🐍 Serpentes

Cobra-bastarda

Malpolon monspessulanus

Atualizado em

1,5 a 2 m (até 2,55 m)Tamanho
Baixo, mordida raraPerigo para humanos
Sim, opistóglifa leveVeneno
10 a 15 anosExpectativa de vida
Mediterrâneo seco e rochosoHabitat
Cobra-bastarda adulta de corpo inteiro sobre solo rochoso seco

A cobra-bastarda (Malpolon monspessulanus) é a maior serpente da região mediterrânea, podendo ultrapassar 2 metros de comprimento. Conhecida como cobra-de-Montpellier, ela chama atenção por achatar o pescoço e erguer a parte anterior do corpo quando ameaçada, lembrando uma naja, o que explica o nome popular.

Apesar de ser peçonhenta com dentição opistóglifa, raramente oferece perigo real a humanos, pois seus dentes inoculadores ficam no fundo da boca e a mordida efetiva é difícil. É uma predadora diurna e extremamente rápida, fundamental no controle de roedores e lagartos em ecossistemas secos e agrícolas. Não ocorre naturalmente no Brasil.

Também conhecido como: Cobra-de-Montpellier, Couleuvre de Montpellier, Montpellier snake, Cobra bastarda

Faz parte de: Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Cobra-bastarda

Cobra-bastarda adulta de corpo inteiro sobre solo rochoso seco
Adulto de cobra-bastarda mostrando coloração oliva e porte alongado.
Close da cabeça da cobra-bastarda mostrando olhos e escamas
Detalhe da cabeça estreita e da sobrancelha característica.
Detalhe das escamas e mancha em sela da cobra-bastarda
Padrão de escamas lisas e mancha escura do macho adulto.
Cobra-bastarda em habitat mediterrâneo com muro de pedra
Habitat típico: muros de pedra e matagal seco.
Cobra-bastarda em postura defensiva erguendo o corpo
Postura defensiva achatando o pescoço para parecer maior.
Filhote de cobra-bastarda com manchas escuras
Filhote com padrão manchado bem diferente do adulto.

Perfil rápido de Cobra-bastarda

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População estável e amplamente distribuída no Mediterrâneo.

População
estável
Protegido por
Sim, protegida em países como França e Espanha

Calendário

Atividade maiorJFMAMJJASOND
HibernaçãoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Nascimento dos filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica (risco baixo, mordida defensiva)
  • PessoasTóxica (veneno leve, risco baixo)

Peçonhenta opistóglifa: inoculação difícil, sintomas geralmente locais e autolimitados. Procure atendimento médico se houver mordida.

Vida útil

Na natureza
10 a 12 anos
Em cativeiro
até 15 anos

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 5 anos
Tipo de reprodução
ovípara
Estação de acasalamento
abril a maio
Postura
4 a 18 ovos, junho a julho
Incubação
cerca de 60 dias, dependente da temperatura

Habitat

Ambientes

  • matagal mediterrâneo (maquis e garrigue)
  • encostas rochosas e muros de pedra
  • olivais, vinhas e áreas agrícolas secas
  • bordas de bosques abertos

Biomas

  • Mediterrâneo
  • Matagal esclerófilo

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • lagartos
  • roedores

Outros alimentos

  • aves e ovos
  • outras serpentes
  • anfíbios

Encontrado em 8 países

  • Espanha
  • Portugal
  • França
  • Itália
  • Marrocos
  • Argélia
  • Tunísia
  • Saara Ocidental

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Psammophiidae
Gênero
Malpolon
Espécie
Malpolon monspessulanus

Resumo

  • A cobra-bastarda é a maior serpente do Mediterrâneo, com 1,5 a 2 m e dentição opistóglifa de veneno leve e baixo risco para humanos.
  • Vive em áreas secas, rochosas e agrícolas do sul da Europa e norte da África, é diurna, veloz e achata o pescoço como defesa.
  • Alimenta-se sobretudo de lagartos e roedores, põe ovos no verão e é crucial para o equilíbrio ecológico, sem ocorrer no Brasil.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Psammophiidae
Origem e distribuiçãoRegião mediterrânea: Península Ibérica, sul da França, noroeste da África
Tamanho (comprimento)1,5 a 2 m, recorde 2,55 m
Peso0,8 a 2,5 kg
Cores e padrãoolivaverde-acinzentadomarromventre amareladomachos com mancha escura em sela
Veneno (peçonhenta ou não)Peçonhenta, opistóglifa (veneno leve)
DentiçãoOpistóglifa (dentes inoculadores no fundo da boca)
Reprodução (ovípara ou vivípara)Ovípara, 4 a 18 ovos
AlimentaçãoLagartos, roedores, aves, outras cobras
HabitatMatagal mediterrâneo, encostas rochosas, olivais, áreas agrícolas secas
Atividade (diurna ou noturna)Diurna
Expectativa de vida10 a 12 anos na natureza, até 15 em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
AgressividadeAlto
Presença perto de casasMédio
Importância no controle de roedoresMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaMuito baixo

Como identificar a cobra-bastarda sem confundir

A cobra-bastarda é inconfundível pelo tamanho e pela postura defensiva. Adultos têm corpo robusto, cabeça estreita e pouco distinta do pescoço, focinho pontudo e olhos grandes com pupila redonda e uma sobrancelha marcada que dá expressão de brava.

A coloração varia de verde-oliva a marrom-acinzentado, uniforme no dorso, com ventre amarelado. Machos adultos desenvolvem uma mancha escura em forma de sela na parte anterior do dorso, logo atrás da cabeça, ausente em fêmeas e jovens. Essa sela é o melhor marcador sexual em campo.

Filhotes são diferentes: têm dorso bege com manchas escuras bem definidas e ventre claro pontilhado, o que já causou confusão com outras espécies. As escamas são lisas e brilhantes, e a cauda é longa e afilada. Não tem capuz verdadeiro como a naja, mas achata e alarga o pescoço e ergue até um terço do corpo quando acuada, sibilando alto.

Onde vive e por que não existe no Brasil

A distribuição é estritamente mediterrânea. Ocorre em Portugal, Espanha, sul da França, noroeste da Itália e no norte da África (Marrocos, Argélia e Tunísia), sempre em clima quente e seco.

Prefere matagais, garrigues, encostas pedregosas, muros de pedra, olivais e vinhas. Evita florestas densas e úmidas. É comum perto de áreas humanas rurais porque muros e entulhos concentram lagartos e roedores.

No Brasil ela não ocorre na natureza. Qualquer relato de cobra-bastarda aqui é confusão com espécies nativas como muçurana, cobra-cipó ou caninana. Se você está no Brasil, não precisa se preocupar com esta espécie, mas sim com jararacas, corais e cascavéis.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer

Sim, é peçonhenta, mas de um jeito particular. A dentição é opistóglifa: os dois dentes inoculadores ficam no fundo da maxila superior, com um sulco por onde o veneno escorre. Para inocular, ela precisa morder fundo e mastigar.

Na prática, o risco para humanos é baixo. A maioria das mordidas defensivas são secas ou superficiais, sem inoculação. Quando há envenenamento, os sintomas costumam ser locais: dor, inchaço, formigamento e náusea, raramente com efeitos neurológicos leves. Não há registro confiável de morte humana por Malpolon monspessulanus.

O veneno é potente para suas presas, com ação neurotóxica e citotóxica que imobiliza lagartos rapidamente. Para pets, o risco também é baixo, mas cães e gatos curiosos podem ser mordidos no focinho ao encurralar a serpente. Em qualquer acidente, não faça torniquete, não corte, não sugue e não use remédio caseiro. Lave com água e sabão, mantenha a calma e procure atendimento médico imediato. Na Europa, o acompanhamento é sintomático, pois não há soro específico.

Comportamento e temperamento: veloz e pavoneadora

É uma das serpentes mais rápidas da Europa. Diurna e muito ativa, passa o dia caçando com a cabeça elevada, usando visão excelente para detectar movimento a metros de distância.

Quando se sente ameaçada, raramente foge de imediato. Primeiro achata o pescoço, bufa alto, mostra a boca escura e dá botes falsos com a boca fechada. Se encurralada, pode morder com insistência. Essa agressividade defensiva explica a fama de bastarda, mas é blefe na maioria das vezes.

Fora da defesa, é arisca e evita contato. No inverno entra em hibernação de novembro a março em fendas de rochas ou tocas abandonadas, às vezes em grupo. Na primavera volta a se aquecer ao sol em muros e trilhas.

O que come e como caça

A dieta revela por que ela é tão importante. Cerca de 60 a 70% da alimentação são lagartos, especialmente lagartixa e sardão, seguidos por roedores como ratos e camundongos.

Complementa com aves no ninho, anfíbios e até outras cobras, incluindo víboras. É predadora ativa: não espera emboscada, persegue a presa em velocidade e a prende com a boca, mastigando para inocular veneno enquanto enrola levemente o corpo para imobilizar.

Essa estratégia a torna excelente controladora de pragas agrícolas. Um adulto pode consumir dezenas de roedores por estação, reduzindo danos em olivais e vinhas sem uso de veneno.

Reprodução e ciclo de vida

O acasalamento ocorre na primavera, entre abril e maio, logo após a hibernação. Machos combatem entre si erguendo o corpo e entrelaçando-se, sem morder, para disputar a fêmea.

A fêmea é ovípara e põe 4 a 18 ovos alongados entre junho e julho, em local quente e úmido sob pedras, troncos ou em solo fofo. A incubação dura cerca de 60 dias e depende da temperatura ambiente.

Os filhotes nascem com 25 a 35 cm e já são independentes, caçando pequenos lagartos. A maturidade sexual chega aos 3 a 5 anos. Na natureza vivem 10 a 12 anos; em cativeiro, com manejo correto, chegam a 15.

O que fazer ao encontrar uma em casa ou no quintal

Se você está na área de ocorrência dela, na Europa, a regra é não encurralar e não tentar matar. A cobra-bastarda é protegida por lei em vários países e matar fauna silvestre é crime.

Mantenha distância de pelo menos 2 metros, afaste crianças e pets, e deixe uma rota de fuga aberta. Ela quase sempre vai embora sozinha. Se entrou em casa ou não sai, ligue para bombeiros ou serviço de resgate de fauna local. Não tente manusear com vassoura ou pau.

Para prevenir, mantenha o quintal limpo, sem entulho, lenha encostada no muro ou grama alta, e vede frestas sob portas. Telar galinheiros também evita que ela busque pintinhos e ovos.

Papel no ecossistema e estado de conservação

É um predador de topo entre os répteis mediterrâneos. Ao regular populações de roedores e lagartos, mantém o equilíbrio de cadeias alimentares e reduz a necessidade de pesticidas.

Serve também de presa para aves de rapina como a águia-cobreira, que é especializada em ofídios. Seu declínio afetaria toda a rede.

A IUCN classifica como Pouco Preocupante (LC), com população estável. As principais ameaças são atropelamentos, incêndios, intensificação agrícola e morte direta por medo. Na França e Espanha já é protegida, e seu abate é punido.

Perguntas frequentes

A cobra-bastarda é peçonhenta?

Sim, é opistóglifa com veneno leve. O risco para humanos é baixo porque os dentes ficam no fundo da boca e a inoculação exige mordida profunda e prolongada.

Ela existe no Brasil?

Não. É exclusiva da região mediterrânea (Europa e norte da África). No Brasil não há registro na natureza.

Qual o tamanho máximo da cobra-bastarda?

Em média 1,5 a 2 m. O recorde documentado é de 2,55 m, o que a torna a maior serpente da Europa ocidental.

O que fazer se for mordido?

Lave com água e sabão, não faça torniquete nem corte, e procure atendimento médico imediato para avaliação dos sintomas.

Por que ela achata o pescoço como uma naja?

É comportamento defensivo para parecer maior e assustar predadores. Ela ergue o corpo, achata o pescoço e sibila alto antes de morder.

Ela é protegida por lei?

Sim, em grande parte da Europa, como França e Espanha, é espécie protegida e matá-la é infração ambiental.

Você sabia?

1

A maior da Europa ocidental

Com até 2,55 m registrados, supera qualquer outra serpente da Europa ocidental em comprimento, embora a Elaphe quatuorlineata dos Bálcãs possa competir em peso.

2

Veneno que só funciona mastigando

Como os dentes ficam no fundo da boca, ela precisa segurar e mastigar a presa por alguns segundos para inocular. Por isso mordidas rápidas em humanos quase nunca injetam veneno.

3

Imita naja sem ser naja

Ao achatar o pescoço e sibilar, imita o comportamento de uma cobra-capelo. Essa mímica assusta predadores e deu origem ao nome bastarda, de falsa cobra.

4

Caçadora com sobrancelha

Possui uma escama supraocular proeminente que forma uma espécie de sobrancelha, protegendo o olho do sol e dando a ela uma expressão carrancuda única entre as cobras europeias.

Fontes

  1. Reptile Database
  2. IUCN Red List
  3. Instituto Butantan
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Cobra-bastarda

Prós

  • Excelente controladora natural de roedores e lagartos
  • Veneno de baixo risco para humanos quando não provocada
  • Indicadora de ecossistema mediterrâneo saudável
  • Comportamento defensivo bem visível, que evita acidentes se respeitada

Contras

  • Pode dar botes defensivos insistentes se encurralada
  • Mordida pode causar dor e inchaço que exigem atendimento
  • Sofre atropelamentos frequentes por se aquecer em estradas
  • Mal compreendida e morta por medo apesar de protegida
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cobra-bastarda é a serpente mais injustiçada da Europa: chamada de agressiva quando só está blefando para não ser pisada. É um predador diurno elegante e essencial para o campo mediterrâneo, que merece distância respeitosa, não perseguição.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.