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Aranha-das-costas-vermelhas

Latrodectus hasselti

Atualizado em

Fêmea 10 a 14 mm de corpoTamanho
Moderado a alto, não agressivaPerigo para humanos
Neurotóxico (alfa-latrotoxina)Veneno
Fêmea 2 a 3 anosExpectativa de vida
Urbano e peridomiciliarHabitat
Aranha-das-costas-vermelhas fêmea com faixa vermelha no dorso preto brilhante

A aranha-das-costas-vermelhas é a famosa redback australiana, do mesmo grupo das viúvas-negras, reconhecida pela faixa vermelho-vivo no dorso do abdômen preto brilhante. É uma aranha pequena, de teia irregular e hábito noturno, que se adaptou muito bem a ambientes urbanos.

Apesar da fama, ela não é agressiva e só pica quando pressionada contra a pele, mas seu veneno neurotóxico exige atenção médica, principalmente para crianças, idosos e pets. Entender como identificá-la e onde ela se esconde é a melhor forma de evitar acidentes sem precisar matá-la sem necessidade.

Também conhecido como: Aranha-vermelha, Aranha de costas vermelhas, Redback spider, Red-striped spider

Faz parte de: Aranhas de Casa, Aranhas Venenosas

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Galeria de fotos de Aranha-das-costas-vermelhas

Aranha-das-costas-vermelhas fêmea com faixa vermelha no dorso preto brilhante
Fêmea adulta de aranha-das-costas-vermelhas, com a faixa vermelha característica no dorso.
Close dos olhos e quelíceras da aranha-das-costas-vermelhas
Detalhe dos olhos e quelíceras da aranha-das-costas-vermelhas.
Aranha-das-costas-vermelhas em sua teia irregular e pegajosa
Teia irregular e pegajosa, típica da espécie, com fios que tocam o solo.
Aranha-das-costas-vermelhas escondida sob vaso em quintal
Abrigo comum em quintais: sob vasos, pedras e entulhos.
Aranha-das-costas-vermelhas enrolando besouro capturado na teia
Captura de presa enrolada em seda após ser içada pela teia.
Ootecas brancas esféricas da aranha-das-costas-vermelhas na teia
Ootecas brancas e esféricas, cada uma com centenas de ovos.

Perfil rápido de Aranha-das-costas-vermelhas

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
ReproduçãoJFMAMJJASOND
Eclosão de filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Veneno neurotóxico com alfa-latrotoxina. Dor intensa, sudorese e mialgia. Maior risco para crianças, idosos e pets pequenos. Buscar atendimento médico imediato.

Vida útil

Na natureza
Fêmeas 2 a 3 anos, machos 6 a 7 meses
Em laboratório
Fêmeas até 3 anos com alimentação regular e temperatura estável

Reprodução

Acasalamento
Canibalismo sexual frequente; macho menor se sacrifica
Ooteca
Branca, esférica, 10 a 14 mm, com 100 a 300 ovos
Ninhada
1 a 5 ootecas por fêmea ao longo da vida
Desenvolvimento
Eclosão em 14 a 30 dias; maturidade em 3 a 4 meses (fêmeas)
Estrutura social
Solitária e territorial; só se encontra para acasalar

Habitat

Ambientes

  • Áreas urbanas e peridomiciliares
  • Sob pedras, cascas e vasos
  • Galpões, caixas e entulhos
  • Fendas de muros e cercas

Biomas

  • Áreas antropizadas
  • Desertos e semiáridos australianos
  • Mata ciliar urbana

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Baratas
  • Besouros
  • Moscas e outros insetos rastejantes

Outros alimentos

  • Outras aranhas
  • Formigas grandes
  • Pequenos lagartos capturados raramente

Encontrado em 8 países

  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • Japão
  • Filipinas
  • Índia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bélgica
  • Inglaterra

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Arachnida
Ordem
Araneae
Família
Theridiidae
Gênero
Latrodectus
Espécie
Latrodectus hasselti Thorell, 1870

Resumo

  • A aranha-das-costas-vermelhas (Latrodectus hasselti) é uma viúva-negra australiana identificada pela faixa vermelha no dorso preto e ventre com marca em forma de ampulheta.
  • Tem veneno neurotóxico com alfa-latrotoxina, faz teia irregular e desorganizada em locais abrigados e caça à noite, com fêmeas que vivem até 3 anos.
  • Não é agressiva, mas a picada pode causar dor intensa e sintomas sistêmicos; em caso de acidente, procure atendimento médico imediato e, se possível, leve a aranha para identificação.

Características

Ficha da aranha

OrdemAraneae
FamíliaTheridiidae
Origem e distribuiçãoAustrália; introduzida na Nova Zelândia, Japão e Sudeste Asiático
Tamanho (corpo)Fêmea 10 a 14 mm, macho 3 a 4 mm
Envergadura das pernasFêmea até 30 mm, macho até 12 mm
Corespretovermelhomarrom-claro (machosjovens)
TeiaIrregular, tridimensional e pegajosa, sem forma geométrica
AlimentaçãoInsetos, baratas, besouros e outras aranhas
VenenoNeurotóxico (alfa-latrotoxina), de importância médica
HabitatLocais secos, escuros e abrigados; muito sinantrópica
AtividadeNoturna
Expectativa de vidaFêmea 2 a 3 anos, macho 6 a 7 meses
ReproduçãoOvípara, 1 a 5 ootecas com 100 a 300 ovos cada

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
AgressividadeMuito baixo
Presença em casasAlto
Utilidade no controle de pragasAlto
Tamanho da teiaBaixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo

Como identificar a aranha-das-costas-vermelhas sem confundir

A fêmea adulta é inconfundível quando vista de cima: corpo preto brilhante com faixa vermelha ou alaranjada longitudinal no dorso do abdômen, que pode ser contínua ou interrompida. No ventre, há uma mancha vermelha em forma de ampulheta, típica do gênero Latrodectus.

O macho é bem diferente e por isso causa confusão. Ele tem apenas 3 a 4 mm, cor marrom-clara com manchas brancas e vermelhas discretas, e não apresenta a faixa dorsal tão evidente. Jovens também são mais claros e só escurecem após algumas mudas.

  • Fêmea: preta, globosa, pernas pretas e finas, faixa vermelha dorsal larga.
  • Macho: pequeno, marrom, quase imperceptível, raramente visto.
  • Filhotes: bege acinzentados com manchas escuras, sem brilho.

Muita gente confunde com a viúva-marrom (Latrodectus geometricus), comum no Brasil. A diferença é que a viúva-marrom tem coloração marrom com desenhos geométricos e ampulheta alaranjada, enquanto a das costas-vermelhas é preta com vermelho vivo nas costas. Se não tem a faixa vermelha dorsal, não é ela.

Veneno e picada: ela é perigosa de verdade?

Sim, é uma das poucas aranhas de importância médica no mundo. Seu veneno contém alfa-latrotoxina, que causa liberação maciça de neurotransmissores e gera o quadro chamado latrodectismo.

A picada da fêmea costuma causar dor local intensa e crescente, vermelhidão, sudorese ao redor da picada, náusea, dor muscular e mal-estar que pode durar horas a dias. Em crianças, idosos e pets pequenos o risco de complicação é maior. Machos não conseguem perfurar a pele humana na maioria dos casos.

Apesar da fama, não há registro de morte por redback na Austrália desde a criação do soro antilatrodectus na década de 1950, e a maioria dos acidentes evolui bem com tratamento. Ela não persegue e não salta; só pica se for espremida contra a pele, dentro de roupas, calçados ou roupas de cama.

Onde vive e por que aparece perto de casas

Natural da Austrália, a espécie se espalhou por transporte humano e hoje ocorre na Nova Zelândia, Japão, Índia, Filipinas e partes da Europa e Oriente Médio. No Brasil não há população estabelecida, mas aparece em alertas por ser confundida com viúvas nativas.

É extremamente sinantrópica. Prefere locais secos, escuros e abrigados perto do solo: atrás de vasos, em caixas, entulhos, frestas de muros, sob assentos sanitários externos, em galpões, bicicletas e brinquedos deixados no quintal.

Tem atividade estritamente noturna. De dia fica escondida em um refúgio de seda próximo à teia. À noite repara a teia e espera a presa. Por isso acidentes acontecem ao vestir uma roupa ou mexer em material guardado há muito tempo.

Teia e estratégia de caça

A teia é irregular, tridimensional e muito pegajosa, sem o desenho geométrico das aranhas de jardim. Parece uma bagunça de fios, mas é altamente eficiente.

Ela estica fios de seda com gotas de cola até o chão. Quando um inseto caminha e toca nesses fios, eles se soltam e puxam a presa para cima, como uma armadilha de elevação. Em seguida ela desce, enrola a vítima e injeta veneno.

A teia tem um funil de seda onde a aranha se esconde. Essa estrutura também serve para proteger a ooteca. Diferente de aranhas caçadoras, ela quase nunca sai da teia para perseguir; toda a caça depende da armadilha.

Reprodução e ciclo de vida: o canibalismo famoso

O acasalamento é o comportamento mais conhecido da espécie. O macho, muito menor, se oferece à fêmea e frequentemente é canibalizado durante a cópula, o que deu origem ao nome viúva. Esse sacrifício aumenta o tempo de cópula e a chance de fecundação.

A fêmea produz 1 a 5 ootecas brancas e arredondadas ao longo da vida, cada uma com 100 a 300 ovos. Ela guarda esperma e pode fecundar várias posturas sem novo acasalamento. Os filhotes eclodem em cerca de 2 a 4 semanas, dependendo da temperatura.

Há canibalismo entre irmãos ainda dentro da ooteca e dispersão por balonismo nos primeiros dias. Fêmeas demoram 3 a 4 meses para amadurecer e vivem 2 a 3 anos; machos amadurecem mais rápido e vivem poucos meses após a cópula.

O que fazer em caso de picada e como evitar acidentes

Em caso de picada, lave com água e sabão, aplique compressa fria e procure atendimento médico imediatamente, principalmente se houver dor forte, sudorese, vômitos ou dor muscular. Se possível, leve a aranha em pote fechado para identificação, sem se arriscar a nova picada.

Não use torniquete, não corte, não esprema e não siga receitas caseiras. O tratamento é de suporte e, em casos moderados a graves, o médico avalia o uso de soro antilatrodectus, disponível em centros de referência como o Instituto Butantan no Brasil para viúvas nativas.

  • Em casa: sacuda roupas, toalhas e calçados antes de usar; use luvas ao mexer em entulho, lenha e caixas.
  • Vedação: vede frestas, mantenha quintal sem acúmulo de materiais e afaste camas da parede.
  • Pets: cães e gatos curiosos são picados no focinho ou patas; mantenha casinhas limpas e elevadas do chão.

Papel no ecossistema e controle de pragas

Apesar do medo, ela é uma predadora importante de baratas, moscas, besouros e até de outras aranhas, incluindo a aranha-marrom. Em galpões e áreas urbanas australianas, ajuda a reduzir pragas domésticas sem uso de inseticida.

Seu veneno é estudado para entender neurotransmissão e desenvolver ferramentas de pesquisa em neurobiologia. A alfa-latrotoxina já ajudou a esclarecer mecanismos de liberação de vesículas sinápticas.

Na nossa avaliação, a melhor convivência não é tentar eliminar toda aranha, mas manejar o ambiente para que ela não se instale dentro de casa. No quintal, em local afastado, ela presta serviço ecológico e raramente oferece risco se não for manuseada.

Curiosidades e erros comuns de identificação

Um erro comum é achar que toda aranha preta com vermelho é a das costas-vermelhas. No Brasil, as viúvas nativas Latrodectus curacaviensis e Latrodectus geometricus são mais prováveis e também têm importância médica, mas só a hasselti tem a faixa vermelha dorsal contínua tão marcada.

Outro mito é que ela pula ou persegue. Ela é extremamente sedentária; passa a vida na mesma teia e só se move se for perturbada ou se o local ficar inadequado. Acidentes quase sempre envolvem contato acidental.

Espécie Cor dorsal Ventre Onde ocorre
Aranha-das-costas-vermelhas (L. hasselti) Preto com faixa vermelha longitudinal Ampulheta vermelha Austrália e áreas introduzidas
Viúva-marrom (L. geometricus) Marrom com desenhos claros Ampulheta laranja Cosmopolita, comum no Brasil
Viúva-negra sul-americana (L. curacaviensis) Preto com manchas vermelhas dorsais Ampulheta vermelha América do Sul

Por fim, a resistência da espécie impressiona: fêmeas podem ficar meses sem comer e sobreviver a períodos de seca abrigadas em sua seda, o que explica por que colonizam contêineres e cargas e viajam pelo mundo.

Perguntas frequentes

Aranha-das-costas-vermelhas é venenosa?

Sim. A fêmea tem veneno neurotóxico com alfa-latrotoxina, de importância médica. A picada causa dor forte e pode gerar sintomas sistêmicos, mas raramente é fatal com atendimento.

Como reconhecer a aranha-das-costas-vermelhas?

Fêmea preta brilhante com faixa vermelha longitudinal no dorso do abdômen e ampulheta vermelha no ventre. Machos são marrons e minúsculos, sem faixa evidente.

Ela existe no Brasil?

Não há população estabelecida de Latrodectus hasselti no Brasil. Os casos de viúvas aqui são de espécies nativas como Latrodectus geometricus e Latrodectus curacaviensis, parecidas mas diferentes.

O que fazer se for picado?

Lave com água e sabão, aplique gelo e procure atendimento médico imediato. Leve a aranha para identificação se conseguir capturá-la com segurança.

Ela é agressiva?

Não. É tímida e sedentária, só pica quando espremida contra a pele, dentro de roupas, calçados ou ao manusear entulho.

Quanto tempo vive?

Fêmeas vivem 2 a 3 anos e machos cerca de 6 a 7 meses, morrendo logo após o acasalamento na maioria das vezes.

Como evitar que entre em casa?

Mantenha o quintal limpo, sem entulho, vede frestas, sacuda roupas e calçados e use luvas ao mexer em caixas e materiais guardados.

Você sabia?

1

O macho se oferece para ser comido

Durante a cópula, o macho faz uma cambalhota e posiciona seu abdômen sobre as quelíceras da fêmea. Ser canibalizado prolonga a cópula e aumenta a paternidade.

2

Viajante clandestina global

Chegou ao Japão em 1995 dentro de contêineres e se estabeleceu em Osaka. Desde então, o país monitora a espécie como praga urbana invasora.

3

Teia que pesca no chão

Ela não tece teia orbital. Estica fios pegajosos até o solo que, ao serem tocados, se soltam e içam besouros e baratas até o centro da armadilha.

4

Filhotes canibais

Dentro da ooteca, os primeiros filhotes a eclodir se alimentam de ovos não fertilizados e de irmãos, o que garante que só os mais fortes dispersem.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. World Spider Catalog
  3. Australian Museum

Prós e contras: Aranha-das-costas-vermelhas

Prós

  • Excelente predadora de baratas e pragas urbanas
  • Teia discreta e fácil de identificar quando instalada
  • Comportamento previsível e não agressivo
  • Importante para estudos de neurotoxinas
  • Ajuda a controlar outras aranhas indesejadas

Contras

  • Veneno de importância médica para humanos e pets
  • Muito adaptada a casas e galpões
  • Ootecas com centenas de ovos aumentam infestação rápido
  • Picada dolorosa com sintomas que duram dias
  • Fêmeas vivem anos no mesmo local se não manejadas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a aranha-das-costas-vermelhas é o melhor exemplo de como uma aranha pequena e discreta pode ser mais relevante para saúde pública que aranhas grandes e assustadoras. Ela não deve ser subestimada por causa do tamanho, mas também não justifica pânico: manejo do ambiente e informação resolvem a maioria dos encontros.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.