🦜 Aves e Pássaros

Martim-pescador-verde

Chloroceryle americana

Atualizado em

19 a 20 cmTamanho
30 a 45 gPeso
6 a 10 anosExpectativa de vida
Trinado áspero e secoCanto
Rios, lagos e manguezaisHabitat
Martim-pescador-verde macho pousado em galho fino sobre a água

O martim-pescador-verde (Chloroceryle americana) é o menor martim-pescador comum no Brasil, com cerca de 19 cm e plumagem verde-escura brilhante nas costas. O macho tem uma faixa larga cor de ferrugem no peito, enquanto a fêmea exibe apenas uma faixa verde, um padrão invertido raro entre as aves.

Vive sempre perto da água — rios, lagos, açudes, manguezais e até canais urbanos — do Texas à Argentina, e é residente em quase todo o território brasileiro. Solitário e arisco, passa longos períodos imóvel em poleiros baixos antes de mergulhar em voo certeiro para capturar peixes e crustáceos.

Apesar do nome, não é ave de gaiola: é silvestre, protegida por lei e excelente indicador de água limpa. Observar seu mergulho rápido e seu canto áspero e repetido é a melhor forma de conhecê-lo na natureza.

Também conhecido como: martim-pescador-miúdo, ariramba-verde, martinho, green kingfisher (inglês), martín pescador verde (espanhol)

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves da Amazônia

Explore a wiki

Galeria de fotos de Martim-pescador-verde

Martim-pescador-verde macho pousado em galho fino sobre a água
Macho adulto com a faixa ferrugem característica no peito.
Retrato em close da cabeça e bico do martim-pescador-verde
Detalhe da cabeça, bico longo e colar branco.
Martim-pescador-verde em voo baixo sobre o rio
Voo rápido e baixo, típico ao cruzar o espelho d’água.
Martim-pescador-verde em habitat natural de manguezal e rio
Habitat preferido: margens com poleiros baixos.
Martim-pescador-verde pescando peixe pequeno no mergulho
Mergulho certeiro para capturar peixes de poucos centímetros.
Barranco com túnel de ninho do martim-pescador-verde
Entrada do túnel cavado em barranco para o ninho.

Perfil rápido de Martim-pescador-verde

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável em toda a distribuição americana.

População
estável
Protegido por
sim

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
6 a 10 anos; mortalidade alta no primeiro ano por predação e enchentes nos ninhos

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, par se forma só para a ninhada
Estrutura social
Solitário e territorial, casal junto apenas na incubação
Padrão sazonal
Sazonal, pico de julho a novembro no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo, 3 a 5 ovos brancos por ninhada
Ninhada
1 a 2 ninhadas por ano se houver perda; filhotes deixam o túnel com 25 a 30 dias

Habitat

Ambientes

  • margens de rios e riachos
  • lagos, lagoas e açudes
  • manguezais e estuários
  • brejos e canais urbanos
  • igarapés e lagos de várzea

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Caatinga
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • peixes pequenos (lambaris e alevinos)
  • camarões de água doce

Outros alimentos

  • insetos aquáticos
  • larvas de libélula
  • pequenos crustáceos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • México
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Coraciiformes
Família
Alcedinidae
Gênero
Chloroceryle
Espécie
Chloroceryle americana

Resumo

  • O martim-pescador-verde mede cerca de 19 cm, pesa 30 a 45 g e se reconhece pelo dorso verde-metálico, ventre branco e faixa ferrugem no peito do macho.
  • Vive em margens de rios, lagos e manguezais de todo o Brasil e das Américas, caçando peixes pequenos com mergulhos rápidos a partir de poleiros baixos.
  • Faz ninho em túneis cavados em barrancos, põe 3 a 5 ovos brancos e é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas depende de águas limpas e barrancos preservados.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAlcedinidae
Origem e distribuiçãoDo sul do Texas e México até o norte da Argentina; presente em todo o Brasil
HabitatMargens de rios, riachos, lagos, açudes, manguezais e canais, até 1.500 m de altitude
Tamanho (comprimento)19 a 20 cm
Envergadura25 a 29 cm
Peso30 a 45 g (macho 30-40 g, fêmea 35-45 g)
Coresverde-escuro metálicobrancoferrugempreto
Expectativa de vida6 a 10 anos na natureza
AlimentaçãoPiscívora: peixes pequenos, camarões, insetos aquáticos
CantoSequência áspera de “tik-tik-tik” e trinados secos
Reprodução (ninho e ovos)Túnel em barranco de 50 a 100 cm; 3 a 5 ovos brancos; incubação 19 a 21 dias
Comportamento socialSolitário e territorial, forma par apenas na reprodução
Variedades ou subespécies5 subespécies reconhecidas (C. a. americana no Brasil)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito baixo
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como identificar o martim-pescador-verde: tamanho, cores e diferenças entre macho e fêmea

O martim-pescador-verde é pequeno e compacto, com 19 a 20 cm de comprimento e bico preto longo e reto, proporcionalmente maior que a cabeça. Pesa pouco, de 30 a 45 g, e cabe na palma da mão, mas parece robusto quando pousado.

O dorso, a cabeça e as asas são verde-escuro metálico com brilho que muda conforme a luz, pontilhado de branco nas asas. O ventre é branco puro e há um colar branco bem marcado no pescoço. A cauda é curta.

A diferença sexual é o melhor atalho para identificação. O macho tem uma faixa larga cor de ferrugem atravessando o peito branco, como um colete. A fêmea tem duas faixas verdes finas no peito e não tem ferrugem. Isso inverte o padrão comum em aves, onde o macho costuma ser mais colorido no dorso.

Filhotes e jovens lembram a fêmea, mas com tons mais opacos e manchinhas amareladas no ventre. O bico dos jovens pode ter base mais clara.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

É uma das aves aquáticas mais amplamente distribuídas do país. Ocorre em todos os estados, da Amazônia ao Pampa, sempre associado à água doce ou salobra. Está presente em rios de corredeira lenta, igarapés, lagos de várzea, açudes do interior, brejos, manguezais e até em parques urbanos com lago.

Prefere poleiros baixos e expostos: galhos finos, cercas, pedras ou galhos secos a 1 a 3 metros sobre a água. Evita floresta fechada sem espelho d’água e áreas de mar aberto. Pode chegar a 1.500 m de altitude nos Andes, mas no Brasil é mais comum em baixadas.

É residente o ano todo na maior parte da distribuição brasileira. Não faz migração de longa distância, apenas deslocamentos curtos conforme o nível da água. Em época de cheia, pode se afastar de áreas alagadas; na seca, concentra-se em poças remanescentes onde os peixes ficam mais fáceis.

O que come e como caça mergulhando

A dieta é quase toda de peixes muito pequenos, de 2 a 8 cm, como lambaris, barrigudinhos e alevinos. Complementa com camarões de água doce, pequenos crustáceos, larvas de libélula e insetos aquáticos. Raramente pega girinos.

A técnica é clássica dos martins: fica imóvel no poleiro, com a cabeça inclinada, observando a água. Quando avista a presa, lança-se em voo rápido e mergulha com o bico à frente, muitas vezes submergindo totalmente por um segundo. Volta ao poleiro para bater o peixe e engoli-lo de cabeça para baixo.

Diferente do martim-pescador-grande, raramente paira no ar. Prefere o ataque a partir de poleiro baixo, o que economiza energia. Em águas turvas, caça menos e pode mudar de trecho do rio. Um indivíduo pode fazer dezenas de mergulhos por hora em locais com muitos peixes.

Canto, comportamento e vida social

Não espere canto melodioso. A vocalização é um “tik-tik-tik-tik” áspero, seco e acelerado, além de um trinado curto quando assustado ou em voo. O canto serve para marcar território e manter contato entre o casal.

É extremamente solitário e territorial. Cada ave defende um trecho linear de rio ou lago, de algumas dezenas a poucas centenas de metros, e não tolera outro martim-pescador-verde por perto, exceto na época reprodutiva. Fora dela, macho e fêmea vivem separados.

Arisco com gente, voa baixo e rápido sobre a água quando percebe aproximação, emitindo o chamado de alarme. Passa boa parte do dia pousado, intercalando caçadas com limpeza da plumagem e banhos rápidos. Não forma bandos e não se mistura com outras espécies de martim.

Reprodução: ninho em barranco, ovos e filhotes

A reprodução no Brasil ocorre principalmente entre julho e novembro, no fim da seca e início das chuvas, quando os barrancos estão expostos e há peixe abundante. O casal se forma apenas para a estação.

O ninho não é feito de gravetos. O casal cava um túnel horizontal em barranco de terra à beira da água, usando bico e pés. O túnel tem 50 a 100 cm de profundidade e termina em uma câmara oval sem forro, onde os ovos são postos diretamente sobre a terra.

A postura é de 3 a 5 ovos brancos e lisos, incubados por ambos por 19 a 21 dias. Os filhotes nascem sem penas, de olhos fechados, e são alimentados com peixinhos regurgitados. Ficam no túnel por cerca de 25 a 30 dias e saem já capazes de voar e pescar com pouca ajuda dos pais.

Cuidados com o ninho

Barrancos desmoronados, pisoteio de gado e enchentes fora de época são as principais causas de perda. O túnel é facilmente confundido com buraco abandonado, por isso a preservação da margem é decisiva.

É migratório? Deslocamentos e ciclo anual

O martim-pescador-verde é considerado sedentário. No Brasil não há migração verdadeira. O que existe são movimentos locais ligados ao nível da água e à oferta de poleiros.

Na Amazônia, acompanha o pulso de cheia e seca, ocupando igapós na cheia e canais principais na seca. No Pantanal e no Cerrado, concentra-se em baías permanentes quando as lagoas temporárias secam. No Sudeste urbano, pode aparecer em represas artificiais o ano todo.

Fora da estação reprodutiva, o território fica menos rígido e jovens dispersam alguns quilômetros à procura de um trecho livre. Essa dispersão explica por que a espécie coloniza rapidamente açudes novos.

Como diferenciar do martim-pescador-pequeno e do grande

A confusão mais comum é com o martim-pescador-pequeno (Chloroceryle aenea), que é ainda menor (13 cm), tem ventre ferrugem intenso e habita matas mais fechadas. O verde tem ventre branco e é mais urbano e aberto.

Em relação ao martim-pescador-grande (Megaceryle torquata), a diferença é gritante: o grande tem 38 a 42 cm, crista desgrenhada e peito azul-acinzentado. O verde nunca tem crista.

Espécie Tamanho Ventre Traço distintivo
Martim-pescador-verde 19-20 cm Branco com faixa ferrugem (macho) Dorso verde-metálico, sem crista
Martim-pescador-pequeno 13-14 cm Ferrugem total Muito menor, habita sombra
Martim-pescador-grande 38-42 cm Ferrugem (macho) / cinza (fêmea) Grande, com crista
Martim-pescador-da-amazônia 29-30 cm Branco Intermediário, bico mais pesado

Observar o ventre e o tamanho já resolve 90% das dúvidas em campo, sem precisar de binóculo potente.

Conservação, ameaças e observação responsável

Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. No Brasil continua comum, mas depende diretamente de água limpa e barrancos naturais.

As ameaças locais são poluição por esgoto e agrotóxicos, que reduzem os peixes pequenos, além de retificação de rios, remoção de vegetação ciliar e ocupação de barrancos. Como pesca peixes de superfície, acumula contaminantes e funciona como bioindicador.

Para observar sem atrapalhar, mantenha distância de 15 a 20 metros, use binóculo e não se aproxime de barrancos com buracos na época de reprodução. Não tente capturar, alimentar ou manter em gaiola: além de crime ambiental, a espécie não sobrevive bem fora do habitat e morre rapidamente sem peixe vivo.

É possível ter martim-pescador-verde em casa? Legalidade

Não. É ave silvestre protegida e sua captura, transporte, venda ou manutenção em cativeiro sem autorização é crime ambiental no Brasil (Lei 9.605/98). Não existe criação comercial legalizada para esta espécie.

Somente criadouros e mantenedores autorizados pelo IBAMA e órgãos estaduais podem manter fauna silvestre, e isso não se aplica ao martim-pescador-verde, que não é ave de estimação. A melhor forma de “ter” a espécie por perto é preservar um lago ou riacho com poleiros e água limpa.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do martim-pescador-verde?

Mede 19 a 20 cm de comprimento, com envergadura de 25 a 29 cm e peso de 30 a 45 g, sendo o segundo menor martim do Brasil.

Como diferenciar macho e fêmea?

O macho tem faixa larga ferrugem no peito branco; a fêmea tem duas faixas finas verdes no peito e não tem ferrugem.

Onde o martim-pescador-verde vive?

Em margens de rios, lagos, açudes e manguezais de todo o Brasil, sempre perto de água com poleiros baixos para caçar.

O que ele come?

Principalmente peixes pequenos de 2 a 8 cm e camarões de água doce, capturados em mergulhos rápidos a partir do poleiro.

Ele canta?

Sim, emite um trinado áspero e seco do tipo “tik-tik-tik”, usado para defender território e se comunicar em voo.

Pode criar martim-pescador-verde em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei; capturar ou manter em gaiola é crime ambiental e a espécie não se adapta ao cativeiro.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre localmente com poluição e destruição de barrancos.

Fatos surpreendentes

1

Fêmea com “bigode” verde

Ao contrário da maioria das aves, é a fêmea que tem a faixa escura no peito — duas listras verdes — enquanto o macho exibe a faixa ferrugem chamativa.

2

Engenheiro de túneis

O casal escava o ninho com o bico como picareta e joga a terra para trás com os pés, cavando até 1 metro em barranco compacto ao longo de vários dias.

3

Brilho sem pigmento verde

O verde-metálico não vem de pigmento, mas da microestrutura das penas que reflete luz; com desgaste, pode parecer mais azulado ou acobreado.

4

Mergulho sem óculos

Possui membrana nictitante transparente que funciona como óculos de mergulho, protegendo o olho no impacto com a água e permitindo enxergar sob ela.

Fontes

  1. IUCN Red List - Chloroceryle americana
  2. WikiAves - Martim-pescador-verde
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Martim-pescador-verde

Prós

  • Muito fácil de observar em rios e lagos urbanos
  • Identificação simples pela faixa ferrugem do macho
  • Indicador de água limpa e ambiente saudável
  • Residente o ano todo, não exige época específica para ver
  • Comportamento de caça vistoso e fotogênico

Contras

  • Extremamente arisco, não permite aproximação
  • Não pode ser criado em casa, é silvestre protegido
  • Depende de barrancos preservados para nidificar
  • Vocalização áspera, sem canto melodioso
  • Pode abandonar o território se a água ficar poluída ou turva
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o martim-pescador-verde é o melhor cartão de visitas para quem começa a observar aves aquáticas no Brasil: comum, fácil de reconhecer pelo peito ferrugem do macho e pelo comportamento de poleiro baixo. Subestimado por ser pequeno, ele revela muito sobre a saúde do rio onde vive.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.