🦎 Répteis e Anfíbios

Rã-verde

Lithobates palmipes

Atualizado em

6 a 9 cm (adulto)Tamanho
AnfíbioGrupo
6 a 10 anosExpectativa de vida
Rios e lagos amazônicosHabitat
Baixo, pele irritantePerigo
Girino da rã-verde nadando em água rasa

A rã-verde (Lithobates palmipes) é um anfíbio semiaquático da família Ranidae, não um réptil. Diferente dos répteis, ela tem pele lisa, permeável e sem escamas, depende da água para se reproduzir e passa por metamorfose de girino para adulto.

De porte pequeno a médio, mede de 6 a 9 cm e chama atenção pela cor verde-oliva com manchas escuras e pelos pés totalmente palmados. Vive às margens de rios, igarapés e lagos da Amazônia, tem atividade noturna e se alimenta principalmente de insetos, ajudando no controle natural de pragas.

Também conhecido como: Rã-palmada, Rã-de-pés-palmados, Rã-verde amazônica, Amazonian green frog

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Rã-verde

Girino da rã-verde nadando em água rasa
Girino grande que se alimenta de algas antes da metamorfose.
Close da cabeça e olhos da rã-verde
Detalhe da cabeça: olhos dourados e tímpano grande e bem visível.
Macho de rã-verde vocalizando com sacos vocais laterais inflados
Macho vocalizando na estação chuvosa com os dois sacos vocais laterais.
Rã-verde semiaquática parcialmente submersa em igarapé
Hábito semiaquático: vive sempre junto à água limpa e permanente.
Girino da rã-verde nadando em água rasa
Girino grande que se alimenta de algas antes da metamorfose.
Macho de rã-verde vocalizando com sacos vocais laterais inflados
Macho vocalizando na estação chuvosa com os dois sacos vocais laterais.
Close da cabeça e olhos da rã-verde
Detalhe da cabeça: olhos dourados e tímpano grande e bem visível.
Detalhe da pele e dos pés palmados da rã-verde
Pés totalmente palmados até a ponta dos dedos, origem do nome palmipes.

Perfil rápido de Rã-verde

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie de ampla distribuição e população estável, sem risco iminente de extinção.

População
estável
Protegido por
Não

Calendário

Reprodução e desovaJFMAMJJASOND
Pico de vocalização dos machosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Secreção cutânea difusa pode causar irritação de mucosas e vômito passageiro em cachorro se ingerida; lavar mãos após contato e não levar à boca ou olhos.

Vida útil

Na natureza
6 a 10 anos
Em cativeiro
até 12 anos com manejo especializado

Reprodução

Modo reprodutivo
Ovípara com fecundação externa na água
Estratégia
Massas gelatinosas de centenas a mais de 1000 ovos fixadas em vegetação submersa
Desenvolvimento
Metamorfose completa: ovo > girino aquático > jovem > adulto
Duração larval
60 a 120 dias até a metamorfose
Maturidade sexual
cerca de 1 a 2 anos

Habitat

Ambientes

  • Margens de rios e igarapés de água lenta
  • Lagos de várzea e poças permanentes
  • Áreas alagadas e igapós
  • Vegetação flutuante e margens com folhiço

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica (transição no Maranhão)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • insetos voadores e terrestres
  • aranhas
  • besouros aquáticos

Outros alimentos

  • pequenos crustáceos
  • larvas aquáticas
  • minhocas
  • mosquitos e libélulas

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Ranidae
Gênero
Lithobates
Espécie
Lithobates palmipes

Resumo

  • A rã-verde é um anfíbio da família Ranidae, com 6 a 9 cm, pele lisa verde-oliva e pés totalmente palmados, diferente de répteis por depender da água e fazer metamorfose.
  • Vive em margens de rios, igarapés e lagos da Amazônia, com hábitos noturnos, semiaquáticos e alimentação insetívora.
  • Não é considerada perigosa, tem secreção de pele apenas levemente irritante e está classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas é sensível à poluição da água.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaRanidae
Origem e distribuiçãoAmazônia - Brasil, Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia
Tamanho6 a 9 cm (fêmeas maiores que machos)
Peso30 a 70 g
Coresverde-olivaverde-brilhantemarrom-esverdeadoamarelo-claromarrom-escuro
HabitatMargens de rios, igarapés, lagos e áreas alagadas de floresta tropical
AlimentaçãoInsetívora (insetos, aranhas, pequenos crustáceos)
ReproduçãoOvípara, ovos na água, girinos com metamorfose completa
AtividadeNoturna e crepuscular, semiaquática
Expectativa de vida6 a 10 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroBaixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeAlto
Vida na águaAlto

Como identificar a Rã-verde sem confundir com outras rãs

A rã-verde é um anfíbio, não réptil. A diferença aparece na pele: lisa, úmida e permeável, sem escamas, e na dependência total da água para reprodução.

O adulto mede 6 a 9 cm, com fêmeas ligeiramente maiores. O corpo é robusto, as pernas traseiras são longas e musculosas e os pés são totalmente palmados até a ponta dos dedos, uma marca registrada de Lithobates palmipes.

A coloração varia de verde-oliva a verde-brilhante, com manchas irregulares marrom-escuras no dorso e faixas escuras nas pernas. O ventre é amarelo-claro a esbranquiçado, sem manchas. A pele do dorso tem pequenas granulações, mas sem as verrugas grossas do sapo-cururu.

  • Olhos: grandes, dourados a acobreados, com pupila horizontal.
  • Tímpano: bem visível e grande, quase do tamanho do olho.
  • Machos: apresentam dois sacos vocais laterais que inflam nas laterais da cabeça, não apenas um saco sob a garganta.
  • Girino: pode chegar a 7 cm antes da metamorfose, maior que o de muitas pererecas.

Confusão comum é com a rã-touro (Lithobates catesbeianus), que é muito maior (até 20 cm) e tem tímpano ainda mais largo nos machos, e com pererecas verdes de Hylidae, que têm discos adesivos nas pontas dos dedos para escalar.

Onde vive e qual é a distribuição no Brasil

A rã-verde é amazônica. Ocorre em toda a bacia do Amazonas, do leste do Brasil até o sopé dos Andes, incluindo Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

No Brasil, está presente principalmente nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá, com registros também em áreas de transição para o Cerrado e Mata Atlântica no Maranhão e Tocantins.

É estritamente semiaquática. Vive colada à água: margens de rios de correnteza lenta, igarapés, lagos de várzea, poças permanentes e áreas alagadas dentro da floresta. Raramente se afasta mais de poucos metros da margem.

Diferente de sapos mais terrestres, ela precisa de umidade alta e água limpa e permanente. Por ter pele permeável, sente rapidamente poluição, desmatamento e assoreamento. Onde a mata ciliar é removida, ela desaparece primeiro.

O que a Rã-verde come na natureza

É insetívora generalista e caçadora de emboscada. Fica imóvel na borda da água ou sobre vegetação flutuante e projeta a língua pegajosa em frações de segundo.

A base da dieta são besouros aquáticos, libélulas, moscas, mosquitos, grilos e formigas. Complementa com aranhas, pequenos crustáceos, minhocas e larvas aquáticas.

Em áreas alagadas, tem papel importante no controle de mosquitos, incluindo vetores de doenças. Um adulto pode consumir dezenas de insetos por noite.

Os girinos são herbívoros-detritívoros, raspando algas e matéria orgânica de pedras e folhas submersas. Essa alimentação ajuda a manter a qualidade da água.

Reprodução e metamorfose: do ovo ao adulto

A reprodução é ovípara e totalmente dependente da água, como em todo anfíbio. Não há ovo com casca como nos répteis.

O período reprodutivo coincide com a estação chuvosa, de novembro a abril. Machos vocalizam ao entardecer e à noite, com um canto grave e repetitivo descrito como “uh-uh-uh”, emitidos com os dois sacos vocais laterais inflados.

A fêmea deposita centenas a mais de mil ovos em massas gelatinosas presas à vegetação submersa em água rasa e parada. Os ovos são escuros no polo superior e claros no inferior.

  • Fase de ovo: eclosão em 3 a 7 dias, dependendo da temperatura da água.
  • Girino: aquático, com brânquias externas no início, depois internas, e cauda para natação. Cresce por 2 a 4 meses.
  • Metamorfose: surgem as pernas traseiras, depois as dianteiras, a cauda é reabsorvida e surgem pulmões funcionais. O jovem mede cerca de 2 a 3 cm ao sair da água.

Essa metamorfose completa é a prova definitiva de que é anfíbio. Répteis já nascem em miniatura do adulto, sem fase larval aquática.

Comportamento e hábitos: quando e como ela aparece

É noturna e crepuscular. Durante o dia fica escondida entre folhas, troncos caídos ou parcialmente submersa com apenas olhos e narinas fora d’água.

Extremamente arisca, salta para a água ao menor sinal de vibração. Consegue dar saltos de mais de 1,5 metro e nada com grande agilidade graças à membrana interdigital completa.

É solitária fora da época reprodutiva. Machos se tornam territoriais na época de chuva, defendendo pequenos trechos de margem com vocalização e empurrões.

No período de seca, pode reduzir a atividade e buscar refúgios mais úmidos, mas não hiberna como anfíbios de clima temperado.

A Rã-verde é venenosa ou perigosa para pessoas e pets?

Não é considerada perigosa. Como quase todos os anuros, possui glândulas cutâneas que liberam secreção levemente irritante para evitar predadores e infecções.

Para humanos, o risco é baixo e limitado à irritação de mucosas. Manusear o animal e levar a mão aos olhos ou boca pode causar ardor. Lavar as mãos após o contato resolve.

Para cachorro e gato, o risco também é baixo, mas existe. Cães que mordem ou lambem a rã podem apresentar salivação intensa, náusea e vômito por irritação. Não há toxina letal como a do sapo-cururu (Rhinella marina), que possui bufotoxinas cardíacas.

O maior perigo é inverso: o manuseio humano prejudica a rã. Óleos, protetor solar e até sal da pele humana danificam sua pele permeável. Observar sem tocar é a regra.

Característica Rã-verde Sapo-cururu
Pele Lisa, úmida, verde-oliva Seca, verrugosa, acinzentada
Glândulas de veneno Difusas, irritação leve Parotoides grandes, toxina potente
Risco para cachorro Baixo, vômito passageiro Alto, pode ser fatal
Habitat Sempre junto à água Mais terrestre, urbano

Papel no ecossistema e estado de conservação

A rã-verde é bioindicadora de qualidade ambiental. Por respirar também pela pele e ter girinos aquáticos, só persiste onde a água e a mata ciliar estão bem conservadas.

Atua em duas pontas da cadeia: controla insetos e serve de alimento para cobras, aves, jacarés e peixes grandes. Seus girinos ajudam a reciclar matéria orgânica nos corpos d’água.

Está avaliada pela IUCN como Pouco Preocupante (LC), com população considerada estável e distribuição ampla. Não está na lista nacional de espécies ameaçadas do ICMBio.

Isso não significa ausência de ameaças. O declínio global de anfíbios também a afeta: desmatamento, poluição por agrotóxicos, introdução da rã-touro invasora e o fungo Batrachochytrium dendrobatidis (quitridiomicose) são pressões reais. A rã-touro, maior e mais agressiva, compete por alimento e espaço e pode transmitir o fungo.

Curiosidades e erros comuns sobre a Rã-verde

O nome palmipes vem do latim e significa “pés palmados”, referência direta à membrana que vai até a ponta dos dedos, rara mesmo entre rãs aquáticas.

Foi descrita em 1824 pelo naturalista Spix, durante sua expedição pelo Brasil. É uma das primeiras rãs amazônicas conhecidas pela ciência.

Erro comum é chamá-la de réptil por viver na água como tartarugas e jacarés. Anfíbios têm ciclo de vida duplo (água e terra) e pele permeável; répteis têm pele queratinizada com escamas e ovo com casca.

Outro mito é que toda rã verde é venenosa. A rã-verde amazônica não tem veneno letal. As rãs realmente perigosas no Brasil são as dendrobatídeas de serapilheira, que nem são verdes brilhantes na maioria dos casos.

Perguntas frequentes

Rã-verde é réptil ou anfíbio?

É anfíbio, da classe Amphibia. Tem pele permeável, sem escamas, e precisa da água para se reproduzir com metamorfose de girino, diferente dos répteis que têm pele queratinizada e ovo com casca.

A rã-verde é venenosa?

Não é considerada venenosa. Tem secreção de pele apenas levemente irritante que pode causar ardor em mucosas e vômito passageiro se um cachorro morder, mas sem risco letal como o do sapo-cururu.

Qual o tamanho da rã-verde?

Adultos medem de 6 a 9 cm, com fêmeas maiores que machos, e pesam entre 30 e 70 g. Girinos podem chegar a 7 cm antes da metamorfose.

Onde a rã-verde vive no Brasil?

Principalmente na Amazônia, em margens de rios, igarapés, lagos de várzea e áreas alagadas nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá.

Pode criar rã-verde como pet?

Não é recomendado e não há criação legal como pet. É animal silvestre que exige água limpa permanente, licença do IBAMA e manejo técnico; o comércio de animais capturados na natureza é crime.

O que a rã-verde come?

Insetos, aranhas, besouros, mosquitos e pequenos crustáceos. Os girinos se alimentam de algas e matéria orgânica na água.

Como diferenciar da rã-touro?

A rã-touro é muito maior (até 20 cm), mais robusta e invasora, enquanto a rã-verde tem 6 a 9 cm, cor verde-oliva e pés totalmente palmados até a ponta dos dedos.

Você sabia?

1

Nome que descreve o pé

O epíteto palmipes significa literalmente pés palmados em latim, porque a membrana vai até a ponta dos dedos, diferente da maioria das rãs que tem membrana parcial.

2

Girino gigante

O girino da rã-verde pode atingir 7 cm, quase o tamanho do adulto recém-metamorfoseado, e passa até 4 meses raspando algas antes de virar rã.

3

Canto duplo

Machos têm dois sacos vocais laterais que inflam ao mesmo tempo, produzindo um canto grave que parece uma risada abafada e alcança dezenas de metros à noite.

4

Descrita por Spix em 1824

Foi uma das primeiras rãs amazônicas descritas cientificamente, coletada durante a expedição de Johann Baptist von Spix pelo Brasil imperial.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. AmphibiaWeb
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Rã-verde

Prós

  • Excelente bioindicadora da qualidade da água e da mata ciliar
  • Controle natural de insetos, incluindo mosquitos
  • Inofensiva para humanos quando apenas observada
  • Ampla distribuição e população estável na Amazônia
  • Comportamento semiaquático fascinante para educação ambiental

Contras

  • Altamente sensível à poluição e ao desmatamento
  • Não se adapta a casas ou manejo por iniciantes
  • Pode sofrer com competição da rã-touro invasora
  • Vulnerável ao fungo quitrídio que afeta anfíbios globalmente
  • Manuseio prejudica sua pele permeável
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a rã-verde é um dos melhores exemplos para explicar ao público a diferença entre anfíbio e réptil, justamente por ser tão aquática. Ela não serve como pet e nem precisa: seu valor está livre, como sentinela da saúde dos rios amazônicos.

Continue explorando: Répteis e Anfíbios

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.