🦎 Répteis e Anfíbios

Tartaruga-verde

Chelonia mydas

Atualizado em

até 1,2 m de carapaçaTamanho
Réptil marinhoGrupo
70 a 80 anosExpectativa de vida
Mares tropicais e subtropicaisHabitat
Não agressivaPerigo
Tartaruga-verde adulta nadando sobre banco de gramas marinhas em oceano tropical

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) é um réptil marinho da família Cheloniidae, amplamente distribuída em oceanos tropicais e subtropicais. É a maior entre as tartarugas de casco rígido e a única majoritariamente herbívora na fase adulta.

No Brasil, é a espécie mais comum no litoral e a que mais desova em ilhas oceânicas como Trindade, Atol das Rocas e Fernando de Noronha. Apesar do nome, sua carapaça não é verde: a cor vem da gordura corporal esverdeada pela dieta de algas.

Também conhecido como: Tartaruga-verde, Tartaruga-aruanã, Green sea turtle (inglês), Tortuga verde (espanhol), Tortue verte (francês)

Faz parte de: Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Tartaruga-verde

Tartaruga-verde adulta nadando sobre banco de gramas marinhas em oceano tropical
Tartaruga-verde adulta em seu habitat marinho costeiro.
Close da cabeça e olhos da tartaruga-verde mostrando bico serrilhado
Cabeça pequena e bico serrilhado adaptado para cortar algas.
Detalhe da carapaça da tartaruga-verde com placas costais
Carapaça com 4 placas costais de cada lado, marca da espécie.
Tartaruga-verde fêmea desovando na areia da praia à noite
Fêmea desovando em praia arenosa de ilha oceânica.
Filhotes de tartaruga-verde correndo para o mar ao amanhecer
Filhotes recém-nascidos seguindo para o mar.
Tartaruga-verde juvenil se alimentando de algas no recife
Juvenil pastando em banco de algas, base da dieta adulta.

Perfil rápido de Tartaruga-verde

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Risco muito alto de extinção na natureza em futuro próximo.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida no Brasil por lei federal e pelo Projeto TAMAR/ICMBio; captura e comércio são crimes ambientais

Calendário

Desova (ilhas oceânicas do Brasil)JFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND
Pico de encalhes de juvenis no SudesteJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
70 a 80 anos, com maturidade sexual entre 25 e 35 anos
Primeiros anos
Fase pelágica em alto-mar até 5 anos, depois juvenil costeiro até a maturidade

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara, com fecundação interna no mar
Ninhos por temporada
3 a 6 ninhos por fêmea, a cada 2 a 4 anos
Ovos e incubação
100 a 130 ovos por ninho, incubação de 50 a 65 dias na areia
Determinação sexual
Dependente da temperatura da areia (TSD)

Habitat

Ambientes

  • Oceanos tropicais e subtropicais
  • Recifes de coral e costões rochosos
  • Bancos de algas e gramas marinhas
  • Praias arenosas oceânicas para desova

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Restinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas marinhas
  • Gramas marinhas (Halodule, Thalassia)

Outros alimentos

  • Águas-vivas e pequenos crustáceos (fase juvenil)
  • Ovos de peixes e matéria orgânica à deriva

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Costa Rica
  • México
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • Galápagos (Equador)
  • Filipinas
  • Indonésia
  • Quênia
  • África do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae
Gênero
Chelonia
Espécie
Chelonia mydas

Resumo

  • A tartaruga-verde é um réptil marinho, não um anfíbio, que respira com pulmões e passa a vida no mar, indo à praia só para desovar.
  • É identificada pela carapaça oval marrom-olivácea com 4 placas costais, cabeça pequena e dieta herbívora adulta à base de algas e gramas marinhas.
  • Está classificada como Em Perigo pela IUCN e é protegida no Brasil, com desova entre dezembro e junho e forte dependência da temperatura para o sexo dos filhotes.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemTestudines
FamíliaCheloniidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em mares tropicais e subtropicais; no Brasil desova sobretudo em ilhas oceânicas e no norte do litoral
Tamanho90 a 120 cm de comprimento curvilíneo da carapaça
Peso120 a 230 kg em adultos
Coresmarromverde-olivaamarelopretocreme
HabitatMarinho costeiro, recifes, bancos de algas e gramas marinhas; praias arenosas para desova
AlimentaçãoHerbívora na fase adulta (algas e gramas marinhas); onívora quando filhote e juvenil
ReproduçãoOvípara, 100 a 130 ovos por ninho, incubação de 50 a 65 dias
AtividadeDiurna, marinha e altamente migratória
Expectativa de vida70 a 80 anos na natureza
Estado de conservaçãoEm Perigo (EN) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Tartaruga-verde é réptil ou anfíbio? Resposta direta

A tartaruga-verde é um réptil, não um anfíbio. Ela respira com pulmões, tem pele e carapaça cobertas por queratina, põe ovos com casca em terra e não passa por metamorfose.

Anfíbios como sapos e salamandras têm pele úmida e permeável, dependem da água para reproduzir e passam por fase larval. A tartaruga-verde faz o oposto: vive no mar, mas precisa subir para respirar e só volta à praia para desovar.

Essa confusão é comum porque ela vive na água. Mas, biologicamente, ela está muito mais próxima de jabutis e cágados do que de qualquer sapo.

Como identificar a tartaruga-verde sem confundir

A carapaça é oval, lisa e relativamente baixa, com tons que variam de marrom-escuro a verde-oliva com manchas amareladas. O plastrão (parte ventral) é amarelado a creme.

O detalhe técnico que separa a espécie: 4 placas costais de cada lado da carapaça, sem sobreposição, e uma única placa pré-frontal alongada entre os olhos. Outras tartarugas marinhas têm número diferente de placas.

A cabeça é pequena e arredondada, com bico serrilhado adaptado para cortar vegetação, não pontiagudo como o da tartaruga-de-pente. As nadadeiras têm apenas uma unha visível em cada membro anterior. Adultos medem de 90 a 120 cm e pesam facilmente mais de 120 kg.

  • Nome enganoso: o verde não é da carapaça, mas da gordura corporal, tingida pela clorofila das algas.
  • Filhotes: nascem pretos com bordas brancas nas nadadeiras e no plastrão.
  • Diferença do cágado e jabuti: nadadeiras em forma de remo, incapazes de recolher a cabeça para dentro do casco.

Onde vive e distribuição no Brasil e no mundo

É uma espécie cosmopolita de mares tropicais e subtropicais, encontrada nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, sempre onde a água fica acima de 20 °C. Prefere áreas costeiras rasas com recifes e bancos de gramas marinhas.

No Brasil, ocorre em todo o litoral, mas as principais áreas de desova são ilhas oceânicas: Ilha da Trindade (ES), Atol das Rocas (RN) e Fernando de Noronha (PE). No continente, há desovas menores no litoral da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Espírito Santo.

Fora da época reprodutiva, forma áreas de alimentação fixas. Locais como Ubatuba (SP), Arraial do Cabo (RJ), Abrolhos (BA) e costa do Ceará concentram juvenis e adultos que pastam em bancos de algas. É altamente migratória: um mesmo indivíduo pode se alimentar no sul do Brasil e desovar a mais de 2.000 km de distância.

O que a tartaruga-verde come

Adultos são essencialmente herbívoros, um caso raro entre tartarugas marinhas. A base da dieta são algas verdes, vermelhas e pardas e gramas marinhas como Halodule e Thalassia.

Filhotes e juvenis até cerca de 30 cm são onívoros. Nessa fase pelágica, comem pequenos crustáceos, águas-vivas, ovos de peixe e algas à deriva. A transição para herbivoria muda até a microbiota intestinal e é responsável pelo acúmulo de gordura esverdeada.

Essa dieta tem impacto direto no ecossistema. Ao pastar, ela mantém os bancos de gramas marinhas saudáveis, evitando que cresçam demais e abafem o recife. Sem ela, esses prados perdem produtividade e afetam peixes e crustáceos.

Reprodução e ciclo de vida: da praia ao mar aberto

A maturidade é tardia, entre 25 e 35 anos. Machos e fêmeas acasalam no mar, próximo às praias de desova. A fêmea sobe à praia à noite, cava um ninho de 50 a 70 cm de profundidade e deposita 100 a 130 ovos brancos e esféricos.

A incubação dura 50 a 65 dias e depende totalmente da temperatura da areia. É um caso clássico de determinação sexual dependente de temperatura: areia mais quente (acima de 29,5 °C) gera mais fêmeas, areia mais fria gera mais machos. Aquecimento das praias já está desequilibrando a proporção sexual em várias populações.

Os filhotes nascem à noite, correm juntos para o mar guiados pelo brilho do horizonte e enfrentam predação intensa. Estima-se que apenas 1 em cada 1.000 chegue à fase adulta. Depois entram na fase pelágica, vivendo anos em alto-mar associados a algas flutuantes, até retornarem à costa como juvenis.

Fidelidade à praia natal

Fêmeas voltam para desovar na mesma praia onde nasceram, usando o campo magnético da Terra como bússola. Essa fidelidade torna a espécie vulnerável: se uma praia é destruída, aquela população pode não se adaptar a outra.

Comportamento e hábitos no mar

É uma nadadora forte, mas passa boa parte do tempo pastando lentamente em águas rasas. Pode permanecer submersa por até 5 horas quando em repouso, graças à capacidade de reduzir batimentos cardíacos e extrair oxigênio de forma eficiente.

É diurna e solitária, exceto na época de acasalamento. Não é territorialista, e vários indivíduos podem compartilhar o mesmo banco de algas sem conflito. À noite, descansa apoiada em recifes ou no fundo arenoso.

Apesar da vida marinha, precisa subir para respirar a cada poucos minutos quando ativa. Em praias de desova, a fêmea pode fazer 3 a 6 ninhos por temporada, com intervalo de 10 a 14 dias entre eles, e depois migra de volta à área de alimentação, onde ficará 2 a 4 anos até o próximo ciclo.

Ela é perigosa ou venenosa? Riscos para pessoas e pets

A tartaruga-verde não é venenosa, não tem toxina na pele e não é agressiva. Mordidas só ocorrem se o animal for manipulado ou se sentir encurralado, e mesmo assim são raras. O bico serrilhado pode ferir, mas ela prefere fugir.

O maior risco é o inverso: pessoas e cachorros são perigosos para ela. Cachorros soltos em praias de desova desenterram ninhos, matam filhotes e estressam fêmeas. Tocar em filhotes, usar luz branca na praia ou fazer barulho durante a desova pode fazer a fêmea abortar a postura.

Outro risco pouco conhecido é a fibropapilomatose, doença com tumores causada por herpesvírus, associada à poluição e à eutrofização. Não é transmissível a humanos ou pets, mas indica ambiente degradado e deixa a tartaruga debilitada.

Papel no ecossistema e por que está ameaçada

A tartaruga-verde é uma engenheira do ecossistema costeiro. Ao se alimentar, transporta nutrientes entre o mar aberto e a praia (via ovos) e mantém o equilíbrio de recifes e prados marinhos. Seus ninhos também fertilizam a vegetação de restinga.

Está classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN, com tendência de população em declínio global. No Brasil, todas as tartarugas marinhas são protegidas por lei e monitoradas pelo Projeto TAMAR/ICMBio. Capturar, matar, coletar ovos ou molestar é crime ambiental.

As principais ameaças são bem específicas e humanas:

  • Ingestão de plástico e redes de pesca: sacolas são confundidas com águas-vivas e causam obstrução intestinal; redes causam afogamento.
  • Poluição luminosa: luzes em praias desorientam filhotes, que seguem para a cidade em vez do mar.
  • Aquecimento global: eleva a temperatura da areia, gerando quase só fêmeas e reduzindo o sucesso dos ninhos com ressacas e erosão.
  • Tráfego de veículos e ocupação da praia: compactam a areia e destroem ninhos.

Na nossa avaliação, a tartaruga-verde é o melhor exemplo de como a conservação marinha depende da praia. Proteger o oceano sem cuidar da areia onde ela nasce é um esforço incompleto.

Perguntas frequentes

Tartaruga-verde é réptil ou anfíbio?

É réptil. Respira com pulmões, tem carapaça queratinizada, põe ovos com casca na areia e não passa por metamorfose como os anfíbios.

Por que se chama tartaruga-verde se o casco é marrom?

O nome vem da gordura corporal esverdeada, tingida pela dieta rica em algas e gramas marinhas, não da cor da carapaça.

Onde a tartaruga-verde desova no Brasil?

Principalmente em ilhas oceânicas: Ilha da Trindade, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, com desovas menores no litoral da Bahia, Sergipe e Espírito Santo.

O que a tartaruga-verde come?

Adultos são herbívoros e comem algas e gramas marinhas. Filhotes e juvenis são onívoros e comem também águas-vivas e pequenos crustáceos.

Pode ter tartaruga-verde como pet?

Não. É silvestre, protegida por lei no Brasil e sua criação ou comércio é crime ambiental. Só pode ser manejada por projetos autorizados como o TAMAR.

A tartaruga-verde morde ou é venenosa?

Não é venenosa e não é agressiva. Pode morder se for contida, mas o risco real é para a tartaruga, que sofre com redes, plástico e luzes na praia.

Quanto tempo vive uma tartaruga-verde?

De 70 a 80 anos na natureza, atingindo a maturidade sexual apenas entre 25 e 35 anos de idade.

Você sabia?

1

A cor verde está na gordura

O nome não vem do casco, mas da gordura esverdeada sob a pele, resultado de anos comendo algas ricas em clorofila. Por isso em inglês é green sea turtle.

2

Sexo definido pelo calor da areia

Não há cromossomo sexual. Se o ninho ficar acima de 29,5 °C nas semanas centrais, nascem quase só fêmeas. Praias mais quentes já registram mais de 90% de fêmeas.

3

Bússola magnética interna

Filhotes imprimem o campo magnético da praia natal ao nascer e, décadas depois, as fêmeas usam essa assinatura para voltar à mesma praia para desovar.

4

Pode prender a respiração por horas

Em repouso no fundo, reduz a frequência cardíaca para 9 batimentos por minuto e fica até 5 horas submersa sem precisar subir para respirar.

Fontes

  1. IUCN Red List - Chelonia mydas
  2. ICMBio / Projeto TAMAR
  3. Reptile Database
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Tartaruga-verde

Prós

  • Única tartaruga marinha herbívora na fase adulta, essencial para a saúde de recifes e prados marinhos
  • Espécie bandeira da conservação marinha no Brasil, com monitoramento consolidado pelo Projeto TAMAR
  • Migratória de longa distância, importante para o fluxo de nutrientes entre oceano e praia
  • Não é agressiva nem venenosa, com comportamento dócil quando observada à distância
  • Longevidade alta e fidelidade à praia natal, facilitando estudos de longo prazo

Contras

  • Em Perigo de extinção, muito sensível à temperatura da areia e à poluição luminosa
  • Maturidade tardia (25 a 35 anos) torna a recuperação populacional muito lenta
  • Alta mortalidade de filhotes e vulnerabilidade a plásticos e redes de pesca
  • Não pode ser criada como pet e não se adapta a cativeiro doméstico
  • Dependência de praias preservadas e escuras, cada vez mais raras no litoral urbanizado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tartaruga-verde é a mais didática das tartarugas marinhas para entender a conexão entre mar e praia: herbívora, migratória e extremamente sensível à temperatura, ela mostra na prática como poluição luminosa e aquecimento afetam um réptil. Não é pet e nunca deve ser manuseada por turistas.

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