Resumo
- A aranha-caçadora-de-Dufour é uma agelenídea de teia em funil do Mediterrâneo, rápida e noturna, que vive em fendas e dentro de casas.
- É inofensiva para humanos, com picada rara e veneno sem risco médico, mas útil no controle natural de insetos.
- Identifica-se pelo corpo marrom-acinzentado com marca em chevron no abdômen e pernas longas e aneladas.
Características
Ficha da aranha
| Ordem | Araneae |
|---|---|
| Família | Agelenidae |
| Origem e distribuição | Mediterrâneo ocidental (Península Ibérica, sul da França e norte da África) |
| Tamanho (corpo) | Fêmeas 10 a 16 mm; machos 10 a 13 mm |
| Envergadura das pernas | 30 a 45 mm |
| Cores | marrombegecinzamarrom-escuro |
| Teia | Em lençol com funil e túnel de fuga, não pegajosa |
| Alimentação | Insetívora (moscas, baratas, traças, besouros) |
| Veneno | Presente, sem importância médica |
| Habitat | Interior de casas, garagens, porões, muros e fendas rochosas |
| Atividade | Noturna |
| Expectativa de vida | 2 a 3 anos (fêmeas vivem mais) |
| Reprodução | Ovípara, 50 a 80 ovos por ooteca |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Agressividade | Muito baixo |
| Presença em casas | Alto |
| Utilidade no controle de pragas | Muito alto |
| Tamanho da teia | Alto |
| Facilidade de criação em cativeiro | Muito baixo |
Como identificar a aranha-caçadora-de-Dufour sem confundir
A Eratigena dufouri tem corpo alongado e pernas longas, finas e levemente aneladas. As fêmeas são maiores e mais robustas, com 10 a 16 mm de corpo, enquanto machos têm abdômen mais estreito e pedipalpos engrossados na ponta.
A coloração é discreta e ajuda na camuflagem. O cefalotórax é marrom com duas faixas escuras laterais e uma faixa central mais clara. O abdômen é cinza-acastanhado com um desenho em chevron (espinha de peixe) bege-amarelado no centro, bordado por manchas escuras.
O detalhe que separa a espécie de parentes próximas como Eratigena atrica e Eratigena duellica está nos órgãos genitais, visíveis só com lupa, e no tamanho ligeiramente menor. Para o leigo, o conjunto pernas muito longas + teia em funil + corrida extremamente rápida já indica o grupo.
Onde vive e por que aparece dentro de casa
Na natureza, ocupa fendas rochosas, muros de pedra, troncos e folhiço em áreas mediterrâneas secas da Espanha, Portugal, sul da França e norte da África. Prefere locais escuros, secos e pouco ventilados.
Dentro de casas, escolhe porões, garagens, atrás de móveis, vãos de escada e cantos de banheiro. Não é uma aranha que fica exposta na parede durante o dia; ela se esconde no funil e só sai à noite.
A presença aumenta no final do verão e outono, quando machos adultos saem à procura de fêmeas e acabam caindo em pias, banheiras e corredores. No Brasil ela não é nativa nem estabelecida; registros aqui são quase sempre confusão com agelenídeos nativos ou com a aranha-de-canto Kukulcania.
Teia em funil e técnica de caça: velocidade em vez de veneno
A caçadora-de-Dufour não faz teia orbital pegajosa. Ela constrói um lençol horizontal irregular com um funil em um dos cantos, que termina em um túnel de fuga.
A seda não é adesiva. A estratégia é mecânica: a aranha fica com as pernas dianteiras sobre os fios e sente qualquer vibração. Quando um inseto pisa no lençol, ela dispara a até 0,5 metro por segundo, uma das corridas mais rápidas entre aranhas europeias, morde e arrasta a presa para dentro do funil.
Essa teia pode chegar a 30 a 50 cm de diâmetro em locais tranquilos e dura semanas, sendo apenas remendada. Se perturbada, a aranha prefere fugir para o fundo do túnel a enfrentar a ameaça.
Como diferenciar a teia dela
- Formato: lençol + funil num canto, diferente da teia desordenada de Steatoda ou da teia em canto sem funil de Kukulcania.
- Textura: seca e levemente áspera, não grudenta.
- Local: rente ao chão ou em quinas baixas, nunca no centro da parede.
Veneno e picada: ela é perigosa?
Não. A Eratigena dufouri não é considerada perigosa. Seu veneno serve para paralisar moscas e baratas e não tem importância médica para humanos, cães ou gatos.
Picadas são extremamente raras e só ocorrem se a aranha for prensada contra a pele, dentro de roupa ou ao ser manuseada. Quando acontece, o quadro costuma ser dor local leve, vermelhidão e coceira por poucas horas, semelhante a picada de mosquito, sem necrose ou efeitos sistêmicos.
Ela não é Phoneutria (armadeira), Loxosceles (marrom) ou Latrodectus (viúva). Não arma bote, não é agressiva e não persegue pessoas. Confundir velocidade com agressividade é o erro mais comum.
O que fazer em caso de picada
- Lave com água e sabão e mantenha o local limpo.
- Use compressa fria e observe por 24 horas.
- Procure atendimento médico se houver dor forte, inchaço que se espalha, febre ou sinais de alergia. Leve a aranha para identificação apenas se puder capturá-la sem se arriscar.
- Não use receitas caseiras, torniquete ou sucção.
Reprodução e ciclo de vida
O acasalamento ocorre principalmente no final do verão e outono. O macho toca a teia da fêmea com vibrações específicas para não ser confundido com presa e deposita esperma com os pedipalpos.
A fêmea produz 1 a 2 ootecas brancas em forma de disco, com 50 a 80 ovos cada, escondidas dentro do funil ou em fenda próxima e guardadas por ela. Os filhotes eclodem em 3 a 4 semanas e se dispersam após a primeira muda.
O desenvolvimento é lento. Atingem a fase adulta em cerca de 10 a 12 meses e as fêmeas podem viver 2 a 3 anos, bem mais que os machos, que morrem poucos meses após acasalar. Em cativeiro improvisado raramente passam de um ano por falta de umidade e alimento adequados.
Papel no ecossistema e benefícios em casa
É uma predadora generalista noturna muito eficiente. Uma única fêmea pode capturar dezenas de insetos por semana, incluindo moscas, mosquitos, traças, baratas pequenas e besouros.
Ao contrário do que se pensa, ela não aumenta infestação. Sua presença indica que há abundância de presas e abrigo escuro, não sujeira. Remover a aranha sem resolver frestas e insetos só abre espaço para outra ocupar o mesmo nicho.
No ambiente mediterrâneo, serve de alimento para lagartixas, pássaros e vespas caçadoras, integrando a cadeia alimentar urbana e rural.
Como conviver e evitar sustos em casa
Se a teia não incomoda, a melhor opção é deixá-la onde está. Ela fica restrita ao canto e reduz insetos sem circular pela casa.
Para quem prefere retirar, use o método do pote: cubra com um pote transparente, deslize um papel por baixo e solte em área externa abrigada, longe da porta, à noite. Evite aspirar ou matar com inseticida, que contamina o ambiente e não impede nova colonização.
Prevenção sem veneno funciona melhor:
- Vede frestas em rodapés, janelas e portas com escovas ou borrachas.
- Reduza presas: telas em ralos, lixo bem fechado e luz amarela externa que atrai menos insetos.
- Aspire o pó atrás de móveis e não acumule caixas de papelão no chão do porão.
- Sacuda roupas e toalhas que ficaram no chão antes de vestir.
Curiosidades e erros comuns de identificação
Um mito persistente na Europa é que a picada de Eratigena causaria necrose. Estudos com casos confirmados mostram que não há evidência de lesão necrótica; feridas atribuídas a ela eram infecções bacterianas.
Outro erro é chamar qualquer aranha rápida de armadeira. A armadeira (Phoneutria) tem comportamento de defesa com patas dianteiras erguidas e não faz teia em funil. A caçadora-de-Dufour faz exatamente o oposto: corre para se esconder.
Na nossa avaliação, a caçadora-de-Dufour é o exemplo perfeito de aranha injustiçada pela aparência. Grande e veloz, parece perigosa, mas é tímida, silenciosa e útil. Vale mais entender sua teia do que temê-la.
Perguntas frequentes
A aranha-caçadora-de-Dufour é venenosa?
Sim, como quase todas as aranhas, mas seu veneno não tem importância médica para humanos e animais domésticos, causando no máximo dor leve e local.
Ela pica?
Raramente. Só pica se for prensada contra a pele. Na maioria dos encontros ela foge para dentro do funil.
Qual a diferença para a armadeira?
A armadeira (Phoneutria) é grande, agressiva, ergue as patas dianteiras e não faz teia em funil. A caçadora-de-Dufour faz lençol com funil e foge ao ser perturbada.
Como tirar ela de casa sem matar?
Cubra com um pote, deslize um papel por baixo e solte à noite em área externa abrigada, longe de portas e janelas.
Ela faz teia grande?
Sim, um lençol de 30 a 50 cm com um funil num canto, geralmente rente ao chão em locais escuros e tranquilos.
Existe no Brasil?
Não é nativa nem estabelecida no Brasil. Casos com esse nome aqui são confusões com outras aranhas de funil ou de canto.
O que atrai essa aranha para dentro de casa?
Abrigo escuro e seco e abundância de insetos. Vedar frestas e reduzir presas é mais eficaz que veneno.
Você sabia?
Recorde de velocidade
Em laboratório, Eratigena dufouri e parentes atingem cerca de 0,5 m/s, o que as colocou entre as aranhas mais rápidas já medidas na Europa.
Túnel com saída de emergência
O funil sempre tem uma segunda abertura nos fundos. Se o predador bloqueia a entrada, ela escapa por trás sem precisar lutar.
Confusão histórica de nome
Foi descrita como Tegenaria dufouri em 1870 e só em 2013 foi movida para o gênero Eratigena após revisão genética das tegenárias.
Macho que jejua por amor
Machos adultos param de tecer teia e quase não se alimentam enquanto vagam à noite procurando fêmeas, por isso são os mais vistos dentro de casas no outono.










