🐍 Serpentes

Caiçaca

Bothrops moojeni

Atualizado em

70 a 150 cmTamanho
Alto se manuseadaPerigo para humanos
PeçonhentaVeneno
10 a 15 anosExpectativa de vida
Cerrado e matas ciliaresHabitat
Caiçaca adulta enrodilhada sobre folhas secas do Cerrado

A caiçaca (Bothrops moojeni) é uma serpente peçonhenta da família Viperidae, conhecida como jararaca-do-cerrado. É uma das jararacas mais comuns do Brasil central e está entre as principais causas de acidentes ofídicos no Cerrado.

De porte médio, corpo robusto e cabeça triangular bem destacada, ela se camufla com eficiência na palha e no solo do Cerrado. Apesar da fama, não persegue pessoas e só pica quando se sente acuada ou é pisada.

No ecossistema, tem papel importante no controle de roedores e de outros pequenos vertebrados. Como toda fauna silvestre, é protegida por lei e não deve ser morta ou manipulada.

Também conhecido como: Jararaca-do-cerrado, Caiçara, Jararaca, Caiçaca-da-vereda

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Caiçaca

Caiçaca adulta enrodilhada sobre folhas secas do Cerrado
Caiçaca adulta em posição de descanso sobre a serrapilheira do Cerrado.
Close da cabeça da caiçaca mostrando fosseta loreal e pupila vertical
Detalhe da cabeça triangular e da fosseta loreal, característica das jararacas.
Detalhe do padrão de escamas da caiçaca
Padrão de manchas trapezoidais sobre fundo marrom, típico da espécie.
Caiçaca camuflada em habitat natural de vereda no Cerrado
Habitat preferencial: veredas e matas ciliares do Cerrado.
Filhote de caiçaca com ponta da cauda clara
Filhote com cauda clara usada como isca para atrair presas.
Caiçaca em postura defensiva enrodilhada
Postura defensiva: corpo achatado e cauda em vibração quando ameaçada.

Perfil rápido de Caiçaca

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída no Cerrado e ainda comum em áreas preservadas.

População
Em declínio local por desmatamento e morte intencional
Protegido por
Sim, fauna silvestre protegida por lei no Brasil

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Peçonha botrópica de importância médica; acidentes exigem soro antibotrópico. Risco alto se houver manipulação ou pisoteio.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Até cerca de 20 anos com manejo especializado

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara, sem postura de ovos
Época de acasalamento
Outono e inverno
Nascimentos
Primavera e verão, na estação chuvosa
Ninhada
8 a 20 filhotes em média, até mais de 30
Tamanho ao nascer
20 a 30 cm
Maturidade sexual
2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Matas ciliares e veredas
  • Campos úmidos e bordas de mata
  • Áreas agrícolas e pastagens próximas a água

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Roedores
  • Anfíbios

Outros alimentos

  • Lagartos
  • Pequenos marsupiais

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Bothrops
Espécie
Bothrops moojeni

Resumo

  • A caiçaca (Bothrops moojeni) é uma jararaca peçonhenta do Cerrado, de 70 a 150 cm, com veneno de ação coagulante e hemorrágica.
  • Vive no Brasil central, Paraguai e Argentina, em áreas de Cerrado, matas ciliares e veredas, com hábitos noturnos e terrestres.
  • A picada exige atendimento médico imediato com soro antibotrópico; nunca faça torniquete, corte ou sucção e acione bombeiros ao encontrá-la.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata | Viperidae
Origem e distribuiçãoBrasil central, leste do Paraguai e nordeste da Argentina; endêmica da região do Cerrado
Tamanho (comprimento)70 a 120 cm em média, até cerca de 150 cm
Peso0,6 a 1,8 kg em adultos
Cores e padrãomarrombegecinzamarrom-avermelhadocom manchas trapezoidais escuras bordadas de claro
Veneno (peçonhenta ou não)Peçonhenta
DentiçãoSolenóglifa
ReproduçãoVivípara
AlimentaçãoRoedores, anfíbios, lagartos e pequenos marsupiais
HabitatCerrado, matas ciliares, veredas e bordas de mata
AtividadeNoturna e crepuscular, terrestre
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza, até 20 em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
AgressividadeMédio
Presença perto de casasMédio
Importância no controle de roedoresMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaAlto

Como identificar a caiçaca sem confundir com outras jararacas

A caiçaca é Bothrops moojeni, descrita por Hoge em 1937. Popularmente chamada de jararaca-do-cerrado, caiçara ou caiçaca, ela pertence ao grupo das jararacas, o mais diversificado de serpentes peçonhentas no Brasil.

O corpo é robusto e musculoso, com cabeça triangular bem destacada do pescoço, pupila vertical e fosseta loreal entre o olho e a narina. Essa fosseta é o sensor térmico que diferencia viperídeos peçonhentos de cobras não peçonhentas.

O padrão dorsal tem manchas trapezoidais ou triangulares escuras sobre fundo marrom, bege ou acinzentado, bordadas por escamas mais claras. A cauda não tem chocalho e a ponta pode ser mais clara nos jovens.

Filhotes de caiçaca apresentam ponta da cauda esbranquiçada ou amarelada, usada para atrair presas com movimentos de isca. Esse detalhe ajuda a distinguir jovens de outras espécies terrestres.

A confusão mais comum é com a jararaca (Bothrops jararaca) e a jararacuçu (Bothrops jararacussu). A caiçaca tem em média escamas mais ásperas e padrão menos contrastado, além de distribuição mais associada ao Cerrado, enquanto B. jararaca predomina na Mata Atlântica.

Onde vive e por que é a jararaca do Cerrado

A distribuição central da caiçaca é o Cerrado brasileiro, do Maranhão e Piauí até o Paraná, com registros no leste do Paraguai e nordeste da Argentina. É uma espécie típica de savana, mas não exclusiva de áreas secas.

Ela prefere matas ciliares, veredas com buritis, campos úmidos e bordas de mata. Também aparece em áreas agrícolas, pastagens e proximidades de cursos d’água, onde há mais roedores.

É terrestre e raramente sobe em vegetação. Durante o dia fica abrigada sob folhas, cupinzeiros, troncos caídos ou tocas. A maior atividade ocorre ao entardecer e à noite.

Em época de chuvas, a oferta de presas aumenta e os encontros com humanos crescem, especialmente em zonas rurais e periferias urbanas que avançam sobre o Cerrado.

Comportamento e hábitos: quando ela aparece

A caiçaca é de hábito noturno e crepuscular, mas pode ser vista de dia se o tempo estiver nublado ou após chuvas. É emboscadora: escolhe um ponto de passagem de presas e permanece imóvel por horas.

Não é uma serpente que foge rapidamente. Quando ameaçada, costuma ficar enrodilhada, achatar o corpo e vibrar a cauda contra a folhagem, produzindo ruído. O bote é rápido e a distância pode chegar a cerca de um terço do corpo.

A peçonha é usada principalmente para caça, não para defesa. A maioria das picadas em humanos ocorre por pisoteio acidental ou tentativa de matar ou manusear o animal.

Na seca, pode se aproximar de galinheiros, paióis e entulho atrás de roedores. Manter o terreno limpo reduz muito a chance de encontro.

O que come e como caça com fosseta loreal

A dieta varia com a idade. Filhotes consomem anfíbios, lagartos e pequenos roedores, enquanto adultos predam principalmente roedores e pequenos marsupiais.

A caça combina visão, olfato e detecção de calor pela fosseta loreal, que percebe diferenças de até frações de grau. Isso permite atacar presas no escuro total.

Após a picada, ela solta a presa e espera o veneno agir, seguindo depois o rastro químico até o animal. Essa estratégia evita que a presa a machuque durante a luta.

Em áreas agrícolas, uma única caiçaca pode consumir dezenas de roedores por ano, prestando serviço ambiental relevante no controle de pragas.

Reprodução e ciclo de vida

A caiçaca é vivípara: os filhotes nascem já formados, sem postura de ovos. O acasalamento ocorre geralmente no outono e inverno, com nascimentos na estação chuvosa.

A gestação dura cerca de 4 a 6 meses. Cada ninhada tem em média 8 a 20 filhotes, podendo chegar a mais de 30 em fêmeas grandes, com 20 a 30 cm ao nascer.

Os recém-nascidos já são peçonhentos e independentes. A mortalidade é alta nos primeiros meses por predação de aves, mamíferos e outras cobras.

A maturidade sexual é atingida entre 2 e 3 anos. Em cativeiro bem manejado, pode ultrapassar 15 anos, mas na natureza poucos chegam a 10.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer e o que nunca fazer

Sim, a caiçaca é peçonhenta e de importância médica. Seu veneno é do tipo botrópico, com ação coagulante, hemorrágica e inflamatória. Os sintomas mais comuns são dor intensa, inchaço rápido, manchas roxas, sangramento no local e, sem tratamento, alterações na coagulação.

O risco de óbito é baixo quando há atendimento rápido com soro antibotrópico, disponível no SUS. A gravidade depende da quantidade de veneno, local da picada, tamanho da vítima e tempo até o hospital.

Ao ser picado, procure hospital imediatamente. Mantenha a vítima calma, em repouso, com o membro picado elevado e sem esforço. Lave o local apenas com água e sabão, se possível, e leve foto da serpente apenas se for seguro — não tente capturar.

Nunca faça torniquete, corte, sucção, gelo, álcool, querosene ou pomadas. Essas práticas pioram a lesão e não retiram veneno. Não ofereça remédios caseiros nem espere os sintomas passarem.

Para cães e gatos, a picada também é emergência veterinária. Mantenha o pet imobilizado e leve ao veterinário sem demora. O soro específico é o único tratamento eficaz.

O que fazer ao encontrar uma caiçaca em casa, no quintal ou na trilha

Mantenha distância mínima de 2 metros e não tente tocar, encurralar ou matar. A serpente é fauna silvestre protegida e a tentativa de agressão é quando mais ocorrem picadas.

Em casa ou quintal, isole o ambiente, afaste pessoas e animais e acione Corpo de Bombeiros (193), Polícia Ambiental ou órgão ambiental municipal. Se estiver em área rural, observe de longe até a equipe chegar.

Na trilha, use bota de cano alto e perneira, olhe onde pisa e onde apoia as mãos. Use lanterna à noite e nunca coloque mãos ou pés em buracos, cupinzeiros ou sob troncos sem visualizar.

Prevenção no entorno inclui roçar mato alto, eliminar entulho, vedar frestas de portas, telar ralos e armazenar ração e grãos em recipientes fechados para não atrair roedores.

Papel no ecossistema e conservação

A caiçaca é um predador de topo entre os pequenos vertebrados do Cerrado. Ao controlar roedores, reduz danos a lavouras e a transmissão de doenças associadas a esses mamíferos.

Também serve de alimento para gaviões, seriemas, muçuranas e outros ofiófagos. A remoção indiscriminada quebra essa cadeia e pode aumentar a população de roedores.

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofre com desmatamento do Cerrado, atropelamentos, queimadas e morte intencional. O Cerrado já perdeu mais da metade da cobertura original, o que pressiona todas as espécies dependentes dele.

Proteger a caiçaca não é gostar de cobra, é manter o equilíbrio do ambiente. Informação correta evita pânico e mortes desnecessárias, tanto de pessoas quanto de serpentes.

Diferenças rápidas para não confundir

Muitas serpentes do Cerrado são confundidas com a caiçaca. A muçurana (Clelia clelia), por exemplo, é preta, não peçonhenta para humanos e predadora de jararacas — matá-la aumenta o risco de jararacas.

A falsa-jararaca (Xenodon merremii) achata a cabeça quando ameaçada e imita o padrão de jararaca, mas não tem fosseta loreal nem presas grandes. Observar a fosseta e a cabeça só é seguro à distância e com foto ampliada.

Regras de cor para coral, como “vermelho com preto”, não servem para jararacas e são perigosas. Na dúvida, trate toda serpente como potencialmente peçonhenta e mantenha distância.

Perguntas frequentes

Caiçaca é venenosa?

Sim. É peçonhenta, com veneno botrópico que causa dor, inchaço, sangramento e alteração da coagulação. Todo acidente deve ser atendido em hospital com soro antibotrópico.

Qual a diferença entre caiçaca e jararaca?

Caiçaca (Bothrops moojeni) é a jararaca típica do Cerrado; jararaca (Bothrops jararaca) ocorre mais na Mata Atlântica. São espécies diferentes, mas ambas do mesmo gênero e com veneno semelhante.

Onde a caiçaca vive no Brasil?

Principalmente no Cerrado do Brasil central, de estados do Nordeste ao Sul, em matas ciliares, veredas e campos. Também ocorre no Paraguai, Argentina e Bolívia.

O que fazer se encontrar uma caiçaca?

Mantenha distância, não tente matar ou capturar, afaste pessoas e animais e acione Bombeiros (193) ou órgão ambiental. Em trilhas, use bota e perneira.

Como é a picada da caiçaca?

Provoca dor forte e inchaço rápido, com manchas roxas e sangramento no local. Sem tratamento, pode haver sangramento em gengivas e urina. Procure hospital imediatamente e não faça torniquete ou corte.

Caiçaca pode ser criada como pet?

Não. É serpente peçonhenta silvestre, protegida por lei. Criação só é permitida em instituições científicas ou serpentários autorizados, nunca como pet doméstico.

Como evitar caiçaca perto de casa?

Mantenha quintal limpo, sem entulho ou mato alto, vede frestas, armazene grãos e ração fechados e controle roedores. Isso reduz abrigo e alimento para a serpente.

Você sabia?

1

Nome ligado ao Cerrado

O epíteto moojeni homenageia o zoólogo João Moojen, e o nome popular caiçaca vem do tupi e é usado quase só no Brasil central, diferente de jararaca, que é mais amplo.

2

Cauda-isca nos filhotes

Filhotes têm a ponta da cauda clara e a balançam como uma larva para atrair anfíbios e lagartos, comportamento chamado engodo caudal, que desaparece na fase adulta.

3

Veneno com fama laboratorial

O veneno da caiçaca é muito usado em pesquisas de coagulação sanguínea no Instituto Butantan, por ter forte ação sobre o fibrinogênio, ajudando a desenvolver testes e estudos sobre trombose.

4

Ninhada grande para uma víbora

Uma fêmea grande pode parir mais de 30 filhotes de uma só vez na estação chuvosa, todos já com presas inoculadoras funcionais e veneno ativo desde o nascimento.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database
  3. IUCN Red List
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por animais peçonhentos

Prós e contras: Caiçaca

Prós

  • Importante controladora natural de roedores no Cerrado
  • Bem adaptada a áreas úmidas do Cerrado, indicador de ambiente preservado
  • Veneno de grande valor para pesquisa científica no Brasil
  • Espécie bem estudada, com atendimento e soro disponíveis no SUS

Contras

  • Peçonhenta de importância médica, causa acidentes graves sem tratamento
  • Camuflagem eficiente aumenta risco de pisoteio acidental
  • Pode se aproximar de áreas rurais e periurbanas atrás de roedores
  • Muitas vezes morta por medo e confusão com outras cobras
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a caiçaca é a jararaca mais subestimada do Brasil: menos famosa que a jararaca da Mata Atlântica, mas igualmente importante para entender acidentes ofídicos no Cerrado. Vale estudá-la pelo que ela revela sobre o Cerrado — camuflagem perfeita, dependência de áreas úmidas e sensibilidade ao desmatamento — e não pelo sensacionalismo do veneno.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.