🌳 Árvores

Pau-rosa

Aniba rosaeodora

Atualizado em

20 a 30 m de alturaTamanho
Perene, verde-escura brilhanteFolhagem
LentoCrescimento
Sol pleno na fase adultaLuminosidade
Mais de 100 anosLongevidade
Árvore adulta de pau-rosa na Amazônia com tronco reto e copa alongada

O pau-rosa (Aniba rosaeodora) é uma árvore amazônica da família Lauraceae famosa pelo óleo essencial rico em linalol, de perfume adocicado que lembra rosas. Chega a 25 a 30 metros na mata primária e foi intensamente explorada no século XX para perfumaria fina.

Hoje é uma espécie ameaçada e protegida, com corte proibido sem plano de manejo autorizado. Quase todo óleo comercial atual vem de plantios e de manejo de rebrota, não mais do corte raso da floresta nativa.

Também conhecido como: Pau-rosa-imbaúba, Pau-rosa-mulatinha, Rosewood brasileiro, Bois de rose

Faz parte de: Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Pau-rosa

Árvore adulta de pau-rosa na Amazônia com tronco reto e copa alongada
Pau-rosa adulto na floresta de terra firme amazônica.
Folhas e flores pequenas amareladas do pau-rosa
Folhas brilhantes e flores discretas do pau-rosa.
Detalhe da casca pardo-amarelada do tronco do pau-rosa
Casca fina e aromática que libera perfume de rosas ao ser riscada.
Copa estreita do pau-rosa vista de baixo
Copa estreita e alongada, que gera sombra leve.
Frutos arroxeados do pau-rosa no galho
Frutos em drupa, alimento para aves da Amazônia.
Plantio jovem de pau-rosa para manejo sustentável de óleo essencial
Plantio manejado para produção de óleo sem corte da árvore.

Cultivo rápido

Luminosidade
Meia-sombra nos 2 primeiros anos, depois sol pleno. Não frutifica bem à sombra.
Solo
Profundo, argiloso, bem drenado, ácido (pH 4,5 a 5,5) e rico em matéria orgânica. Não tolera solo compactado ou alagado.
Rega
Frequente na fase juvenil. Árvore adulta precisa de chuvas regulares e sofre com seca acima de 2 meses.
Clima
Equatorial úmido, 24 a 27 °C e 1.800 a 3.000 mm de chuva anual. Sensível a geada e a frio.
Adubação
Orgânica na cova e cobertura com NPK leve nos 2 primeiros anos. Depois, apenas manutenção com matéria orgânica.
Propagação
Por sementes recalcitrantes semeadas logo após a coleta. Germinação em 30 a 60 dias.

Perfil rápido de Pau-rosa

Estado de conservação

EN
Em Perigo

População reduzida drasticamente pela exploração histórica para óleo essencial.

População
Em declínio
Protegido por
Sim

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Coleta de sementesJFMAMJJASOND
Plantio recomendadoJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta de terra firme primária
  • Floresta amazônica de dossel

Biomas

  • Amazônia

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Laurales
Família
Lauraceae
Gênero
Aniba
Espécie
Aniba rosaeodora

Resumo

  • O pau-rosa é uma árvore nativa da Amazônia, de 20 a 30 m, conhecida pelo óleo essencial com até 90% de linalol extraído da madeira e galhos.
  • Identifica-se pelas folhas simples verde-escuras e brilhantes, casca pardo-amarelada que exala perfume de rosas quando riscada e copa estreita e alongada.
  • Espécie Em Perigo (EN) pela IUCN, teve a exploração proibida e hoje depende de reflorestamento e manejo sustentável para produção do óleo.

Características

Ficha da árvore

Nome popularPau-rosa
Nome científicoAniba rosaeodora Ducke
Família botânicaLauraceae
OrigemAmazônia (Brasil, Guianas, Peru e Colômbia)
Tamanho20 a 30 m de altura; tronco 40 a 60 cm de DAP
CopaEstreita, alongada e pouco densa
FolhagemPerene
CrescimentoLento (30 a 40 anos para produção de óleo)
LuminosidadeSol pleno; meia-sombra apenas na fase juvenil
RegaAlta demanda hídrica; não tolera seca prolongada
SoloLatossolo argiloso, profundo, bem drenado e ácido
UsosÓleo essencial (perfumaria), reflorestamento, madeira nobre
Longevidade80 a 150 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraAlto
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaMédio

O que é o pau-rosa e por que ele ficou famoso

O pau-rosa é uma árvore amazônica de grande porte que entrou para a história da perfumaria mundial. O motivo não é a madeira em si, mas o óleo essencial rico em linalol, uma molécula aromática com cheiro doce que lembra rosas e madeiras finas.

Entre as décadas de 1920 e 1970, o Brasil foi o maior exportador mundial desse óleo. Ele era base de perfumes clássicos, incluindo o Chanel Nº 5, e de fixadores para sabonetes e cosméticos. A demanda foi tão alta que a espécie quase desapareceu da natureza.

Diferente de outras árvores aromáticas, no pau-rosa o perfume está concentrado na madeira, na casca e nos galhos finos, não nas folhas ou flores. É preciso destilar toneladas de cavacos para obter poucos quilos de óleo, o que explica a pressão histórica sobre a espécie.

Como identificar: folhas, casca e cheiro inconfundível

A identificação em campo depende menos da flor e mais do cheiro. Ao riscar a casca ou quebrar um galho fino, o perfume adocicado de rosas aparece na hora. Nenhuma outra Lauraceae amazônica tem aroma tão intenso e persistente.

As folhas são simples, alternas, coriáceas e brilhantes, com 10 a 20 cm de comprimento, verde-escuras na face superior e mais claras embaixo. Têm ápice acuminado e nervura central bem marcada. Quando amassadas, também liberam leve aroma.

A casca é pardo-amarelada a marrom-clara, fina e com lenticelas discretas. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste alto e sem ramificações nos primeiros 15 metros na floresta. A copa é estreita e alongada, não forma sombra larga como a de uma mangueira.

As flores são pequenas, amareladas e pouco vistosas, reunidas em panículas. Os frutos são drupas arroxeadas quando maduras, com cerca de 2 cm, muito apreciadas por pássaros.

Onde ocorre e qual clima prefere

O pau-rosa é endêmico da Bacia Amazônica, ocorrendo em floresta de terra firme não alagável. No Brasil, concentra-se no Amazonas, Pará e Amapá, com manchas no Acre e Rondônia. Também ocorre na Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Peru e Colômbia.

Precisa de clima equatorial úmido: temperatura média de 24 a 27 °C, umidade relativa acima de 80% e chuvas de 1.800 a 3.000 mm por ano. Não tolera geada, seca prolongada nem solos encharcados.

Na mata primária, cresce no sub-bosque quando jovem e emerge para o dossel quando adulta. É uma espécie clímax, que precisa de sombreamento nos primeiros 2 a 3 anos e depois exige sol pleno para se desenvolver bem.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar da árvore adulta

Em floresta, o pau-rosa atinge 20 a 30 metros de altura e diâmetro de 40 a 60 cm, com exemplares excepcionais passando de 35 metros. Em plantio, geralmente fica entre 15 e 20 metros devido ao manejo de poda e colheita de galhos.

A copa é estreita, piramidal e pouco densa, o que gera sombra leve a moderada. Não é uma árvore para sombra fechada como o mogno ou a castanheira. Por isso, no paisagismo é mais usada em reflorestamento do que em calçadas.

O sistema radicular é pivotante e moderadamente profundo, sem raízes tabulares agressivas. A agressividade é considerada média-baixa, mas o porte grande impede o plantio perto de muros, fiações e casas. Precisa de espaçamento mínimo de 6 x 6 metros em plantios comerciais.

Como plantar e propagar pau-rosa

A propagação é quase exclusivamente por sementes, que são recalcitrantes e perdem viabilidade em poucas semanas. A semeadura deve ser feita logo após a coleta, em substrato úmido e sombreado. A germinação leva de 30 a 60 dias e a taxa costuma ser baixa, entre 40 e 60%.

Estaquia e enxertia têm resultados muito limitados e não são usadas em escala. A Embrapa Amazônia Ocidental recomenda a produção de mudas em viveiro com 50% de sombreamento no primeiro ano e adubação orgânica leve.

O plantio definitivo no campo deve ser no início da estação chuvosa, de novembro a fevereiro na maior parte da Amazônia. O solo ideal é latossolo argiloso, profundo, bem drenado e ácido (pH 4,5 a 5,5), rico em matéria orgânica. Covas de 40 x 40 x 40 cm com esterco curtido ajudam no pegamento.

Em sistemas atuais, não se corta mais a árvore inteira. O manejo sustentável prevê a poda de galhos e folhas a partir do 4º ano e o corte da copa para rebrota, mantendo a árvore viva para novas colheitas. Isso aumentou a produtividade sem derrubar o tronco.

Como cuidar: luz, solo, rega e manejo

Nos dois primeiros anos, mantenha meia-sombra e rega regular. O pau-rosa jovem sofre com sol forte direto e com déficit hídrico. Cobertura morta no solo ajuda a manter a umidade e a temperatura.

Após o estabelecimento, a exigência muda para sol pleno. Sem luz total, o crescimento trava e o teor de óleo cai. A árvore adulta não precisa de irrigação se estiver em região com chuvas bem distribuídas, mas sofre em veranicos longos.

A adubação é simples: matéria orgânica e reposição de fósforo e potássio nos primeiros anos. Não é exigente em fertilidade, mas não cresce em solo compactado, raso ou alagado. A poda é apenas de formação e de colheita de galhos finos.

O crescimento é lento. Leva de 8 a 12 anos para atingir porte arbóreo expressivo e de 30 a 40 anos para acumular óleo suficiente no tronco para destilação tradicional. Por isso, o retorno econômico só vem com manejo de copa e folhas, que já rende óleo a partir do 4º ano.

Usos, valor econômico e por que a exploração quase extinguiu a espécie

O principal produto é o óleo essencial com 80 a 90% de linalol, usado como fixador em perfumes finos, cosméticos e aromaterapia. A madeira em si é amarelada, moderadamente pesada e aromática, mas seu uso para móveis hoje é proibido sem origem manejada.

Na década de 1950, o Brasil chegou a exportar mais de 400 toneladas de óleo por ano. Para produzir 1 kg de óleo eram necessários cerca de 100 kg de madeira picada. Uma árvore de 30 metros rendia apenas 15 a 20 kg de óleo, o que levou ao corte de milhões de indivíduos.

A superexploração derrubou a população natural em mais de 70% em algumas regiões. Em 1992, o IBAMA proibiu o corte de árvores nativas e a espécie entrou na lista oficial de ameaçadas de extinção. Hoje, a produção legal vem de plantios experimentais no Amazonas e Pará e de manejo de rebrota autorizado.

Na natureza, o pau-rosa tem papel ecológico como árvore de dossel que alimenta aves frugívoras e abriga epífitas. Em reflorestamento, é valorizada por ser nativa, longeva e de alto valor agregado, ideal para sistemas agroflorestais com andiroba e copaíba.

O pau-rosa é relativamente rústico, mas em viveiro pode sofrer com antracnose e podridão de raízes por excesso de água. Em campo, o maior problema são formigas cortadeiras nos primeiros anos e lagartas desfolhadoras esporádicas. O controle é cultural, com monitoramento e barreiras físicas.

Não há praga específica que dizime plantios adultos. O maior risco continua sendo humano: extração ilegal de madeira para destilação clandestina. A fiscalização usa o cheiro característico da madeira como indício.

Legalmente, a espécie é protegida pela Portaria IBAMA nº 37/1992 e pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas (MMA). O transporte de madeira e óleo exige Documento de Origem Florestal (DOF) e comprovação de plantio ou plano de manejo sustentável aprovado. A IUCN classifica como Em Perigo (EN), com população em declínio.

Curiosidades e confusões comuns

Muita gente confunde pau-rosa com pau-brasil (Paubrasilia echinata) ou com jacarandá-da-bahia, também chamados de rosewood no exterior. São espécies totalmente diferentes, de famílias e biomas distintos. O verdadeiro pau-rosa amazônico é só o Aniba rosaeodora.

Outro erro é achar que o perfume vem das flores. No pau-rosa, as flores quase não têm cheiro; o linalol está na madeira e nos galhos finos. Por isso, a árvore precisa ser picada e destilada para liberar o aroma.

Na nossa avaliação, o pau-rosa é o exemplo mais claro de como um produto natural valioso pode levar uma árvore ao colapso quando não há manejo. Hoje, o caminho não é proibir o uso, mas produzir óleo sem matar a árvore, podando copa e folhas. É uma espécie para quem pensa em décadas, não em sombra rápida para o quintal.

Perguntas frequentes

Pau-rosa pode ser plantado em quintal ou calçada?

Não é recomendado. É uma árvore grande, de 20 a 30 m, de crescimento lento e que precisa de clima amazônico úmido e espaço amplo. É mais indicada para reflorestamento e sistemas agroflorestais.

Qual a diferença entre pau-rosa e pau-brasil?

São espécies diferentes. Pau-rosa é Aniba rosaeodora, da Amazônia e da família Lauraceae, famosa pelo óleo de linalol. Pau-brasil é Paubrasilia echinata, da Mata Atlântica e da família Fabaceae.

Pau-rosa está em extinção?

Sim, é classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN e consta na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas. O corte de árvores nativas é proibido e só é permitido manejo ou plantio com autorização.

Quanto tempo demora para produzir óleo?

No sistema tradicional de tronco, de 30 a 40 anos. No manejo moderno de galhos e folhas com rebrota, a primeira colheita pode ocorrer a partir do 4º ano, sem matar a árvore.

Como é o cheiro do pau-rosa?

Doce, amadeirado e floral, muito parecido com rosas. O cheiro vem do linalol presente na madeira e na casca, não das flores, e aparece forte ao riscar a casca.

É legal comprar óleo de pau-rosa?

Sim, desde que tenha Documento de Origem Florestal (DOF) e comprove manejo sustentável ou plantio. Óleo sem origem é considerado produto de extração ilegal.

Você sabia?

1

O perfume que vale ouro

O óleo de pau-rosa tem 80 a 90% de linalol puro, o mesmo composto que dá cheiro às rosas. Na década de 1960, 1 kg de óleo valia mais que 1 grama de ouro no mercado internacional.

2

Uma árvore, poucos quilos

Eram necessárias cerca de 1 tonelada de cavacos de madeira para produzir 9 a 10 kg de óleo. Por isso, estima-se que mais de 900 mil árvores foram derrubadas só entre 1937 e 1960.

3

Árvore que rebrota

Quando a copa é cortada a 2 metros de altura, o pau-rosa rebrota vigorosamente. Essa técnica, desenvolvida pela Embrapa, permite colher galhos e folhas a cada 2 anos sem matar a árvore.

4

Cheiro que entrega o crime

Fiscais do IBAMA identificam carregamentos ilegais pelo cheiro. Mesmo um pequeno pedaço de madeira de pau-rosa perfuma todo um caminhão e não se confunde com nenhuma outra madeira amazônica.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Amazônia Ocidental
  3. IUCN Red List - Aniba rosaeodora
  4. MMA - Lista Nacional de Espécies Ameaçadas

Prós e contras: Pau-rosa

Prós

  • Óleo essencial de altíssimo valor com até 90% de linalol
  • Árvore nativa longeva, ideal para reflorestamento e agrofloresta
  • Madeira nobre e aromática de grande durabilidade
  • Atrai aves frugívoras e contribui para a biodiversidade amazônica
  • Permite manejo de rebrota sem matar a árvore

Contras

  • Crescimento muito lento e retorno econômico demorado
  • Exige clima equatorial úmido, não se adapta ao Sul e Sudeste seco
  • Espécie ameaçada com corte proibido sem autorização
  • Sementes recalcitrantes com baixa viabilidade e difícil armazenamento
  • Porte grande incompatível com calçadas e quintais pequenos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pau-rosa não é árvore para paisagismo urbano ou quintal pequeno: cresce devagar, exige clima amazônico e só faz sentido em projeto de longo prazo. Seu valor real está no reflorestamento produtivo e na conservação, como símbolo de que é possível gerar renda sem derrubar a floresta.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.