🕷️ Aranhas

Maria-bola

Parawixia audax (principal representante do grupo conhecido como Maria-bola - complexo Parawixia spp. / Neoscona spp.)

Atualizado em

8 a 12 mm (fêmea)Tamanho
Baixo / InofensivaPerigo para humanos
Fraco, sem risco médicoVeneno
1 a 2 anosExpectativa de vida
Jardins, muros e matasHabitat
Maria-bola marrom com abdômen globoso no centro da teia orbital à noite

A Maria-bola é o nome popular de um grupo de aranhas orbitais da família Araneidae, muito comuns em jardins, varandas e muros de todo o Brasil. De corpo globoso e coloração marrom ou acinzentada, ela chama atenção pela teia circular perfeita que constrói à noite e recolhe ao amanhecer.

Apesar do susto que causa pelo tamanho e pela teia grande, é uma aranha tímida, de veneno fraco e sem importância médica para humanos. É uma grande aliada no controle natural de mosquitos, mariposas e outros insetos, sendo considerada inofensiva quando não é manuseada.

Também conhecido como: Maria-bola, Aranha de jardim, Aranha orbital, Aranha de bola, Labirinto (em algumas regiões)

Faz parte de: Aranhas de Casa, Aranhas do Brasil, Aranhas Inofensivas

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Galeria de fotos de Maria-bola

Maria-bola marrom com abdômen globoso no centro da teia orbital à noite
Fêmea de Maria-bola no centro da teia orbital noturna.
Close dos olhos e quelíceras da aranha Maria-bola
Detalhe dos olhos e quelíceras da Maria-bola.
Maria-bola escondida e camuflada em folha seca durante o dia
Durante o dia, fica camuflada em folhas enroladas.
Maria-bola enrolando mariposa capturada na teia
Enrolando presa capturada na teia.
Detalhe das pernas listradas e padrão do abdômen da Maria-bola
Pernas listradas e abdômen globoso característico.
Ooteca de seda da Maria-bola com filhotes
Ooteca de seda com centenas de ovos.

Perfil rápido de Maria-bola

Calendário

Maior atividade e teias visíveisJFMAMJJASOND
Reprodução e ootecasJFMAMJJASOND
Dispersão de filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa, sem importância médica

Veneno fraco, restrito a insetos. Picada pode causar dor e vermelhidão local leve. Risco maior apenas para pessoas alérgicas. Em caso de picada, lavar e procurar serviço de saúde se houver reação intensa.

Vida útil

Na natureza
12 a 24 meses, com fêmeas vivendo mais que machos
Em cativeiro
Não recomendada a criação; não se adapta bem fora do ambiente natural

Reprodução

Acasalamento
No verão, macho vibra a teia da fêmea para cortejo
Tipo de nascimento
Ovípara, com ooteca de seda
Ninhada
200 a 500 ovos por ooteca, 1 a 3 ootecas por ciclo
Cuidado parental
Fêmea guarda a ooteca em folha enrolada até a eclosão
Maturidade
3 a 6 meses após a eclosão

Habitat

Ambientes

  • Jardins e quintais
  • Varandas e muros
  • Arbustos e árvores baixas
  • Bordas de mata e capoeira
  • Áreas urbanas iluminadas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Mosquitos e pernilongos
  • Mariposas e moscas
  • Besouros pequenos
  • Outros insetos voadores

Outros alimentos

  • Pequenos insetos capturados na teia orbital

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Arachnida
Ordem
Araneae
Família
Araneidae
Gênero
Parawixia / Neoscona (complexo Maria-bola)
Espécie
Parawixia audax (principal representante)

Resumo

  • Maria-bola é o nome popular de aranhas orbitais noturnas da família Araneidae, com corpo globoso marrom de 8 a 12 mm e teia circular grande.
  • Não é perigosa para humanos: seu veneno é fraco, a picada causa dor local leve e ela foge ao ser perturbada, sem comportamento agressivo.
  • Vive em jardins, muros e vegetação em todo o Brasil, caça à noite e é útil no controle de insetos, devendo ser apenas realocada se estiver em local indesejado.

Características

Ficha da aranha

OrdemAraneae
FamíliaAraneidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; muito comum em todo o Brasil
Tamanho (corpo)Fêmeas 8 a 12 mm; machos 5 a 8 mm
Envergadura das pernasAté 25 a 30 mm
Coresmarrombegecinzamarrom-escurobranco
TeiaOrbital circular, vertical, de até 30 cm de diâmetro
AlimentaçãoInsetos voadores (mosquitos, mariposas, moscas, besouros)
VenenoPouco ativo em humanos, sem importância médica
HabitatVegetação arbustiva, jardins, varandas, muros e bordas de mata
AtividadeNoturna
Expectativa de vida12 a 24 meses
ReproduçãoOvípara; 1 a 3 ootecas com centenas de ovos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
Presença em casasAlto
Utilidade no controle de pragasMuito alto
Tamanho da teiaAlto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo

Como identificar a Maria-bola sem confundir

A Maria-bola não é uma única espécie, mas um nome popular para aranhas orbitais da família Araneidae, principalmente do gênero Parawixia (como Parawixia audax e Parawixia bistriata) e Neoscona. Por isso há variação de cor e tamanho, mas o padrão é bem reconhecível.

A fêmea tem abdômen globoso e volumoso, que lembra uma bolinha, daí o nome. Ele é marrom, bege ou acinzentado, com manchas claras em forma de cruz ou folhas e duas faixas escuras longitudinais em alguns indivíduos. O cefalotórax é menor e mais escuro.

As pernas são curtas e robustas em relação a outras orbitais, com faixas listradas de marrom claro e escuro. Os machos são bem menores, mais magros e com abdômen alongado, por isso quase não são notados.

Não confunda com a aranha de jardim Eriophora ou com a aranha-lobo: a Maria-bola tem abdômen muito arredondado, sem espinhos longos, e fica imóvel no centro da teia à noite. De dia, se esconde enrolada em folhas próximas, parecendo um broto seco.

Onde vive e por que aparece tanto em casas

A Maria-bola ocorre em todo o Brasil, do Pampa à Amazônia, mas é mais abundante em áreas urbanas e periurbanas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Prefere locais com vegetação, luz artificial e muitos insetos.

Durante o dia ela se abriga em folhagens, beirais, cantos de muro e vasos de plantas, imóvel e camuflada. Ao entardecer, sai para tecer a teia em varandas, janelas, postes e entre arbustos, sempre em locais onde insetos são atraídos pela luz.

Sua presença aumenta na primavera e verão, quando há mais insetos e é a época reprodutiva. Não é uma aranha de interior como a marrom ou a armadeira; ela não se esconde em roupas ou sapatos, prefere áreas externas e ventiladas.

A teia orbital noturna: como ela caça

A teia da Maria-bola é um clássico de livro: circular, vertical e muito simétrica, com até 30 cm de diâmetro e fios pegajosos em espiral. Ela é construída todos os dias ao anoitecer e pode ser recolhida e comida ao amanhecer para reciclar a seda.

Essa estratégia diária economiza proteína e explica por que você vê a teia só à noite. De manhã, resta apenas um fio ou nada. Algumas espécies do grupo, como Parawixia bistriata, chegam a formar colônias com dezenas de teias interligadas, um comportamento raro entre orbitais.

A caça é passiva. Ela fica no centro da teia com as pernas esticadas, sentindo a vibração. Quando um mosquito, mariposa ou besouro fica preso, ela corre, enrola a presa com seda e aplica a picada. Em uma noite, uma única fêmea pode capturar dezenas de mosquitos e pernilongos.

  • Fio de segurança: sempre deixa um fio de escape para se jogar da teia se for atacada.
  • Sem funil ou lençol: diferente de aranhas de grama, não faz teia em forma de funil.
  • Reforma relâmpago: consegue refazer a teia completa em menos de 40 minutos.

Veneno e picada: a Maria-bola é perigosa?

Não. A Maria-bola é considerada inofensiva e sem importância médica pelos órgãos de saúde como Instituto Butantan e Ministério da Saúde. Seu veneno serve apenas para paralisar insetos pequenos.

Ela é extremamente tímida. Ao ser tocada, prefere se fingir de morta, se soltar da teia ou fugir. Picadas só acontecem se ela for espremida contra a pele, como ao manusear plantas sem luvas.

Quando pica, o quadro é leve: dor local, vermelhidão e coceira por algumas horas, semelhante a picada de formiga. Não causa necrose, falta de ar ou sintomas sistêmicos como as aranhas marrom (Loxosceles), armadeira (Phoneutria) ou viúva-negra (Latrodectus).

Em caso de picada, lave com água e sabão, aplique gelo e observe. Procure atendimento médico se houver dor forte, inchaço que aumenta, febre ou alergia, e se possível leve uma foto da aranha para identificação. Não use receitas caseiras, torniquete ou sucção.

Reprodução e ciclo de vida

O acasalamento ocorre no verão. O macho, bem menor, se aproxima com cautela vibrando a teia da fêmea para não ser confundido com presa. Mesmo assim, pode ser atacado se a fêmea estiver com fome.

Após a cópula, a fêmea produz 1 a 3 ootecas de seda marrom-amarelada, em forma de bola de algodão, escondidas em folhas enroladas ou frestas de muro. Cada ooteca pode conter 200 a 500 ovos.

Os filhotes nascem em 2 a 3 semanas e ficam agrupados nos primeiros dias, depois se dispersam por fio de seda ao vento, técnica chamada de balonismo. Crescem por mudas sucessivas e atingem a fase adulta em poucos meses.

A expectativa de vida é curta, de 12 a 24 meses. A maioria das fêmeas morre após a última postura, no outono ou inverno. Machos vivem ainda menos.

Papel ecológico: por que vale a pena deixá-la no jardim

Na nossa avaliação, a Maria-bola é uma das aranhas mais úteis para ter por perto. Uma única teia funciona como armadilha natural para pernilongos, moscas e mariposas que atacam plantas e incomodam pessoas.

Ao controlar insetos, ela reduz a necessidade de inseticidas e ajuda a equilibrar o ecossistema urbano. Também serve de alimento para pássaros, lagartixas e vespas, integrando a cadeia alimentar.

Diferente de aranhas errantes, ela não vaga pela casa e não disputa espaço com humanos. Se a teia estiver em local de passagem, basta realocá-la com um pote e um papel para um arbusto, sem precisar matar.

Como conviver e quando remover com segurança

Se a teia está na varanda ou janela, avalie se realmente atrapalha. Muitas pessoas mantêm a Maria-bola justamente para diminuir mosquitos à noite. Ela não suja, não faz barulho e vai embora sozinha quando o local fica sem presas.

Para remover, faça à noite ou no início da manhã, quando ela está na teia ou abrigada na folha ao lado. Use pote largo e tampa ou folha de papel, cubra a aranha sem apertar, deslize o papel por baixo e solte em vegetação a pelo menos 5 metros da casa.

Prevenção sem veneno: reduza luzes acesas perto de janelas à noite, pode podas que encostam na parede e vede frestas. Evite inseticidas de amplo espectro, que matam a aranha e deixam o ambiente mais vulnerável a mosquitos depois.

Nunca tente manusear com as mãos. Crianças e pets devem ser orientados apenas a observar de longe. A Maria-bola não é animal de estimação e não deve ser criada em terrário.

Curiosidades e erros comuns sobre a Maria-bola

Um erro comum é achar que toda aranha marrom de jardim é a aranha-marrom perigosa. São grupos totalmente diferentes: a aranha-marrom (Loxosceles) não faz teia orbital, tem 6 olhos e pernas longas e finas, e se esconde em locais escuros e secos dentro de casa.

Outro mito é que Maria-bola pula ou corre atrás de gente. Ela não tem esse comportamento; se cair sobre alguém, foi por ter se soltado da teia com o vento.

Um fato pouco conhecido é que ela come a própria teia velha para reaproveitar a seda, rica em proteína. E que sua coloração pode variar do bege claro ao marrom escuro conforme a idade, o sexo e até a vegetação onde vive, o que confunde a identificação.

Por fim, apesar do nome no feminino, machos também são Maria-bola, só que quase ninguém os reconhece por serem bem menores e raramente ficarem no centro da teia.

Perguntas frequentes

Maria-bola é venenosa?

Tem veneno para paralisar insetos, mas é fraco para humanos e sem importância médica. A picada causa apenas dor e vermelhidão local.

Maria-bola é perigosa para crianças e pets?

Não é considerada perigosa. É tímida e foge do contato. O risco só existe se for espremida contra a pele, causando picada leve.

Qual a diferença entre Maria-bola e aranha-marrom?

São famílias diferentes. A Maria-bola faz teia orbital circular à noite e tem abdômen globoso; a aranha-marrom (Loxosceles) não faz teia orbital, tem 6 olhos e se esconde em locais escuros dentro de casa, com veneno que pode causar necrose.

Por que a Maria-bola aparece só à noite?

Ela é noturna. Constrói a teia ao entardecer para caçar insetos atraídos pela luz e a recolhe ao amanhecer, passando o dia camuflada em folhas.

Como tirar a Maria-bola de casa sem matar?

Cubra com um pote largo, deslize um papel por baixo e solte em arbusto afastado. Faça à noite, sem tocar com as mãos.

Maria-bola pode ser criada como pet?

Não é recomendada. É aranha silvestre, de vida curta e que precisa de espaço para tecer teia grande. Não se adapta bem a terrário e não tem manejo como tarântulas legalizadas.

Você sabia?

1

Recicla a própria teia

Ao amanhecer, a Maria-bola enrola e come os fios da teia para reaproveitar a proteína da seda e reconstruir tudo do zero na noite seguinte.

2

Colônia de dezenas de indivíduos

A espécie Parawixia bistriata, chamada de Maria-bola comunitária, forma agregações com até 40 teias interligadas em uma mesma árvore, algo raríssimo entre aranhas orbitais.

3

Camuflagem de folha seca

De dia, ela se esconde enrolada em uma folha com as pernas dobradas, ficando idêntica a um broto seco ou a um pedaço de casca, quase invisível.

4

Confundida com aranha-marrom

Apesar do nome parecido, não tem nenhuma relação com a aranha-marrom (Loxosceles) que causa acidentes graves; a Maria-bola tem 8 olhos e abdômen globoso, enquanto a Loxosceles tem 6 olhos e não faz teia circular.

Fontes

  1. Instituto Butantan - Aranhas
  2. World Spider Catalog
  3. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por animais peçonhentos

Prós e contras: Maria-bola

Prós

  • Totalmente inofensiva e sem risco médico
  • Excelente controle natural de mosquitos e moscas
  • Não entra em roupas ou sapatos como aranhas perigosas
  • Teia orbital decorativa e fácil de observar à noite
  • Ajuda a reduzir uso de inseticidas no jardim

Contras

  • Teia grande pode atrapalhar passagem em varandas
  • Aparece em maior número na primavera e verão
  • Pode assustar quem tem aracnofobia pelo tamanho do abdômen
  • Ooteca com centenas de filhotes pode surpreender se eclodir perto de casa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Maria-bola é a aranha ideal para reconciliar quem tem medo de aranhas com a natureza: inofensiva, discreta de dia e extremamente eficiente contra mosquitos à noite. Vale muito mais mantê-la no jardim ou realocá-la do que eliminá-la com veneno.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.