🦎 Répteis e Anfíbios

Perereca-arlequim

Dendropsophus ebraccatus

Atualizado em

2,5 a 3,2 cmTamanho
AnfíbioGrupo
3 a 5 anosExpectativa de vida
Poças e brejos temporáriosHabitat
BaixoPerigo
Perereca-arlequim adulta sobre folha verde à noite, mostrando mancha em ampulheta

A perereca-arlequim (Dendropsophus ebraccatus) é um anfíbio, não um réptil. Com apenas 2,5 a 3,2 cm, ela chama atenção pela mancha escura em forma de ampulheta nas costas e pela capacidade de mudar de cor entre o dia e a noite.

Noturna e arborícola, vive em poças temporárias, brejos e bordas de mata do sul do México até o norte da América do Sul, incluindo o norte do Brasil. Põe os ovos em folhas sobre a água e tem girinos que completam a metamorfose em poucas semanas.

É inofensiva para pessoas, mas como todo anfíbio tem pele sensível e secreções que podem irritar mucosas de cachorro e gato se houver contato ou ingestão.

Também conhecido como: Perereca-de-ampulheta, Perereca-relogio, Hourglass Treefrog, Rana reloj de arena, Dendropsophus ebraccatus

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Perereca-arlequim

Perereca-arlequim adulta sobre folha verde à noite, mostrando mancha em ampulheta
Adulto de perereca-arlequim em seu poleiro noturno sobre folha.
Close da cabeça e olhos da perereca-arlequim com íris dourada
Detalhe da cabeça e dos olhos grandes com íris dourada.
Detalhe da pele e da mancha em ampulheta da perereca-arlequim
Padrão em ampulheta que dá nome à perereca-arlequim.
Perereca-arlequim com desova gelatinosa em folha sobre poça temporária
Desova em folha sobre a água, estratégia para evitar predadores aquáticos.
Girinos da perereca-arlequim em poça temporária rasa
Girinos escuros que completam a metamorfose em 30 a 45 dias.
Perereca-arlequim caçando mosquito à noite
Caça noturna a mosquitos com bote rápido.

Perfil rápido de Perereca-arlequim

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, mas dependente de poças temporárias vulneráveis.

População
Estável
Protegido por
Não há proteção específica; beneficia-se de áreas úmidas preservadas

Calendário

Reprodução e vocalizaçãoJFMAMJJASOND
Pico de girinos na águaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica leve
  • PessoasTóxica leve

Secreções cutâneas pouco tóxicas; ingestão por cães e gatos pode causar salivação e vômito. Lavar mãos após contato e evitar levar à boca ou olhos.

Vida útil

Na natureza
3 a 5 anos; mortalidade alta na fase de girino por seca da poça e predação

Reprodução

Acasalamento
Amplexo axilar sobre folhas; coros noturnos na estação chuvosa
Estrutura social
Machos territoriais em coros; fêmeas solitárias escolhem pelo canto
Padrão sazonal
Reprodução ligada às chuvas; pico de outubro a abril no Brasil
Tipo de nascimento
Ovípara com metamorfose; girino aquático vira perereca terrestre
Ninhada
200 a 350 ovos por desova em massa gelatinosa sobre folha

Habitat

Ambientes

  • Poças temporárias
  • Brejos
  • Bordas de mata
  • Clareiras alagáveis
  • Áreas de várzea

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Mata Atlântica (norte)
  • Florestas úmidas da América Central

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Mosquitos
  • Moscas pequenas
  • Besouros pequenos

Outros alimentos

  • Formigas
  • Pequenos artrópodes voadores

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Equador
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Nicarágua
  • Honduras
  • México
  • Belize
  • Guatemala
  • Venezuela
  • Peru

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Hylidae
Gênero
Dendropsophus
Espécie
Dendropsophus ebraccatus

Resumo

  • A perereca-arlequim é um anfíbio de 2,5 a 3,2 cm, com mancha em ampulheta nas costas e troca de cor entre dia e noite.
  • Vive em poças temporárias e brejos do México ao Brasil, põe ovos em folhas sobre a água e tem girinos de desenvolvimento rápido.
  • Não é perigosa para humanos, tem baixa toxicidade e é um bioindicador sensível à poluição e ao desmatamento.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaHylidae
Origem e distribuiçãoDo sul do México à bacia amazônica; no Brasil no Norte e Centro-Oeste
Tamanho2,5 a 3,2 cm (fêmeas maiores que machos)
Peso1 a 3 g
Coresamarelo-pálidocrememarrom-avermelhadopreto
HabitatPoças temporárias, brejos, bordas de mata e áreas alagáveis
AlimentaçãoInsetívora (mosquitos, moscas, besouros pequenos)
ReproduçãoOvípara; 200 a 350 ovos em folhas sobre a água; com metamorfose
AtividadeNoturna e arborícola
Expectativa de vida3 a 5 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaAlto

Como identificar a perereca-arlequim sem confundir

A perereca–arlequim é muito pequena, do tamanho de uma moeda de 1 real. Machos medem 2,5 a 2,8 cm e fêmeas 2,9 a 3,2 cm, com corpo esguio, pernas longas e discos adesivos nas pontas dos dedos.

O traço que dá nome ao animal é a mancha escura em forma de ampulheta ou relógio no dorso. Essa marca preta ou marrom-escura contrasta com o fundo claro e é mais nítida à noite. De dia, o contraste diminui.

Outro ponto distintivo é a mudança de cor diária. À noite fica amarelo-pálida ou creme e de dia escurece para marrom-avermelhado. Poucas pererecas brasileiras fazem essa troca tão evidente em poucas horas.

Diferenças para espécies parecidas

É comum confundir com a perereca-de-moldura (Dendropsophus ebraccatus x D. leucophyllatus). A arlequim tem a ampulheta mais fechada e coxas com manchas amarelas e pretas bem definidas na parte interna.

  • Olhos: grandes, com íris dourada-avermelhada e pupila horizontal.
  • Pele: lisa e úmida, sem verrugas como as de sapos.
  • Canto: agudo e repetitivo, diferente do trinado mais longo de outras Dendropsophus.

Onde vive e por que depende de poça temporária

A distribuição vai do sul do México, Belize e Guatemala, atravessando toda a América Central, até Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Brasil. No Brasil ocorre principalmente na Amazônia e no norte do Cerrado.

Prefere poças temporárias, brejos, clareiras alagáveis e bordas de mata abaixo de 1.000 m de altitude. Evita rios de correnteza e lagos permanentes com muitos peixes predadores.

Essa escolha não é por acaso. Poças que secam por alguns meses têm menos peixes e libélulas predadoras, o que aumenta a sobrevivência dos girinos. Mas também torna a espécie extremamente sensível a drenagens, poluição e desmatamento.

Durante o dia se esconde em folhas largas a 0,5 a 2 m do solo, muitas vezes com as pernas dobradas e a cor diurna mais escura funcionando como camuflagem.

O que come e como caça à noite

É estritamente insetívora. A dieta é composta por mosquitos, mosquitinhos, moscas pequenas, besouros e formigas capturados com a língua projetável.

Caça à noite, parada em folhas à espera da presa. Fica imóvel e dá botes curtos e precisos. Essa estratégia de senta-e-espera economiza energia em um animal de metabolismo dependente da temperatura.

Em áreas com muita luz artificial, pode se aproximar de lâmpadas para capturar insetos atraídos, mas a luz em excesso a deixa mais exposta a predadores como cobras e morcegos.

Reprodução, ovos em folha e metamorfose rápida

A reprodução é explosiva e ligada à chuva. Machos se reúnem em coros à noite, cantando sobre folhas a 30 a 150 cm acima da água. Cada macho tem dois tipos de canto: um primário para atrair fêmeas e um secundário mais curto e agressivo para afastar rivais.

A fêmea escolhe o macho pelo canto e o casal faz amplexo sobre uma folha. Ela deposita 200 a 350 ovos em massa gelatinosa na superfície superior ou inferior da folha, sempre sobre a água. Se o nível da poça subir, os ovos podem ficar submersos sem morrer.

Em 2 a 4 dias os girinos eclodem e caem na água. São girinos pequenos, escuros e nadadores ativos que se alimentam de algas e detritos. A metamorfose completa ocorre em 30 a 45 dias, um ritmo rápido essencial para sair da poça antes que ela seque.

Por que põe ovo fora da água?

Pôr ovos em folha reduz a predação por peixes e insetos aquáticos. A gelatina protege contra dessecação por algumas horas, mas se a folha secar ou a poça não encher, a desova se perde. É um equilíbrio delicado entre evitar predador e depender da chuva.

Comportamento noturno e a troca de cor do dia para a noite

É noturna e arborícola. Passa o dia dormindo imóvel em folhas, com a pele mais escura e seca. Ao entardecer, hidrata a pele, clareia e começa a vocalizar.

A troca de cor é controlada por cromatóforos e hormônios ligados à luz e à umidade, não é camuflagem instantânea como a do camaleão. À noite o tom claro ajuda a refletir menos a luz do luar e a se confundir com folhas iluminadas.

Fora da época reprodutiva é solitária. Na época de chuva forma aglomerações de dezenas de machos cantando juntos. Apesar do coro, cada macho defende um poleiro de poucos centímetros com cantos agressivos e empurrões.

É venenosa? Riscos para gente, cachorro e gato

A perereca-arlequim não é peçonhenta e não morde. Como todo anfíbio, tem secreções cutâneas levemente irritantes que protegem contra fungos e predadores.

Para humanos o risco é muito baixo. O contato pode causar ardor leve em olhos, boca ou feridas se a pessoa levar a mão ao rosto sem lavar. Lavar as mãos após manusear já resolve.

Para cachorro e gato o risco é maior se houver ingestão. Morder ou lamber a perereca pode causar salivação intensa, vômito, irritação na boca e apatia passageira. Não costuma ser fatal como em sapos grandes do gênero Rhinella, mas exige tirar o animal de perto, lavar a boca com água corrente e observar. Se os sintomas persistirem, leve ao veterinário.

Nunca esfregue a pele do anfíbio nem use produtos químicos nas mãos antes de tocá-lo. A pele absorve tudo e isso pode matá-lo.

Papel no ecossistema e por que anfíbios sentem a poluição primeiro

A perereca-arlequim é predadora de mosquitos e outros insetos e, na fase de girino, consome algas e matéria orgânica, ajudando a manter poças equilibradas. Serve também de alimento para cobras, aves noturnas, morcegos e aranhas grandes.

Anfíbios são bioindicadores. Têm pele permeável e ciclo duplo (água e terra), então sentem primeiro agrotóxicos, metais pesados, alteração de pH e desmatamento. O declínio global de anfíbios, ligado ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd) e à perda de habitat, também afeta espécies comuns como esta.

Mesmo sendo classificada como Pouco Preocupante (LC), populações locais desaparecem quando brejos temporários são aterrados ou contaminados. Proteger poças temporárias e a vegetação ao redor é mais importante que proteger só a mata fechada.

Curiosidades e erros comuns de identificação

Um erro frequente é chamar toda perereca pequena de arlequim. O nome arlequim vem do padrão de losangos e da ampulheta, que lembra a roupa do personagem Arlequim. Sem essa marca, não é ela.

Outro mito é achar que é réptil porque tem pele lisa e vive em árvore. Réptil tem escamas, pulmão exclusivo e ovo com casca; anfíbio tem pele úmida, metamorfose e ovo sem casca. A perereca-arlequim tem girino, logo é anfíbio.

Na nossa avaliação, a perereca-arlequim é um ótimo exemplo de como espécies pequenas e discretas sustentam o equilíbrio de brejos. Não é animal para criação doméstica e seu valor está justamente livre, controlando insetos e indicando a saúde da água.

Característica Perereca-arlequim Perereca-de-moldura (parecida)
Mancha dorsal Ampulheta fechada e bem definida Moldura mais aberta em forma de U
Cor noturna Amarelo-pálido a creme Mais acastanhada
Tamanho 2,5 a 3,2 cm 3,0 a 4,0 cm
Canto Dois tipos, um agressivo curto Trinado mais longo e uniforme

Perguntas frequentes

Perereca-arlequim é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da ordem Anura, família Hylidae. Tem pele úmida, girino aquático e metamorfose, diferente de répteis que têm escamas e ovo com casca.

Perereca-arlequim é venenosa?

Não é peçonhenta. Tem secreção cutânea levemente irritante que pode causar ardor em mucosas e, se ingerida por cães ou gatos, salivação e vômito passageiros.

Qual o tamanho da perereca-arlequim?

Machos têm 2,5 a 2,8 cm e fêmeas 2,9 a 3,2 cm, pesando de 1 a 3 g.

Onde a perereca-arlequim vive no Brasil?

Principalmente na Amazônia e no norte do Cerrado, em poças temporárias, brejos e bordas de mata abaixo de 1.000 m de altitude.

Pode criar perereca-arlequim em casa?

Não é recomendado e não há criação legalizada como pet no Brasil. É silvestre, sensível à umidade e protegida por lei; capturar é crime ambiental.

O que a perereca-arlequim come?

Insetos pequenos como mosquitos, moscas e besouros, caçados à noite com botes curtos a partir de folhas.

Por que ela muda de cor?

Por ação de cromatóforos regulados por luz e hormônios: fica amarelo-pálida à noite e marrom-avermelhada de dia para se camuflar.

Você sabia?

1

Troca de guarda-roupa diária

De dia fica marrom-avermelhada e à noite vira amarelo-pálida em poucas horas, uma mudança fisiológica rara entre pererecas tão pequenas.

2

Dois cantos diferentes

O macho emite um canto longo para atrair fêmeas e um canto curto e áspero para brigar com outros machos pelo poleiro.

3

Berçário em folha

Põe ovos em folhas sobre a água; os girinos caem na poça ao eclodir e podem sobreviver mesmo se a chuva submergir a folha.

4

Ampulheta que engana predador

A mancha escura em forma de ampulheta quebra o contorno do corpo e confunde aves e cobras quando ela está parada na folha.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. AmphibiaWeb
  3. Sociedade Brasileira de Herpetologia
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Perereca-arlequim

Prós

  • Controla mosquitos e outros insetos noturnos
  • Bioindicadora da qualidade da água e do brejo
  • Inofensiva para humanos quando não manipulada
  • Canto agudo ajuda a localizar e monitorar áreas úmidas
  • Ciclo rápido que se adapta a poças temporárias

Contras

  • Extremamente sensível à poluição, agrotóxicos e seca
  • Não se adapta ao convívio doméstico nem a terrário caseiro
  • Desova depende de chuva e folha sobre água; falha se poça secar
  • Pode causar irritação em mucosas de pets se ingerida
  • Populações locais somem com aterro de brejos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a perereca-arlequim é fascinante justamente por ser pequena e mutável: a troca de cor dia-noite e a desova em folhas mostram uma adaptação fina a poças que secam. Não é e nem deve ser pet, seu valor está livre como controladora de mosquitos e termômetro da saúde dos brejos.

Continue explorando: Répteis e Anfíbios