🐍 Serpentes

Surucucutinga

Bothrops bilineatus

Atualizado em

70 a 120 cmTamanho
Alto, peçonhentaPerigo para humanos
Sim, botrópicoVeneno
12 a 20 anosExpectativa de vida
Florestas úmidas arborícolasHabitat
Surucucutinga adulta enrolada em galho na floresta, mostrando coloração verde e manchas escuras

A surucucutinga (Bothrops bilineatus) é uma serpente peçonhenta arborícola da família Viperidae, conhecida pela coloração verde-clara e pela vida no alto das árvores. Apesar do nome parecido com a surucucu, são espécies diferentes e com comportamentos bem distintos.

Discreta, noturna e raramente vista, ela habita florestas úmidas da Amazônia e trechos preservados da Mata Atlântica. Seu veneno é de ação botrópica e exige atendimento médico imediato em caso de acidente, com soro antibotrópico.

Também conhecido como: Surucucu-de-galha, Jararaca-verde, Surucucurana, Papagaia, Two-striped forest pit viper (inglês), Víbora arborícola bicolor

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Surucucutinga

Surucucutinga adulta enrolada em galho na floresta, mostrando coloração verde e manchas escuras
Surucucutinga adulta camuflada em galho na mata úmida.
Close da cabeça da surucucutinga mostrando fosseta loreal e pupila vertical
Detalhe da cabeça triangular e da fosseta loreal da surucucutinga.
Detalhe das escamas verdes e manchas da surucucutinga
Padrão de escamas verde-claro com pontilhado escuro.
Surucucutinga em habitat natural sobre bromélia na Mata Atlântica à noite
Habitat arborícola típico, entre folhagens e bromélias.
Filhote de surucucutinga com ponta da cauda amarela em galho fino
Filhote já peçonhento com cauda-isca amarela.
Surucucutinga em postura defensiva em galho, corpo em S
Postura defensiva em S quando se sente ameaçada.

Perfil rápido de Surucucutinga

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e relativamente comum em florestas preservadas.

População
Estável, com declínio local onde há desmatamento
Protegido por
Fauna silvestre protegida por lei no Brasil; captura e comércio são crimes

Calendário

Maior atividade (noturna)JFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Peçonhenta de interesse médico. Veneno botrópico com ação hemorrágica e coagulante. Acidente exige soro antibotrópico em hospital. Não faça torniquete, corte ou sucção.

Vida útil

Na natureza
12 a 20 anos
Em cativeiro
Até 20 anos em serpentários autorizados, raramente mantida fora de instituições científicas

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara, sem cuidado parental
Ninhada
6 a 12 filhotes por gestação
Tamanho ao nascer
20 a 25 cm, já peçonhentos
Maturidade sexual
2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Floresta ombrófila densa
  • Matas de galeria
  • Capoeiras altas
  • Borda de floresta preservada
  • Áreas próximas a igarapés e rios

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Pequenos mamíferos arborícolas
  • Aves

Outros alimentos

  • Lagartos
  • Anfíbios (pererecas)

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Bothrops
Espécie
Bothrops bilineatus

Resumo

  • A surucucutinga é uma jararaca arborícola verde de 70 a 120 cm, peçonhenta e de hábitos noturnos, encontrada na Amazônia e na Mata Atlântica.
  • Seu veneno é botrópico, causa dor, inchaço e alterações na coagulação, e a picada exige atendimento hospitalar imediato sem torniquete ou cortes.
  • Vive camuflada na copa das árvores, caça por emboscada e é vivípara, tendo papel importante no controle de pequenos mamíferos e aves na floresta.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata | Viperidae
Origem e distribuiçãoAmazônia e Mata Atlântica do Brasil e norte da América do Sul
Tamanho70 a 120 cm (fêmeas maiores que machos)
Peso300 a 700 g
Cores e padrãoverde-claroverde-amareladomanchas escuras pontilhadasventre amareladoponta da cauda amarela ou avermelhada
VenenoSim, peçonhenta (botrópico)
DentiçãoSolenóglifa
ReproduçãoVivípara
AlimentaçãoPequenos mamíferos, aves, lagartos e anfíbios
HabitatArborícola, florestas ombrófilas e matas de galeria
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida12 a 20 anos
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
AgressividadeBaixo
Presença perto de casasBaixo
Importância no controle de roedoresMédio
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaMuito alto

Como identificar a surucucutinga sem confundir

A surucucutinga é quase toda verde-clara ou verde-amarelada, com pequenas manchas escuras espalhadas e ventre mais claro, amarelado. A ponta da cauda é amarela ou avermelhada nos jovens e ajuda na caça, funcionando como isca para atrair presas.

O corpo é relativamente fino e alongado para uma jararaca, com cabeça triangular bem destacada do pescoço e fosseta loreal (o orifício entre olho e narina) típica das víboras. Os olhos têm pupila vertical, visível à noite.

Muita gente confunde com a cobra-papagaio (Corallus caninus) ou com a jiboia-verde, que são não peçonhentas e sem fosseta loreal. A surucucutinga também é diferente da surucucu (Lachesis muta), que é terrestre, muito maior (até 3,5 m) e tem padrão com losangos escuros, não verde.

Onde vive a surucucutinga no Brasil e por que quase ninguém vê

No Brasil, ocorre em dois blocos separados: Amazônia (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá, Maranhão e norte do Mato Grosso) e Mata Atlântica residual (da Bahia ao Rio de Janeiro, incluindo Minas Gerais e Espírito Santo). Fora do país, vai até Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru e Bolívia.

É estritamente arborícola. Passa a maior parte do tempo entre 2 e 15 metros de altura, enrolada em galhos, cipós e bromélias, onde a cor verde a deixa praticamente invisível. Desce ao solo raramente.

Prefere floresta ombrófila densa, matas de galeria e capoeiras altas bem preservadas, sempre perto de água. Por isso acidentes são raros perto de casas, mas podem ocorrer em áreas de desmatamento, trilhas e plantações que avançam sobre a mata.

Veneno da surucucutinga: é perigosa e o que acontece na picada

Sim, é peçonhenta e de interesse médico. O veneno é botrópico, com ação proteolítica, hemorrágica e coagulante. Causa dor intensa e imediata, inchaço que se espalha rápido, bolhas, sangramento no local e alterações na coagulação do sangue.

Diferente de cascavel e surucucu, não tem veneno com forte ação neurotóxica. Mas a demora no atendimento aumenta o risco de necrose, infecção secundária e insuficiência renal. Crianças, idosos e pessoas com baixo peso são mais vulneráveis.

Todo acidente com Bothrops no Brasil é tratado com soro antibotrópico, disponível no SUS. Não existe soro caseiro. Nunca faça torniquete, corte, sucção, gelo ou garrote, nem aplique folhas, álcool ou querosene. Lave com água e sabão se possível, mantenha o membro elevado, retire anéis e pulseiras e vá imediatamente ao hospital. Se conseguir, fotografe a cobra de longe para ajudar na identificação, sem tentar capturar ou matar.

Comportamento e hábitos: a jararaca que caça na copa

A surucucutinga é noturna, crepuscular e extremamente discreta. Durante o dia fica imóvel, em posição de bote, confiando na camuflagem. À noite se torna ativa para caçar e se deslocar entre galhos.

Não é agressiva no sentido de perseguir pessoas. O comportamento padrão é ficar parada e só dar o bote se se sentir encurralada ou tocada. Quando ameaçada, pode vibrar a cauda contra folhas, achatar o corpo e armar o bote em S, mas geralmente tenta fugir subindo.

Por ser arborícola, o bote costuma ser direcionado para cima, na altura de braços e rosto de quem mexe em galhos sem olhar. É aí que acontecem muitos acidentes: mão em galho, coleta de frutos e poda sem luvas e sem inspeção visual.

O que a surucucutinga come e como caça por emboscada

É uma predadora de emboscada. Escolhe um galho estratégico, perto de rota de passagem de presas, e espera horas com a cabeça em posição de ataque. Usa a fosseta loreal para detectar calor e a língua para captar cheiros.

Os filhotes usam a cauda colorida como isca (caudal luring), balançando a ponta para imitar uma larva e atrair lagartos e anfíbios. Adultos abandonam essa técnica e focam em presas maiores.

  • Principal: pequenos mamíferos arborícolas (roedores, marsupiais) e aves dormindo em galhos
  • Outros: lagartos, pererecas e pequenos anfíbios, sobretudo na fase jovem
  • Estratégia: bote rápido, inoculação de veneno, solta a presa e a localiza pelo cheiro até a morte

Essa dieta a torna útil para a floresta, mas com menor impacto sobre ratos urbanos do que jararacas terrestres, já que raramente caça no chão ou dentro de casas.

Reprodução e ciclo de vida

A surucucutinga é vivípara: a fêmea não põe ovos, dá à luz filhotes já formados. O acasalamento ocorre geralmente na estação chuvosa, e a gestação dura cerca de 4 a 6 meses.

Cada ninhada tem em média 6 a 12 filhotes, com cerca de 20 a 25 cm ao nascer, já peçonhentos e independentes. Eles nascem com a ponta da cauda bem amarela e coloração mais viva que os adultos.

As fêmeas atingem maturidade sexual com cerca de 2 a 3 anos e podem viver 12 a 20 anos na natureza quando não sofrem predação ou atropelamento. Não há cuidado parental após o parto.

Qual o papel da surucucutinga no equilíbrio da floresta

Como predadora de topo em micro-habitat arborícola, ela regula populações de aves e pequenos mamíferos que vivem na copa, evitando superpopulação e dispersão excessiva de sementes por roedores.

Também serve de alimento para gaviões, corujas grandes e outras serpentes ofiófagas, integrando a cadeia alimentar vertical da mata. Sua presença é indicadora de floresta bem preservada, pois depende de árvores altas, umidade e disponibilidade de presas arborícolas.

Quando a mata é derrubada, ela desaparece rapidamente. Por isso, onde a surucucutinga ainda existe, a floresta costuma estar em bom estado de conservação.

Encontrou uma surucucutinga? O que fazer e o que nunca fazer

Se avistar uma na trilha, no quintal com árvores ou na varanda, afaste-se devagar e mantenha pelo menos 3 metros de distância. Não tente tocar, fotografar de perto, jogar pau ou água, nem matar. Matar serpente nativa é crime ambiental e aumenta muito o risco de picada.

Isol e o local, impeça a aproximação de cachorros, gatos e crianças e acione o Corpo de Bombeiros (193) ou órgão ambiental municipal. Se estiver dentro de casa, feche a porta do cômodo por baixo com pano e aguarde o resgate.

Para prevenir: use luvas e olhe galhos antes de podar, não acumule entulho ou lenha encostada em árvores, mantenha o mato aparado ao redor da casa e instale telas em portas. Em áreas de mata, use bota alta e lanterna à noite e nunca coloque a mão onde não pode ver.

Característica Surucucutinga (Bothrops bilineatus) Surucucu (Lachesis muta)
Tamanho adulto 70 a 120 cm 200 a 350 cm
Cor Verde com cauda amarela Amarelo-alaranjado com losangos pretos
Hábito Arborícola, noturna Terrestre, noturna
Habitat Copa das árvores Chão da floresta

Perguntas frequentes

Surucucutinga é venenosa?

Sim. É peçonhenta com veneno botrópico. A picada causa dor forte, inchaço e alteração da coagulação e precisa de soro antibotrópico no hospital.

Qual a diferença entre surucucutinga e surucucu?

São espécies diferentes. A surucucutinga (Bothrops bilineatus) é verde, arborícola e tem até 1,2 m. A surucucu (Lachesis muta) é terrestre, amarelada com losangos pretos e pode passar de 3 m.

Onde a surucucutinga vive no Brasil?

Em florestas preservadas da Amazônia e em remanescentes de Mata Atlântica, sempre em árvores, raramente no chão ou dentro de casas.

O que fazer se for picado por surucucutinga?

Vá imediatamente ao hospital. Lave o local com água e sabão, mantenha o membro elevado e não faça torniquete, corte, sucção ou remédios caseiros.

Surucucutinga pode ser criada como pet?

Não. É serpente peçonhenta silvestre protegida por lei. Criação só em instituições científicas autorizadas pelo IBAMA. Comprar ou capturar é crime.

Como evitar acidente com surucucutinga?

Use bota, lanterna e luvas ao mexer em galhos à noite, olhe antes de por a mão em árvores e mantenha quintais sem entulho encostado em troncos.

Fatos surpreendentes sobre a surucucutinga

1

Cauda-isca

Filhotes balançam a ponta amarela da cauda para imitar uma lagarta e atrair lagartos e pererecas até o bote.

2

Duas populações isoladas

No Brasil ela tem distribuição disjunta: um bloco na Amazônia e outro na Mata Atlântica, separados por milhares de quilômetros de Cerrado e Caatinga.

3

Nome que confunde

Apesar do nome parecido, surucucutinga (Bothrops bilineatus) não é filhote de surucucu (Lachesis muta); são gêneros diferentes e a surucucu chega a ser três vezes maior.

4

Parto na árvore

Por ser vivípara e arborícola, a fêmea pode parir pendurada em galhos, e os filhotes já nascem prontos para subir e caçar sozinhos na mesma noite.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database
  3. IUCN Red List
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por Animais Peçonhentos

Prós e contras: Surucucutinga

Prós

  • Indicadora de floresta bem preservada
  • Ajuda a controlar aves e pequenos mamíferos da copa
  • Acidentes raros por ser arborícola e discreta
  • Coloração facilita estudos de camuflagem e adaptação

Contras

  • Peçonhenta com risco médico real se picar
  • Difícil de ver na vegetação, aumenta risco ao podar árvores
  • Depende de mata preservada e sofre com desmatamento
  • Não pode ser manejada por leigos, exige resgate especializado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a surucucutinga é a mais elegante das jararacas justamente por quebrar o estereótipo da jararaca de chão: verde, arborícola e quase invisível na copa, ela mostra como o grupo Bothrops se adaptou a nichos muito diferentes. É uma espécie que merece ser conhecida e protegida, não temida a ponto de ser morta à primeira vista.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.