🌳 Árvores

Xique-xique

Pilosocereus gounellei

Atualizado em

2 a 4 m de alturaTamanho
Áfila (sem folhas)Folhagem
LentoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Flor branca noturna do xique-xique aberta

O xique-xique (Pilosocereus gounellei) não é uma árvore de madeira no sentido clássico, mas um cacto colunar arborescente endêmico da Caatinga. Com 2 a 4 m de altura, ramificado desde a base e coberto de espinhos dourados, ele é um dos símbolos de resistência à seca extrema no Nordeste.

Muito confundido com mandacaru e facheiro, distingue-se pelos ramos mais finos, pelos tufos de pelos brancos nas aréolas florais e pelas flores brancas que abrem à noite. Seus frutos rosados alimentam aves e morcegos e, após a queima dos espinhos, seus cladódios ainda salvam rebanhos na estiagem.

Também conhecido como: xiquexique, pilosocereus, cacto-xique-xique, gogoia (fruto)

Faz parte de: Árvores Ornamentais, Árvores Pequenas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Xique-xique

Flor branca noturna do xique-xique aberta
Flor branca noturna, polinizada por morcegos, dura apenas uma noite.
Frutos rosados do xique-xique abertos com polpa branca
Frutos rosados com polpa doce muito apreciada pela fauna.
Frutos rosados do xique-xique abertos com polpa branca
Frutos rosados com polpa doce muito apreciada pela fauna.
Xique-xique usado como cerca viva em propriedade rural no sertão
Uso tradicional como cerca viva impenetrável no sertão.
Base e textura espinhosa do xique-xique
Base ramificada e superfície densamente espinhosa.
Base e textura espinhosa do xique-xique
Base ramificada e superfície densamente espinhosa.
Ideal para

Ideal para quem mora no semiárido ou quer um jardim sem rega e de sol extremo. É perfeito para sítios, fazendas e casas com terreno pedregoso, onde funciona como cerca viva bonita e defensiva e atrai polinizadores noturnos.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem busca sombra, quintal para crianças ou calçada com circulação intensa. Os espinhos longos causam ferimentos sérios, exige sol pleno constante e não tolera solo argiloso encharcado ou apartamento sem luz direta.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diretas; não tolera sombra
Solo
Arenoso-pedregoso, muito bem drenado; evitar argila e encharcamento
Rega
Muito baixa; regar só nos 3 primeiros meses a cada 15-20 dias, depois apenas chuva
Temperatura
Ideal 25-32 °C; não tolera geada nem frio abaixo de 10 °C prolongado
Adubação
Leve, 1x/ano no início das chuvas com composto + farinha de ossos
Poda
Apenas sanitária ou de contenção; usar luvas de couro e desinfetar ferramenta
Propagação
Por estaca de 30-50 cm com cicatrização de 7-10 dias; sementes são lentas

Perfil rápido de Xique-xique

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e abundante na Caatinga, sem risco iminente de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não consta em listas nacionais de ameaça, mas protegida indiretamente por leis da Caatinga

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Plantio (estaca)JFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Caatinga arbustiva e arbórea
  • Lajedos e afloramentos rochosos
  • Carrascos e solos pedregosos rasos

Biomas

  • Caatinga

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Caryophyllales
Família
Cactaceae
Gênero
Pilosocereus
Espécie
Pilosocereus gounellei

Resumo

  • O xique-xique é um cacto colunar da Caatinga (Pilosocereus gounellei) com 2 a 4 m, sem folhas verdadeiras e com espinhos longos e dourados.
  • Vive sob sol pleno e solo pedregoso muito bem drenado, com floração noturna branca polinizada por morcegos entre dezembro e julho.
  • É usado como forragem de emergência, cerca viva e planta ornamental xerófita, sendo extremamente resistente à seca e de crescimento lento.

Características

Ficha da árvore

Nome popularXique-xique
Nome científicoPilosocereus gounellei (A. Weber ex K. Schum.) Byles & G.D. Rowley
Família botânicaCactaceae
OrigemEndêmica da Caatinga – Nordeste do Brasil
Tamanho2 a 4 m (excepcionalmente até 6 m)
CopaRamificada desde a base, colunar e irregular, 2 a 3 m de diâmetro
FolhagemÁfila (sem folhas), perene nos cladódios verdes
CrescimentoLento (10 a 20 cm/ano)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 h/dia)
RegaMuito baixa, apenas no estabelecimento
SoloArenoso, pedregoso, muito bem drenado, pH 6,0 a 7,5
UsosForrageiro, cerca viva, ornamental xerófito, alimento para fauna
Longevidade30 a 50 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMuito baixo
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesMuito baixo
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaAlto

O que é o xique-xique e por que não é uma árvore comum

O xique-xique é um cacto colunar arborescente, não uma árvore madeireira. Seu nome científico atual é Pilosocereus gounellei, da família Cactaceae, endêmico da Caatinga.

Em vez de tronco lenhoso, ele forma cladódios cilíndricos verdes que fazem fotossíntese. As folhas verdadeiras não existem; o que vemos são aréolas com espinhos e tufos de pelos brancos. Essa adaptação explica sua resistência extrema à seca.

Na natureza forma moitas densas e impenetráveis, com dezenas de ramos verticais. Por isso é tão usado como cerca viva defensiva no sertão.

Como identificar: forma, espinhos e flores noturnas

Reconhecer o xique-xique é fácil quando você sabe o que observar. Os ramos têm 8 a 10 costelas bem marcadas e diâmetro de 4 a 7 cm, mais finos que o mandacaru.

Os espinhos são o melhor marcador. São dourados a acastanhados, com até 10 cm de comprimento, muito mais longos e numerosos que no facheiro. Nas áreas florais surge uma lanugem branca densa, o “pilo” que dá nome ao gênero Pilosocereus.

As flores são brancas, tubulares, com 6 a 9 cm, e abrem apenas à noite. Os frutos são globosos, rosados a magenta, com 4 a 6 cm, polpa branca e sementes pretas minúsculas. Quando maduros, se abrem expondo a polpa adocicada.

Diferença para mandacaru e facheiro

  • Xique-xique: moita baixa, muito ramificada desde a base, ramos finos, muitos espinhos longos.
  • Mandacaru (Cereus jamacaru): porte arbóreo maior (até 8 m), tronco único e ramos mais grossos.
  • Facheiro (Pilosocereus pachycladus): porte colunar alto e azulado, com menos ramificação basal.

Onde vive no Brasil e em que clima cresce

O xique-xique é exclusivo do Brasil, ocorrendo em todos os estados do Nordeste mais o norte de Minas Gerais. É uma das espécies mais constantes da Caatinga hiperxerófila.

Vive em clima BSh semiárido, com 300 a 800 mm de chuva anual, temperaturas médias de 25 a 29 °C e insolação fortíssima. Ocorre de 0 a 900 m de altitude, em solos rasos, pedregosos e lajedos calcários.

Você o encontra em caatingas arbustivas, carrascos e afloramentos rochosos, raramente em áreas de brejo. É indicador clássico de ambiente seco e bem drenado; não tolera encharcamento nem geada.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no quintal

Em cultivo, o xique-xique atinge 2 a 4 m de altura e 2 a 3 m de largura. Exemplares velhos em habitat podem chegar a 6 m, mas crescem devagar, 10 a 20 cm por ano.

A copa não é uma copa de sombra. É um conjunto de colunas eretas e tortuosas que formam moita densa. A projeção de sombra é mínima, nota 1 em 5, e não serve para sombrear banco ou carro.

As raízes são superficiais e pouco agressivas. Espalham-se lateralmente para captar chuva rápida e não quebram calçada, muro ou tubulação. É seguro para quintal pequeno, desde que longe de área de circulação por causa dos espinhos.

Como plantar xique-xique no Brasil

O plantio é simples, mas exige drenagem perfeita. A melhor época é o início da estação chuvosa, de novembro a fevereiro no Nordeste e Centro-Oeste, ou de outubro a março no Sudeste.

  • Muda: prefira estaca de 30 a 50 cm retirada de ramo sadio. Deixe cicatrizar à sombra por 7 a 10 dias antes de plantar.
  • Cova: 40 x 40 x 40 cm com mistura de 60% areia grossa, 30% solo e 10% pedrisco. Não use esterco puro nem argila.
  • Plantio: enterre 10 a 15 cm da base, firme com pedras e não regue nos primeiros 7 dias.
  • Espaçamento: 2 a 3 m entre plantas se for cerca viva; 3 a 4 m se for exemplar isolado.

A propagação por sementes é possível, mas lenta e com baixa taxa. Para paisagismo, a estaquia é o método padrão. Use luvas de couro grossas e pinça longa.

Como cuidar: luz, solo, rega e poda

O xique-xique precisa de sol pleno o dia todo. Em meia-sombra ele estica, fica pálido e apodrece na base. Dentro de casa ou varanda sombreada não sobrevive.

O solo deve ser arenoso, pedregoso e extremamente drenado. Se o seu solo é argiloso, plante em canteiro elevado com 30 cm de brita no fundo. O pH ideal fica entre 6,0 e 7,5.

A rega é quase desnecessária após o pegamento. Regue apenas nos primeiros 3 meses, a cada 15 a 20 dias, e depois deixe por conta da chuva. Em vaso, regue quando o substrato estiver totalmente seco. Excesso de água é a principal causa de morte.

Adubação é mínima: uma dose anual de composto orgânico leve com fósforo e potássio no início das chuvas basta. Evite nitrogênio em excesso. A poda serve só para remover ramos secos ou controlar largura; use serra e cauterize o corte com canela em pó e deixe secar ao sol.

Usos tradicionais, ecológicos e no paisagismo seco

No sertão, o xique-xique é forragem estratégica. Após queima rápida dos espinhos com lança-chamas, os cladódios são picados para bovinos e caprinos na seca brava. É prática emergencial, não diária, por causa dos oxalatos.

Ecologicamente, é uma planta-chave. Suas flores noturnas são polinizadas por morcegos nectarívoros (Glossophaga soricina e Lonchophylla) e mariposas. Os frutos alimentam mocós, raposas, aves e abelhas nativas entre março e agosto.

No paisagismo, funciona como ornamental xerófito, escultural e de baixa manutenção. Vai bem em jardim desértico, jardim de pedras, talude seco e como cerca viva impenetrável. Combina com mandacaru, coroa-de-frade e bromélias de sol. Não serve para calçada com fluxo de pedestres, playground ou sombra.

Pragas, problemas e curiosidades que poucos contam

O xique-xique é muito rústico, mas sofre com cochonilhas e pulgões em cultivo irrigado demais. O sinal é mancha branca algodoada nas aréolas. Remova com escova seca e álcool 70% e corrija a ventilação.

O maior problema é podridão por fungos (Fusarium e Erwinia) quando o solo fica encharcado. A base amolece e escurece. Previna com drenagem e sem cobertura morta orgânica encostada no caule.

Quatro fatos pouco óbvios marcam a espécie. Primeiro, o fruto é comestível e adocicado, colhido por sertanejos como “gogoia de xique-xique”. Segundo, a floração é estritamente noturna e dura uma única noite. Terceiro, a densidade de espinhos pode chegar a mais de 30 espinhos por aréola, criando microclima que reduz a perda de água. Quarto, estudos da Embrapa mostram que a mucilagem do cladódio tem alto poder de retenção de água, sendo pesquisada para ração e bioinsumos.

Característica Xique-xique Mandacaru
Altura adulta 2 a 4 m 5 a 8 m
Ramificação Desde a base, moita Tronco único
Cor dos ramos Verde-escuro opaco Verde-azulado
Espinhos Longos, dourados, densos Curtos, espaçados
Uso principal Cerca viva e forragem Ornamental e forragem

Perguntas frequentes

Xique-xique é árvore ou cacto?

É um cacto colunar arborescente da família Cactaceae, chamado popularmente de árvore por seu porte lenhoso, mas sem tronco de madeira verdadeira.

Qual a altura do xique-xique?

Cresce de 2 a 4 m em cultivo, podendo chegar a 6 m em habitat natural, com crescimento lento de 10 a 20 cm por ano.

Xique-xique dá sombra?

Quase nada. A copa é formada por colunas finas e não projeta sombra útil; é planta para sol e cerca viva, não para sombreamento.

Como plantar xique-xique por estaca?

Corte estaca de 30 a 50 cm, deixe cicatrizar 7 a 10 dias à sombra e plante em solo arenoso bem drenado, enterrando 10 a 15 cm sem regar na primeira semana.

Quando o xique-xique floresce?

Floresce de dezembro a julho, com flores brancas noturnas que duram uma noite e são polinizadas por morcegos.

O fruto do xique-xique é comestível?

Sim, o fruto rosado de polpa branca e doce é comestível para humanos e muito consumido por aves e mamíferos da Caatinga.

Xique-xique precisa de muita água?

Não. Após o pegamento, vive apenas com chuva do semiárido; excesso de água causa apodrecimento da base.

Você sabia?

1

Flor de uma noite só

Cada flor abre ao entardecer, é polinizada por morcegos durante a madrugada e murcha na manhã seguinte, sem segunda chance.

2

Fruto que alimenta a Caatinga

A polpa branca e doce do fruto é disputada por mocós, aves e abelhas, e humanos a consomem in natura na seca.

3

Queima para virar forragem

Na estiagem severa, agricultores queimam rapidamente os espinhos com fogo para liberar o cladódio suculento ao gado, técnica centenária do sertão.

4

Pelos que protegem a flor

O tufo branco de pelos nas aréolas florais isola o botão do calor extremo e dá origem ao nome Pilosocereus, do latim pilosus (peludo).

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Semiárido
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Xique-xique

Prós

  • Resistência máxima à seca e ao sol extremo
  • Raízes não agressivas, não quebra calçada
  • Atrai morcegos, abelhas e aves com flores e frutos
  • Ótimo para cerca viva defensiva e jardim xerófito
  • Manutenção e rega quase zero após estabelecido

Contras

  • Espinhos longos e perigosos para crianças e pets
  • Não oferece sombra útil
  • Crescimento lento e sem efeito rápido no paisagismo
  • Não tolera sombra, argila encharcada ou geada
  • Poda e manejo exigem proteção pesada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o xique-xique é a escolha mais honesta para quem quer paisagismo realmente adaptado ao sertão, não uma imitação de jardim tropical. Ele não dá sombra nem é inofensivo, mas entrega o que poucas plantas entregam: beleza escultural com zero rega e valor ecológico real para morcegos e fauna da Caatinga.

Continue explorando: Árvores

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.