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Inhambu-chororó

Crypturellus parvirostris

Atualizado em

20 a 22 cmTamanho
150 a 250 gPeso
5 a 7 anosExpectativa de vida
Assobio longo e melancólicoCanto
Cerrado e borda de mata secaHabitat
Inhambu-chororó de corpo inteiro em pé sobre folhas secas no Cerrado

O inhambu-chororó é um tinamídeo pequeno e terrestre, muito mais ouvido do que visto. Com cerca de 20 a 22 cm, vive no chão de cerrados, caatingas e bordas de mata seca, onde sua plumagem em tons de castanho e cinza o camufla perfeitamente entre folhas secas.

Famoso pelo canto assobiado, longo e melancólico, que parece um apito ascendente repetido ao amanhecer e ao entardecer, ele denuncia a presença mesmo quando se esconde na vegetação densa. Solitário e arisco, voa pouco e prefere correr e se agachar para escapar.

No Brasil é uma das espécies de inhambu mais comuns no interior, mas pouco conhecida do grande público justamente por seu hábito discreto. Não é ave de gaiola e sua criação depende de autorização legal.

Também conhecido como: Inambu-chororó, Inhambú-chororó, Small-billed Tinamou (inglês), Tataupa-chico (espanhol)

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Galeria de fotos de Inhambu-chororó

Inhambu-chororó de corpo inteiro em pé sobre folhas secas no Cerrado
Inhambu-chororó em sua postura típica no chão do Cerrado.
Close da cabeça e bico fino do inhambu-chororó
Detalhe da cabeça e do bico fino do inhambu-chororó.
Inhambu-chororó camuflado entre folhas secas em habitat natural
Camuflagem do inhambu-chororó entre a serapilheira.
Ninho do inhambu-chororó no chão com ovos cor de chocolate
Ninho simples no chão com ovos brilhantes cor de chocolate.
Macho de inhambu-chororó com filhotes listrados no chão da mata
Macho conduzindo filhotes precoces após a eclosão.
Inhambu-chororó cantando ao amanhecer sobre cupinzeiro
Inhambu-chororó vocalizando ao amanhecer, quando é mais ouvido.

Perfil rápido de Inhambu-chororó

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie com distribuição ampla e população ainda numerosa.

População
Em declínio local por desmatamento do Cerrado
Protegido por
Sim, protegida por lei como fauna silvestre nativa

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 7 anos
Em cativeiro
Raro; até 8 anos em criadouro especializado, com alto estresse

Reprodução

Acasalamento
Poliândrico sequencial, fêmea acasala com vários machos
Estrutura social
Macho solitário cuida do ninho; fêmea não participa da incubação
Padrão sazonal
Estação chuvosa, setembro a janeiro no Brasil central
Tipo de nascimento
Ovíparo, filhotes precoces e nidífugos
Ninhada
4 a 5 ovos por ninho, incubação de 16 a 18 dias

Habitat

Ambientes

  • Cerrado e cerradão
  • Borda de mata seca
  • Caatinga arbórea
  • Capoeiras e pastagens sujas com arbustos

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica (transição)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas
  • Frutos caídos

Outros alimentos

  • Insetos
  • Cupins e formigas
  • Pequenos invertebrados
  • Brotos

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Não é ave de estimação; silvestre, arisca e estressa-se em gaiola
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; captura e comércio da natureza são crime ambiental; criação só com autorização do IBAMA
Nível de cuidado
Muito alto; exige viveiro grande com solo e vegetação natural
Custo de aquisição
Não comercializada legalmente como pet; apenas em criadouros autorizados raros

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Tinamiformes
Família
Tinamidae
Gênero
Crypturellus
Espécie
Crypturellus parvirostris

Resumo

  • O inhambu-chororó é um tinamídeo de 20 a 22 cm, terrestre e críptico, de plumagem castanha e cinza que o camufla no chão do Cerrado e da Caatinga.
  • Vive solitário ou em pares no Brasil central e nordestino, Bolívia, Paraguai e Argentina, e é identificado principalmente pelo canto assobiado longo e melancólico ao amanhecer.
  • Faz ninho no chão com 4 a 5 ovos cor de chocolate e tem macho como único responsável pela incubação e cuidado dos filhotes.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTinamidae
Origem e distribuiçãoCentro-leste da América do Sul: Brasil, leste da Bolívia, Paraguai e nordeste da Argentina
HabitatCerrado, Caatinga, borda de mata seca, capoeiras e cerradões
Tamanho (comprimento)20 a 22 cm
Envergadura35 a 40 cm
Peso150 a 250 g
Corescastanhomarrom-avermelhadocinzabege-claropreto
Expectativa de vida5 a 7 anos na natureza
AlimentaçãoSementes, frutos caídos, insetos e pequenos invertebrados
CantoAssobio puro, ascendente e prolongado, repetido em intervalos
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no chão entre folhas; 4 a 5 ovos rosados a cor de chocolate, brilhantes
Comportamento socialSolitário ou em pares, terrestre e muito arisco
Variedades ou subespéciesMonotípica, sem subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o inhambu-chororó: tamanho, cores e silhueta

O inhambu-chororó é um dos menores tinamídeos do Brasil, com 20 a 22 cm e corpo compacto, quase sem cauda aparente. A silhueta é arredondada, com pernas curtas e bico fino e levemente curvo, bem diferente de codornas.

A plumagem é feita para desaparecer no chão. O dorso é castanho a marrom-avermelhado com finas barras pretas, o peito é cinza e a barriga bege-claro a esbranquiçada. A cabeça tem tons de castanho-acinzentado e uma sobrancelha clara pouco marcada.

Fêmeas e machos são muito parecidos, com fêmeas ligeiramente maiores e mais avermelhadas no dorso. Não tem dimorfismo evidente à distância, e a identificação em campo depende mais do tamanho, do habitat e principalmente do canto.

Onde vive o inhambu-chororó: distribuição e habitats no Brasil

A espécie ocorre do nordeste ao sudeste e centro-oeste do Brasil, sendo comum no Cerrado, na Caatinga e em áreas de transição com a Mata Atlântica. Fora do Brasil, aparece no leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina.

Prefere cerrado sensu stricto, cerradão, caatinga arbórea, capoeiras e bordas de matas secas. Evita floresta densa e áreas muito úmidas. Vive no chão, entre gramíneas, arbustos e serapilheira, onde encontra alimento e abrigo.

É ave sedentária e territorial. Não migra, mas pode fazer deslocamentos curtos na estação seca em busca de áreas com mais frutos e sementes no solo. Em regiões agrícolas, usa pastagens sujas e plantações abandonadas, desde que haja cobertura baixa para se esconder.

O canto que entrega o inhambu-chororó na mata

Se você já caminhou no Cerrado ao amanhecer, provavelmente ouviu o inhambu-chororó sem saber. O canto é um assobio puro, longo, ascendente e melancólico, com duração de 2 a 3 segundos, repetido a cada 5 a 10 segundos.

Ele vocaliza principalmente ao amanhecer e ao entardecer, empoleirado discretamente em um cupinzeiro baixo ou no chão, com o bico apontado para cima. Na época reprodutiva, o macho canta por muito mais tempo para atrair fêmeas e demarcar território.

É fácil confundir com o inhambu-chintã (Crypturellus tataupa), mas o chororó tem nota mais longa, limpa e sem trinado final. Observadores experientes identificam a espécie só pelo canto, já que vê-la exige paciência e silêncio absoluto.

O que o inhambu-chororó come no chão da mata

A dieta é onívora e oportunista, coletada ciscando entre folhas secas. A base são sementes de gramíneas, frutos caídos pequenos e brotos, complementados por insetos, formigas, besouros, cupins e outros invertebrados.

Em anos de boa frutificação de árvores do Cerrado como murici e pindaíba, os frutos se tornam parte importante da alimentação. Ele engole pequenas pedrinhas (gastrolitos) para ajudar a triturar sementes na moela, como outros tinamídeos.

Filhotes nas primeiras semanas consomem muito mais proteína animal, caçando insetos com o pai. Essa dieta rica em proteína acelera o crescimento e explica por que a ninhada acompanha o macho em busca ativa de formigueiros e cupinzeiros baixos.

Comportamento: um tinamídeo discreto e terrestre

O inhambu-chororó é solitário ou visto em pares na época reprodutiva. Passa o dia caminhando devagar, parando para ciscar e levantar a cabeça em alerta. Qualquer ruído o faz agachar e congelar, confiando na camuflagem.

Quando pressionado, prefere correr em zigue-zague entre a vegetação a voar. O voo é curto, barulhento e baixo, com batidas rápidas, usado só como último recurso. Por isso, é mais fácil espantá-lo sem querer do que observá-lo com calma.

  • Extremamente arisco: não se acostuma com presença humana, diferente de galiformes domésticos.
  • Atividade crepuscular: picos de canto e forrageio no início da manhã e fim da tarde.
  • Banho de areia: usa clareiras com solo seco para manter a plumagem livre de parasitas.

Na nossa avaliação, é uma ave fascinante justamente por esse temperamento selvagem. Tentar aproximar-se demais só aumenta o estresse e afasta o animal da área.

Reprodução, ninhos e filhotes

A reprodução coincide com a estação chuvosa, de setembro a janeiro no Brasil central. O sistema é de poliandria sequencial: a fêmea acasala com vários machos e cada macho cuida sozinho de seu ninho.

O ninho é extremamente simples: uma depressão rasa no chão, forrada com poucas folhas secas, escondida sob moitas ou na base de arbustos. Ali o macho incuba 4 a 5 ovos de casca brilhante, cor rosada a chocolate, por cerca de 16 a 18 dias.

Os filhotes são precoces e nidífugos: nascem cobertos de penugem listrada, enxergam, caminham e seguem o pai poucas horas após eclodir. O macho os guia, aquece e defende, ensinando onde ciscar. Em 2 a 3 semanas já fazem voos curtos e se dispersam.

É possível criar inhambu-chororó em casa? Legalidade e manejo

Não. O inhambu-chororó é ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter ou comercializar exemplares da natureza é crime ambiental no Brasil. A criação só seria possível com autorização do IBAMA e órgãos estaduais, em criadouros autorizados, o que é extremamente raro para esta espécie.

Além da questão legal, o manejo é difícil. É uma ave que sofre muito com estresse de cativeiro, exige viveiro grande com solo natural, vegetação densa e dieta variada, e não se torna mansa. Não é indicada como pet, não canta bem em gaiola e pode se ferir tentando fugir.

Para quem gosta da espécie, a melhor forma de convivência é a observação em campo e a gravação do canto. Manter áreas de Cerrado preservadas, com sub-bosque intacto, é o que realmente garante sua presença.

Conservação: situação atual e principais ameaças

Globalmente o inhambu-chororó é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ter distribuição ampla e população ainda numerosa. No entanto, há declínio local em regiões de intensa conversão do Cerrado.

As principais ameaças são desmatamento do Cerrado e da Caatinga, queimadas frequentes, agricultura intensiva e caça predatória. Como nidifica no chão, ninhos e filhotes são vulneráveis a fogo, pisoteio de gado, cães e predadores como gambás e gaviões.

A conservação depende de unidades de conservação, manejo do fogo e manutenção de corredores de vegetação nativa. Por ser bioindicador de Cerrado bem conservado, onde o chororó canta, o ambiente ainda mantém boa integridade.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do inhambu-chororó?

Mede 20 a 22 cm de comprimento e pesa entre 150 e 250 g, sendo um dos menores inhambu do Brasil.

Como é o canto do inhambu-chororó?

É um assobio puro, longo e ascendente, melancólico, repetido a cada poucos segundos principalmente ao amanhecer e entardecer.

Onde vive o inhambu-chororó?

Vive no chão do Cerrado, Caatinga e bordas de mata seca do Brasil central e nordestino, além de Bolívia, Paraguai e Argentina.

O inhambu-chororó pode ser criado em casa?

Não como pet. É ave silvestre protegida; capturar ou comprar da natureza é crime ambiental e a criação exige autorização do IBAMA.

Quantos ovos o inhambu-chororó põe?

Põe 4 a 5 ovos brilhantes de cor rosada a chocolate em ninho simples no chão, incubados apenas pelo macho.

Qual a diferença entre inhambu-chororó e inhambu-chintã?

O chororó (Crypturellus parvirostris) tem canto mais longo e limpo, sem trinado final, e plumagem mais acinzentada no peito que o chintã (Crypturellus tataupa).

O inhambu-chororó está ameaçado de extinção?

Não globalmente; é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofre declínio local onde o Cerrado é desmatado.

Você sabia?

1

Ovos cor de chocolate

Os ovos do inhambu-chororó têm casca lisa e brilhante em tom rosado a marrom-chocolate, quase porcelanizados, muito diferentes dos ovos claros de outras aves do chão.

2

Pai solteiro dedicado

É o macho que incuba sozinho e cria os filhotes, enquanto a fêmea segue para acasalar com outro macho, um sistema raro de poliandria entre as aves brasileiras.

3

Nome que imita o canto

O nome chororó é onomatopeico e tenta reproduzir o assobio longo e choroso que a ave emite ao amanhecer, facilmente confundido com um apito humano distante.

4

Parente de avestruz

Apesar do tamanho pequeno, os tinamídeos são parentes evolutivos mais próximos das emas e avestruzes do que de codornas, pertencendo ao grupo das aves ratitas voadoras.

Fontes

  1. IUCN Red List - Crypturellus parvirostris
  2. WikiAves - Inhambu-chororó
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Inhambu-chororó

Prós

  • Canto marcante e fácil de identificar em campo
  • Ampla distribuição no Brasil interior
  • Bioindicador de Cerrado bem conservado
  • Filhotes precoces com cuidado paterno interessante para observação

Contras

  • Muito arisco e difícil de ver
  • Não se adapta ao cativeiro doméstico
  • Ninho no chão vulnerável a fogo e predadores
  • População em declínio local com desmatamento
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o inhambu-chororó é o melhor exemplo de como o Cerrado se revela pelo som: invisível no chão, mas inconfundível no canto. Tentar domesticá-lo é um erro; preservá-lo é garantir que o amanhecer no interior do Brasil continue com seu assobio melancólico.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.