🍊 Frutíferas

Amoreira-do-Paquistão

Morus macroura

Atualizado em

8 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
1 a 2 anosPrimeiros frutos
FácilDificuldade
Árvore de amoreira-do-paquistão carregada de frutos longos roxo-escuros

A amoreira-do-paquistão (Morus macroura) é uma árvore frutífera de crescimento rápido famosa pelas amoras alongadas de 6 a 10 cm, que podem chegar a 12 cm, muito mais compridas e doces que a amoreira comum. De origem no Himalaia, ela se adaptou bem ao clima subtropical e temperado do Brasil, produzindo já no primeiro ou segundo ano quando plantada por muda enxertada.

Diferente da amoreira-preta tradicional, seu fruto quase não tem acidez, mancha menos e despenca com facilidade quando maduro. É uma frutífera produtiva e ornamental ao mesmo tempo, ideal para quintal, pomar doméstico e chácara, mas que exige espaço e sol pleno para atingir todo o potencial.

Também conhecido como: Amora-do-paquistão, Amoreira-paquistanesa, Pakistan Mulberry, Himalayan Mulberry, King White Mulberry

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Amoreira-do-Paquistão

Árvore de amoreira-do-paquistão carregada de frutos longos roxo-escuros
Amoreira-do-paquistão com frutos alongados pendentes na copa.
Close-up dos frutos alongados da amoreira-do-paquistão na árvore
Detalhe da amora-do-paquistão, com 6 a 10 cm de comprimento.
Mão segurando amora-do-paquistão para mostrar tamanho alongado
Fruto da amoreira-do-paquistão comparado à mão, bem maior que a amora comum.
Folhas grandes da amoreira-do-paquistão
Folhas amplas e ásperas, característica da espécie.
Cesta com colheita de amoras-do-paquistão frescas
Colheita da safra de primavera, frutos muito perecíveis.
Amora-do-paquistão cortada mostrando polpa suculenta
Polpa suculenta e doce, sem acidez acentuada.
Ideal para

É ideal para quem tem quintal, chácara ou sítio e quer uma frutífera de crescimento muito rápido, sombra e colheita farta já no segundo ano. Agrada famílias que gostam de fruta doce para consumo na hora e não se importam com colheita diária na primavera. Também funciona bem para quem busca uma árvore ornamental produtiva e rústica, que exige pouca pulverização e se adapta a diferentes solos com manejo simples.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para apartamentos, vasos pequenos ou quintais muito compactos, pois a árvore fica grande e tem raízes vigorosas que precisam de espaço. Também não é a melhor escolha para quem busca fruta para vender in natura longe da propriedade, já que a amora é extremamente perecível e não aguenta transporte. Quem prefere frutas ácidas para geleia ou tem pouco tempo para colher e limpar frutos que caem no chão deve considerar outra amoreira, como a preta, que tem sabor mais equilibrado e menor queda.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, pelo menos 6 horas de sol direto por dia
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, com boa matéria orgânica, pH 6,0 a 7,0
Rega
Moderada; manter úmido no primeiro ano, depois irrigar apenas em estiagem e na frutificação
Clima
Subtropical a temperado; tolera geada leve e calor, baixa exigência de frio
Adubação
Orgânica anual no inverno (esterco + farinha de ossos) e reposição de nitrogênio após a colheita
Poda
Poda de frutificação após a colheita (nov-dez) e limpeza leve no inverno; conduzir em taça
Propagação
Estaca lenhosa no inverno, enxertia e alporquia; evitar semente para manter padrão do fruto

Perfil rápido de Amoreira-do-Paquistão

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 2 países

  • Paquistão
  • Índia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Moraceae
Gênero
Morus
Espécie
Morus macroura

Resumo

  • A amoreira-do-paquistão produz amoras alongadas de 6 a 10 cm, doces, sem acidez e muito suculentas, que amadurecem na primavera brasileira.
  • Árvore de 8 a 12 metros, frutifica em 1 a 2 anos se enxertada, precisa de sol pleno, solo fértil e poda anual após a colheita.
  • Não é ideal para vasos pequenos ou apartamentos, mas é excelente para quintais e pomares de quem busca produtividade rápida e frutos diferenciados.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularAmoreira-do-paquistão, Amora-do-paquistão, Pakistan Mulberry
Nome científicoMorus macroura Miq. (sin. Morus alba var. macroura)
Família botânicaMoraceae
OrigemRegião do Himalaia - Paquistão e noroeste da Índia
Tamanho8 a 12 m de altura (até 15 m sem poda), copa de 4 a 6 m
CoresVerdevermelhoroxo-escuro a preto quando madura
Tempo até frutificar1 a 2 anos (muda enxertada); 3 a 4 anos (semente)
Época de frutificaçãoAgosto a novembro (primavera) na maior parte do Brasil
LuminosidadeSol pleno, mínimo 6 horas por dia
RegaModerada, 2 a 3 vezes por semana no primeiro ano
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 6,0 a 7,0
ClimaSubtropical e temperado; tolera frio leve e calor, pouca exigência de frio
PropagaçãoEstaca, enxertia e alporquia
Cultivo em vasoPossível com restrições, vaso acima de 100 litros

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMuito alto
Resistência a pragasAlto

O que é a amoreira-do-paquistão e por que ela se destaca

A amoreira-do-paquistão não é só uma amoreira maior. Ela é outra espécie, a Morus macroura, nativa das encostas do Himalaia entre 1.000 e 1.300 metros de altitude, no Paquistão e noroeste da Índia. Foi selecionada justamente pelo fruto alongado, que parece uma lagarta suculenta.

Enquanto a amoreira comum (Morus nigra ou Morus alba) dá frutos de 2 a 3 cm, a do Paquistão produz amoras de 6 a 10 cm, com relatos de até 12 cm em plantas bem nutridas. O sabor também muda: é extremamente doce, sem acidez e com notas de mel, o que divide opiniões.

Na nossa avaliação, ela é a amoreira mais impressionante para quem quer efeito visual e colheita farta em pouco tempo. Não é a melhor para geleia ácida, mas é imbatível para consumo in natura.

Como identificar: folhas, tronco e frutos

A árvore tem crescimento muito vigoroso. O tronco é claro, acinzentado, e a copa é aberta e ramificada. As folhas são grandes, de 10 a 20 cm, ásperas na parte superior, verde-claras e bem maiores que as da amoreira-preta.

O fruto é o grande marcador. Nasce verde, passa para vermelho e fica roxo-escuro a preto quando maduro. É cilíndrico, alongado, e fica pendente nos ramos. Quando maduro, solta-se com um toque leve.

Outro detalhe: ela mancha menos mãos e roupas que a Morus nigra, porque tem menor concentração de antocianinas ácidas, apesar da cor escura. E as folhas servem para criação de bicho-da-seda, como as outras amoreiras, mas são mais produtivas por área.

Quando e quanto produz

No Brasil, a frutificação ocorre na primavera, de agosto a novembro, variando com a região. No Sul e Sudeste, o pico é entre setembro e outubro. No Centro-Oeste e Nordeste de altitude, pode adiantar para agosto.

Uma muda enxertada bem formada começa a produzir com 1 a 2 anos. Planta por estaca leva um pouco mais, e por semente demora 3 a 4 anos e ainda gera variação no tamanho do fruto. A produção é toda concentrada em poucas semanas.

É uma frutífera de alta produtividade. Uma árvore jovem de 3 a 4 anos pode passar de 15 a 20 kg por safra, e uma adulta bem conduzida ultrapassa 30 kg. Os frutos não amadurecem todos de uma vez, então a colheita é escalonada e precisa ser quase diária.

Por que os frutos caem tanto?

A amora-do-paquistão amadurece e cai em 24 a 48 horas. Isso não é defeito, é característica da espécie. O ideal é colher com o fruto ainda firme e roxo-escuro, ou estender uma lona sob a copa.

Como plantar amoreira-do-paquistão do jeito certo

O plantio deve ser feito preferencialmente no final do outono e inverno, de junho a agosto, quando a muda está em dormência. Isso facilita o pegamento. Em regiões sem geada forte, pode-se plantar o ano todo com irrigação.

Escolha muda enxertada ou de estaca de planta produtiva. Semente não garante fruto longo e doce. Prefira viveiros que informem a origem do clone Pakistan ou King White.

Faça cova de 50 x 50 x 50 cm, misture 10 a 15 litros de esterco curtido ou composto, 200 g de farinha de ossos e corrija o pH se necessário. Plante mantendo o colo no nível do solo e irrigue bem nos primeiros 30 dias.

  • Espaçamento: 5 a 6 metros entre plantas. Para pomar doméstico, uma única árvore já basta, pois ela é autocompatível e não precisa de outra para polinização.
  • Tutoramento: use estaca nos primeiros 12 meses, pois o crescimento é rápido e o vento pode entortar.
  • Mulching: cubra a base com palha para manter umidade e reduzir mato.

Luz, solo, rega e clima ideais no Brasil

Essa amoreira é de sol pleno. Com menos de 6 horas de sol direto, ela cresce, mas produz frutos pequenos e ralos. Plante longe de muros e de sombra de outras árvores grandes.

O solo ideal é fértil, profundo e bem drenado. Ela não tolera encharcamento. Solos argilosos e compactados precisam de cova maior e mistura com areia grossa e matéria orgânica. O pH entre 6,0 e 7,0 favorece a absorção de nutrientes.

Na rega, o equilíbrio é chave. No primeiro ano, 2 a 3 regas por semana se não chover. Depois de estabelecida, tolera estiagem curta, mas a falta de água na frutificação reduz o tamanho da amora. Excesso de água deixa o fruto aguado e sem doçura.

Quanto ao clima, ela vai bem do Rio Grande do Sul ao interior do Nordeste, desde que tenha estação mais seca e fria para induzir a brotação. Tolera geadas leves de até -5 °C quando adulta e calor acima de 35 °C, mas não gosta de umidade constante na frutificação, que favorece fungos.

Poda e adubação para frutos longos e doces

A amoreira-do-paquistão frutifica nos ramos do ano. Sem poda, ela vira uma árvore enorme com frutos só nas pontas. Com poda, você mantém a altura e aumenta a produção.

Faça a poda de frutificação logo após a colheita, entre novembro e dezembro. Encurte os ramos que produziram em cerca de um terço e elimine galhos cruzados, secos e muito verticais. No inverno, faça apenas limpeza leve.

Para manter a árvore com 3 a 4 metros, ideal para colheita manual, conduza em taça aberta. Isso melhora a entrada de luz e facilita a colheita sem escada.

Como adubar

  • Na formação: 3 adubações por ano com NPK 10-10-10 ou orgânico rico em nitrogênio.
  • Na produção: no final do inverno, aplique esterco + farinha de ossos + cinzas ou NPK 4-14-8 para estimular floração. Após a colheita, reforce com nitrogênio para recuperar a copa.
  • Evite excesso de nitrogênio perto da floração, pois gera muita folha e pouca fruta.

Cultivo em vaso e em quintal pequeno: vale a pena?

É possível cultivar em vaso, mas com ressalvas. A amoreira-do-paquistão tem raiz agressiva e vigor alto, então vaso pequeno limita muito o tamanho do fruto e a produtividade.

Se for tentar, use vaso de no mínimo 100 a 200 litros, com substrato leve, drenagem excelente e adubação mensal. Será necessário podar duas vezes ao ano para controlar o tamanho e irrigar com mais frequência.

Em quintal pequeno, a melhor estratégia é plantar e conduzir como arvoreta de 2,5 a 3 metros com poda anual drástica. Ainda assim, considere que as raízes podem levantar calçada e entupir tubulação se plantada a menos de 3 metros de construções.

Pragas, doenças e problemas mais comuns

É uma das frutíferas mais rústicas. A resistência a pragas é alta, mas não é imune. Os problemas mais frequentes no Brasil são cochonilhas, ácaros e lagartas desfolhadoras, além de pássaros que adoram o fruto maduro.

Doenças fúngicas como ferrugem e mancha foliar aparecem em anos muito úmidos ou com copa muito fechada. A prevenção é manter a copa arejada com poda e evitar molhar as folhas na irrigação.

Outro erro comum é colher cedo demais. O fruto vermelho ainda está ácido e sem doçura. Espere ficar roxo-escuro, brilhante e macio ao toque. E colha todo dia: fruto maduro no pé atrai moscas-das-frutas e abelhas.

  • Para pássaros: use tela antipássaros se a perda for grande, ou colha um pouco antes do ponto máximo.
  • Para cochonilhas: poda de limpeza + óleo vegetal emulsionável no inverno costuma resolver.
  • Para queda de frutos: verifique irrigação irregular e falta de potássio.

Usos, conservação e curiosidades que pouca gente conta

O fruto é extremamente perecível: dura 1 a 2 dias na geladeira. Por isso quase não é encontrado em mercados. O ideal é consumir na hora, fazer suco, geleia, calda ou congelar imediatamente.

As folhas jovens são comestíveis e usadas em chás na Ásia, e a madeira é clara e resistente, usada para artesanato no Paquistão. No Brasil, o uso principal é consumo fresco e ornamental, pela sombra rápida.

Um fato pouco divulgado: a amoreira-do-paquistão não precisa de muitas horas de frio como macieira ou pessegueiro. Por isso produz bem mesmo em regiões de inverno ameno, onde outras amoreiras de clima temperado falham. Essa baixa exigência explica seu sucesso do Paraná ao interior de São Paulo e Minas.

Perguntas frequentes

Amoreira-do-paquistão precisa de outra árvore para dar frutos?

Não. A variedade comercializada como Pakistan é autofértil e produz sozinha. Uma única árvore já frutifica bem com sol pleno e poda correta.

Quanto tempo demora para dar frutos?

Muda enxertada ou de estaca de planta produtiva frutifica em 1 a 2 anos. Muda de semente demora 3 a 4 anos e pode gerar frutos menores.

Pode plantar amoreira-do-paquistão em vaso?

Pode, mas a produção será limitada. Use vaso de 100 a 200 litros, sol pleno e poda para manter 2 a 3 metros, com adubação e rega frequentes.

Qual a diferença para a amoreira comum?

O fruto da do Paquistão é muito mais longo (6 a 10 cm), mais doce e sem acidez, e a árvore cresce mais rápido e fica maior. A comum tem fruto de 2 a 3 cm e sabor mais ácido.

Quando é a época de colheita no Brasil?

De agosto a novembro, com pico em setembro e outubro no Sul e Sudeste. A safra é curta e concentrada, exigindo colheita quase diária.

Precisa de frio para produzir?

Precisa de poucas horas de frio, bem menos que macieira. Por isso produz bem em inverno ameno, mas precisa de um período mais seco e fresco para induzir a brotação.

A amoreira-do-paquistão mancha?

Mancha menos que a amoreira-preta, mas o suco roxo-escuro ainda pode manchar mãos e roupas se o fruto estiver muito maduro. Colha com cuidado e consuma logo.

Você sabia?

1

Amora gigante de verdade

O fruto da amoreira-do-paquistão mede 6 a 10 cm e pode chegar a 12 cm em ramos bem nutridos, 3 a 4 vezes o tamanho da amoreira comum. É uma das maiores amoras do gênero Morus.

2

Doce sem acidez

Diferente da amoreira-preta, ela quase não tem acidez mesmo quando roxa. O Brix pode passar de 20, por isso o sabor lembra mel e há quem ache enjoativo se comer muito.

3

Frutifica em ramo novo

Ela só produz nos ramos que cresceram naquela estação. Sem a poda anual após a colheita, a produção migra para o topo da copa e a colheita fica impossível.

4

Himalaia como berço

Apesar do nome Paquistão, sua origem é toda a cadeia do Himalaia ocidental. Lá ela cresce como árvore de até 15 metros usada para sombra, madeira e alimentação do bicho-da-seda.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
  3. FAO - Food and Agriculture Organization

Prós e contras: Amoreira-do-Paquistão

Prós

  • Frutos gigantes de 6 a 10 cm, muito doces e suculentos
  • Produção precoce, já no 1º ou 2º ano com muda enxertada
  • Alta produtividade e crescimento muito rápido
  • Rústica e resistente a pragas, baixa exigência de frio
  • Ótima para consumo fresco, sucos e sombra no quintal

Contras

  • Árvore grande (8 a 12 m), inadequada para espaços pequenos e vasos
  • Fruto extremamente perecível, dura 1 a 2 dias na geladeira
  • Queda rápida dos frutos maduros suja o chão e atrai moscas
  • Sabor sem acidez pode ser enjoativo para quem prefere fruta equilibrada
  • Raízes vigorosas podem afetar calçadas e tubulações se plantada perto de construções
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a amoreira-do-paquistão é a melhor amoreira para quem quer impacto visual e doçura extrema, mas não substitui a amoreira-preta para quem busca equilíbrio entre doce e ácido. Vale plantar se você tem espaço e aceita colher todo dia por algumas semanas em troca de uma das frutificações mais generosas do quintal.

Continue explorando: Frutíferas

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.