🍊 Frutíferas

Bacupari-do-cerrado

Salacia crassifolia

Atualizado em

1 a 4 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa, tolera secaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Frutos de bacupari-do-cerrado inteiros e cortado ao meio mostrando polpa translúcida

O bacupari-do-cerrado (Salacia crassifolia) é uma arvoreta ou arbusto frutífero nativo do Cerrado brasileiro, da família Celastraceae. Diferente do bacupari da Mata Atlântica (Garcinia brasiliensis), ele é baixo, retorcido e muito adaptado a solos pobres, secos e ácidos, com folhas grossas e brilhantes.

Seus frutos são pequenos, de 1,5 a 2,5 cm, com casca fina que vai do verde ao amarelo-alaranjado quando madura e polpa suculenta, agridoce e levemente adstringente. É uma espécie rústica, de crescimento lento e frutificação na primavera, valorizada tanto para consumo in natura quanto para uso na recuperação do Cerrado e em pomares de nativas.

Também conhecido como: Bacupari-rasteiro, Bacupari-do-campo, Bacupari-mirim, Bacupari-do-cerrado-rasteiro

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Bacupari-do-cerrado

Frutos de bacupari-do-cerrado inteiros e cortado ao meio mostrando polpa translúcida
Frutos de bacupari-do-cerrado maduros, com casca amarelo-alaranjada e polpa suculenta.
Árvore de bacupari-do-cerrado no Cerrado com frutos pendentes
Arvoreta retorcida típica do Cerrado, com copa baixa e frutos na primavera.
Close-up das folhas coriáceas e brilhantes do bacupari-do-cerrado
Folhas grossas e brilhantes, adaptação à seca e ao sol forte.
Flores pequenas branco-esverdeadas do bacupari-do-cerrado
Floração discreta no final da seca, polinizada por abelhas nativas.
Cesto com colheita de bacupari-do-cerrado
Colheita da safra de primavera, entre setembro e dezembro.
Detalhe da polpa e semente do bacupari-do-cerrado cortado
Polpa agridoce e aromática envolvendo a semente.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal ensolarado no Brasil Central, chácara no Cerrado ou quer montar um pomar de frutas nativas de baixa manutenção. Vai bem para quem busca uma planta rústica, tolerante à seca e que atrai abelhas e pássaros, sem exigir irrigação constante. Também é ótima para projetos de educação ambiental e restauração do Cerrado, já que é nativa, pouco exigente em solo e ajuda a conservar a biodiversidade local com frutos apreciados pela fauna.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento sem sol pleno, em região de clima frio e úmido sem estação seca, ou em litoral com solo encharcado. O crescimento lento e a produção modesta frustram quem espera frutificação rápida e colheitas volumosas. Também não é indicada para quem quer fruta grande, doce e sem acidez para consumo em grande quantidade. O bacupari-do-cerrado tem frutos pequenos, agridoce e levemente adstringentes, mais para degustação e uso pontual do que para produção comercial.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de luz direta
Rega
Baixa; 1 a 2 vezes por semana no 1º ano na seca, depois apenas em veranicos
Solo
Arenoso, ácido, bem drenado e pobre; não tolera encharcamento
Temperatura ideal
20 °C a 30 °C; tolera seca prolongada e geada leve e curta
Adubação
Leve, anual no início das chuvas; composto orgânico + pouco fósforo e potássio
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual após colheita
Propagação
Sementes frescas (30 a 90 dias para germinar); estaquia com baixo pegamento

Perfil rápido de Bacupari-do-cerrado

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Celastrales
Família
Celastraceae
Gênero
Salacia
Espécie
Salacia crassifolia

Resumo

  • Bacupari-do-cerrado (Salacia crassifolia) é uma arvoreta de 1 a 4 m do Cerrado, com frutos pequenos amarelo-alaranjados de polpa agridoce e aromática.
  • Frutifica entre setembro e dezembro após 3 a 5 anos do plantio por semente e exige sol pleno, solo bem drenado e pouca água.
  • É rústica, tolerante à seca e a solos pobres, indicada para quintais, pomares de nativas e projetos de restauração do Cerrado.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularBacupari-do-cerrado
Nome científicoSalacia crassifolia (Mart. ex Schult.) G. Don
Família botânicaCelastraceae
OrigemCerrado brasileiro (Brasil central)
Tamanho1 a 4 m de altura (até 5 m em condições ideais)
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos por muda bem formada
Época de frutificaçãoSetembro a dezembro (primavera)
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa a moderada
SoloArenoso, bem drenado, ácido e pobre em nutrientes
ClimaTropical de savana; quente, com estação seca definida
PropagaçãoSementes (principal) e estaquia
Cultivo em vasoPossível, com vaso grande e poda de formação
Espaçamento4 x 4 m a 5 x 5 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

O que é e como identificar o bacupari-do-cerrado

O bacupari-do-cerrado é a Salacia crassifolia, uma arvoreta típica do Cerrado que não deve ser confundida com o bacupari da Mata Atlântica (Garcinia brasiliensis). Enquanto o da mata vira árvore de 10 metros, o do Cerrado é baixo, tortuoso e ramificado desde a base, com 1 a 4 metros.

O reconhecimento em campo é fácil. As folhas são coriáceas, brilhantes e espessas, com 5 a 10 cm de comprimento, bordas levemente onduladas e nervura central bem marcada. Os ramos são acinzentados e a casca é grossa, adaptação clássica ao fogo e à seca.

As flores são pequenas, discretas, de cor branco-esverdeada a amarelada, agrupadas nas axilas dos ramos. Já o fruto é o ponto alto: bagas globosas de 1,5 a 2,5 cm, com casca fina que passa de verde para amarelo-alaranjado e polpa translúcida, suculenta e perfumada, envolvendo 1 a 2 sementes.

Onde vive e por que é tão ligado ao Cerrado

Esta é uma espécie endêmica do Cerrado, encontrada em cerrado sensu stricto, cerradão e campo sujo, principalmente no Brasil Central — Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia.

Ela cresce em solos arenosos, latossolos vermelhos e solos pedregosos, pobres, ácidos e muito bem drenados. Não tolera encharcamento. A planta desenvolve xilopódio e raízes profundas, estruturas subterrâneas que armazenam água e permitem rebrotar após o fogo.

Na natureza, ocorre de forma esparsa, nunca formando maciços densos. Por isso, é mais comum vê-la em áreas preservadas, reservas e beiras de estrada no Cerrado do que em pomares comerciais. É uma frutífera de extrativismo e de pomar doméstico, não de larga escala.

Quando e como frutifica: flor, fruto e sabor

A floração acontece no final da estação seca, entre julho e setembro, quando a planta ainda está com poucas folhas novas. A polinização é feita por abelhas pequenas e outros insetos nativos.

A frutificação vem logo depois, de setembro a dezembro, com pico em outubro e novembro. Cada planta produz de poucos quilos até cerca de 15 kg por safra quando adulta e bem estabelecida, mas a produção é irregular e alterna anos mais carregados.

O sabor é o que mais surpreende quem prova pela primeira vez. A polpa é agridoce, levemente ácida e adstringente, lembrando mangaba verde com toque de maracujá. Come-se in natura, chupando a polpa ao redor da semente, ou em sucos, geleias e licores. A casca fina também é comestível quando bem madura, mas a maioria descarta.

Como plantar bacupari-do-cerrado passo a passo

A propagação é quase sempre por sementes recém-colhidas. Elas são recalcitrantes, perdem viabilidade em poucas semanas e não podem ser armazenadas por muito tempo. Lave a polpa e semeie em até 7 dias.

Use substrato leve e bem drenado: areia grossa + terra de Cerrado + um pouco de matéria orgânica na proporção 2:1:1. Semeie a 1 a 2 cm de profundidade. A germinação é lenta e desuniforme, de 30 a 90 dias, com taxa mediana de 40 a 60%.

  • Mudas: mantenha em meia-sombra nos primeiros 3 meses e depois leve a sol pleno. Transplante quando tiver 20 a 30 cm.
  • Cova: 40 x 40 x 40 cm, com calcário leve se o pH for abaixo de 4,5, e adição de areia se o solo for argiloso.
  • Plantio definitivo: prefira o início das chuvas, de outubro a dezembro, para bom pegamento sem irrigação constante.
  • Espaçamento: 4 x 4 m para pomar doméstico; 5 x 5 m se quiser copa mais aberta.

Estaquia é possível, mas com baixo índice de enraizamento e pouco usada fora de pesquisa. Enxertia ainda não tem protocolo consolidado para a espécie.

Luz, rega, solo e clima ideais

Este é um caso clássico de planta que sofre mais com excesso de cuidado do que com falta. Ela quer sol pleno o dia todo, pelo menos 6 a 8 horas de luz direta. Sombra atrasa o crescimento e impede a frutificação.

O solo ideal é pobre, ácido (pH 4,5 a 5,8), arenoso e muito bem drenado. Solos ricos e encharcados causam apodrecimento de raiz. Se o seu terreno for argiloso, plante em murundum ou canteiro elevado com 30 cm de altura.

Em relação à água, a lógica é de Cerrado. No primeiro ano, regue 1 a 2 vezes por semana na seca. Depois de estabelecida, a planta tolera 4 a 6 meses de seca e só precisa de regas de socorro em veranicos muito longos. No período chuvoso, não regue.

O clima preferido é quente com estação seca bem definida, com temperaturas entre 20 °C e 30 °C. Tolera geadas leves e curtas, mas não geadas fortes e recorrentes do Sul. Não é indicada para litoral muito úmido e sem estação seca.

Poda, adubação e cuidados anuais

O bacupari-do-cerrado cresce devagar, então a poda é leve. Faça apenas poda de formação nos dois primeiros anos, para conduzir um tronco principal e eliminar ramos cruzados ou muito baixos. Depois, limite-se a poda de limpeza após a colheita, retirando ramos secos e doentes.

Adubação deve ser modesta. Excesso de nitrogênio gera muita folha e pouco fruto. Use por cova, uma vez ao ano no início das chuvas:

  • Matéria orgânica: 2 a 3 litros de composto curtido ou esterco bem curtido.
  • Mineral: se necessário, fórmula com pouco nitrogênio e mais fósforo e potássio, como 4-14-8, em dose de 50 a 100 g por planta jovem.
  • Cobertura morta: folhas secas ou palha do Cerrado ao redor da copa ajudam a manter a umidade sem encharcar.

Não é preciso tutoramento, pois o tronco é tortuoso por natureza. Mantenha o mato coroado em um raio de 50 cm nos primeiros dois anos para evitar competição.

Cultivo em vaso e em quintais pequenos

Dá para cultivar em vaso, mas com expectativas ajustadas. Por ser de raiz profunda e xilopódio, a planta não rende o mesmo que no chão e frutifica menos.

Use vaso de 80 a 150 litros, com furos grandes e camada de 8 cm de argila expandida no fundo. Substrato deve ser muito drenante: 50% areia grossa, 30% terra vegetal e 20% casca de pinus ou carvão triturado. Nada de substrato que retenha muita água.

Em vaso, deixe em sol pleno, regue apenas quando o substrato secar a 3 cm de profundidade e adube levemente duas vezes ao ano. Faça poda anual para manter 1,2 a 1,6 m e troque o substrato superficial a cada 12 meses. Em quintais pequenos, prefira plantar no solo em canto ensolarado, onde ela ocupa pouco espaço lateral.

Pragas, doenças e o que torna a espécie especial

É uma das frutíferas nativas mais rústicas e resistentes a pragas. Ocorrências são esporádicas: cochonilhas em mudas sombreadas, lagartas mastigadoras e, raramente, antracnose em frutos se houver muita umidade na maturação.

O manejo é preventivo: sol pleno, boa ventilação e nada de encharcamento resolvem 90% dos problemas. Se precisar, remova manualmente e use calda de sabão neutro para cochonilhas. Evite inseticidas na floração para não prejudicar os polinizadores.

O que torna o bacupari-do-cerrado realmente interessante vai além do fruto. A casca e as folhas são usadas na medicina popular do Cerrado como adstringente, e estudos fitoquímicos apontam presença de triterpenos e quinonametídeos, compostos também investigados em outras Celastraceae. Além disso, é uma planta-chave para restauração do Cerrado, pois alimenta aves e abelhas na entressafra e atrai fauna nativa.

Erros comuns que atrasam a produção

Três erros se repetem: plantar em solo argiloso e encharcado, regar demais na seca e adubar como se fosse frutífera comercial. O bacupari-do-cerrado prefere passar sede a ficar com pé molhado.

Outro erro é esperar crescimento rápido. Ele é lento por natureza: 20 a 40 cm por ano nos primeiros anos. Quem busca sombra rápida ou produção no primeiro ano vai se frustrar. Na nossa avaliação, é uma frutífera para quem valoriza rusticidade, sabor nativo e biodiversidade, não volume.

Perguntas frequentes

Bacupari-do-cerrado é o mesmo que bacupari comum?

Não. O bacupari-do-cerrado é Salacia crassifolia, do Cerrado e de porte baixo. O bacupari comum é Garcinia brasiliensis, da Mata Atlântica, que vira árvore grande e tem frutos maiores.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De 3 a 5 anos quando plantado por semente em condições de sol pleno e solo bem drenado. Mudas bem formadas podem antecipar para 2 a 3 anos, mas o crescimento é naturalmente lento.

Pode plantar bacupari-do-cerrado em vaso?

Sim, em vaso de 80 a 150 litros, com substrato muito drenante e sol pleno. A produção será menor que no chão e exige poda anual para controlar o tamanho.

Qual o sabor do fruto?

Polpa suculenta, agridoce, levemente ácida e adstringente, com aroma marcante. É consumido in natura, chupando a polpa, ou em sucos e geleias quando bem maduro.

Precisa irrigar muito?

Não. Depois do primeiro ano, é muito tolerante à seca e prefere solo seco a encharcado. Regue apenas em veranicos longos na estação seca.

Quando é a safra do bacupari-do-cerrado?

De setembro a dezembro, com pico em outubro e novembro, logo após a floração do final da seca.

Como germinar sementes de bacupari-do-cerrado?

Use sementes frescas, sem deixar secar, semeadas a 1 a 2 cm em substrato arenoso e bem drenado. A germinação leva de 30 a 90 dias e é desuniforme.

Você sabia?

1

Não é Garcinia

Apesar do nome popular igual, o bacupari-do-cerrado não é do gênero Garcinia, mas Salacia, da família Celastraceae. São famílias botânicas diferentes, com frutos e folhas bem distintos.

2

Xilopódio contra fogo

A planta forma xilopódio, um órgão subterrâneo engrossado que armazena água e nutrientes e permite rebrotar rapidamente após queimadas, estratégia típica do Cerrado.

3

Folhas que brilham

As folhas são tão coriáceas e brilhantes que parecem enceradas. Essa cera natural reduz a perda de água e reflete parte da radiação solar intensa da estação seca.

4

Sementes que não esperam

As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade em 2 a 3 semanas se secarem. Por isso, no Cerrado, a coleta e a semeadura precisam ser quase imediatas após a queda do fruto.

Fontes

  1. Embrapa Cerrados
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Plantarum - Lorenzi

Prós e contras: Bacupari-do-cerrado

Prós

  • Muito rústico e tolerante à seca e a solos pobres e ácidos
  • Baixa exigência de irrigação e adubação após estabelecido
  • Atrai abelhas nativas e aves, ótimo para biodiversidade
  • Porte pequeno, ideal para quintais e pomares de nativas
  • Resistente a pragas e doenças quando em sol pleno

Contras

  • Crescimento lento e frutificação demorada (3 a 5 anos)
  • Frutos pequenos e produção modesta e irregular
  • Sementes recalcitrantes com baixa conservação e germinação lenta
  • Não tolera solo encharcado nem sombra
  • Pouco adaptado a clima frio, úmido e sem estação seca
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bacupari-do-cerrado é uma das nativas mais honestas para quem quer um pomar de Cerrado de verdade: pouca água, pouco adubo e muita adaptação. Não compete em tamanho ou doçura com frutíferas comerciais, mas entrega rusticidade e sabor autêntico que vale a espera de alguns anos.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.