🦎 Répteis e Anfíbios

Tartaruga-marinha

Superfamília Chelonioidea (7 espécies atuais)

Atualizado em

55 cm a 2,2 m de cascoTamanho
Réptil marinhoGrupo
50 a 80 anosExpectativa de vida
Oceanos tropicais e subtropicaisHabitat
Não agressivaPerigo
Tartaruga-marinha oliva juvenil nadando perto de recife de coral

Tartaruga-marinha é um réptil marinho, não um anfíbio. Ela respira com pulmões, tem pele com escamas e casco ósseo, e nunca passa por metamorfose — diferenças fundamentais para sapos e salamandras.

No Brasil ocorrem 5 das 7 espécies do mundo: cabeçuda, verde, de-pente, oliva e de-couro. Todas são protegidas por lei, fazem migrações de milhares de quilômetros e só as fêmeas voltam à terra, para desovar na mesma praia onde nasceram.

Nenhuma tartaruga-marinha pode ser criada como pet. São animais silvestres de vida longa, altamente migratórios e sensíveis à poluição, à luz artificial e à temperatura da areia.

Também conhecido como: Tartaruga marinha, Sea turtle (inglês), Tortuga marina (espanhol), Tartaruga-verde, Tartaruga-cabeçuda, Tartaruga-de-pente, Tartaruga-oliva, Tartaruga-de-couro

Faz parte de: Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Tartaruga-marinha

Tartaruga-marinha oliva juvenil nadando perto de recife de coral
Tartaruga-oliva, a menor espécie que desova no Brasil.
Close da cabeça e olhos da tartaruga-marinha cabeçuda
Detalhe da cabeça larga e avermelhada da tartaruga-cabeçuda.
Detalhe do casco da tartaruga-marinha de-pente com placas sobrepostas
Placas sobrepostas e coloração âmbar típicas da tartaruga-de-pente.
Tartaruga-marinha de-couro desovando na areia durante a noite
Fêmea de tartaruga-de-couro cavando ninho na praia para desovar.
Filhotes de tartaruga-marinha recém-nascidos correndo para o mar
Filhotes seguem a luz do horizonte para encontrar o oceano.
Tartaruga-marinha oliva juvenil nadando perto de recife de coral
Tartaruga-oliva, a menor espécie que desova no Brasil.

Perfil rápido de Tartaruga-marinha

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Status varia por espécie: de Vulnerável (cabeçuda, oliva) a Criticamente em Perigo (de-pente, de-couro).

População
estável a decrescente conforme a espécie
Protegido por
Sim, protegida por lei no Brasil e por convenções internacionais (CITES)

Calendário

DesovaJFMAMJJASOND
Nascimento de filhotesJFMAMJJASOND
Migração para alimentaçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 80 anos; maturidade entre 15 e 35 anos conforme a espécie
Em reabilitação
Não se mantém como pet; apenas centros autorizados com tanques oceânicos

Reprodução

Maturidade sexual
15 a 35 anos
Época de desova no Brasil
Setembro a março, pico de novembro a janeiro
Tipo de reprodução
Ovípara, sem cuidado parental
Ovos por ninho
70 a 150 ovos de casca flexível
Incubação
45 a 65 dias na areia
Ninhadas por temporada
3 a 7 ninhos por fêmea, intervalo de 10 a 15 dias

Habitat

Ambientes

  • Oceanos abertos
  • Recifes de coral
  • Prados de gramas marinhas
  • Estuários e baías
  • Praias arenosas para desova

Biomas

  • Marinho
  • Costeiro

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas e gramas marinhas (verde adulta)
  • Esponjas (de-pente)
  • Águas-vivas e salpas (de-couro)
  • Crustáceos e moluscos (cabeçuda e oliva)

Outros alimentos

  • Peixes pequenos
  • Ovos de peixe
  • Caranguejos
  • Lulas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Costa Rica
  • Austrália
  • Indonésia
  • África do Sul
  • Moçambique
  • Índia
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae e Dermochelyidae
Superfamília
Chelonioidea
Espécies no Brasil
Caretta caretta, Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivacea, Dermochelys coriacea

Resumo

  • Tartaruga-marinha é réptil marinho que respira com pulmões e não passa por metamorfose, ao contrário dos anfíbios.
  • No Brasil ocorrem 5 espécies — cabeçuda, verde, de-pente, oliva e de-couro — que vivem em oceanos tropicais e desovam em praias arenosas entre setembro e março.
  • Todas estão ameaçadas de extinção por pesca incidental, poluição plástica, iluminação costeira e mudanças climáticas que afetam a temperatura dos ninhos.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemTestudines
FamíliaCheloniidae (6 espécies) e Dermochelyidae (1 espécie)
Origem e distribuiçãoOceanos Atlântico, Pacífico e Índico; 5 espécies desovam no Brasil
Tamanho55 cm a 2,2 m de comprimento curvilíneo do casco
Peso35 kg a 700 kg (de-couro)
Corespretomarromverde-olivaamarelocinzacreme
HabitatMar aberto, recifes, estuários e praias arenosas para desova
AlimentaçãoOnívora a herbívora conforme a espécie e a idade
ReproduçãoOvípara; 70 a 150 ovos por ninho, sem metamorfose
AtividadeDiurna e noturna; migrações sazonais longas
Expectativa de vida50 a 80 anos na natureza
Estado de conservaçãoVaria de Vulnerável a Criticamente em Perigo (IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Tartaruga-marinha é réptil ou anfíbio? Resposta direta

Tartaruga-marinha é réptil, da ordem Testudines. Não é anfíbio e não tem fase de girino nem metamorfose.

A confusão vem da vida dividida entre água e terra, mas a biologia é totalmente diferente. Répteis respiram só com pulmões a vida toda, têm pele seca com escamas, casco ósseo recoberto por placas de queratina e ovos com casca que precisam de ar. Anfíbios têm pele úmida e permeável, respiram pela pele quando jovens e passam por metamorfose.

Tartarugas-marinhas também são ectotérmicas, mas conseguem manter temperatura corporal um pouco acima da água, sobretudo a tartaruga-de-couro. Elas precisam subir para respirar e podem ficar submersas de 20 minutos a mais de 4 horas em repouso, dependendo da espécie e da temperatura.

Como identificar: as 5 espécies que ocorrem no Brasil

No Brasil desovam cinco espécies. A identificação em campo é feita pelo formato do casco, número de placas e cor da cabeça, não só pelo tamanho.

  • Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta): cabeça grande e avermelhada, casco marrom-avermelhado com 5 placas laterais. Mede 90 a 110 cm e pesa 100 a 180 kg.
  • Tartaruga-verde (Chelonia mydas): casco arredondado verde-acinzentado, 4 placas laterais e cabeça pequena. Adultos são quase herbívoros. 90 a 120 cm, 120 a 230 kg.
  • Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): bico fino como de falcão, placas do casco sobrepostas e amareladas com manchas marrons. 70 a 95 cm, 60 a 90 kg.
  • Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea): a menor do Brasil, casco verde-oliva quase redondo com 6 a 9 placas laterais. 60 a 75 cm, 35 a 50 kg. Famosa pela desova em massa chamada arribada.
  • Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea): sem placas rígidas, casco preto com 7 quilhas longitudinais e couro. A maior de todas, até 2,2 m e 500 a 700 kg.

As outras duas espécies do mundo, tartaruga-de-kemp e tartaruga-de-casco-chato, não desovam no Brasil, mas podem aparecer em águas oceânicas.

Espécie Casco Destaque
Cabeçuda 5 placas laterais Mandíbula forte para quebrar caranguejos
Verde 4 placas laterais Única majoritariamente herbívora adulta
De-pente Placas sobrepostas Bico fino para esponjas em recifes
Oliva 6 a 9 placas laterais Desova sincronizada em arribadas
De-couro Sem placas, 7 quilhas Mergulha a mais de 1.000 m

Onde vive e por onde migra

Tartarugas-marinhas vivem em oceanos tropicais e subtropicais e usam três ambientes ao longo da vida: praia para nascer, mar aberto na fase juvenil e áreas costeiras para se alimentar quando adultas.

No Brasil, as principais áreas de desova ficam no Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Fernando de Noronha. Fora da temporada reprodutiva, migram para áreas de alimentação no sul, sudeste e até no Atlântico Norte. Uma cabeçuda marcada no Brasil já foi recapturada a mais de 4.000 km de distância.

Filhotes recém-nascidos entram no mar e passam anos à deriva em correntes oceânicas, fase chamada de anos perdidos. Só depois retornam ao litoral. Adultos navegam com precisão usando campo magnético da Terra, correntes e sinais químicos para voltar à praia natal.

O que come: de algas a águas-vivas

A dieta muda com a espécie e a idade, e isso explica onde cada uma vive.

  • Verde: filhote onívoro, adulto quase exclusivamente herbívoro, pastando algas e gramas marinhas. É a principal jardineira de prados marinhos.
  • De-pente: especialista em esponjas de recife, ajudando a manter corais saudáveis.
  • Cabeçuda e oliva: carnívoras generalistas, comem caranguejos, moluscos e camarões.
  • De-couro: consome quase só águas-vivas e salpas, controlando blooms de medusas. Um adulto pode comer o equivalente a 70% do seu peso em um dia.

Quase todas ingerem plástico por confundir sacolas com águas-vivas. Mesmo fragmentos pequenos causam bloqueio intestinal e falsa saciedade.

Reprodução e ciclo de vida: da praia ao mar aberto

A reprodução é toda na areia. Machos e fêmeas acasalam no mar, mas só a fêmea sai da água. Ela sobe à noite, cava um ninho de 40 a 70 cm de profundidade com as nadadeiras traseiras e deposita 70 a 150 ovos esféricos de casca flexível.

A incubação dura 45 a 65 dias, dependendo da temperatura da areia. Essa temperatura define o sexo dos filhotes: areia mais quente gera mais fêmeas, areia mais fria gera mais machos. Com o aquecimento global, muitos ninhos no nordeste já produzem mais de 90% de fêmeas.

A fêmea faz de 3 a 7 desovas por temporada, com intervalo de 10 a 15 dias, e depois migra para se alimentar por 2 a 4 anos antes de voltar. Filhotes nascem à noite, correm para o mar guiados pela luz do horizonte e nadam freneticamente por 24 a 48 horas até atingir correntes oceânicas.

A maturidade sexual é tardia: 20 a 35 anos na maioria das espécies, e até 15 anos na oliva. Isso torna a recuperação populacional muito lenta.

Comportamento e hábitos no mar

São animais solitários e migratórios. Passam mais de 90% da vida submersas, subindo poucos segundos para respirar. A tartaruga-de-couro é a mergulhadora recorde, com mergulhos registrados além de 1.200 m e mais de 80 minutos.

Não têm cordas vocais e são silenciosas, mas se orientam por visão, olfato e magnetismo. Dormem boiando na superfície ou apoiadas no fundo em recifes. Podem chorar: as glândulas de sal perto dos olhos excretam excesso de sal e parecem lágrimas.

Filhotes e juvenis são predados por aves, caranguejos e peixes grandes. Adultos têm poucos predadores naturais — tubarões e onças em praias isoladas —, mas a maior ameaça é humana.

É perigosa? Riscos para pessoas e pets

Não é perigosa nem venenosa. Tartarugas-marinhas não atacam, não têm veneno na pele e mordidas só ocorrem se o animal for manipulado ou se sentir encurralado.

O risco maior é inverso: para a tartaruga. Tocar, perseguir na água ou segurar filhotes causa estresse extremo e pode matar. Manusear sem licença é crime ambiental no Brasil. Para cachorros e gatos, o contato direto na praia pode transmitir bactérias e o animal pode morder se acuado, mas não há toxina como em sapos.

Se encontrar uma tartaruga encalhada ou ninho, não toque, não devolva ao mar e não use luz ou flash. Acione o Projeto TAMAR ou órgão ambiental local.

Pode ter tartaruga-marinha como pet?

Não. É ilegal e inviável. Todas as espécies são protegidas pela legislação brasileira e por convenções internacionais. Capturar, comprar, vender ou manter em casa é crime, com apreensão e multa.

Mesmo que fosse legal, nenhuma casa oferece o que ela precisa: milhares de quilômetros de oceano, água salgada em circulação, dieta específica e praias escuras para desovar. Em cativeiro só sobrevivem em aquários e centros de reabilitação autorizados, com equipe veterinária e tanques de milhares de litros.

Quem quer tartaruga como pet deve procurar jabutis e cágados de criadouros legalizados pelo IBAMA, nunca animais marinhos.

Papel no ecossistema e por que estão ameaçadas

Cada espécie exerce uma função diferente. Verdes mantêm prados de grama marinha saudáveis, de-pente controlam esponjas que sufocam corais, de-couro regulam águas-vivas e cabeçudas revolvem o fundo ao caçar, reciclando nutrientes.

Todas estão em alguma categoria de ameaça. No Brasil, as principais pressões são pesca incidental com redes e anzóis, ingestão de plástico, iluminação artificial que desorienta filhotes, ocupação da orla, atropelamento por embarcações e aquecimento da areia.

A conservação depende de praias escuras e limpas, pesca com dispositivos de escape (TED), redução de plástico e monitoramento de ninhos. O Projeto TAMAR, criado em 1980, é referência mundial e protege cerca de 1.100 km de praias de desova. Graças a ele, a tartaruga-oliva e a cabeçuda mostram sinais de recuperação, mas a de-pente e a de-couro seguem em situação crítica.

Perguntas frequentes

Tartaruga-marinha é réptil ou anfíbio?

É réptil. Respira com pulmões a vida toda, tem casco ósseo e escamas e põe ovos com casca na areia, sem fase de girino ou metamorfose.

Quantas espécies de tartaruga-marinha existem no Brasil?

Cinco desovam no Brasil: cabeçuda, verde, de-pente, oliva e de-couro. No mundo são sete espécies no total.

Tartaruga-marinha é perigosa ou venenosa?

Não. Não tem veneno e não ataca. Pode morder se for manuseada, mas o risco real é para ela, que se estressa e pode morrer com o manuseio.

Pode ter tartaruga-marinha como animal de estimação?

Não. É crime ambiental no Brasil. São animais silvestres protegidos, migratórios e que precisam de oceano aberto, não sobrevivem em aquário doméstico.

O que fazer se encontrar filhotes ou ninho na praia?

Não toque, não ilumine e não leve para o mar. Mantenha distância, afaste pets e avise o Projeto TAMAR ou órgão ambiental.

Por que a luz da cidade prejudica as tartarugas?

Filhotes seguem a luz mais brilhante para achar o mar. Luzes brancas da orla os desorientam para a cidade, onde morrem atropelados ou desidratados.

Quanto tempo vive uma tartaruga-marinha?

Entre 50 e 80 anos na natureza, podendo passar de 100 em algumas espécies. A maturidade demora de 15 a 35 anos.

Você sabia?

1

Bússola interna

Filhotes imprimem o campo magnético da praia onde nascem e, 20 a 30 anos depois, as fêmeas usam essa assinatura para voltar à mesma faixa de areia para desovar.

2

Lágrimas de sal

As glândulas lacrimais excretam sal em excesso, por isso parecem chorar quando estão na areia. É adaptação para viver em água salgada sem desidratar.

3

Sexo definido pelo calor

Não há cromossomo sexual. Se a areia ficar acima de 29,5 °C, nascem quase só fêmeas. Um aumento de 1 °C pode desequilibrar toda a população.

4

Recorde de mergulho

A tartaruga-de-couro já foi registrada a mais de 1.200 metros de profundidade, mais fundo que a maioria dos submarinos de pesquisa, caçando águas-vivas no escuro.

Fontes

  1. ICMBio / Projeto TAMAR
  2. IUCN Red List
  3. Reptile Database

Prós e contras: Tartaruga-marinha

Prós

  • Controla águas-vivas, esponjas e mantém prados marinhos saudáveis
  • Espécie bandeira que ajuda a proteger praias e oceanos inteiros
  • Longa vida e migrações fascinantes para educação ambiental
  • Gera turismo responsável de observação e desova
  • Indicadora de saúde oceânica e de mudanças climáticas

Contras

  • Todas ameaçadas de extinção e muito sensíveis a perturbações
  • Não pode ser criada como pet e manuseio é crime
  • Exige praias escuras e limpas, conflitando com ocupação costeira
  • Maturidade tardia torna recuperação populacional lenta
  • Altamente afetada por plástico, redes de pesca e luz artificial
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tartaruga-marinha é o melhor exemplo de por que réptil não é sinônimo de animal de terrário: é um migrante oceânico que só existe se a praia ficar escura e o mar limpo. Protegê-la exige menos romantismo e mais ação prática — luz amarela na orla, rede com escape e areia sem plástico.

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