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Lírio-do-mar

Crinoidea (classe)

Atualizado em

10 a 60 cm de diâmetroTamanho
20 a 300 gPeso
5 a 15 anosExpectativa de vida
Recifes e mar profundoHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Lírio-do-mar pedunculado com haste e braços plumosos abertos no fundo do mar

O lírio-do-mar não é planta, apesar do nome. É um animal marinho do filo Echinodermata, da classe Crinoidea, parente de estrelas-do-mar e ouriços. Existem cerca de 700 espécies vivas, divididas entre formas com haste fixa e formas sem haste que nadam livremente.

Com corpo em forma de cálice e braços ramificados e plumosos, ele filtra plâncton e partículas da água. Vive desde recifes rasos tropicais até mais de 9.000 metros de profundidade, e é um dos grupos animais mais antigos do planeta, com fósseis de 480 milhões de anos.

No Brasil, ocorre principalmente em recifes do Nordeste e Sudeste e em áreas de mar profundo, onde forma jardins densos que servem de abrigo para peixes, camarões e outros invertebrados.

Também conhecido como: Crinoide, Estrela-pluma, Sea lily (inglês), Feather star (inglês), Crinoïde (francês), Seelilie (alemão)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Lírio-do-mar

Lírio-do-mar pedunculado com haste e braços plumosos abertos no fundo do mar
Lírio-do-mar pedunculado com haste e coroa emplumada aberta para filtrar.
Close da coroa e braços plumosos do lírio-do-mar
Detalhe do cálice e dos braços ramificados cobertos de pínulas.
Detalhe dos cirros em forma de gancho do lírio-do-mar agarrado à rocha
Cirros em forma de gancho que fixam o animal ao substrato.
Lírio-do-mar comatulídeo em paredão de recife de coral
Comatulídeo em recife, posição típica contra a corrente para filtrar.
Lírio-do-mar nadando com braços em movimento
Comatulídeo nadando ao bater os braços de forma coordenada.
Jardim de lírios-do-mar pedunculados no mar profundo
Jardim de lírios pedunculados no mar profundo, habitat vulnerável.

Perfil rápido de Lírio-do-mar

Estado de conservação

NE
Não Avaliado

Maioria das espécies ainda não foi avaliada pela IUCN por falta de dados.

População
desconhecida
Protegido por
Indiretamente em unidades de conservação marinhas como Abrolhos e Fernando de Noronha

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Maior atividade de filtragemJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 15 anos, podendo passar de 20 em espécies de mar profundo

Reprodução

Tipo
Sexuada com fecundação externa na água
Estrutura social
Solitário ou em agregações densas, sem par fixo
Época reprodutiva
Variável, com picos na primavera e verão quando há mais plâncton
Tipo de nascimento
Ovíparo com larva doliolaria planctônica
Fecundidade
Milhares de ovos por evento, sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Recifes de coral e recifes rochosos
  • Paredões e costões com correnteza
  • Fundos lamosos e arenosos do talude
  • Mar profundo e montes submarinos

Biomas

  • Recifes de coral
  • Mar profundo e talude continental
  • Costões rochosos

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fitoplâncton
  • Zooplâncton
  • Detritos orgânicos em suspensão

Outros alimentos

  • Ovos e larvas planctônicas
  • Bactérias e matéria orgânica particulada

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • Japão
  • Filipinas
  • Indonésia
  • México
  • África do Sul
  • Noruega
  • Nova Zelândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Echinodermata
Classe
Crinoidea
Ordem
Comatulida / Isocrinida (principais ordens viventes)
Família
Múltiplas (Comatulidae, Tropiometridae, Isocrinidae)
Gênero
Diversos (ex.: Tropiometra, Comactinia, Endoxocrinus)
Espécie
Cerca de 700 espécies viventes (ex.: Tropiometra carinata no Brasil)

Resumo

  • O lírio-do-mar é um equinodermo da classe Crinoidea, com corpo em cálice e 5 a 200 braços plumosos para filtrar alimento.
  • Vive em recifes rasos e no mar profundo, de 10 a mais de 9.000 metros, fixo por haste ou livre e capaz de nadar.
  • É inofensivo para humanos, não tem veneno e tem papel importante como filtrador e abrigo no ecossistema recifal.

Características

Ficha da espécie

GrupoEquinodermo (não é planta nem coral)
OrdemComatulida (sem haste) e Isocrinida (com haste) - principais
FamíliaDiversas (Comatulidae, Tropiometridae, Isocrinidae entre outras)
Origem e distribuiçãoCosmopolita, de recifes tropicais ao Ártico e Antártica
Tamanho5 a 60 cm de diâmetro com braços abertos; haste até 1 m
Peso20 a 300 g em média
Coresvermelholaranjaamarelobrancopretomarromroxo
Profundidade10 a 9.000 m; mais comum entre 20 e 600 m
HabitatRecifes rochosos e coralíneos, costões, fundos lamosos e mar profundo
AlimentaçãoFiltradora: fitoplâncton, zooplâncton e detritos em suspensão
ReproduçãoSexuada com fecundação externa; larva doliolaria
Expectativa de vida5 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoNão Avaliado (NE) pela IUCN para a maioria das espécies

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é o lírio-do-mar e por que não é planta

O lírio-do-mar é um equinodermo da classe Crinoidea, o mesmo grupo de estrelas-do-mar, ouriços e pepinos-do-mar. O nome engana porque parece uma flor, mas é animal.

São os equinodermos mais antigos que existem. Fósseis de crinoides datam do Ordoviciano, há cerca de 480 milhões de anos, muito antes dos dinossauros. Na era Paleozoica formaram verdadeiros bosques calcários no fundo do mar.

Hoje há cerca de 700 espécies vivas e mais de 5.000 extintas. Todas têm simetria pentarradial, esqueleto calcário interno e sistema ambulacral, como todo equinodermo.

Como identificar um lírio-do-mar

O corpo tem três partes bem distintas: cálice, braços e cirros ou haste. O cálice é pequeno, em forma de taça, onde ficam boca e ânus, ambos voltados para cima.

Dos bordos do cálice saem 5 braços que se ramificam e formam 10 a 200 ramos plumosos. Cada ramo tem pínulas laterais cobertas de cílios e pés ambulacrais que conduzem alimento até a boca. É essa coroa emplumada que parece uma flor.

Existem dois tipos principais e a diferença é visível:

  • Lírio pedunculado (com haste): fixo ao fundo por uma haste calcária articulada de até 1 metro, com disco de fixação. Vive em águas profundas. É o lírio clássico.
  • Comatulídeo ou estrela-pluma (sem haste): sem haste na fase adulta, com cirros em forma de ganchos na base para se agarrar a rochas e corais. Pode soltar-se, nadar e caminhar. É o mais comum em mergulhos rasos no Brasil.

As cores são variadas e intensas: vermelho, laranja, amarelo, branco, marrom, preto e roxo, muitas vezes com braços listrados ou com pontas contrastantes. Não tem olhos definidos, mas possui células sensíveis à luz no cálice e nos braços.

Onde vive: oceanos e profundidade

O lírio-do-mar é cosmopolita. Ocorre em todos os oceanos, do Ártico à Antártica, e do entremarés ao abismo.

Os comatulídeos preferem recifes rochosos e coralíneos, costões e paredes verticais com correnteza moderada, entre 10 e 200 metros. Durante o dia ficam escondidos em fendas e à noite abrem a coroa para filtrar.

Os pedunculados vivem em fundos lamosos e encostas continentais do mar profundo, de 200 a mais de 9.000 metros, onde formam agregações chamadas jardins de crinoides. No Brasil, registros são frequentes em Fernando de Noronha, Abrolhos, costa do Ceará ao Rio de Janeiro e na quebra da plataforma continental.

O que come e como filtra o alimento

É um filtrador passivo e suspensívoro. Não caça, não persegue e não morde. Estende os braços contra a corrente como uma rede.

O muco e os cílios das pínulas capturam fitoplâncton, pequenos zooplâncton, ovos, larvas e detritos orgânicos em suspensão. Os pés ambulacrais enrolam a partícula e a levam por sulcos ciliados até a boca, no centro da coroa.

Um indivíduo pode filtrar vários litros de água por hora. Em áreas de corrente forte, vários lírios se alinham para maximizar a captura, e peixes pequenos aproveitam o fluxo de alimento ao redor.

Reprodução e ciclo de vida

A maioria é dioica, com sexos separados, e a fecundação é externa na água. Machos e fêmeas liberam gametas pelos poros dos braços, geralmente de forma sincronizada.

Do ovo nasce uma larva doliolaria ciliada, que nada livre por dias a semanas. Ela se fixa ao substrato e passa por fase de haste, chamada cistídea. Nos comatulídeos, o jovem depois solta a haste e vira adulto livre.

O crescimento é lento e depende da oferta de alimento e da temperatura. Não há cuidado parental. A regeneração é notável: consegue regenerar braços inteiros perdidos por predação em poucos meses.

Comportamento: fixo ou nadador?

Apesar da fama de imóvel, o comatulídeo é um dos equinodermos mais móveis. Ele rasteja com os cirros e nada batendo os braços de forma coordenada, como se fosse uma pluma dançando.

A natação é lenta, usada para fugir de predadores como peixes e ouriços ou para buscar melhor ponto de filtragem. Já o pedunculado é séssil, mas pode curvar a haste e reposicionar a coroa conforme a corrente.

Vive isolado ou em grupos densos. Em recifes, é comum ver dezenas de indivíduos lado a lado em paredões, formando micro-habitat para camarões, ofiúros e pequenos peixes que se escondem entre os braços.

É perigoso para humanos?

Não. O lírio-do-mar é inofensivo, sem veneno, sem ferrão e sem mordida. Não ataca e não causa acidentes em mergulho.

Algumas espécies tropicais acumulam substâncias químicas deterrentes para não serem comidas, que podem dar gosto amargo e irritar levemente a mucosa se ingeridas, mas o contato casual não oferece risco.

O maior risco é para o animal. É extremamente frágil: os braços quebram com facilidade ao toque, e o esqueleto calcário não se recupera bem de manuseio. Por isso, a regra é observar sem tocar.

Ameaças e conservação

A maioria das espécies está como Não Avaliada pela IUCN, por falta de dados, mas as populações sofrem pressões conhecidas. Não há pesca direcionada no Brasil, mas há captura incidental.

As principais ameaças são pesca de arrasto de fundo, mineração em mar profundo, poluição, acidificação dos oceanos e aquecimento que afeta recifes. Como filtradores, acumulam microplásticos e sedimentos.

São também coletados para comércio de aquário e souvenir em alguns países, o que é insustentável pelo crescimento lento. No Brasil, a coleta é regulada e áreas como Abrolhos e Noronha são protegidas por unidades de conservação que beneficiam indiretamente os crinoides.

Onde observar com responsabilidade

A melhor chance é em mergulho autônomo noturno em recifes, quando os comatulídeos abrem a coroa. No Nordeste, paredões de 15 a 30 metros são bons pontos.

Mantenha flutuabilidade neutra, não toque, não alimente e não use flash direto muito próximo. A luz forte faz o animal fechar os braços e interromper a alimentação.

Se vir um jardim de lírios pedunculados em imagens de ROV de mar profundo, lembre-se que são ecossistemas vulneráveis e de crescimento milenar. Apoie turismo e ciência que respeitam o fundo marinho.

Característica Lírio pedunculado Comatulídeo (estrela-pluma)
Haste Presente, até 1 m, fixa Ausente no adulto, só cirros
Mobilidade Séssil, só curva a haste Rasteja e nada com os braços
Profundidade típica 200 a 9.000 m 10 a 200 m
Onde ver no Brasil Mar profundo, talude continental Recifes costeiros e ilhas oceânicas

Perguntas frequentes

Lírio-do-mar é planta ou animal?

É animal marinho, um equinodermo da classe Crinoidea, parente da estrela-do-mar. O nome vem da aparência de flor.

Lírio-do-mar é perigoso ou venenoso?

Não. É inofensivo para humanos, sem veneno ou ferrão. Algumas espécies têm compostos amargos para predadores, mas o contato não causa acidentes.

Onde encontrar lírio-do-mar no Brasil?

Comatulídeos em recifes do Nordeste e Sudeste, como Abrolhos e Fernando de Noronha, entre 10 e 40 m. Pedunculados só em mar profundo.

Qual a diferença entre lírio-do-mar e estrela-pluma?

São o mesmo grupo. Lírio pedunculado tem haste fixa e vive no fundo profundo; estrela-pluma é o comatulídeo sem haste que rasteja e nada em recifes rasos.

O que o lírio-do-mar come?

Filtra fitoplâncton, zooplâncton e detritos em suspensão com os braços plumosos cobertos de cílios e muco.

Pode tocar ou coletar lírio-do-mar?

Não é recomendado. É extremamente frágil e os braços quebram facilmente. Observe sem tocar e não colete; em áreas protegidas a coleta é proibida.

Quanto tempo vive um lírio-do-mar?

Em média de 5 a 15 anos na natureza, com espécies de mar profundo podendo viver mais de 20 anos.

Você sabia?

1

Não é planta nem coral

Apesar do nome, é parente da estrela-do-mar. O esqueleto é de calcário e o animal sente o ambiente por células fotossensíveis, sem olhos verdadeiros.

2

Nada como uma pluma

Comatulídeos nadam batendo os braços de forma alternada e podem se deslocar metros em poucos minutos para fugir de predadores.

3

Fóssil vivo e formador de rochas

Calcários inteiros, como o famoso calcário de Indiana nos EUA, são feitos quase totalmente de fragmentos fósseis de lírios-do-mar do Paleozoico.

4

Hospedeiro de outros animais

Entre seus braços vivem camarões, ofiúros e peixes-escada que se camuflam com as mesmas cores do lírio para se proteger.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. NOAA - National Ocean Service
  3. IUCN Red List
  4. SeaLifeBase

Prós e contras: Lírio-do-mar

Prós

  • Filtrador importante que melhora a qualidade da água
  • Cria micro-habitat e abrigo para peixes e invertebrados
  • Indicador de saúde de recifes e de mar profundo
  • Inofensivo e fascinante para mergulho contemplativo
  • Grupo muito antigo, de alto valor científico e evolutivo

Contras

  • Extremamente frágil ao toque e ao manuseio
  • Crescimento lento e baixa recuperação após impactos
  • Vulnerável a arrasto de fundo e poluição por sedimentos
  • Não se adapta a aquário comum, exige condições técnicas
  • Pouco estudado, com muitas espécies ainda não avaliadas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o lírio-do-mar é o equinodermo mais subestimado do Brasil: confunde-se com planta, mas é um filtro sofisticado e um indicador de saúde recifal. Vale mais como patrimônio vivo para mergulho contemplativo do que como item de coleção, e sua fragilidade exige regra simples de não tocar.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.