🌳 Árvores

Taquara

Guadua angustifolia Kunth (grupo Taquara inclui Merostachys spp., Chusquea spp. e Bambusa spp.)

Atualizado em

3 a 30 m de alturaTamanho
Perene, verde-claraFolhagem
Muito rápidoCrescimento
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
15 a 30 anos por colmoLongevidade
Touceira adulta de taquaraçu Guadua angustifolia com colmos altos e nós marcados

A taquara não é uma árvore de verdade, mas uma gramínea lenhosa gigante da família Poaceae, subfamília Bambusoideae. O que parece tronco são colmos ocos e articulados, com nós e entrenós bem marcados, que podem chegar a 30 metros em espécies como o taquaraçu.

Nativa da Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia, ela forma densas touceiras ou populações chamadas taquarais e tem um ciclo de vida único: cresce muito rápido, floresce de forma gregária após décadas e morre em seguida. É fundamental para a fauna, para a cultura indígena e para a construção sustentável, mas exige manejo para não se tornar invasora.

Também conhecido como: taquaraçu, taquari, taboca, taquara-mansa, bambu brasileiro, cará, criciúma, creciúma

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Galeria de fotos de Taquara

Touceira adulta de taquaraçu Guadua angustifolia com colmos altos e nós marcados
Taquaraçu adulto formando touceira densa com colmos ocos e nós evidentes.
Folhas lanceoladas e broto jovem de taquara
Folhas perenes e broto jovem ainda com bainha protetora.
Detalhe do colmo da taquara mostrando nós, entrenós e espinhos
Colmo segmentado com nós maciços e entrenós ocos, típico da taquara.
Copa de taquaral vista de baixo com colmos arqueados
Vista inferior do taquaral com colmos arqueados filtrando a luz.
Espiguetas e sementes de taquari em floração gregária
Floração gregária rara com espiguetas que precedem a morte da touceira.
Taquaral em paisagem rural usado para contenção de margem de rio
Taquaral em área rural usado para contenção de encosta e produção de colmos.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou área rural e busca uma planta nativa de crescimento muito rápido para conter encostas, formar quebra-vento ou produzir material para construção leve e artesanato. Também funciona bem em projetos de restauração ecológica e paisagismo naturalista com espaço de sobra.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quintal pequeno, calçada ou jardim urbano sem barreira subterrânea. O sistema de rizomas é extremamente agressivo, invade tubulações e terrenos vizinhos, e a floração gregária pode fazer toda a touceira secar de uma vez após décadas, exigindo manejo que o morador de primeira viagem não espera.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; jovens toleram meia-sombra, adultas exigem sol para engrossar colmos
Rega
Alta no primeiro ano; manter solo úmido. Depois, rega apenas em estiagens prolongadas
Solo
Profundo, fértil, úmido e bem drenado, rico em matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
Tropical a subtropical; Guadua vai bem de 18 °C a 30 °C, Chusquea tolera geadas leves no Sul
Adubação
Anual com composto orgânico ou esterco curtido + cobertura morta; evitar excesso de nitrogênio
Poda e desbaste
Remoção anual de colmos secos, velhos (>4 anos) e tortos para ventilar a touceira
Propagação
Divisão de touceira com rizoma e colmos, ou por sementes após floração gregária (viabilidade curta)

Perfil rápido de Taquara

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Grupo amplo de espécies nativas, amplamente distribuídas e não ameaçadas como conjunto, embora espécies endêmicas de Mata Atlântica sofram com fragmentação.

População
estável
Protegido por
Algumas espécies em Unidades de Conservação da Mata Atlântica; coleta em área nativa pode exigir autorização ambiental estadual.

Calendário

Plantio (mudas de rizoma)JFMAMJJASOND
Crescimento vigoroso dos brotosJFMAMJJASOND
Colheita de colmos madurosJFMAMJJASOND
Floração gregáriaJFMAMJJASOND

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Equador

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Poales
Família
Poaceae
Subfamília
Bambusoideae
Gênero
Guadua / Merostachys / Chusquea (principais no Brasil)
Espécie
Guadua angustifolia Kunth (espécie-referência)

Resumo

  • Taquara não é árvore, mas bambu nativo com colmos ocos, nós marcados e crescimento extremamente rápido, podendo passar de 15 metros em poucos meses.
  • No Brasil ocorre principalmente na Mata Atlântica e no sul do país, com destaque para taquaraçu (Guadua), taquari (Merostachys) e taboca (Guadua weberbaueri) na Amazônia.
  • Tem floração gregária e monocárpica a cada 15 a 30 anos, exige controle por rizomas e é valorizada na construção, artesanato e como abrigo para fauna nativa.

Características

Ficha da árvore

Nome popularTaquara, taquaraçu, taquari, taboca
Nome científicoGuadua angustifolia, Merostachys spp., Chusquea spp. (Poaceae)
Família botânicaPoaceae (Gramíneas) - subfamília Bambusoideae
OrigemNativa da América do Sul; Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado
Tamanho3 a 30 m de altura; colmos de 1,5 a 15 cm de diâmetro
CopaNão forma copa; touceira densa com colmos arqueados e ramificações no topo
FolhagemPerene, folhas lanceoladas verde-claras a verde-escuras
CrescimentoMuito rápido, até 1 m por dia em Guadua em condições ideais
LuminosidadeSol pleno; tolera meia-sombra na fase jovem
RegaAlta necessidade hídrica no estabelecimento; depois tolera períodos secos curtos
SoloProfundo, fértil, úmido e bem drenado; pH 5,5 a 6,5
UsosConstrução, andaimes, móveis, artesanato, contenção de encostas, paisagismo rural
LongevidadeColmo individual 15 a 30 anos; touceira persiste por rizomas

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoMuito alto
SombraMédio
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesMuito alto
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaAlto

Taquara não é árvore: entenda o que ela realmente é

A primeira confusão sobre a taquara é chamá-la de árvore. Botanicamente, taquara é bambu, uma gramínea lenhosa da subfamília Bambusoideae, da mesma família do milho e da cana-de-açúcar.

O que parece tronco é o colmo: estrutura oca, cilíndrica e dividida por nós maciços e entrenós vazios. Ela não tem crescimento secundário em espessura como ipês ou araucárias. O colmo já nasce com o diâmetro final e apenas alonga.

Essa diferença muda tudo no manejo. Enquanto uma árvore cresce devagar em diâmetro por décadas, a taquara brota do rizoma e atinge a altura máxima em 3 a 6 meses. Depois disso, só cria ramos e folhas.

Como reconhecer a taquara no campo

Mesmo com dezenas de espécies, há marcas claras. Procure por colmos verdes a amarelados, lisos e brilhantes, com anéis bem marcados onde nascem as gemas. Nos nós superiores saem ramos finos com folhas lanceoladas, estreitas e com bainha que envolve o colmo.

Outro ponto é o rizoma. Taquaras de touceira, como Guadua angustifolia (taquaraçu), têm rizoma paquimorfo, que forma moitas compactas e muito densas. Já espécies alastrantes, como algumas Merostachys (taquari), têm rizoma leptomorfo, que corre no subsolo e faz a planta se espalhar longe.

Os espinhos também ajudam. Guadua tem espinhos nos ramos inferiores, usados para se apoiar na mata. Merostachys e Chusquea geralmente não têm espinhos e apresentam colmos mais finos, maciços ou quase maciços, muito usados para cestaria.

Onde a taquara vive no Brasil

Taquara é nativa e extremamente comum. Ocorre de forma natural do Amapá ao Rio Grande do Sul, com maior diversidade na Mata Atlântica do Sudeste e Sul e na Amazônia ocidental.

Na Mata Atlântica, domina clareiras, beiras de rio e encostas úmidas, onde forma os famosos taquarais que fecham a passagem. No Acre e no sul do Amazonas, a taboca (Guadua weberbaueri e Guadua sarcocarpa) domina mais de 180 mil km² de floresta, um fenômeno único no mundo chamado Floresta de Bambus da Amazônia.

No Sul, Merostachys multiramea e Chusquea oxylepis são típicas da Floresta com Araucária, crescendo sob pinheiros e em bordas de mata. Elas preferem solos profundos, úmidos e bem drenados, com boa matéria orgânica e clima subtropical a tropical úmido.

Taquaraçu, taquari e taboca: os principais tipos

Chamar tudo de taquara esconde diferenças enormes. Na prática, três grupos concentram a maioria dos usos e dúvidas:

Grupo Espécie exemplo Altura e diâmetro Destaque
Taquaraçu Guadua angustifolia 15 a 30 m; 10 a 15 cm Colmos grossos, ocos, com espinhos; o bambu mais usado em construção
Taquari Merostachys skvortzovii 3 a 8 m; 1 a 3 cm Colmos finos e flexíveis; ideal para cestaria, varas e artesanato
Taboca Guadua weberbaueri 10 a 20 m; 5 a 10 cm Forma florestas contínuas na Amazônia; colmos arqueados e muito agressivos
Cará ou criciúma Chusquea oxylepis 2 a 6 m; 1 a 2 cm Colmos quase maciços; comum em áreas frias do Sul

Para paisagismo ou sítio, taquaraçu exige muito espaço. Taquari e Chusquea são mais controláveis e toleram meia-sombra, sendo melhores para cercas vivas e contenção de taludes pequenos.

Tamanho, crescimento e a floração que mata a touceira

A taquara é uma das plantas de crescimento mais rápido do planeta. Em Guadua, brotos podem alongar até 21 cm por dia na estação chuvosa, completando a altura em uma única estação. Depois, o colmo leva 2 a 3 anos para lignificar e ficar rígido.

O ponto mais singular é a floração. A maioria das taquaras nativas tem floração gregária e monocárpica: todos os indivíduos de uma população florescem juntos após 15 a 32 anos, produzem sementes e morrem. É um evento ecológico marcante.

Na Mata Atlântica, a floração de Merostachys em 2006-2008 causou a seca sincronizada de taquarais inteiros, seguida de explosão de roedores que se alimentaram das sementes. Esse ciclo explica por que a taquara parece sumir de repente e depois recoloniza a área a partir do banco de sementes.

Como plantar taquara sem perder o controle

Plantar taquara é fácil; difícil é contê-la. O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro, com mudas de rizoma ou divisão de touceira com pelo menos 2 colmos e raízes ativas.

Escolha local com sol pleno, solo úmido e espaço de sobra. Para Guadua, deixe no mínimo 7 a 10 metros de recuo de construções, muros e fossas. Para Merostachys, 3 a 4 metros costumam bastar.

  • Barreira física é obrigatória para tipos alastrantes: vala de 60 a 80 cm com lona de PEAD ou chapa galvanizada enterrada, com borda 5 cm acima do solo.
  • Rega frequente no primeiro ano, mantendo o solo úmido, mas sem encharcar. Após estabelecida, a toupeira busca água sozinha.
  • Adubação orgânica anual com composto ou esterco curtido na coroa, e cobertura morta para manter umidade.
  • Colheita seletiva: corte apenas colmos com mais de 3 anos, acima do primeiro ou segundo nó, na estação seca, para não enfraquecer a touceira.

Nunca plante taquara alastrante sem barreira em quintal pequeno ou perto de calçada. O rizoma levanta piso, entope tubulação e invade o terreno vizinho em uma estação.

Usos no paisagismo, na cultura e na natureza

Na nossa avaliação, a taquara brilha em área rural, sítio e recuperação ambiental, não em jardim urbano compacto. Ela é imbatível para conter erosão em encostas e margens de rios, formar quebra-vento e criar bosques frescos e sombreados.

Culturalmente, é matéria-prima central dos Guarani e Kaingang, que usam taquari para fazer flechas, flautas e cestos trançados. Na construção, Guadua angustifolia é chamada de aço vegetal: tem resistência à tração superior a muitas madeiras e é usada em estruturas, pergolados e casas ecológicas.

Para a fauna, o taquaral é berçário. Abriga roedores, aves como o rabo-branco-de-barriga-branca e anfíbios que vivem na água acumulada nos entrenós. Quando floresce, produz toneladas de sementes que alimentam toda a cadeia alimentar.

Pragas, problemas e manejo correto

Taquara é rústica, mas não está livre de problemas. O mais comum é o caruncho-do-bambu (Dinoderus minutus), besouro que perfura colmos cortados e mal secos. Colmos colhidos devem ser curados na sombra, em pé e com tratamento por imersão em solução de bórax ou por defumação.

Em plantios muito adensados, surge ferrugem e manchas foliares por fungos, favorecidas por pouca ventilação. Desbaste anual, removendo colmos velhos, tortos e secos, melhora a circulação de ar e a entrada de luz.

O maior problema, porém, é humano: plantio sem planejamento. Muita gente confunde taquara com bambu ornamental de jardim e planta Guadua a 1 metro do muro. Em dois anos, o custo para remover rizomas pode superar o de plantar árvores nativas de grande porte.

Curiosidades que pouca gente sabe

A taquara guarda histórias que a diferenciam de qualquer árvore. Os colmos jovens são comestíveis: o broto de Guadua, cozido para remover o amargor, é consumido no interior como palmito de bambu.

Outra curiosidade é acústica. Colmos secos de taquaraçu são usados como tubos sonoros e instrumentos de percussão porque o entrenó oco ressoa. E na Mata Atlântica, há registro de taquarais que ficaram mais de 30 anos sem florescer, confundindo até botânicos sobre a espécie exata até a floração revelar as flores minúsculas em forma de espigueta.

Perguntas frequentes

Taquara é árvore?

Não. Taquara é bambu, uma gramínea lenhosa da família Poaceae. O que parece tronco é o colmo oco dividido em nós e entrenós, sem crescimento em espessura como árvores.

Qual a diferença entre taquara, taquaraçu e taquari?

São nomes populares para grupos diferentes. Taquaraçu (Guadua) tem colmos grossos de 10 a 15 cm e até 30 m; taquari (Merostachys) tem colmos finos de 1 a 3 cm e é usado para cestaria.

Taquara pode ser plantada em quintal pequeno?

Não é recomendado. Espécies como Guadua têm rizomas muito agressivos que invadem muros e tubulações. Só plante com barreira subterrânea de 60 a 80 cm e recuo mínimo de 7 metros.

Por que a taquara seca toda de uma vez?

Por causa da floração gregária e monocárpica. Após 15 a 32 anos, toda a população floresce junta, produz sementes e morre. Depois a área rebrota a partir das sementes.

Taquara atrai cobras?

Não atrai diretamente, mas taquarais densos e sem manejo criam ambiente úmido e com muitos roedores, o que pode atrair predadores. Desbaste anual e limpeza reduzem o problema.

Como controlar taquara que se espalhou?

É preciso cortar colmos, escavar rizomas e instalar barreira física. Controle químico não é recomendado em área nativa e exige licença. O manejo mecânico constante é o mais eficaz.

Quanto tempo leva para colher colmos para construção?

Colmos de Guadua levam 3 a 4 anos para lignificar e atingir resistência ideal. Corte na estação seca, acima do segundo nó, e faça tratamento contra caruncho antes de usar.

Você sabia?

1

Floração que mata

Taquaras como Merostachys florescem de forma sincronizada a cada 15 a 32 anos, frutificam e toda a população morre junta, liberando milhões de sementes que atraem ratos e aves.

2

Crescimento recorde

Brotos de Guadua angustifolia podem crescer mais de 20 cm em um único dia na estação chuvosa, atingindo altura final em poucos meses, sem engrossar depois.

3

Água no colmo

Entrenós de taquara acumulam água da chuva e abrigam girinos, pererecas e insetos, funcionando como micro-habitat suspenso na mata.

4

Flecha perfeita

O taquari (Merostachys) tem colmo quase maciço e extremamente reto, por isso é a matéria-prima tradicional das flechas Guarani, valorizado por não rachar.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) / Flora do Brasil

Prós e contras: Taquara

Prós

  • Crescimento extremamente rápido, ideal para contenção de encostas e quebra-vento
  • Material sustentável e resistente para construção, móveis e artesanato
  • Nativa brasileira, importante para fauna e restauração ecológica
  • Tolera solos pobres se houver umidade e matéria orgânica
  • Perene e de baixa manutenção após estabelecida, com desbaste anual

Contras

  • Rizomas muito agressivos, invadem áreas vizinhas sem barreira
  • Não serve para calçada, quintal pequeno ou perto de construções
  • Floração gregária causa morte sincronizada da touceira após décadas
  • Colmos cortados precisam de tratamento contra caruncho-do-bambu
  • Pode fechar áreas e dificultar acesso se não for manejada anualmente
Nossa opinião

Na nossa avaliação, taquara é um recurso nativo subestimado: imbatível para quem tem espaço e precisa de crescimento rápido e material sustentável, mas péssima escolha para jardim urbano pequeno. Tratar taquara como se fosse árvore ornamental é o erro que gera quase todos os arrependimentos.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.