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Baleia-franca-do-pacífico-norte

Eubalaena japonica

Atualizado em

15 a 18,3 mTamanho
50 a 80 toneladasPeso
70 a 100+ anosExpectativa de vida
Pacífico Norte temperadoHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Baleia-franca-do-pacífico-norte de corpo inteiro nadando de lado em água azul

A baleia-franca-do-pacífico-norte (Eubalaena japonica) é um mamífero marinho filtrador de até 18,3 metros e 80 toneladas, reconhecida pela ausência de barbatana dorsal, coloração preta com manchas brancas irregulares no ventre e pelas calosidades ásperas na cabeça colonizadas por crustáceos esbranquiçados.

É considerada uma das baleias mais ameaçadas do planeta, com a população do Pacífico Nordeste reduzida a cerca de 30 indivíduos. Lenta, costeira e historicamente caçada até quase a extinção, hoje sobrevive em duas populações fragmentadas entre o Japão/Mar de Okhotsk e o Golfo do Alasca/Mar de Bering.

Também conhecido como: Baleia-franca-do-pacífico, Baleia-franca-setentrional-do-pacífico, North Pacific right whale (inglês), Kita-taiheiyo semi-kujira (japonês)

Faz parte de: Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Baleia-franca-do-pacífico-norte

Baleia-franca-do-pacífico-norte de corpo inteiro nadando de lado em água azul
Corpo robusto preto sem barbatana dorsal, marca da espécie.
Close da cabeça da baleia-franca-do-pacífico-norte mostrando calosidades brancas
Calosidades únicas permitem identificar cada indivíduo.
Detalhe das barbatanas da baleia-franca-do-pacífico-norte
Barbatanas de até 2,8 m filtram copépodes minúsculos.
Baleia-franca-do-pacífico-norte se alimentando na superfície filtrando água
Alimentação por filtragem lenta na superfície.
Mãe e filhote de baleia-franca-do-pacífico-norte nadando juntos
Filhote único nasce com até 6 metros após 13 meses.
Baleia-franca-do-pacífico-norte na superfície com jato em V
Jato duplo em V revela os dois orifícios respiratórios.

Perfil rápido de Baleia-franca-do-pacífico-norte

Estado de conservação

EN
Em Perigo

População extremamente pequena e fragmentada, com risco muito alto de extinção na natureza.

População
Desconhecida
Protegido por
Sim

Calendário

Alimentação (norte)JFMAMJJASOND
Migração para sulJFMAMJJASOND
Reprodução e nascimentosJFMAMJJASOND
Migração para norteJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
70 a mais de 100 anos
Maturidade sexual
9 a 10 anos

Reprodução

Gestação
12 a 13 meses
Filhotes por gestação
1 filhote (4,5 a 6 m, ~1 t)
Intervalo entre crias
3 a 4 anos
Amamentação
Cerca de 12 meses
Sistema de acasalamento
Poliândrico com competição espermática, no inverno

Habitat

Ambientes

  • Plataforma continental temperada
  • Mar de Bering e Mar de Okhotsk
  • Golfo do Alasca e costa oeste da América do Norte

Biomas

  • Pelágico
  • Nerítico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Copépodes calanoides (Calanus marshallae, Neocalanus spp.)

Outros alimentos

  • Krill (Euphausia pacifica)
  • Outros crustáceos planctônicos

Encontrado em 6 países

  • Japão
  • Rússia
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • México
  • Coreia do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Balaenidae
Gênero
Eubalaena
Espécie
Eubalaena japonica (Lacépède, 1818)

Resumo

  • A baleia-franca-do-pacífico-norte é uma baleia de grande tamanho sem barbatana dorsal, identificada pelas calosidades únicas na cabeça e pelas longas barbatanas de até 2,8 m.
  • Vive no Pacífico Norte temperado e subártico, migra entre áreas de alimentação no Mar de Bering e Okhotsk e áreas de reprodução mais ao sul, filtrando copépodes e krill.
  • Está classificada como Em Perigo pela IUCN, com menos de 500 indivíduos no total, ameaçada por colisões com navios, emaranhamento em redes e baixa taxa reprodutiva.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (infraordem Cetacea)
FamíliaBalaenidae
Origem e distribuiçãoPacífico Norte: Japão, Mar de Okhotsk, Mar de Bering, Golfo do Alasca até Califórnia e Baja Califórnia
Tamanho15 a 18,3 m (fêmeas maiores que machos)
Peso50 a 80 toneladas
Corespretocinza-escurobranco (manchas ventrais irregulares)
Profundidade0 a 200 m, geralmente sobre plataforma continental
HabitatÁguas temperadas e subárticas, pelágico costeiro e nerítico
AlimentaçãoFiltradora: copépodes e krill
ReproduçãoVivípara, 1 filhote a cada 3 a 4 anos
Expectativa de vida70 a mais de 100 anos
Estado de conservaçãoEm Perigo (EN) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaAlto
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a baleia-franca-do-pacífico-norte

A resposta direta é: corpo robusto e totalmente preto, sem barbatana dorsal, cabeça enorme coberta de calosidades brancas e jato em forma de V. É a única baleia de grande tamanho no Pacífico Norte com essa combinação.

A cabeça corresponde a quase um terço do comprimento total e abriga placas de barbatana de até 2,8 metros, as mais longas entre as baleias-francas. Essas barbatanas são pretas, estreitas e com franjas finas para filtrar copépodes minúsculos.

As calosidades são áreas de pele espessada e rugosa no topo da cabeça, queixo e mandíbulas. Colonizadas por piolhos-de-baleia (ciamídeos) esbranquiçados, formam um padrão único em cada indivíduo, como uma impressão digital, usado por pesquisadores para foto-identificação.

  • Sem barbatana dorsal: dorso liso e largo, diferente de jubartes e baleias-fin.
  • Nadadeiras peitorais em forma de pá: curtas e largas, com borda irregular.
  • Cauda larga e entalhada: preta, lisa na borda, levantada raramente antes do mergulho profundo.
  • Respiro em V: dois orifícios separados produzem jato duplo de até 5 metros.
  • Manchas brancas ventrais: irregulares na barriga e região genital, nem todo indivíduo tem.

Onde vive e por que está tão fragmentada

A espécie ocorre exclusivamente no Pacífico Norte temperado e subártico, entre 20°N e 60°N. Historicamente ia do Japão e Coreia até a Califórnia e Baja Califórnia, incluindo todo o Golfo do Alasca.

Hoje a distribuição está fragmentada em duas populações que quase não se misturam. A população ocidental, um pouco maior, usa o Mar de Okhotsk e sudeste do Mar de Bering no verão. A oriental, à beira da extinção funcional, concentra-se no sudeste do Mar de Bering e Golfo do Alasca, com avistamentos raríssimos ao sul até o Havaí.

Vive sobre a plataforma continental e talude, entre 0 e 200 metros de profundidade. Prefere águas onde há grande concentração de copépodes, geralmente associadas a frentes oceânicas e ressurgências. Não é uma baleia de águas profundas nem de recifes.

Diferença para as outras baleias-francas

Geneticamente distinta da baleia-franca-do-atlântico-norte (Eubalaena glacialis) e da baleia-franca-austral (Eubalaena australis) desde 2000. A do Pacífico Norte tem crânio mais largo, coloração mais escura e menor número de calosidades que a do Atlântico, mas só exames genéticos ou localização garantem a separação no campo.

O que come e como filtra o alimento

É filtradora obrigatória de zooplâncton. Ao contrário de jubartes que atacam cardumes, ela nada lentamente de boca aberta na superfície ou a poucos metros de profundidade, filtrando enormes volumes de água.

A dieta é dominada por copépodes calanoides, especialmente Calanus marshallae, Neocalanus cristatus e Neocalanus plumchrus, além de krill (Euphausia pacifica) quando disponível. Um adulto pode filtrar milhares de litros por hora e precisa de densidades muito altas de presas para compensar o gasto energético.

Essa especialização explica sua vulnerabilidade. Se a floração de copépodes falha por aquecimento ou mudança de correntes, a baleia não troca facilmente de presa. Por isso, no verão, agrega-se onde o zooplâncton é mais denso, como as bordas do cânion do Mar de Bering.

Reprodução e ciclo de vida lento

O ciclo é extremamente lento, o que impede recuperação rápida. A maturidade sexual ocorre entre 9 e 10 anos, e as fêmeas têm um único filhote a cada 3 a 4 anos, após 12 a 13 meses de gestação.

O acasalamento acontece no inverno em águas mais temperadas e ao sul, com sistema de competição de esperma: vários machos copulam com a mesma fêmea e vence o que produz mais esperma. Os testículos de um macho adulto podem pesar cerca de 500 kg cada, proporcionalmente os maiores entre os mamíferos.

O filhote nasce com 4,5 a 6 metros e cerca de 1 tonelada, já com calosidades em formação. A amamentação dura cerca de 12 meses, e a mãe jejua parcialmente enquanto cuida da cria. Fêmeas são maiores que machos e podem chegar a 18,3 metros.

Estudos de baleias-francas do Atlântico sugerem longevidade de 70 a mais de 100 anos, e o mesmo se aplica à espécie do Pacífico. Indivíduos foto-identificados no século XX ainda são reavistados décadas depois.

Comportamento e migração no Pacífico Norte

É uma baleia solitária ou em pequenos grupos de 2 a 3 indivíduos. Não forma super-grupos como cachalotes e raramente salta. Seu comportamento mais notável é o skim-feeding: deslizar lentamente na superfície com a boca entreaberta, deixando a água escorrer pelas barbatanas.

A velocidade de cruzeiro é baixa, 5 a 8 km/h, mas pode atingir 14 km/h em fuga. Passa muito tempo na superfície, o que historicamente a tornou a “baleia certa” (right whale) para caçar: flutuava depois de morta e rendia muito óleo.

A migração é sazonal e ainda pouco mapeada por causa da raridade. No verão (junho a setembro), concentra-se para se alimentar no Mar de Bering e Mar de Okhotsk. No inverno (dezembro a março), desloca-se para sul, para áreas de reprodução ao largo do Japão, Coreia e ao sul da Califórnia, mas avistamentos de inverno são extremamente raros hoje.

Vocaliza com chamados de baixa frequência (50 a 500 Hz), incluindo o “upcall” usado para contato. Como vive em águas com tráfego intenso, o ruído de navios mascara esses sons e pode separar mães e filhotes.

É perigosa para humanos?

Não. É completamente inofensiva. Não há registro de ataque a pessoas, embarcações ou mergulhadores. É dócil, lenta e evita contato.

O risco é o inverso: por ser lenta, flutuar na superfície e não temer embarcações, é extremamente vulnerável a colisões com navios. Qualquer aproximação deve manter pelo menos 100 metros de distância por lei nos EUA e Canadá, e perseguir ou tocar é crime.

Não possui veneno, dentes ou comportamento defensivo agressivo. Quando molestada, apenas mergulha lentamente.

Ameaças e por que está em perigo crítico

A espécie foi dizimada pela caça baleeira comercial dos séculos XIX e XX. Só entre 1839 e 1909, baleeiros americanos mataram entre 26.500 e 37.000 indivíduos no Pacífico Norte. Achava-se que estava extinta nos anos 1960.

O golpe final veio da caça ilegal soviética entre 1962 e 1968, que matou 661 indivíduos já protegidos, incluindo 529 no Mar de Bering e Okhotsk, eliminando os últimos núcleos reprodutivos do leste. Esse dado só foi revelado nos anos 1990.

Hoje as ameaças são:

  • Colisão com navios: principal causa de morte conhecida para a população oriental.
  • Emaranhamento em redes e espinhéis: uma única morte por ano já compromete a recuperação.
  • Ruído oceânico: interfere na comunicação e no encontro de parceiros.
  • Mudanças climáticas: alteram a distribuição de copépodes e deslocam áreas de alimentação.
  • Baixíssima diversidade genética: com cerca de 30 animais no leste, há risco de endogamia e falha reprodutiva.

A IUCN classifica como Em Perigo (EN), com população total estimada em 300 a 500 indivíduos no oeste e apenas cerca de 30 no leste. Para muitos pesquisadores, a população oriental já está funcionalmente extinta.

Onde observar com responsabilidade

Na prática, observar esta baleia é quase impossível. Não há operação de turismo focada nela, justamente para não perturbar os poucos indivíduos restantes. Avistamentos oportunistas ocorrem em cruzeiros de pesquisa no sudeste do Mar de Bering, entre junho e agosto.

Se você estiver em área de ocorrência (Alasca, costa do Pacífico dos EUA, Hokkaido), siga regras rígidas: nunca se aproxime a menos de 100 metros, reduza a velocidade da embarcação, não intercepte o trajeto e reporte imediatamente o avistamento à NOAA Fisheries ou à Guarda Costeira local.

No Brasil, a espécie não ocorre. As baleias-francas vistas em Santa Catarina são a espécie austral (Eubalaena australis), diferente. Incentivar turismo responsável por baleias no Brasil ajuda indiretamente na conservação global, ao financiar pesquisa e educação.

Curiosidades que distinguem esta baleia

Apesar da raridade, ela guarda recordes biológicos. O maior testículo do reino animal pertence a esta família, e a baleia-franca-do-pacífico-norte compartilha dessa característica, com órgãos que juntos podem ultrapassar uma tonelada.

Suas barbatanas escuras e extremamente longas já foram usadas para fazer espartilhos e guarda-chuvas no século XIX, o que aumentou seu valor comercial e acelerou a caça.

Em 2022, um único indivíduo foi detectado acusticamente ao largo da Califórnia após décadas sem registros confirmados ali, mostrando que ainda há movimentos desconhecidos.

Na nossa avaliação, esta é a baleia que melhor ilustra o custo da caça industrial: abundante até 1840, tornou-se um fantasma oceânico em menos de 30 anos, e mesmo com proteção total desde 1935 não conseguiu se recuperar por causa da caça ilegal posterior.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da baleia-franca-do-pacífico-norte?

Entre 15 e 18,3 metros, com fêmeas maiores que machos, e peso de 50 a 80 toneladas. Filhotes nascem com 4,5 a 6 metros.

Onde vive a baleia-franca-do-pacífico-norte?

Só no Pacífico Norte, entre o Japão/Mar de Okhotsk e o Golfo do Alasca/Mar de Bering, migrando para águas mais ao sul no inverno.

A baleia-franca-do-pacífico-norte existe no Brasil?

Não. No Brasil ocorre a baleia-franca-austral (Eubalaena australis), espécie diferente que visita Santa Catarina no inverno.

Quantas baleias-francas-do-pacífico-norte existem?

Estima-se 300 a 500 na população ocidental e apenas cerca de 30 na oriental (Pacífico Nordeste), total abaixo de 1.000 indivíduos.

Por que ela não tem barbatana dorsal?

É característica da família Balaenidae. A ausência de barbatana dorsal, junto com corpo preto e calosidades na cabeça, facilita a identificação.

O que ela come?

Filtra zooplâncton, principalmente copépodes e krill, nadando lentamente com a boca aberta na superfície.

É perigosa para humanos?

Não. É dócil e inofensiva, sem registros de ataques. O perigo é para ela, que é vulnerável a colisões com navios.

Fatos surpreendentes

1

O fantasma de 30 indivíduos

A população do Pacífico Nordeste tem apenas cerca de 30 animais foto-identificados, e nenhum filhote foi confirmado lá por vários anos seguidos, indicando colapso reprodutivo.

2

Testículos de meia tonelada

Machos têm testículos de até 500 kg cada, adaptação à competição espermática onde vários machos acasalam com a mesma fêmea no mesmo dia.

3

Calosidades com piolhos brancos

As calosidades não são cracas, mas pele espessada colonizada por piolhos-de-baleia esbranquiçados que deixam o padrão branco tão característico e único por indivíduo.

4

Caça ilegal soviética secreta

Entre 1962 e 1968 a frota soviética matou ilegalmente 661 baleias-francas-do-pacífico-norte já protegidas, fato escondido até a abertura dos arquivos nos anos 1990.

Fontes

  1. IUCN Red List - Eubalaena japonica
  2. NOAA Fisheries - North Pacific Right Whale
  3. WoRMS - World Register of Marine Species

Prós e contras: Baleia-franca-do-pacífico-norte

Prós

  • Espécie-bandeira para conservação do Pacífico Norte e controle de tráfego marítimo
  • Importante para o ecossistema ao reciclar nutrientes e estimular produção de fitoplâncton
  • Longevidade excepcional permite estudos de envelhecimento em mamíferos
  • Vocalizações de baixa frequência ajudam a monitorar saúde do oceano por acústica

Contras

  • População criticamente pequena e fragmentada, com risco de extinção funcional no leste
  • Taxa reprodutiva muito lenta, 1 filhote a cada 3 a 4 anos
  • Extremamente vulnerável a colisões com navios e emaranhamento
  • Dependência de copépodes a torna sensível a mudanças climáticas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a baleia-franca-do-pacífico-norte é o caso mais dramático de falha de conservação entre os grandes mamíferos: protegida no papel desde 1935, foi levada ao quase desaparecimento pela caça ilegal e hoje não se recupera por ser lenta demais para um oceano rápido e ruidoso. Protegê-la exige menos turismo e mais medidas duras contra colisões e ruído.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.