🦜 Aves e Pássaros

Cardeal-do-sul

Paroaria coronata

Atualizado em

18 a 19 cmTamanho
28 a 42 gPeso
12 a 15 anos na naturezaExpectativa de vida
Forte e melodiosoCanto
Campos e savanas abertasHabitat
Cardeal-do-sul pousado em mourão de cerca em campo aberto

O Cardeal-do-sul (Paroaria coronata) é um dos pássaros mais marcantes do sul da América do Sul, facilmente reconhecido pelo topete vermelho intenso, dorso cinza-azulado e barriga branca. Apesar do nome, não é um cardeal verdadeiro da família Cardinalidae, e sim um traupídeo, parente dos sanhaços e saíras.

Muito comum em campos abertos, parques urbanos e beiras de estradas no Rio Grande do Sul e no Centro-Oeste, chama atenção pelo canto forte e melodioso e pelo comportamento confiante perto de humanos. É monogâmico, territorial na época reprodutiva e costuma ser visto em pares ou pequenos bandos familiares.

Bastante visado pelo tráfico de aves silvestres por causa da beleza e do canto, sua criação só é legal no Brasil quando vem de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e documentação. Na natureza, é uma espécie adaptável e ainda comum, mas sofre com captura ilegal e perda de habitat.

Também conhecido como: Cardeal, Cardeal-de-topete-vermelho, Cardeal-comum, Red-crested Cardinal (inglês), Cardenal común (espanhol), Paroare huppé (francês)

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Galeria de fotos de Cardeal-do-sul

Cardeal-do-sul pousado em mourão de cerca em campo aberto
Cardeal-do-sul adulto com topete vermelho característico.
Close-up da cabeça vermelha e topete do Cardeal-do-sul
Detalhe da cabeça vermelha e do bico claro do Cardeal-do-sul.
Cardeal-do-sul em voo sobre campo
Voo ondulado do Cardeal-do-sul com asas acinzentadas.
Cardeal-do-sul em habitat natural de campo do pampa
Habitat típico: campos abertos e bordas de mata do pampa.
Cardeal-do-sul se alimentando de sementes no chão
Forrageio no solo em busca de sementes de gramíneas.
Ninho em forma de taça do Cardeal-do-sul com ovos
Ninho em taça com ovos branco-esverdeados pintados.

Perfil rápido de Cardeal-do-sul

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie com ampla distribuição e população estável.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei contra captura e comércio ilegal no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
12 a 15 anos; bandos pequenos fora da reprodução, territorial na cria
Em cativeiro autorizado
até 20 a 25 anos com manejo e veterinário adequados

Reprodução

Maturidade sexual
10 a 12 meses
Tipo de ninho
Taça aberta em arbusto ou árvore baixa (2 a 5 m)
Ovos por postura
2 a 4, branco-esverdeados com manchas marrons
Incubação
12 a 13 dias, principalmente pela fêmea
Filhotes no ninho
13 a 15 dias, alimentados por ambos os pais
Posturas por ano
2 a 3 na estação chuvosa/quente

Habitat

Ambientes

  • Campos abertos e savanas
  • Bordas de matas e capoeiras
  • Áreas rurais, pastagens e cercas
  • Parques urbanos e margens de açudes

Biomas

  • Pampa
  • Cerrado
  • Caatinga (borda sul)
  • Mata Atlântica (transição)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas

Outros alimentos

  • Frutos pequenos
  • Brotos
  • Insetos e larvas na época reprodutiva

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Estados Unidos (Havaí - introduzido)

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa para leigos; ave silvestre que exige autorização
Legalidade no Brasil
Só de criadouro autorizado com anilha e nota; capturar na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, dieta variada, manejo sanitário e veterinário especializado
Observação responsável
Recomendada: observação livre e comedouros naturais são a melhor forma de conviver com a espécie

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Thraupidae
Gênero
Paroaria
Espécie
Paroaria coronata

Resumo

  • O Cardeal-do-sul é o Paroaria coronata, pássaro de 18 a 19 cm com topete e cabeça vermelhos, dorso cinza e ventre branco, comum no Sul e Centro-Oeste do Brasil.
  • Vive em campos abertos, savanas, bordas de mata e áreas urbanas, alimenta-se de sementes, frutos e insetos e tem canto melodioso e territorial usado para demarcar área.
  • Não pode ser capturado na natureza: só é legal ter a ave com origem em criadouro autorizado e anilhada; na IUCN é classificada como Pouco Preocupante, mas é muito traficada.

Características

Ficha da espécie

FamíliaThraupidae
Origem e distribuiçãoCentro-sul da América do Sul: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia; introduzido no Havaí e Porto Rico
HabitatCampos abertos, savana, caatinga arbustiva, borda de matas, parques e áreas rurais
Tamanho (comprimento)18 a 19 cm
Envergadura26 a 30 cm
Peso28 a 42 g
Coresvermelhocinzabrancopreto
Expectativa de vida12 a 15 anos na natureza; até 25 anos em cativeiro autorizado
AlimentaçãoGranívora e frugívora, complementa com insetos
CantoSequência melodiosa de assobios claros, mais intenso no período reprodutivo
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em forma de taça; 2 a 4 ovos branco-esverdeados com manchas marrons; incubação 12 a 13 dias
Comportamento socialMonogâmico e territorial; vive em pares ou bandos de 4 a 8 fora da reprodução
SubespéciesNenhuma reconhecida (monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer o Cardeal-do-sul: tamanho, cores e topete inconfundível

O Cardeal-do-sul mede 18 a 19 cm e pesa entre 28 e 42 g, um pássaro de tamanho pequeno a médio, mas muito vistoso. A cabeça, o topete e a garganta são de um vermelho vivo e uniforme, sem máscara preta, o que já o separa de outros cardeais brasileiros.

O dorso, as asas e a cauda são cinza-azulados, enquanto o peito e a barriga são brancos bem definidos. O bico é claro, quase esbranquiçado ou rosado, e as pernas são escuras. Macho e fêmea são praticamente idênticos, com a fêmea ligeiramente mais opaca.

O filhote nasce bem diferente: cabeça e topete amarronzados, sem vermelho. A coloração vermelha só aparece por completo após a primeira muda, entre 6 e 10 meses. Esse detalhe evita confusão com fêmeas adultas de outras espécies.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

A distribuição natural vai do centro do Brasil até a Patagônia. No Brasil ocorre com mais frequência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, além de partes de São Paulo e Minas Gerais.

Prefere campos abertos, savanas, espinilhos, bordas de mata ciliar e áreas antropizadas. Não é ave de floresta densa. Por isso é comum em fazendas, praças urbanas, margens de rodovias e arredores de açudes, onde pousa em arbustos baixos e cercas.

É residente e não migratório na maior parte da área, mas faz deslocamentos locais conforme oferta de sementes. Fora do continente, foi introduzido com sucesso no Havaí e em Porto Rico, onde se estabeleceu em áreas urbanas.

O que o Cardeal-do-sul come na natureza

É essencialmente granívoro. A base da dieta são sementes de gramíneas, como capins nativos, braquiária e sementes de plantas pioneiras. Complementa com frutos pequenos, brotos e insetos, especialmente na época de criação dos filhotes.

Forrageia no chão, em pares ou pequenos grupos, catando sementes caídas. Também visita arbustos frutíferos e comedouros quando há oferta. A captura de lagartas e besouros fornece proteína para os filhotes em crescimento.

Em cativeiro autorizado, a dieta precisa replicar essa variedade: mix de sementes, farinhada, frutas e proteína animal. Dieta só de girassol causa obesidade e deficiência de vitaminas, um erro muito comum.

Canto, comportamento e vida em bando

O canto é um dos traços mais apreciados: uma sequência de assobios claros, melodiosos e repetidos, emitidos do topo de arbustos ou fios. Machos cantam para demarcar território e atrair fêmea, com pico ao amanhecer na estação reprodutiva.

Fora da reprodução, é sociável e pouco arisco. Forma bandos familiares de 4 a 8 indivíduos que se mantêm próximos e se comunicam com chamados curtos de contato. Na época de nidificação, o casal fica fortemente territorial e expulsa intrusos, inclusive outras espécies de Paroaria.

Tem voo ondulado e pouso ereto, com o topete frequentemente eriçado quando excitado. É uma ave confiante, que permite aproximação moderada, o que infelizmente facilita a captura ilegal com alçapão.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A estação reprodutiva no Brasil vai de setembro a fevereiro, com pico entre outubro e dezembro. É monogâmico e o casal defende o território juntos.

O ninho é uma taça rasa e bem acabada feita de gravetos finos, raízes e capim, forrada com material macio, construída a 2 a 5 metros do solo em arbustos densos ou árvores baixas. A fêmea põe 2 a 4 ovos branco-esverdeados com pintas marrons e cinzas.

A incubação dura 12 a 13 dias e é feita principalmente pela fêmea, enquanto o macho vigia e alimenta a parceira. Os filhotes nascem com penugem rala e ficam no ninho por cerca de 13 a 15 dias, sendo alimentados por ambos os pais. Podem fazer 2 a 3 posturas por temporada se houver alimento.

Diferença entre Cardeal-do-sul, Cardeal-do-nordeste e Cardeal-amarelo

Confundir os cardeais é comum, mas há marcas claras. O Cardeal-do-sul (Paroaria coronata) tem cabeça toda vermelha, sem preto ao redor do bico, e bico claro.

O Cardeal-do-nordeste ou Galo-de-campina (Paroaria dominicana), da Caatinga, também tem cabeça vermelha, mas com topete menor e bico preto na parte superior. Já o Cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata), ameaçado de extinção, é amarelo-oliváceo com topete preto e não tem vermelho na cabeça.

Espécie Nome científico Tamanho Traço distintivo
Cardeal-do-sul Paroaria coronata 18-19 cm Cabeça toda vermelha, bico claro, dorso cinza
Cardeal-do-nordeste Paroaria dominicana 17-18 cm Cabeça vermelha, bico preto por cima, endêmico da Caatinga
Cardeal-de-goiás Paroaria baeri 16-17 cm Cabeça vermelha com bico amarelo intenso, do Cerrado
Cardeal-amarelo Gubernatrix cristata 20 cm Amarelo com topete preto, sem vermelho

Na nossa avaliação, essa comparação é a forma mais rápida de identificar corretamente no campo e evitar compra de ave errada ou ilegal.

Pode criar Cardeal-do-sul em casa? O que diz a lei brasileira

Não é permitido capturar, comprar ou manter Cardeal-do-sul retirado da natureza. A venda de aves silvestres sem origem comprovada é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com multa e apreensão.

A única forma legal é adquirir a ave de criadouro comercial ou amador autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada inviolável, nota fiscal e cadastro no SISPASS. Mesmo assim, exige manejo correto, viveiro espaçoso e acompanhamento veterinário.

Para quem quer apenas apreciar, a melhor opção é a observação livre e o turismo de observação de aves. Comedouros com sementes nativas e água fresca em áreas rurais atraem o Cardeal-do-sul sem necessidade de gaiola, e permitem ouvir o canto no contexto natural.

Estado de conservação e principais ameaças

Globalmente, o Cardeal-do-sul é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população considerada estável e ampla distribuição. No Brasil, é comum e adaptável, inclusive em áreas urbanas do Sul.

As ameaças reais são captura ilegal para gaiola, tráfico e uso de agrotóxicos que reduzem sementes e insetos. Em algumas regiões, a coleta de filhotes no ninho ainda pressiona populações locais, mesmo que a espécie não esteja ameaçada como um todo.

Projetos de fiscalização, educação ambiental e incentivo à criação legalizada com anilhas ajudam a reduzir a pressão. Manter habitat de campo nativo e evitar o uso de alçapões são medidas diretas que qualquer proprietário rural pode adotar.

Como observar e fotografar sem atrapalhar

Procure o Cardeal-do-sul no início da manhã, pousado em pontos altos como mourões, fios ou topo de arbustos. Ele costuma cantar exposto, o que facilita a localização pelo som.

Mantenha distância de pelo menos 10 metros do ninho e evite playback excessivo do canto, que estressa o casal e atrai predadores. Binóculo 8×42 e lente 300 mm já rendem ótimos registros sem interferência.

Anote data, local e comportamento e contribua com plataformas de ciência cidadã como WikiAves. Esses registros ajudam a mapear a expansão da espécie para o norte, que vem sendo notada na última década.

Perguntas frequentes

Cardeal-do-sul é o mesmo que Galo-de-campina?

Não. O Galo-de-campina é o Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana), endêmico da Caatinga e com bico preto por cima. O Cardeal-do-sul (Paroaria coronata) tem bico claro e ocorre no Sul e Centro-Oeste.

Qual o tamanho do Cardeal-do-sul?

Mede de 18 a 19 cm de comprimento e pesa entre 28 e 42 g, com envergadura de 26 a 30 cm.

O que o Cardeal-do-sul come?

Principalmente sementes de gramíneas, complementadas com frutos pequenos, brotos e insetos, sobretudo para alimentar os filhotes.

Pode criar Cardeal-do-sul em gaiola?

Só se a ave vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha fechada e documentação. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.

Quanto tempo vive o Cardeal-do-sul?

Vive de 12 a 15 anos na natureza e pode chegar a 20-25 anos em cativeiro autorizado com manejo adequado.

Como é o canto do Cardeal-do-sul?

É uma sequência melodiosa de assobios claros e fortes, repetidos do alto de poleiros, mais intensa de setembro a fevereiro, na época reprodutiva.

Onde encontrar Cardeal-do-sul no Brasil?

É mais fácil no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em campos abertos, bordas de mata, fazendas e parques urbanos.

Você sabia?

1

Não é um cardeal de verdade

Apesar do nome, não pertence à família Cardinalidae dos cardeais norte-americanos, e sim à Thraupidae, a mesma dos sanhaços. O nome vem só da semelhança do vermelho da cabeça com o barrete dos cardeais da Igreja.

2

Topete que funciona como sinal

O topete vermelho é eriçado quando o pássaro está alerta, cantando ou em disputa territorial. É um sinal visual importante entre machos e para a fêmea avaliar o parceiro.

3

Canto que atravessa a cidade

Em áreas urbanas do pampa, o macho escolhe poleiros altos como antenas e telhados para cantar. O som claro se propaga bem em campo aberto e pode ser ouvido a mais de 100 metros.

4

Filhote sem vermelho

Os jovens nascem com cabeça marrom-acinzentada e só adquirem o vermelho vivo após a muda do primeiro ano. Muita gente acha que é outra espécie ou fêmea, mas é apenas a plumagem juvenil.

Fontes

  1. IUCN Red List - Paroaria coronata
  2. WikiAves - Cardeal-do-sul
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Cardeal-do-sul

Prós

  • Canto melodioso e forte, fácil de ouvir no campo
  • Muito vistoso e fácil de identificar pelo topete vermelho
  • Adaptável e comum, bom para observação iniciante
  • Comportamento confiante que permite fotos a distância segura
  • Vive bem em áreas abertas sem precisar de mata fechada

Contras

  • Muito visado pelo tráfico de aves silvestres
  • Territorial na reprodução, não convive bem com outros cardeais em viveiro pequeno
  • Exige autorização legal e viveiro grande se criado em cativeiro
  • Sensível a dieta desbalanceada e a agrotóxicos no campo
  • Playback excessivo estressa a ave e prejudica a nidificação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o Cardeal-do-sul é o melhor porta de entrada para quem quer começar a observar aves no pampa e no Centro-Oeste: bonito, vocal e fácil de encontrar sem entrar em mata fechada. Justamente por isso, não faz sentido mantê-lo em gaiola pequena vindo do tráfico quando o canto é muito mais bonito livre no campo.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.