Resumo
- A aranha-das-costas-vermelhas (Latrodectus hasselti) é uma viúva-negra australiana identificada pela faixa vermelha no dorso preto e ventre com marca em forma de ampulheta.
- Tem veneno neurotóxico com alfa-latrotoxina, faz teia irregular e desorganizada em locais abrigados e caça à noite, com fêmeas que vivem até 3 anos.
- Não é agressiva, mas a picada pode causar dor intensa e sintomas sistêmicos; em caso de acidente, procure atendimento médico imediato e, se possível, leve a aranha para identificação.
Características
Ficha da aranha
| Ordem | Araneae |
|---|---|
| Família | Theridiidae |
| Origem e distribuição | Austrália; introduzida na Nova Zelândia, Japão e Sudeste Asiático |
| Tamanho (corpo) | Fêmea 10 a 14 mm, macho 3 a 4 mm |
| Envergadura das pernas | Fêmea até 30 mm, macho até 12 mm |
| Cores | pretovermelhomarrom-claro (machosjovens) |
| Teia | Irregular, tridimensional e pegajosa, sem forma geométrica |
| Alimentação | Insetos, baratas, besouros e outras aranhas |
| Veneno | Neurotóxico (alfa-latrotoxina), de importância médica |
| Habitat | Locais secos, escuros e abrigados; muito sinantrópica |
| Atividade | Noturna |
| Expectativa de vida | Fêmea 2 a 3 anos, macho 6 a 7 meses |
| Reprodução | Ovípara, 1 a 5 ootecas com 100 a 300 ovos cada |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Alto |
|---|---|
| Agressividade | Muito baixo |
| Presença em casas | Alto |
| Utilidade no controle de pragas | Alto |
| Tamanho da teia | Baixo |
| Facilidade de criação em cativeiro | Muito baixo |
Como identificar a aranha-das-costas-vermelhas sem confundir
A fêmea adulta é inconfundível quando vista de cima: corpo preto brilhante com faixa vermelha ou alaranjada longitudinal no dorso do abdômen, que pode ser contínua ou interrompida. No ventre, há uma mancha vermelha em forma de ampulheta, típica do gênero Latrodectus.
O macho é bem diferente e por isso causa confusão. Ele tem apenas 3 a 4 mm, cor marrom-clara com manchas brancas e vermelhas discretas, e não apresenta a faixa dorsal tão evidente. Jovens também são mais claros e só escurecem após algumas mudas.
- Fêmea: preta, globosa, pernas pretas e finas, faixa vermelha dorsal larga.
- Macho: pequeno, marrom, quase imperceptível, raramente visto.
- Filhotes: bege acinzentados com manchas escuras, sem brilho.
Muita gente confunde com a viúva-marrom (Latrodectus geometricus), comum no Brasil. A diferença é que a viúva-marrom tem coloração marrom com desenhos geométricos e ampulheta alaranjada, enquanto a das costas-vermelhas é preta com vermelho vivo nas costas. Se não tem a faixa vermelha dorsal, não é ela.
Veneno e picada: ela é perigosa de verdade?
Sim, é uma das poucas aranhas de importância médica no mundo. Seu veneno contém alfa-latrotoxina, que causa liberação maciça de neurotransmissores e gera o quadro chamado latrodectismo.
A picada da fêmea costuma causar dor local intensa e crescente, vermelhidão, sudorese ao redor da picada, náusea, dor muscular e mal-estar que pode durar horas a dias. Em crianças, idosos e pets pequenos o risco de complicação é maior. Machos não conseguem perfurar a pele humana na maioria dos casos.
Apesar da fama, não há registro de morte por redback na Austrália desde a criação do soro antilatrodectus na década de 1950, e a maioria dos acidentes evolui bem com tratamento. Ela não persegue e não salta; só pica se for espremida contra a pele, dentro de roupas, calçados ou roupas de cama.
Onde vive e por que aparece perto de casas
Natural da Austrália, a espécie se espalhou por transporte humano e hoje ocorre na Nova Zelândia, Japão, Índia, Filipinas e partes da Europa e Oriente Médio. No Brasil não há população estabelecida, mas aparece em alertas por ser confundida com viúvas nativas.
É extremamente sinantrópica. Prefere locais secos, escuros e abrigados perto do solo: atrás de vasos, em caixas, entulhos, frestas de muros, sob assentos sanitários externos, em galpões, bicicletas e brinquedos deixados no quintal.
Tem atividade estritamente noturna. De dia fica escondida em um refúgio de seda próximo à teia. À noite repara a teia e espera a presa. Por isso acidentes acontecem ao vestir uma roupa ou mexer em material guardado há muito tempo.
Teia e estratégia de caça
A teia é irregular, tridimensional e muito pegajosa, sem o desenho geométrico das aranhas de jardim. Parece uma bagunça de fios, mas é altamente eficiente.
Ela estica fios de seda com gotas de cola até o chão. Quando um inseto caminha e toca nesses fios, eles se soltam e puxam a presa para cima, como uma armadilha de elevação. Em seguida ela desce, enrola a vítima e injeta veneno.
A teia tem um funil de seda onde a aranha se esconde. Essa estrutura também serve para proteger a ooteca. Diferente de aranhas caçadoras, ela quase nunca sai da teia para perseguir; toda a caça depende da armadilha.
Reprodução e ciclo de vida: o canibalismo famoso
O acasalamento é o comportamento mais conhecido da espécie. O macho, muito menor, se oferece à fêmea e frequentemente é canibalizado durante a cópula, o que deu origem ao nome viúva. Esse sacrifício aumenta o tempo de cópula e a chance de fecundação.
A fêmea produz 1 a 5 ootecas brancas e arredondadas ao longo da vida, cada uma com 100 a 300 ovos. Ela guarda esperma e pode fecundar várias posturas sem novo acasalamento. Os filhotes eclodem em cerca de 2 a 4 semanas, dependendo da temperatura.
Há canibalismo entre irmãos ainda dentro da ooteca e dispersão por balonismo nos primeiros dias. Fêmeas demoram 3 a 4 meses para amadurecer e vivem 2 a 3 anos; machos amadurecem mais rápido e vivem poucos meses após a cópula.
O que fazer em caso de picada e como evitar acidentes
Em caso de picada, lave com água e sabão, aplique compressa fria e procure atendimento médico imediatamente, principalmente se houver dor forte, sudorese, vômitos ou dor muscular. Se possível, leve a aranha em pote fechado para identificação, sem se arriscar a nova picada.
Não use torniquete, não corte, não esprema e não siga receitas caseiras. O tratamento é de suporte e, em casos moderados a graves, o médico avalia o uso de soro antilatrodectus, disponível em centros de referência como o Instituto Butantan no Brasil para viúvas nativas.
- Em casa: sacuda roupas, toalhas e calçados antes de usar; use luvas ao mexer em entulho, lenha e caixas.
- Vedação: vede frestas, mantenha quintal sem acúmulo de materiais e afaste camas da parede.
- Pets: cães e gatos curiosos são picados no focinho ou patas; mantenha casinhas limpas e elevadas do chão.
Papel no ecossistema e controle de pragas
Apesar do medo, ela é uma predadora importante de baratas, moscas, besouros e até de outras aranhas, incluindo a aranha-marrom. Em galpões e áreas urbanas australianas, ajuda a reduzir pragas domésticas sem uso de inseticida.
Seu veneno é estudado para entender neurotransmissão e desenvolver ferramentas de pesquisa em neurobiologia. A alfa-latrotoxina já ajudou a esclarecer mecanismos de liberação de vesículas sinápticas.
Na nossa avaliação, a melhor convivência não é tentar eliminar toda aranha, mas manejar o ambiente para que ela não se instale dentro de casa. No quintal, em local afastado, ela presta serviço ecológico e raramente oferece risco se não for manuseada.
Curiosidades e erros comuns de identificação
Um erro comum é achar que toda aranha preta com vermelho é a das costas-vermelhas. No Brasil, as viúvas nativas Latrodectus curacaviensis e Latrodectus geometricus são mais prováveis e também têm importância médica, mas só a hasselti tem a faixa vermelha dorsal contínua tão marcada.
Outro mito é que ela pula ou persegue. Ela é extremamente sedentária; passa a vida na mesma teia e só se move se for perturbada ou se o local ficar inadequado. Acidentes quase sempre envolvem contato acidental.
| Espécie | Cor dorsal | Ventre | Onde ocorre |
|---|---|---|---|
| Aranha-das-costas-vermelhas (L. hasselti) | Preto com faixa vermelha longitudinal | Ampulheta vermelha | Austrália e áreas introduzidas |
| Viúva-marrom (L. geometricus) | Marrom com desenhos claros | Ampulheta laranja | Cosmopolita, comum no Brasil |
| Viúva-negra sul-americana (L. curacaviensis) | Preto com manchas vermelhas dorsais | Ampulheta vermelha | América do Sul |
Por fim, a resistência da espécie impressiona: fêmeas podem ficar meses sem comer e sobreviver a períodos de seca abrigadas em sua seda, o que explica por que colonizam contêineres e cargas e viajam pelo mundo.
Perguntas frequentes
Aranha-das-costas-vermelhas é venenosa?
Sim. A fêmea tem veneno neurotóxico com alfa-latrotoxina, de importância médica. A picada causa dor forte e pode gerar sintomas sistêmicos, mas raramente é fatal com atendimento.
Como reconhecer a aranha-das-costas-vermelhas?
Fêmea preta brilhante com faixa vermelha longitudinal no dorso do abdômen e ampulheta vermelha no ventre. Machos são marrons e minúsculos, sem faixa evidente.
Ela existe no Brasil?
Não há população estabelecida de Latrodectus hasselti no Brasil. Os casos de viúvas aqui são de espécies nativas como Latrodectus geometricus e Latrodectus curacaviensis, parecidas mas diferentes.
O que fazer se for picado?
Lave com água e sabão, aplique gelo e procure atendimento médico imediato. Leve a aranha para identificação se conseguir capturá-la com segurança.
Ela é agressiva?
Não. É tímida e sedentária, só pica quando espremida contra a pele, dentro de roupas, calçados ou ao manusear entulho.
Quanto tempo vive?
Fêmeas vivem 2 a 3 anos e machos cerca de 6 a 7 meses, morrendo logo após o acasalamento na maioria das vezes.
Como evitar que entre em casa?
Mantenha o quintal limpo, sem entulho, vede frestas, sacuda roupas e calçados e use luvas ao mexer em caixas e materiais guardados.
Você sabia?
O macho se oferece para ser comido
Durante a cópula, o macho faz uma cambalhota e posiciona seu abdômen sobre as quelíceras da fêmea. Ser canibalizado prolonga a cópula e aumenta a paternidade.
Viajante clandestina global
Chegou ao Japão em 1995 dentro de contêineres e se estabeleceu em Osaka. Desde então, o país monitora a espécie como praga urbana invasora.
Teia que pesca no chão
Ela não tece teia orbital. Estica fios pegajosos até o solo que, ao serem tocados, se soltam e içam besouros e baratas até o centro da armadilha.
Filhotes canibais
Dentro da ooteca, os primeiros filhotes a eclodir se alimentam de ovos não fertilizados e de irmãos, o que garante que só os mais fortes dispersem.










