🐛 Insetos

Vespa-de-papel

Polistes canadensis (gênero Polistes)

Atualizado em

15 a 25 mm de comprimentoTamanho
Néctar e lagartas para as larvasAlimentação
Metamorfose completa, colônia anualCiclo de vida
Urbano e rural, sob telhados e plantasHabitat
Picada dolorosa, risco para alérgicosPerigo para humanos
Vespa-de-papel Polistes canadensis sobre ninho de papel com células hexagonais abertas

A vespa-de-papel é o nome popular das vespas do gênero Polistes, famosas pelos ninhos em forma de guarda-chuva feitos de papel. No Brasil, as mais comuns são a vespa-vermelha Polistes canadensis e a Polistes versicolor, presentes em áreas urbanas e rurais.

Diferente de abelhas, ela não produz mel e tem cintura muito fina, pernas longas pendentes em voo e coloração que varia do marrom-avermelhado ao amarelo e preto. Vive em colônias pequenas, caça lagartas para alimentar as larvas e só se torna agressiva quando o ninho é perturbado.

É um inseto benéfico para hortas e jardins por fazer controle natural de pragas, mas sua picada é dolorosa e pode causar reação alérgica. Entender seu comportamento ajuda a conviver sem precisar eliminar o ninho à toa.

Também conhecido como: Marimbondo-de-papel, Marimbondo-cavalo (regional), Vespa-papel, Paper wasp (inglês), Avispa papelera (espanhol)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Insetos Peçonhentos, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Vespa-de-papel

Vespa-de-papel Polistes canadensis sobre ninho de papel com células hexagonais abertas
Vespa-de-papel avermelhada sobre seu ninho característico em forma de guarda-chuva.
Close extremo da cabeça da vespa-de-papel mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas longas.
Vespa-de-papel em voo com asas abertas e pernas pendentes
Voo característico com pernas longas pendentes.
Ninho de vespa-de-papel sob beiral de casa
Ninho típico sob beiral, protegido da chuva.
Larva de vespa-de-papel dentro da célula do ninho
Larva sendo alimentada com pasta de lagartas.
Vespa-de-papel raspando madeira para produzir papel do ninho
Coletando fibras de madeira para fabricar o papel do ninho.

Perfil rápido de Vespa-de-papel

Calendário

Maior atividade e fundação de ninhosJFMAMJJASOND
Produção de novas rainhas e machosJFMAMJJASOND
Hibernação de rainhas fecundadasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsPeçonhenta
  • PessoasPeçonhenta

Picada dolorosa com veneno. Risco maior para pessoas e pets alérgicos. Em caso de reação sistêmica, busque atendimento médico ou veterinário imediato.

Vida útil

Na natureza
Operárias vivem 30 a 60 dias; rainhas fecundadas até 12 meses, hibernando no inverno

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada com rainha fecundada
Estrutura social
Colônia eussocial primitiva com 1 rainha e 20 a 100 operárias
Postura
1 ovo por célula, até 100 ovos por ciclo
Desenvolvimento
Metamorfose completa em 40 a 50 dias (ovo a adulto)
Período reprodutivo
Primavera e verão, com novas rainhas no fim do verão

Habitat

Ambientes

  • Beirais, forros e varandas
  • Galhos, arbustos e árvores baixas
  • Galpões, garagens e muros abrigados

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Néctar de flores
  • Lagartas mastigadas (para larvas)

Outros alimentos

  • Sucos de frutas
  • Pequenos insetos e aranhas
  • Secreções açucaradas

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Vespidae
Gênero
Polistes
Espécie
Polistes canadensis (espécie-referência no Brasil)

Resumo

  • A vespa-de-papel (Polistes spp.) é reconhecida pelo ninho de papel em forma de guarda-chuva e pela cintura fina com pernas longas em voo.
  • Vive em colônias pequenas fundadas por uma rainha, caça lagartas para alimentar as larvas e tem atividade maior nos meses quentes.
  • Só pica quando o ninho é ameaçado, mas a picada é dolorosa e perigosa para alérgicos; é benéfica como controladora natural de pragas.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaVespidae
SubfamíliaPolistinae
Origem e distribuiçãoAméricas, muito comum em todo o Brasil
Tamanho15 a 25 mm (rainha até 28 mm)
Coresmarrom-avermelhadoamarelopretolaranja
Asas e voo2 pares de asas membranosas, voo lento com pernas pendentes
AlimentaçãoAdultos: néctar; Larvas: lagartas mastigadas
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaOperárias: 30 a 60 dias; Rainha: até 1 ano
HabitatForros, beirais, varandas, galhos e arbustos
Comportamento socialEussocial primitivo, colônias de 20 a 100 indivíduos
Principais predadoresPássaros, lagartixas, aranhas e formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasAlto
Benefício para a agriculturaMuito alto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMédio

Como identificar a vespa-de-papel e não confundir com marimbondo ou abelha

A vespa-de-papel tem cintura muito fina e alongada, abdômen em forma de gota e pernas longas que ficam penduradas durante o voo. Esse detalhe já a separa da abelha, que tem corpo mais robusto e peludo, e de vespas mais agressivas como a vespa-cavalo.

No Brasil, as duas espécies mais vistas são a Polistes canadensis, de cor marrom-avermelhada quase uniforme, e a Polistes versicolor, amarela com manchas pretas e marrom. Ambas têm cerca de 15 a 25 mm, antenas longas e dois pares de asas que se dobram longitudinalmente quando pousadas.

O ninho é a pista mais segura. É um disco único em forma de guarda-chuva, com alvéolos hexagonais expostos, sem envelope de papel ao redor. Fica pendurado por um único pedúnculo e parece feito de papelão cinza. Ninhos com capa fechada e entrada lateral são de outros marimbondos, não de vespa-de-papel.

Diferenças rápidas

  • Vespa-de-papel: ninho aberto, colônia pequena, voo lento com pernas pendentes.
  • Marimbondo-tatu (Polybia): ninho fechado com envelope, colônia com centenas de indivíduos, mais defensivo.
  • Abelha: corpo peludo, carrega pólen nas pernas, ninho de cera.

Onde vive e por que escolhe forros, varandas e jardins

A vespa-de-papel ocorre em todo o Brasil, do interior ao litoral, e em grande parte das Américas. Prefere locais protegidos da chuva e do sol direto, com boa ventilação.

Em áreas urbanas, escolhe beirais, forros, caixas de luz, varandas, garagens e galpões. Na vegetação, usa galhos baixos, arbustos e folhagens densas. A proximidade com humanos não é por acaso: casas oferecem abrigo estável e jardins oferecem lagartas e néctar por perto.

As fundações acontecem no início da estação quente. Uma rainha fecundada que sobreviveu ao período mais frio procura um ponto alto e abrigado para iniciar o ninho. Por isso o aumento de ninhos entre setembro e março é tão perceptível.

O que a vespa-de-papel come: caçadora de lagartas

O adulto se alimenta principalmente de néctar, sucos de frutas e secreções açucaradas. Ele precisa de energia para voar e manter a colônia.

As larvas, porém, são carnívoras. As operárias caçam lagartas, lagartas de couve, brocas e pequenos insetos, mastigam e transformam em uma pasta proteica que oferecem às larvas. Cada larva pode receber dezenas de presas até empupar.

Essa predação faz da vespa-de-papel uma aliada natural da horta. Estudos de campo mostram que uma colônia pequena pode capturar centenas de lagartas em poucas semanas, reduzindo danos em couve, tomate e maracujá sem uso de inseticida.

Ciclo de vida e como o ninho de papel é feito

A vespa-de-papel tem metamorfose completa: ovo, larva, pupa e adulto. A colônia é anual e não reutiliza o ninho velho no ano seguinte, um erro comum de quem acha que o ninho abandonado vai ser reocupado.

Tudo começa com a rainha fundadora. Sozinha, ela raspa fibras de madeira seca, mastiga com saliva e produz uma polpa que vira papel. Com ela, constrói o pedúnculo e as primeiras células, põe um ovo em cada uma e alimenta as primeiras larvas.

Em cerca de 40 a 50 dias, nascem as primeiras operárias, que assumem a construção, a caça e o cuidado com a cria. A rainha passa então a só botar ovos. No auge, o ninho tem 30 a 100 células e algumas dezenas de adultas.

No fim do verão, a rainha produz machos e futuras rainhas. Após o acasalamento, os machos e as operárias morrem, o ninho é abandonado e apenas as rainhas fecundadas hibernam em frestas para fundar novas colônias na primavera.

Como o papel é feito

A vespa não coleta papel pronto. Ela raspa madeira sem pintura de cercas, caibros e galhos secos, por isso às vezes deixa riscos claros na madeira. A mistura com saliva cria um material leve, resistente e com listras acinzentadas características.

Comportamento: vida em colônia pequena e defesa do ninho

Diferente de abelhas e de marimbondos de grandes enxames, a vespa-de-papel vive em sociedade primitiva e pequena. Todas as operárias podem se reproduzir em teoria, mas na prática a rainha domina pela agressividade e por feromônios.

Fora do ninho, é um inseto dócil e solitário. Você pode vê-la visitando flores ou caçando lagartas sem que ela demonstre interesse em pessoas. O problema é a defesa do ninho: ao sentir vibração, elas levantam as asas, batem as antenas e voam em zigue-zague ao redor do intruso.

Se a ameaça continua, picam. Ao contrário da abelha, não perdem o ferrão e podem picar várias vezes. O ferrão é liso e fica guardado no final do abdômen, só exposto na hora do ataque.

A picada da vespa-de-papel dói? Riscos para pessoas e pets

Sim, a picada dói bastante e causa dor aguda, vermelhidão, inchaço e coceira por horas. A dor costuma ser mais forte que a de abelha, mas dura menos que a de formigões ou vespas maiores.

Para a maioria das pessoas, é um quadro local que melhora em 1 a 3 dias com compressa fria e higiene. O risco real é para quem tem alergia a veneno de himenópteros. Nesses casos, pode haver urticária generalizada, falta de ar, inchaço de face e queda de pressão, que exigem atendimento médico imediato.

Cachorros e gatos curiosos são picados no focinho ou na pata ao tentar morder o ninho. Observe sinais como inchaço excessivo, vômitos ou dificuldade para respirar e leve ao veterinário se houver reação forte. Nunca esprema o local da picada nem use receitas caseiras sem orientação.

Se houver muitas picadas ou ninho dentro de casa, não tente remover à noite com fogo ou inseticida doméstico sem proteção. Procure controle de pragas ou órgão ambiental local.

Benéfica ou praga? O papel no equilíbrio do jardim

Na nossa avaliação, a vespa-de-papel é muito mais benéfica que praga. Ela é predadora eficiente de lagartas desfolhadoras e também visita flores, atuando como polinizadora secundária.

Em hortas orgânicas, manter um ninho afastado da área de circulação pode ser estratégico. Produtores relatam redução visível de lagartas em couve e brássicas quando colônias de Polistes estão por perto.

Ela só vira problema quando instala o ninho em local de passagem intensa, como porta de entrada, varanda de apartamento, playground ou canil. Aí o risco de picadas acidentais supera o benefício ecológico e a remoção se justifica.

Aspecto Vespa-de-papel Impacto
Controle de lagartas Alto Reduz pragas sem veneno
Polinização Baixo a moderado Visita flores por néctar
Dano a plantas Nenhum direto Não corta folhas nem suga seiva
Risco de picada Moderado perto do ninho Baixo longe do ninho

Como conviver e afastar com segurança sem extermínio à toa

Se o ninho está em local alto e sem circulação, a melhor atitude é observar e deixar o ciclo terminar. A colônia morre naturalmente no outono e o ninho abandonado pode ser removido depois sem risco.

Para evitar novos ninhos, vede frestas, instale telas em forros e mantenha o ambiente sem restos de frutas expostas. No início da primavera, inspecione beirais: ninhos com menos de 10 células e só a rainha são muito mais fáceis de manejar com profissional.

Quando a remoção é necessária, não use jato de água, fogo ou veneno por conta própria. O manejo integrado recomenda agir ao entardecer, com roupa de proteção e direcionamento correto. Em condomínios e escolas, acione a vigilância ambiental ou empresa licenciada.

Depois da remoção, limpe o local com água e sabão para eliminar feromônios que atraem nova rainha. Pintar ou envernizar madeiras expostas também dificulta a coleta de fibras para papel.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a vespa-de-papel

O pedúnculo que sustenta o ninho tem uma substância repelente que impede formigas de subirem até as larvas. É uma defesa química produzida pela própria vespa.

As operárias reconhecem companheiras de ninho pelo cheiro da cutícula. Intrusas de outra colônia, mesmo da mesma espécie, são expulsas imediatamente.

Apesar da fama, a vespa-de-papel raramente entra em casas atraída por luz à noite, diferente de marimbondos maiores. Se entrou, provavelmente se perdeu caçando perto da lâmpada.

Perguntas frequentes

Vespa-de-papel é perigosa?

Longe do ninho, não. Ela só pica se o ninho for tocado ou vibrado. A picada dói, mas só é perigosa mesmo para quem tem alergia.

Vespa-de-papel perde o ferrão quando pica?

Não. O ferrão é liso e ela pode picar várias vezes, diferente da abelha que perde o ferrão.

Como tirar ninho de vespa-de-papel?

Se estiver em local de passagem, chame profissional ou órgão ambiental. Não use fogo ou inseticida por conta própria e nunca mexa no ninho de dia.

Vespa-de-papel volta para o mesmo ninho?

Não. O ninho é anual e abandonado no outono. Na primavera a rainha faz um ninho novo, às vezes perto do antigo.

Qual a diferença entre vespa-de-papel e marimbondo?

Vespa-de-papel faz ninho aberto em forma de guarda-chuva com colônia pequena. Marimbondos como Polybia fazem ninho fechado com capa e colônias grandes.

Vespa-de-papel poliniza?

Sim, de forma secundária. Ao buscar néctar ela transporta pólen, mas seu maior benefício é predar lagartas.

O que atrai vespa-de-papel para casa?

Abrigo protegido da chuva, madeira exposta para fazer papel e oferta de lagartas e néctar no jardim.

Você sabia?

1

Fábrica de papel natural

Ela produz o próprio papel raspando madeira seca e misturando com saliva, criando folhas finas com listras cinza e marrom visíveis no ninho.

2

Ninho com repelente de formigas

O pedúnculo do ninho é impregnado com uma secreção que repele formigas, protegendo ovos e larvas de predadores que sobem pela parede.

3

Rainha funda sozinha

A colônia começa com uma única rainha fecundada que constrói as primeiras 10 a 20 células e cuida das primeiras larvas sem ajuda.

4

Ninho não é reutilizado

Mesmo que pareça intacto, o ninho abandonado no outono nunca é reocupado; toda primavera a rainha constrói um novo do zero.

Fontes

  1. Embrapa - Controle Biológico
  2. GBIF - Polistes spp.
  3. Universidade de São Paulo - Entomologia

Prós e contras: Vespa-de-papel

Prós

  • Excelente controladora natural de lagartas e pragas da horta
  • Colônia pequena e menos agressiva que vespas de ninho fechado
  • Fácil de identificar pelo ninho aberto em forma de guarda-chuva
  • Ajuda na polinização secundária de flores
  • Ciclo anual: ninho abandonado não precisa de remoção urgente

Contras

  • Picada dolorosa e risco grave para pessoas e pets alérgicos
  • Faz ninhos em beirais e forros, assustando moradores
  • Raspa madeira sem pintura, podendo manchar cercas e caibros
  • Defende o ninho com voos rasantes se houver vibração
  • Pode picar várias vezes por não perder o ferrão
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a vespa-de-papel é uma das vespas mais toleráveis para ter por perto quando o ninho está bem localizado. Ela entrega controle biológico real sem o temperamento explosivo de vespas de ninho fechado. Vale preservá-la longe de áreas de circulação e só remover quando há risco concreto.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.