nativos é crime ambiental. Só é permitido usar madeira de plantio cultivado com origem e certificação comprovadas.

Como germinar semente de pau-brasil?

Escarifique levemente a casca dura e deixe em água por 24 horas. Semeie a 1 cm de profundidade; germina em 15 a 30 dias.

Pau-brasil tem espinhos?

Tem acúleos no tronco e espinhos finos nas vagens. É preciso usar luvas grossas no manejo e manter distância de áreas de circulação intensa de crianças.

Qual a diferença entre pau-brasil e pau-ferro?

São espécies diferentes. O pau-brasil tem flores amarelas com centro vermelho e cerne vermelho; o pau-ferro (Libidibia ferrea) tem casca lisa manchada e flores amarelas menores.

Onde comprar muda legalizada?

Em viveiros autorizados pelo órgão ambiental estadual e com nota de origem. Evite mudas extrativistas sem procedência.

Você sabia?

1

O vermelho que muda sozinho

A madeira recém-cortada é amarelada e fica vermelha em minutos. A brasilina incolor oxida e vira brasileína, o corante que tingia tecidos na Europa por 300 anos.

2

Um gênero só para ela

Até 2016 era Caesalpinia echinata. Estudos genéticos mostraram que era tão distinta que ganhou gênero próprio: Paubrasilia, com uma única espécie.

3

Vagem que explode

O fruto seco se abre com estalo audível e arremessa as sementes a até 5 metros, estratégia para se afastar da planta-mãe na mata fechada.

4

Arco de violino de R$ 10 mil

A densidade e elasticidade da madeira a tornam insubstituível para arcos profissionais. Por isso a espécie entrou no Apêndice II da CITES para controlar o comércio internacional.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Paubrasilia echinata
  4. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Prós e contras: Pau-brasil

Prós

  • Árvore símbolo nacional com alto valor histórico e educativo
  • Floração amarela perfumada que atrai abelhas nativas
  • Madeira nobre e durável, com uso consagrado em arcos de instrumentos
  • Longevidade superior a 100 anos e boa para reflorestamento
  • Raízes pouco agressivas quando plantada com espaço adequado

Contras

  • Crescimento lento a moderado, demora para fazer sombra
  • Possui acúleos no tronco e frutos espinhosos
  • Exige sol pleno e espaço amplo, não serve para vaso ou calçada estreita
  • Espécie ameaçada com comércio e corte controlados por lei
  • Pode perder parte das folhas no inverno seco
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pau-brasil é menos árvore de calçada e mais monumento vivo: vale plantá-lo onde possa crescer por 100 anos e ser contemplado. Para sombra rápida ou espaço pequeno, existem opções melhores; para história, identidade e restauração da Mata Atlântica, nenhuma supera.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.