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Surucuá-de-barriga-vermelha

Trogon curucui

Atualizado em

23 a 25 cmTamanho
55 a 80 gPeso
8 a 12 anosExpectativa de vida
Grave e repetitivoCanto
Matas e cerradõesHabitat
Surucuá-de-barriga-vermelha macho pousado em galho mostrando barriga vermelha e dorso verde

O surucuá-de-barriga-vermelha (Trogon curucui) é um trogonídeo de mata que chama atenção pelo contraste entre o dorso verde-azulado brilhante, a cabeça azul-escura e a barriga vermelho-vivo. Com 23 a 25 cm, é um dos surucuás mais comuns e amplamente distribuídos do Brasil central e amazônico.

Discreto na copa, quase imóvel por longos períodos, ele se entrega pelo canto grave e repetitivo. Vive em pares territoriais, nidifica dentro de cupinzeiros arborícolas e se alimenta de frutos e insetos capturados em voos curtos e precisos.

Também conhecido como: Surucuá-de-barriga-vermelha-do-sul, Surucuá-de-coroa-azul, Blue-crowned Trogon, Trogón curucuí

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Surucuá-de-barriga-vermelha

Surucuá-de-barriga-vermelha macho pousado em galho mostrando barriga vermelha e dorso verde
Macho adulto com cabeça azul-escura e barriga vermelho-vivo.
Close-up da cabeça do surucuá-de-barriga-vermelha mostrando anel ocular e bico
Detalhe da cabeça e anel ocular amarelado do macho.
Fêmea do surucuá-de-barriga-vermelha pousada com cabeça cinza
Fêmea com cabeça cinza e anel ocular branco bem visível.
Surucuá-de-barriga-vermelha em voo sobre a mata
Voo rápido e ondulante entre árvores da borda da mata.
Ninho do surucuá-de-barriga-vermelha escavado em cupinzeiro arborícola
Ninho escavado em cupinzeiro arborícola ativo.
Surucuá-de-barriga-vermelha capturando inseto em voo curto
Captura de inseto em voo estacionário curto junto à folhagem.

Perfil rápido de Surucuá-de-barriga-vermelha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie com distribuição ampla e população estável.

População
estável
Protegido por
false

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos
Em cativeiro
Não há dados consistentes; espécie silvestre não manejada em cativeiro doméstico

Reprodução

Maturidade sexual
1 a 2 anos
Época reprodutiva
Agosto a dezembro (pico setembro-novembro)
Tipo de ninho
Cavidade escavada em cupinzeiro arborícola ativo
Ovos
2 a 4 ovos brancos
Incubação
17 a 19 dias, por ambos os pais
Filhotes no ninho
15 a 18 dias

Habitat

Ambientes

  • Matas de galeria
  • Cerradão e mata seca
  • Bordas de floresta amazônica
  • Capoeiras altas e florestas secundárias

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Mata Atlântica
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutos (embaúba, figos, micônias)
  • Insetos (lagartas, besouros, cupins, cigarras)

Outros alimentos

  • Aranhas e pequenos artrópodes
  • Bagas de arbustos do sub-bosque

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina
  • Peru
  • Equador
  • Colômbia

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não indicada; ave silvestre
Legalidade no Brasil
Criação e comércio só com autorização do IBAMA; captura na natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98)
Nível de cuidado
Muito alto e especializado; exige dieta de frutos nativos e insetos vivos
Recomendação
Indicada apenas para observação em vida livre, fotografia e turismo de observação de aves

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Trogoniformes
Família
Trogonidae
Gênero
Trogon
Espécie
Trogon curucui

Resumo

  • O surucuá-de-barriga-vermelha é um trogon de 23 a 25 cm com forte dimorfismo sexual e barriga vermelho intensa, cabeça azul no macho e cinza na fêmea.
  • Ocorre da Amazônia ao Chaco, em matas de galeria, cerradões e bordas de floresta, onde vive em pares territoriais e sedentários.
  • Seu canto grave em sequência descendente e o ninho escavado em cupinzeiro arborícola ativo são as melhores pistas para encontrá-lo na natureza.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTrogonidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina, Peru, Equador e Colômbia
HabitatFlorestas úmidas, matas de galeria, cerradão, bordas de mata e capoeiras altas
Tamanho (comprimento)23 a 25 cm
Envergadura35 a 40 cm
Peso55 a 80 g
Coresvermelhoazul-escuroverde-metálicopretobrancocinza
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoFrugívora e insetívora (frutos, lagartas, besouros, cupins)
CantoSequência grave de 8 a 20 notas descendentes "cow-cow-cow"
Reprodução (ninho e ovos)Cavidade escavada em cupinzeiro arborícola; 2 a 4 ovos brancos
Comportamento socialMonogâmico, territorial, vive em pares isolados
Variedades ou subespécies3 subespécies: T. c. curucui, T. c. behni e T. c. peruvianus

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeBaixo
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o surucuá-de-barriga-vermelha sem confundir

O surucuá-de-barriga-vermelha (Trogon curucui) é inconfundível quando visto de frente: a barriga e o peito são de um vermelho intenso e uniforme, sem faixas. O dorso é verde-metálico brilhante que pode parecer azulado conforme a luz.

O macho tem cabeça e peito superior azul-escuro quase preto-azulado, anel ocular amarelo-pálido a esbranquiçado e bico amarelado. A fêmea é bem diferente: cabeça, pescoço e peito cinza-ardósia, dorso verde menos brilhante e anel ocular branco bem evidente.

Nos dois sexos, a cauda é longa e graduada. Vista por cima é verde-azulada com ponta preta; por baixo, tem barrado fino preto e branco bem característico. As asas são cinza-escuras com vermiculações brancas finas, visíveis quando pousado.

  • Medidas: 23 a 25 cm de comprimento e 55 a 80 g.
  • Confusão comum: o surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) tem barriga amarela e a fêmea tem barriga amarelada, não vermelha. O surucuá-variado (Trogon surrucura) tem barriga rosa-avermelhada, mas ocorre mais ao sul e sudeste e tem peito azul mais claro.
  • Dica de campo: fique parado e procure um vulto ereto e imóvel no sub-bosque médio. Ele costuma ficar minutos sem se mover.

Onde vive e onde encontrá-lo no Brasil

É uma ave de ampla distribuição sul-americana. No Brasil ocorre em quase toda a Amazônia, Cerrado, Pantanal e transições com Mata Atlântica e Caatinga, do nível do mar até cerca de 1.500 m de altitude.

Prefere matas de galeria, cerradões, matas secas, bordas de floresta amazônica e capoeiras altas. Evita interior de floresta muito fechada e áreas totalmente abertas. É residente e territorial, não migratório, e costuma permanecer no mesmo território o ano todo.

Estados com registros frequentes incluem Pará, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo interior. Em áreas urbanas, só aparece se houver mata preservada por perto.

O canto grave que entrega o surucuá na mata

O canto é a melhor pista. É uma sequência grave, oca e descendente de 8 a 20 notas do tipo “cou-cou-cou-cou”, emitida em ritmo regular e sem aceleração. Lembra um mugido baixo, audível a dezenas de metros.

O macho canta mais ao amanhecer e no final da tarde, pousado em galho médio e bem exposto. A fêmea também vocaliza, mas com canto mais curto e suave. Em época reprodutiva, o casal faz duetos curtos para reforçar o território.

Além do canto territorial, emite um chamado áspero de alarme, curto e repetido, quando predadores se aproximam do ninho. Não imita outras aves e não tem canto melodioso.

O que come: caçadas curtas e muitos frutos

A dieta é mista e oportunista, com frutos e insetos em proporções semelhantes. É um dos trogons mais frugívoros do gênero no Cerrado.

Para insetos, usa a técnica de voo estacionário curto (hover): arranca do poleiro, paira por um segundo, apanha lagartas, besouros, cupins alados, cigarras e aranhas na folhagem e volta ao mesmo poleiro. Quase não desce ao chão.

Entre os frutos, prefere embaúba, figos, frutos de canela, micônias e bagas de arbustos do sub-bosque. Engole o fruto inteiro e depois regurgita as sementes, atuando como dispersor importante em matas de galeria. Em períodos de seca, os insetos dominam a dieta.

Comportamento e vida em casal

Vive em pares monogâmicos e territoriais. Fora da reprodução, o casal permanece junto, mas cada um forrageia sozinho a poucos metros de distância. Não forma bandos e raramente se junta a bandos mistos.

É uma ave de atividade baixa. Passa longos intervalos empoleirada, ereta, com a cauda pendente, observando o entorno. O voo é rápido, ondulante e silencioso, com batidas curtas intercaladas por planeios.

Tolera pouco a presença de outros surucuás no território. Disputas são resolvidas com exibição de cauda e canto, raramente com contato físico. É arisco com humanos, mas permite aproximação lenta se o observador ficar imóvel.

Reprodução em cupinzeiro: ninho, ovos e filhotes

A reprodução vai de agosto a dezembro na maior parte do Brasil, com pico entre setembro e novembro. O casal escava junto uma cavidade em cupinzeiro arborícola ativo, geralmente de Nasutitermes, a 2 a 8 m de altura.

A câmara é rasa, sem forro, com entrada circular de cerca de 5 cm. A fêmea põe 2 a 4 ovos brancos e levemente brilhantes, incubados por ambos por 17 a 19 dias. Os cupins fecham parte do dano com terra, o que ajuda a manter a temperatura.

Os filhotes nascem com penugem rala e ficam no ninho por 15 a 18 dias, alimentados com frutos macios e lagartas regurgitadas. Mesmo após saírem, permanecem com os pais por algumas semanas aprendendo a capturar insetos em voo curto.

Como diferenciar ninhos de outros trogons

Diferente de pica-paus, o surucuá não escava tronco; e diferente do surucuá-de-coleira, que também usa cupinzeiro, o de barriga-vermelha prefere cupinzeiros menores e mais expostos em borda de mata, não no interior sombreado.

É possível criar surucuá-de-barriga-vermelha em casa?

Não é ave de estimação. É uma espécie silvestre nativa e sua captura, manutenção ou comércio sem autorização é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98. A criação só seria possível em criadouros autorizados pelo IBAMA e órgãos estaduais, o que é extremamente raro para trogonídeos.

Além da questão legal, o manejo é inviável em casa: exige dieta variada de frutos nativos e insetos vivos, espaço de voo em mata, baixa tolerância ao manuseio e estresse alto em gaiola. Não se adapta a viveiro doméstico e não tem histórico de domesticação.

Na nossa avaliação, o melhor convívio é a observação em vida livre. Binóculo, silêncio e paciência em trilhas de mata de galeria rendem encontros muito mais gratificantes e sem impacto para a espécie.

Estado de conservação e principais ameaças

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e distribuição muito ampla. É ainda comum em grande parte da sua área.

As ameaças locais são desmatamento de matas de galeria, queimadas no Cerrado e fragmentação que isolam territórios. Por depender de cupinzeiros arborícolas e de árvores frutíferas do sub-bosque, sofre quando a borda da mata é removida.

Por ser pouco visada pelo tráfico de aves silvestres, a pressão de captura é baixa. A manutenção de corredores de mata ciliar e a proteção de cupinzeiros são medidas simples e eficazes para conservá-la.

Diferenças entre subespécies e surucuás parecidos

Existem três subespécies reconhecidas, separadas principalmente por distribuição e tons de plumagem.

Subespécie Distribuição Traço distintivo
T. c. curucui Brasil central e oriental, Paraguai e Argentina Vermelho ventral mais vivo, anel ocular mais amarelado
T. c. behni Andes orientais da Bolívia e Peru Tom verde dorsal mais escuro, porte ligeiramente maior
T. c. peruvianus Amazônia ocidental (Peru, Equador, Colômbia) Fêmea com cinza mais claro e barrado da cauda mais fino

Para o observador no Brasil, a forma nominal T. c. curucui é a encontrada na maioria dos estados. As diferenças são sutis e só perceptíveis com boa luz e comparação direta.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do surucuá-de-barriga-vermelha?

Mede 23 a 25 cm de comprimento e pesa entre 55 e 80 g, com cauda longa e porte compacto.

Como diferenciar macho e fêmea?

O macho tem cabeça azul-escura, dorso verde brilhante e anel ocular amarelado; a fêmea tem cabeça e peito cinza-ardósia, dorso verde opaco e anel ocular branco.

Onde o surucuá-de-barriga-vermelha faz o ninho?

Escava uma cavidade rasa em cupinzeiro arborícola ativo, geralmente de Nasutitermes, a 2 a 8 m de altura, onde põe 2 a 4 ovos brancos.

O que ele come?

Frutos como embaúba e figos e insetos como lagartas, besouros e cupins, capturados em voos curtos com breve hover na folhagem.

Ele canta como?

Uma sequência grave e oca de 8 a 20 notas descendentes do tipo "cou-cou-cou", emitida ao amanhecer e no fim da tarde.

Pode criar surucuá-de-barriga-vermelha em casa?

Não. É ave silvestre nativa; capturar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental e ela não se adapta a gaiolas.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, embora sofra localmente com desmatamento de matas de galeria.

Você sabia?

1

Ninho em casa de cupim viva

O casal escava a cavidade em cupinzeiro ainda habitado por cupins. Os insetos não abandonam o ninho e selam as paredes com terra, criando uma câmara termicamente estável para os ovos.

2

Anel ocular que muda com o sexo

Machos têm anel ocular amarelo-pálido a amarelado, enquanto fêmeas exibem anel branco bem contrastante sobre a face cinza, um detalhe útil para sexagem rápida em campo.

3

Voo quase sem ruído

Apesar das asas curtas e arredondadas, o voo é surpreendentemente silencioso, o que ajuda a se aproximar de insetos na folhagem sem ser notado.

4

Nome que imita o canto

"Curucui" é onomatopeico e reproduz a sequência grave "curu-cuí" do seu canto territorial, origem do nome científico Trogon curucui dado por Linnaeus em 1766.

Fontes

  1. IUCN Red List - Trogon curucui
  2. WikiAves - Surucuá-de-barriga-vermelha
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Surucuá-de-barriga-vermelha

Prós

  • Muito comum e fácil de encontrar pelo canto em matas de galeria
  • Coloração marcante e dimorfismo que facilita identificação
  • Importante dispersor de sementes de frutos nativos
  • Baixa pressão de tráfico, população estável
  • Ótimo para observação e fotografia em vida livre

Contras

  • Não é ave de estimação e não se adapta a cativeiro
  • Arisco e imóvel, exige paciência para observar
  • Dependente de cupinzeiros e matas preservadas
  • Pode ser confundido com outros surucuás por iniciantes
  • Vocalização grave pode passar despercebida por ouvidos não treinados
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o surucuá-de-barriga-vermelha é o trogon mais didático para quem começa a observar aves no Cerrado: comum, territorial e fácil de localizar pelo canto. Sua dependência de cupinzeiros arborícolas mostra como a conservação de detalhes da mata importa tanto quanto a floresta em si.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.